25 de fevereiro de 2016

10 perfis no Instagram para quem curte journals

Como vocês bem sabem, eu sou apaixonada por journals e me aventuro em um projeto e outro (aliás, não me esqueci do meu Destrua este Diário, só estou sem tempo). Para mim, é uma forma de relaxar e exercitar a criatividade! E se me faltam ideias, corro para esses perfis do Instagram que separei para vocês. Sério, é o melhor dos remédios.





























16 de fevereiro de 2016

O cata-vento

Quando dei por mim, estava em um funeral num cemitério pequeno há trinta minutos de casa. Esperávamos pela chegada do cortejo enquanto eu tentava processar a informação de que havia um lote específico para bebês logo atrás de mim. “Por que alguém colocaria cata-ventos em um jazigo?”, eu mastigava. “Por que alguém haveria de passar pelo trauma de enterrar um bebê?”, engoli.

Até então, de alguma forma, meu cérebro havia apagado por completo o fato de que estávamos lá pelo meu tio – aquele que morava em uma chácara bonita no fim do mundo; brinquei muito com as filhas dele, minhas primas, quando era mais nova; fui ao casamento de uma delas; a esposa dele faz roupas bonitas; ele sabia pescar; tinha um neto. “Eu ainda não conheço o neto dele”. Pois, estávamos esperando pelo irmão favorito de minha mãe, o mais próximo dela dentre os dez (ou doze, ou treze). Como todos os outros parentes estavam na capela da família, onde fizeram o velório, foi fácil abstrair a situação e ficar ali: parada, em pé, olhos fixos no cata-vento.

Mas aí houve comoção. A movimentação na entrada do cemitério fez com que eu desviasse os olhos para o carro fúnebre e sentenciasse para minha mãe: “O tio chegou”. E que estúpida, não é mesmo? Porque, veja bem, como alguém que acabou de partir pode chegar? O choro da despedida apenas confirmou o que eu suspeitava: ao abrirem o caixão desta vez na capela do cemitério, não era ele. O meu tio havia ido embora. Ninguém sabe para onde. O que chegou foi uma caixa de madeira repleta de flores e... sim, tinha alguém dentro. Não, não era alguém. Quero dizer, eu tive a impressão de tê-lo conhecido em alguma etapa da minha vida. Era familiar e ao mesmo tempo um completo estranho. Não podia ser meu tio porque ele, de algum jeito, estava vivo e jamais poderia morrer. No entanto, estava morto e precisávamos enterrá-lo, pois é assim que as coisas são feitas.

Saí da capela saturada do choro dos outros e do meu. Fui para o jazigo onde havia o cata-vento girando devagarinho e me veio qualquer lei da Física à cabeça. Daí para frente eu me lembro de pouco: me lembro de ter ficado com raiva da pessoa que colocou o cata-vento sobre um bebê enterrado; lembro de ter segurado o ímpeto de arrancá-lo da terra e jogá-lo para longe; e então me avisaram que meu tio estava indo e eu perguntei para onde, mas só recebi um tapinha nas costas como resposta. Lembro de ter dado as costas para o cata-vento com a nítida sensação de que aquilo estava errado – cemitério não é lugar para cata-ventos. “Cemitério não é lugar para crianças”, tive vontade de dizer para uma prima que trouxe a filha pequena e num susto me dei conta: eu estava num lote específico para crianças, brigando com um maldito cata-vento.

Enterrei meu tio. Bom, deixei que o enfiassem em uma tumba fria de lajotas cuja inscrição indica que devo visitá-lo ali a partir de agora e me contentar com isso. Engole o choro. Minhas primas estavam inconsoláveis. Minha tia, absorta. Minha mãe se apoiava em mim, prestes a afundar. Eu não orei o Ave-Maria porque não sou católica. Lembro que chorei. Lembro que sorri também, pois se passou pela minha cabeça que meu tio morreria de medo daquilo se estivesse vivo. Não é engraçado? Não, não é. Eu não deveria ter achado graça, desculpa. Só me restaram flashes de memória após o fim de tudo. Abraços, lágrimas, “nos vemos outra hora, a gente se fala, passe lá em casa para um café, há quanto tempo não nos vemos, como vai seu pai, meus sentimentos, força”. Não faço ideia. As lágrimas. Mas o cata-vento. A criança do cata-vento. O meu tio.

