31 de agosto de 2015

BlogDay 2015 e o post nº 500

Muito bem, vou participar do BlogDay 2015 indicando 5 blogs e ainda por cima comemorando 500 textos publicados ao longo desses 5 anos de blog. Vocês sabiam que o Bonjour Circus fez aniversário no dia 24? Nem eu. Bem que podia ter sido no dia 25 só para deixar tudo redondinho do jeito que nós, maníacos, gostamos. Mas antes de qualquer coisa, relembre o BlogDay de 2011, 2012 e 2014.


Eu adoro o jeito organizado da Luma, seus projetos, suas listas e gosto de saber o que ela leu, ou que filme assistiu. Foi através dela que conheci o postcrossing.com (mas não participei ainda porque está complicado de encontrar cartões postais em São Paulo) e fico babando nos materiais de pintura que ela posta vez e outra em sua conta no Instagram. Seu único defeito, digamos, é a falta de atualizações. Sim, é um puxão de orelha, mas um puxão de orelha do bem. Faz muita falta!


Sinto que sou a melhor amiga de infância da Vanessa. Nem faz tanto tempo assim que acompanho o blog dela, mas já me considero de casa. Concordo com 98% do que ela escreve e não há um post em que eu não dê pelo menos uma risadinha. É o melhor que podemos encontrar em relação a blogagem old school. Não é todo mundo que consegue manter um blog tão bom assim escrevendo apenas sobre o cotidiano (e está aí um puxão de orelha para mim). Se um fã clube houvesse, com certeza eu usaria uma faixa na cabeça com os escritos “Vanessa, não milarga”.


Grazi é vegana e uma menina gentil. Sabe quando você acha que conhece a pessoa só porque lê seu blog diariamente? Então, ela é super gentil. Gosto muito de suas receitas, principalmente aquelas que envolvem amêndoas porque, benzadeus, eu sou a louca das amêndoas! Outro dia ela ensinou a fazer um leite condensado com o fruto e estou sofrendo cólicas na ânsia de testar. Enfim, eu recomendo Um Toque pra Você para quem está na mesma vibe que nós: uma vida simples, saborosa e sem preconceitos.


Seguindo a mesma linha do li-seu-blog-te-conheço-desde-sempre, aqui está Elisabeth, uma garota fofíssima, que foi au pair assim como eu. Só que diferente de mim, ela fala bem mais sobre isso no blog dela. Dá dicas de lugares para visitar e, recentemente, publicou um bom texto de como escolher sua host family. Eu adoro o jeito de diário que o Bem me Leve! tem, bem despretensioso e leve de verdade. Sem dizer que Elisabeth é super fotogênica e deveria tirar/postar mais fotos (fica a dica).


Tá, eu não acho que a Juliana precise de qualquer indicação, muito menos minha, mas como estou cada vez mais entrando no mundinho mágico das ilustrações seu blog entrou nos meus favoritos. Tudo bem que demora um pouco para carregar, mas as dicas que ela dá são valiosas para mim – e seus trabalhos são inspiradores. Tenho alguns posts dela salvos no Pinterest e não vejo a hora de começar a trabalhar com aquarela para colocar tudo em prática! A Juliana tem sido minha principal fonte. Está abrindo portas e me fazendo descobrir outros artistas e novas técnicas. Recomendo para quem tem a ilustração como hobbie, ou profissão.

Vocês viram? Nesse ano teve até textinho para cada blog indicado, o que é um milagre haja vista os anos anteriores de pura preguiça. Haja vista. Que rebuscada, eu sou. Pois bem, eu não queria que o post nº 500 passasse em branco. São tantos números 5, neste 31 de agosto, que é preciso dar uma atenção especial. Eu sei que tenho perdido um pouco a linha editorial do Bonjour Circus. Não é por mal, todavia. Há tanta coisa aqui do lado de fora, que não sei o que organizar primeiro – daí eu entro naquele looping de organizar a organização e só depois arrumar o que organizei e aí começar, de fato, a organizar a partir da lista que organizei... Enfim.

