26 de março de 2016

O limbo

Eu olho para o bloco de notas em branco e não tenho a mínima ideia do que estou fazendo, ou do que pretendia fazer ao abri-lo. Se eu tinha algum objetivo, ele acabou por escorrer pelo meu nariz – porque eu amo o outono, mas vou ter crises de rinite alérgica todos os dias a partir de agora. Segure a minha mão! As coisas estão um pouco desajustadas e não sei o que me fez parar para escrever aqui. Bem pode ser a minha promessa de respeitar meu horário de trabalho, mas é provável que eu esteja apenas fugindo das responsabilidades.

Pois, vou te contar: à beira dos 29 anos, eu comecei a degringolar. Está um pouco assustador, eu diria. Caótico, seria a palavra, só que estou tentando maneirar no drama. Esses dias fui ao cartório eleitoral (não sem rir internamente com trocadilhos envolvendo zona, veja você) e, nossa, como eu sou adulta. Há uns dez anos eu estava para transferir meu título de zona (risos). Não fiz antes porque, além de cagar de medo de ser contemplada com a honra de trabalhar como mesária, eu tinha pura preguiça de encarar o serviço público. Vamos combinar: contato de primeiro grau com qualquer tipo de funcionário público nem sempre acaba bem. Cheguei atrasada (obrigada a todos os envolvidos) e a transferência foi tão rápida que, no fundo, eu senti vontade de ser adulta mais vezes.

Já passou, a vontade.

Daí você me diz: “ser adulto não é uma questão de vontade”, e eu lhe digo: challenge accepted. Quando acordo depressiva, não tem ataque nuclear que me tire da cama para salvar minha vida. Ontem, por exemplo, eu deveria ter ido ao banco. Pergunta se eu fui. Não, e não pretendo ir pelos próximos seis meses. Agência bancária, de acordo com minha teoria, é o purgatório na Terra. Você só é obrigado a ir se tiver muitos pecados para purificar. Enquanto me comporto bem, não vejo razões para aparecer lá.

Mas não pense que estou acomodada nesse limbo que me anula entre os 28 e os 30 anos. Estou caprichando nos mantras, na energia positiva, estou distribuindo “gratidão” para quem quiser ouvir e tentando acumular um karma bacana. Não que esteja resolvendo os meus problemas, mas pelo menos não atrapalha. Até descobri, na ânsia de melhorar para o meu lado, um aplicativo novo de meditação muito bom. Segue a dica: Meditare! Possui meditações guiadas (de 5 à 10min.) e silenciosas, podendo escolher quantos minutos quiser. Para você ter uma ideia desisntalei todos os outros apps de meditação, de tão bom que esse é.



Então, está bem. Eu só queria mesmo avisar que as coisas estarão totalmente fora do lugar. Pelo menos até eu completar 30 anos, o que só acontecerá no ano que vem. Se alguém por aí tem 29 anos, por favor, compartilhe comigo como é sobreviver a essa neblina. Eu jamais imaginei que conheceria um período pior do que os 13 anos. Para você ver, a gente está aqui para morder a língua.

11 de março de 2016

Querido blog

Bem que eu gostaria de vir aqui escrever sobre os últimos livros que li, ou filmes que assisti, mas a única coisa que tenho feito é trabalhar, estudar e no meio tempo tento levar adiante algum projeto paralelo, que fiz o favor de inventar porque minha cabeça não consegue parar quieta. Há semanas eu não meditava, por exemplo, pois sempre estou exausta à noite. Ontem, no entanto, resolvi ignorar o cansaço e reservei quinze minutos para fazer uma meditação guiada. Você não imagina o milagre que se operou em minha pessoa. Foi só então que percebi a falta que eu estava sentindo de fazer certas coisas; e me dei conta de que além de aprender a me organizar, eu vou ter que aprender a me respeitar.

Levar o trabalho a sério não é uma qualidade, é uma obrigação, e de uns meses para cá o meu ateliê tem estado no primeiro dos primeiros lugares. De domingo a domingo, se não estou bordando, estou estudando empreendedorismo, participando de palestras, fazendo cursos, lendo livros técnicos, investindo em marketing digital, divulgando em todas as mídias sociais e, enfim, respirando o meu negócio independente 24 horas por dia. Isso é bom, e não estou reclamando. O problema é que, em contrapartida, outras coisas tem sido negligenciadas. Eu, por exemplo. Aliás, principalmente eu. 