A injustiça.

3 de fevereiro de 2016

Lidando com o Transtorno de Ansiedade

“Eu deveria voltar à terapia” – é com esse pensamento que me levanto todos os dias de manhã. Meses atrás entrei em depressão e o que achei ser passageiro está durando até hoje e, o que é pior, evoluindo para crises de pânico. Há semanas não saio sozinha de casa, pois passo mal na rua. Ontem sofri um desmaio em casa sem motivo algum. Estou sobrevivendo de medicação e sucos de maracujá, mas nada tem resolvido o problema. Eu não melhoro. Não consigo dormir, tenho vontade de morrer ao acordar e faço tudo à força. A única vontade que tenho é de comer até explodir. 



A depressão é refletida no blog – não consigo escrever textos pessoais como antigamente e não encontro razões para tentar. Eu não quero, e isso é mais forte do que a escritora que me habita (ou que um dia me habitou; talvez ela não tenha sobrevivido). Estou fazendo o melhor possível mesmo que não seja o suficiente na maioria das vezes para as pessoas que me rodeiam. A verdade é que a depressão, quando aparece, tem sempre uma cara nova. Por mais que eu saiba como lidar com ela há novas características que preciso aprender a contornar. Dessa vez, por exemplo, são os desmaios.

O que eu faço? Muito suco natural de maracujá, além dos remédios prescritos pela médica. Por mais que eu odeie tomá-los viro do avesso sem a medicação controlada. Também medito todas as noites antes de dormir, o que costuma ajudar. Não posso dizer que é milagroso e “tiro e queda”, mas me ajuda a controlar o fluxo contínuo de pensamentos desconexos que provocam insônia.




Outra coisa que me ajuda à noite (o pior momento de todos) são aplicativos de ASMR como o “Relaxe Chuva” e algumas playlists que tenho salvas no aplicativo do 8tracks. Minhas favoritas são nature scape, Shakuhachi Shikantaza e The Bodhi Tree. Ligo qualquer um desses dois aplicativos no celular, coloco os fones de ouvido e pratico a técnica 4-7-8



O ideal seria voltar a fazer terapia, mas não tenho dinheiro; e se existe um conselho que realmente vale a pena dar é dizer às pessoas para não irem, jamais, a consultas em psicólogos do sistema público. Tive uma experiência tão horrível com uma psicóloga do SUS, que minha terapeuta particular passou oito meses apenas resolvendo esse trauma, ao invés de começarmos a solucionar meus problemas pessoais. Portanto, fiquem longe desse serviço. É o que eu tenho a dizer. Sei que não sou o melhor exemplo porque estou aqui passando por uma das piores crises, mas acredite: prefiro isso do que passar por aquilo novamente, ou mesmo arriscar.

Eu não acredito que o Transtorno de Ansiedade, a depressão, a Síndrome do Pânico, enfim, tenham cura. A gente aprende a conviver com esses problemas e seus sintomas, é isso. Não há nada de melhor para se fazer. Eu sei que isso vai passar, que daqui há uns meses (ou dias, semanas) vou estar me sentindo melhor e, quem sabe, até “normal”. É possível voltar a sair sozinha de casa, só depende de mim. Às vezes tenho a impressão de que nada que eu faça irá resolver, por outro lado, uma parte de mim sente a força de vontade e de algum jeito se conserta.



As imagens que ilustraram este post são da incrível ilustradora Gemma Correll, que também sofre de depressão e conseguiu representá-la de forma cômica em seus desenhos. Você pode conferir o trabalho dela no site, no Facebook e no Tumblr! E se você sofre de problemas emocionais, não guarde isso para si: converse com as pessoas, escreva um desabafo e seja notado.