27 de agosto de 2015

Cirque Life, por Eric Hernandez

Apesar do Bonjour Circus ser baseado em cultura circense, provavelmente há novos leitores que sequer saibam disso. Faz bastante tempo que não escrevo nada sobre arte circense por aqui porque existem coisas específicas que, eu acho, não interessam tanto assim para quem não está imerso na cultura. A minha intenção no início era postar informações sobre o assunto, mas no fim dei preferência para a vida pessoal. Deu certo desse jeito, então não vou mexer em time que está ganhando. Mas às vezes acabo topando por aí na internet com assuntos realmente legais (ok, pelo menos para mim). Como, por exemplo, aconteceu há uns meses atrás quando me deparei, sem querer querendo, com o canal cirqueLIFE, de Eric Hernandez. 


Eric é um jovem de 25 anos, artista do Cirque du Soleil, que se apresenta no itinerário Totem há três anos e meio. Em seu canal do Youtube ele nos mostra nada mais, nada menos, do que os bastidores do espetáculo. E quando digo “bastidores”, vou no mais profundo da palavra: treinos, premieres, maquiagem, camarim, entrevistas e vida pessoal. Além de tudo isso, o cara manda bem nas edições de seus vídeos, também, e consegue abarcar o cotidiano da companhia completa.


Quem acompanha o blog há mais tempo e leu meus textos sobre minhas visitas ao Varekai e ao Corteo sabe que sou do tipo que dá uma escapada para os fundos da tenda só para entender a mecânica da brincadeira. Eu nunca me contento apenas com a apresentação, preciso ver o esqueleto. Portanto, ter encontrado o canal de Eric Hernandez foi, sem a menor dúvida, um presente.

Sei que existem pessoas torcendo o nariz para o Cirque du Soleil. Não consigo entender como conseguem arranjar motivos para depreciá-lo, mas elas estão por toda a parte. Eu, em contrapartida, vejo a companhia como uma forma bem sucedida de manter a arte circense viva, sem apelos, ou maus-tratos – diferente do Ringling Brothers que, apesar dos mais de 100 anos de tradição, ainda usa animais e tem seu crescimento estagnado. O Cirque du Soleil oferece um espetáculo para poucos? É elitizado? Concordo que seja, sim. Mas não vejo outra forma de manter aquela imensa estrutura senão cobrando preços assombrosos nos ingressos (e na maldita pipoca).

Ok, não vou me empolgar e começar a discutir sobre o setor financeiro de grandes e pequenas companhias – força do hábito. Eu só queria mostrar a vocês esse canal maravilhoso, ou ao menos interessante para quem sempre se perguntou como diabos funciona o Cirque du Soleil. É complexo, isso posso afirmar. Hoje em dia não se usam mais trens e as tendas não são erguidas por elefantes, mas ainda existe muita mágica. Está aí uma arte que jamais deixará de ser o maior espetáculo na face da Terra!

24 de agosto de 2015

A volta daquela que não foi

(faz uns dez anos que quero usar esse título em um post)

Não posso dizer que estou contente com as últimas postagens do Bonjour Circus. Eu bem que avisei que estava de saco cheio de tudo e “uma lista de textos se acumulou na pasta do blog, não por falta de ideias para escrevê-los, mas porque eu não quero. Venha me obrigar. Portanto, não estranhem se aparecer, vez ou outra, um post abstrato sobre coisas legais que vi na internet, pois é mais fácil copiar e colar do que me espremer para ver se sai alguma coisa”. Vocês devem ter percebido que cumpri com a ameaça. Bem que eu adoraria escrever como se não houvesse o amanhã, mas a verdade é que me falta espaço. O problema não é o tempo nem a criatividade – estou falando de espaço mesmo. Minha cabeça está fervilhando de ideias, entrei novamente na paranoia literária de querer ler todos os livros do mundo e minha vida offline está atipicamente sedutora.