Até parece um paradoxo, eu sei. “Mas como você consegue ficar de fora sendo que seu negócio é você”? Sim, o Nuvem Canela é o meu espelho, mas existem outras versões de mim por aí que também precisam de atenção. A versão escritora, que está desde o ano passado com um livro entalado na garganta e não consegue arranjar tempo para colocá-lo no papel; e quando tem tempo não consegue parar de pensar em como colocar em prática tudo o que os professores ensinaram, ao invés de se concentrar no próximo parágrafo.

A versão imaginativa, que está louca para atualizar o journal e seu Destrua este Diário, mas que só consegue se preocupar com o próximo bordado, que cores usará, qual design irá escolher, se a cliente vai aprovar, que precisa terminar a nova mandala para colocá-la no bastidor e, zap, despachar pelo correio antes que o prazo estoure. E a versão mãe de cachorro quer levar o Benjamin para o Parque da Independência, um lugar diferente, uma caminhada, qualquer programa canino, mas agora não dá!

Não me entenda mal: eu amo o que faço e, literalmente, vivo para isso. Não consigo me imaginar sem levantar de manhã cedo e encontrar minha mesa repleta de linhas, agulhas e bordados inacabados. É lindo! É o meu habitat. É o ideal para mim. Por outro lado, fim de semana é para descansar. Feriados são para aproveitar a família e tirar o atraso dos projetos paralelos. Quando se está passeando com o namorado não pode ficar com pressa de voltar para casa para finalizar um trabalho que só será entregue dali há cinco dias. Eu havia combinado que as manhãs estavam reservadas para os passeios com o Benjamin e não para as respostas de emails comerciais. As noites são para leituras, não criação de conteúdo. Sábado é dia de filmes e seriados, não mais trabalho.

Este texto foi escrito durante o meu almoço, um intervalo pequeno e conturbado. Após engolir a comida e correr para o celular para responder dúvidas de clientes, eu parei, contei até três e me sentei. Agora chega. Estou no meu horário de almoço e vou escrever um texto pessoal para você, caro blog. Ainda tenho alguns minutos preciosos que conquistei – não me foram dados de presente –, e se você quer saber: não tenho medo usá-los! Hoje à noite vou começar uma nova leitura, por simples prazer, e vou dormir tarde porque quero assistir um filme indiano que está na minha lista há anos. E vai ficar tudo bem.

Eu vou fazer com que fique tudo bem.

8 de março de 2016

Projeto – Destrua este Diário (Parte 2)

Clique aqui para ler a primeira parte!

Vamos todos fazer de conta que o primeiro (e até então último) post sobre esse projeto não foi há mais de um mês atrás? Vamos. Vamos ignorar o fato de que há mais quatro páginas completas, mas mesmo assim nem me dei ao trabalho de atualizá-los? Vamos! Vamos desistir dessa blogueira que vos fala, virar as costas e ir embora para nunca mais? Por favor, não. Em minha defesa, digo que o trabalho me manteve afastada desse hobby divertidíssimo. Peço desculpas. Vida que segue.



Bem que eu disse que destruiria meu exemplar o mínimo possível, mas na parte do café foi inevitável. Não que eu tenha literalmente cuspido no livro, tenha dó! Peguei o café feito de manhã cedo, que já estava frio, e pintei a página – desenhei uma caneca porque sou fofa. Infelizmente, a foto não faz jus ao resultado final. Já os pés... bem, a missão era subir no livro e eu não vi sentido algum nisso. Como adoro fazer zentangles, desenhei pés aleatórios e preenchi. Não ficou tão legal, mas eu gostei.



Desde a primeira vez em que vi essa página soube que colocaria o Pig Pen por motivos de gente, Pig Pen! ♥ Só que não me senti à vontade em esfregar terra no livro então usei borra de café (daquele mesmo cujo líquido pintou outra página; sou muito sustentável). Ficou muito bom, obrigada, apesar da minha versão do Pig Pen ter saído meio torta. E quanto à missão da página seguinte, “Trace linhas grossas e finas”, tirei a foto antes de finalizar porque já expliquei que estava sem tempo. Agora ela está pronta e voltei a completar meu exemplar. Tem sido uma terapia, se você quer saber, e vou tentar não demorar muito para aparecer por aqui com as próximas páginas. Em todo caso, é só me seguir no Instagram – sempre posto lá primeiro!