26 de abril de 2016

Neil Gaiman nos compreende

Para você ver como a vida é engraçada, né... Primeiro, eu tive que lutar contra a depressão para conseguir me focar no meu negócio e vou te dizer: não foi fácil. Foi doloroso. Ainda é. Mas hoje em dia se tornou menos difícil pular alguns obstáculos. Acontece que agora me vejo obrigada a redirecionar esse foco e, veja você, colocar tudo o que conquistei em segundo plano. Quero dizer, não sou obrigada, mas só funciono desse jeito. Motivação, para quem sofre de TAG, é um recurso não renovável – ou você usa em uma coisa, ou em outra. É claro que eu tenho escolhas, só que ao contrário do que você pensa isso não torna a situação mais fácil. Pelo contrário.


Obrigada a todos os comentários do texto anterior. Por um tempo, eu segui a recomendação de vocês e simplesmente larguei tudo para ver qualéquié a desse movimento. Deixei as águas rolarem até o momento em que percebi que elas começaram a adquirir uma cor diferente. Sabe como é, pescar em águas turvas, etc, não lembro como minha avó dizia, mas é mais ou menos por aí. Não tem problema se você não entendeu porque eu já não entendo há muito tempo.

Eu sinto que preciso me forçar, quase à exaustão, a sair do lugar. Não posso “dar um tempo”, pois algo me diz que dar brecha para esse tipo de atitude é o mesmo que entrar num labirinto. Pelo menos no meu caso. O problema é: como, em plena depressão, vou me obrigar a agir e ainda por cima mudar o foco que tanto lutei para manter? É um enigma que não tem resposta, sinceramente. O mais próximo de uma solução que consegui chegar foi lendo o livro de Jenny Lawson, Alucinadamente Feliz. Em um trecho, ela escreve que estava tendo uma crise de Ansiedade e resolveu conversar com Neil Gaiman (ele mesmo), seu amigo. Gaiman mandou um SMS com um conselho sucinto que, segundo minha vã filosofia, pode mudar a visão de vida de qualquer pessoa:

“Finja que é boa nisso”

Foi como num passe de mágica? Não, não foi. Nada mudou desde então, para ser honesta. Só que essa frase – essa verdade transcendental – tem servido como muletas para mim. Tem dias em que não quero sequer me levantar da cama; em outros, a comida me dá nojo; há noites em que eu acho que vou morrer sozinha e meu corpo só será encontrado uma semana depois pelos vizinhos; hoje, por exemplo, meu coração quer sair pela boca e eu não faço a mínima ideia da razão; às vezes, eu quero desistir de tudo e viver de luz solar. Quando acordo em um dia ruim, no qual sei que a TAG não vai facilitar para o meu lado, eu olho para o espelho e digo para mim mesma que sou boa, sou ótima, em pelo menos escovar os dentes e pentear os cabelos – e eu escovo e penteio, e tem manhãs que choro porque fui capaz de me dar essa chance de não apodrecer enquanto vivo.

Então, o que vem acontecendo? Eu não melhorei da noite para o dia, mas Jenny Lawson tem se tornado uma guru. Parei de me cobrar menos. Entendi que o meu tempo é diferente dos outros e que, se você quer saber, ninguém precisa compreender isso em sua essência: basta não me encher o saco. Ou seja, tenho sido mais grossa do que de costume com pessoas igualmente grossas, ou impacientes. Num mundo perfeito, todos ao meu redor entenderiam minha condição e dariam o melhor de si para não serem cuzões, mas não vivemos em um mundo perfeito.

Aceita, que dói menos.

16 de abril de 2016

Melancolia

Sim, eu sumi e foi de propósito. Um belo dia me dei conta de que nada mais faz sentido para mim e resolvi me afastar para promover um profundo detox de opiniões. Eu preciso rever meu conceito de redes sociais e como uso essas ferramentas ultimamente; preciso priorizar outras coisas e me joguei de cabeça no trabalho criando assim, novos projetos e metas. O blog, infelizmente, ficou no último dos últimos lugares e confesso que só volto a escrever aqui após muito esforço. Não que eu queira desistir, ou não veja mais razão em mantê-lo. A verdade é que venho perdendo a motivação. Nada do que me cerca parece ser capaz de me salvar.

Enquanto eu dormia, tive um sonho específico que me fez acordar com uma convicção: preciso recomeçar minha vida de onde parei. Uma parte de mim sabe que devo seguir em frente sem olhar para trás, mas no inconsciente existe essa ideia fixa de que tenho o direito de recuperar tudo o que me foi tirado. Desde a minha adolescência, alimento uma mágoa concreta que, sem a menor sombra de dúvida, é o meu principal obstáculo. Por outro lado, sinto que não sei viver sem esse sentimento, que me convence a reconquistar o que me foi roubado, ao invés de construir uma nova realidade.

Eu sofri inúmeras injustiças, que até hoje não foram pagas, ou vingadas. Perto de chegar à casa dos 30 anos, é como se minha vida inteira tivesse sido desperdiçada. Há muitos anos observo o mundo dar voltas, e continuo por baixo. Sabe, uma hora cansa; tanto, que é fácil perder a inspiração e certas vontades. Poucas coisas valem a pena. Cheguei ao ponto de me proibir a tentar novas experiências porque, se der errado, sou capaz de não levantar mais da cama. Ou eu tenho a certeza de que dará certo, ou nem começarei. Para mim, simplesmente não dá mais. Eu cheguei no meu limite. Preciso me reinventar, com urgência.

Preciso de ajuda, também.
Mas aí, isso já é mais difícil de conseguir.