Ou seja, tem bastante coisa acontecendo e eu não tenho lá muita vontade de parar tudo para vir aqui contar. Cheguei a pensar em escrever um texto sobre o dia em que me perdi na minha própria cidade e que fiquei preocupada quando o ônibus subiu um viaduto, pensando que acabaria no Guarujá, ou coisa parecida, e que então eu seria obrigada a dar um mergulho no mar, de roupa, só para não dar o braço a torcer. Mas veja você, isso é história que se conta num único parágrafo. No fim, encontrei meu caminho, apesar de estar dez minutos atrasada. Ainda assim me dei bem porque a outra pessoa chegou com trinta e cinco minutos de atraso sendo que morava há cinco minutos do local combinado. Para você ver que minha vida é um circo.

Outro fator que atrapalhou bastante o rendimento do blog foi a troca de medicamento que meu psiquiatra achou de bom tom fazer em pleno início de agosto. Esse mês já não é assim, a melhor coisa do ano que pode me ocorrer, e depois do antidepressivo de 15mg degringolei de vez. Eu acordava querendo dormir, para vocês terem uma ideia; não conseguia formular frases minimamente compreensíveis; minhas mãos tremiam e eu não sabia como bordar com elas daquele jeito; meu emocional ficou tão sobrecarregado que fiquei com medo de estapear um inocente sem razão alguma. Daí você diz: “ué, era só ter passado no médico e pronto”. Te amo por sua inocência. Minhas consultas são através do SUS (porque psiquiatras são caríssimos) e ninguém nesse sistema atende sem consulta marcada. Não adianta chegar na recepção dizendo que o psiquiatra está de sacanagem. Se o paciente não estiver levando as próprias tripas num balde, esquece! Então estou me virando com o resto do remédio antigo. Melhorei consideravelmente, mas a expectativa da próxima consulta marcada está me matando. Eu preciso olhar aquele homem nos olhos e dizer: “você quase me matou”.

Semana retrasada (eu acho, não sei, também não importa) fui à Paulínia por motivos de passear e “vai tomar um sol, menina, pelo amor de deus, está com cor de doente”. Para quem não sabe é uma cidade do interior paulista de economia petrolífera, se não me engano. Um charme. Fui com medo de morrer de tédio, mas acabei me apaixonando pelo lugar. Resultado: estou estudando possibilidades de me mudar para lá. Não sei se vou com ateliê e a trupe, ou se presto um concurso antes de me estabelecer. A única certeza que tenho é que preciso mudar de ares. Quero mais tranquilidade e segurança para o meu dia a dia. De repente, São Paulo passou a sobrar em mim. Está demais. Já deu. Não consigo andar nas ruas agarrada a minha bolsa; estou com nojo de respirar poluição; cansei de viadutos. Estou estressada, é isso.

E ainda tem mais?
Tem, mas acabou.

16 de agosto de 2015

TAG: as ondas

Assisti Aline Aimee responder e fiquei com vontade de participar. Simples assim. Participem aí!

1. Bernard sentia amor à literatura: um livro sobre livros.
Quantas mil pessoas responderão A Menina que Roubava Livros, de Markus Zusak? Pois eu sou a número mil e um. É o único livro do qual consigo me lembrar, apesar de desconfiar que A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, também mencione livros. Faz muito tempo que o li, jamais vou ter certeza sem reler a história inteira. Em 2008 eu li As Memórias do Livro, de Geraldine Brooks, que tinha algo a ver com a restauração de um livro, mas há uma neblina nas lembranças. Ah, é claro! Como pude esquecer?! Tem o incrível A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows, que fala sobre um clube de leitura. Demorei um bocado para consegui-lo pelo Plus do Skoob e foi uma festa quando fizeram a troca. Valeu a pena, sim, mas não é tanto quanto falam. Acabei passando para frente – mal deu cinco minutos que o disponibilizei e uma moça o solicitou, pois estava tão louca quanto eu para lê-lo; viu como é bom fazer trocas?

2. Susan sentia paixão pela natureza e a maternidade: um livro que fale sobre ser mãe.
Agora vou ser a maior estraga-prazeres do playground e tacar um Precisamos Falar Sobre o Kevin, de Lionel Shriver, na cara de todo mundo. Nossa, que torta de climão, não é mesmo? A verdade é que levo essa possibilidade a sério: quando uma mulher quer se tornar mãe, logo imagina seu bebê como um cálido anjo transbordando ternura e amor. Ninguém pára (eu uso acento agudo no verbo parar ainda, sim, trabalhe esse fato dentro de você) para pensar que as coisas podem sair de um jeito errado, mas assim, bem errado. Não estou falando sobre doenças físicas, que essas eu seria capaz de enfrentar de peito aberto. Estou falando de desvios severos de caráter. Digamos que minha família tem um histórico de arrepiar os pêlos da nuca e que minha própria personalidade, segundo um teste aparentemente confiável, é compatível com Hannibal Lecter (INTJ). O livro de Lionel Shriver abriu os meus olhos para o mundo. Pense em Kevin três vezes antes de ter um filho.

3. Rodha se sente diferente em relação aos outros: um livro com um personagem diferente dos padrões.
Bom, não é um personagem ficcional: Andrew Solomon conta a história de sua depressão no calhamaço O Demônio do Meio-dia. Não terminei a leitura, mas quero adiantar que pouca coisa me agradou até agora. Aparentemente, Andrew é o tipo de pessoa que tem tudo na vida, está cercado pelos melhores companheiros e cai em depressão sem mais nem menos, por conta de um choque, ou outro. Já pude notar que ele experimentou de tudo para alcançar a cura – incluindo sacrifício de animais. O autor é adepto das drogas “limpas”, o que o distancia de tratamentos alternativos, mais naturais, que por consequência me distancia dele. Por enquanto só posso dizer que ele viveu altas aventuras do barulho por conta de sua depressão e que eu simplesmente acho impossível alguém tão depressivo ter tido tanta força para experimentar tudo o que ele nos conta.

4. Neville tinha inquietações sociais e ideológicas: um livro que após a leitura dá vontade de fazer algo pelo mundo.
Após ler o livro-reportagem Prato Sujo, de Marcia Kedouk, tive certeza do que já desconfiava há algum tempo: nós precisamos mudar nossa relação com o alimento. Pelo bem da saúde física e, principalmente, da saúde do planeta. Quando pensamos em agrotóxicos, por exemplo, a primeira preocupação que nos aparece é o câncer. Por outro lado, há também a esterilidade da terra, a contaminação de lençóis freáticos, enfim, a total inutilização de um bom pedaço de terreno. A consciência, a reedução alimentar, vão muito além do nosso corpo – todo o ambiente está sendo prejudicado. Não foi o livro que deu o empurrãozinho necessário para que eu começasse de uma vez por todas a prestar mais atenção no que consumo, mas digamos que ele tenha me dado razão porque o que mais escuto por aí é que os “naturebas que aplaudem o sol” estão viajando na maionese. Não, não estão. As coisas estão erradas de verdade.

5. Jinny era uma mulher sensual, preocupada com a aparência e com namorados: um livro chick lit.
Eu não tenho nada contra chick lit (ok, não muito). O problema é que até hoje não consegui encontrar um que fizesse sentido para mim. Nem Marian Keyes me agrada. Cheguei a ler Eleanor & Park, de Rainbow Rowell, na época do hype porque todo mundo estava falando muito bem. Nunca se sabe. Mirei num A Casa dos Budas Ditosos (João Ubaldo Ribeiro) e acertei no Cinquenta Tons de Cinza. Eleanor & Park foi mais uma experiência horrível, que me deixou com traumas (cerebrais). Porém, só para não dizerem que estou de má vontade, deixo uma menção honrosa ao O Projeto Rosie, de Graeme Simsion, porque a) o personagem principal sofre da Síndrome de Asperge, o que me fez lembrar muito do filme My Name is Khan, protagonizado por Shahrukh Khan; e b) o nome dele é Don, que me lembrou de outro filme de Shahrukh Khan, onde ele interpreta o mafioso Don. Daí para frente, ladeira abaixo. Achei várias mensagens subliminares que na minha cabeça doentia foram retiradas desses dois filmes. Minha suspeita de que Graeme Simsion assisti Bollywood rendeu duas estrelinhas suadas para esse chick lit.

6. Louis era inseguro por ser estrangeiro: um livro de sua estante numa língua que você não entende.
Eu costumo comprar/ler livros cuja possibilidade de compreensão, pelo menos linguística, seja de no mínimo 100%. Confesso que às vezes dá vontade de comprar livros em alemão, mas qual seria a coerência disso? Eu sei que nunca vou parar tudo o que estou fazendo, ignorar os livros em português que tenho na fila de espera, para “treinar alemão”. Eu me sinto mal em mencionar o The Circus mais uma vez... Acontece que ele é o único que possue partes em francês, que eu não compreendo nem “bom dia”. Não, mentira! Compreendo, sim. Se diz bonjour. Há, piadinha sem graça! Ié ié!

7. Percival é o único personagem que não tem fala direta. Os outros apenas comentam sobre ele: um livro que todo mundo leu, mas você ainda não.
Quase todos? Eu li poucos livros, ainda. Tem um milhão de obras que me deixam com “invejinha literária” quando vejo nas estantes de lidos dos outros. Eu sei que cada um tem seu tempo para ler determinado livro, por isso não fico ansiosa, mas imagino como a experiência será para mim. Por exemplo, Sejamos Todos Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie, é um ebook gratuito que todo o universo já conhece, menos eu. Adorei Americanah, mas sinto que ainda não é hora de conhecer a opinião dela sobre o feminismo. Eu gostaria antes de ler o Hibisco Roxo. Estou me preparando para levá-la a sério quanto a este assunto e não dá para fazer isso sem saber de que tipo de escritora estamos falando. Sabe como é, discurso feminista está na moda, mas atitudes feministas continuam um tabu – falar, todo mundo fala; é na hora de pôr em prática que o bicho pega.

13 de agosto de 2015

Ideias para Posts – O Guia Definitivo

(Viram? Eu também sei criar títulos sensacionalistas)

Os blogueiros sabem: blogar não é um mar de rosas. Às vezes, um texto que demorou muito para ser escrito é o menos acessado no mês. Aquele outro, “de uma tacada só”, é o mais lido. A gente nunca sabe o quê, exatamente, o leitor espera do blog. Nem a gente sabe o que queremos do nosso próprio blog. Não raro, dá um bloqueio. Não sabemos o que escrever, como atualizar, e os dias vão passando, as moscas começam a aparecer, leitores cobram novidades, a poeira se acumula na homepage. O primeiro passo é a desmotivação. É mais fácil fazer de conta que o atraso na atualização é proposital: falta de tempo, fim de semestre na faculdade, mudança, problemas com o provedor de internet, o cachorro comeu o computador.

Eu passei por isso. Vários blogs morreram por causa disso. Fiquei anos sem um blog porque não sabia o que escrever, mesmo tendo muito para compartilhar. O Bonjour Circus, em vários momentos, chegou à beira do precipício. Então, você pergunta: “como você sobreviveu”? Simples: exercitei minha criatividade com prompts, que são temas para a criação de textos. Existe na internet uma variedade imensa de ideias para salvar qualquer um da procrastinação. Resolvi reunir aqui os melhores que encontrei!

Idea Bank (+600 temas)
The Daily Post (um tema por dia)
Ebook: 365 Writing Prompts (download em .pdf)

Todos os artigos estão em inglês – nada que o Google Tradutor não resolva, certo? Agora, se você prefere algo mais visual, que te estimule, joga no Pinterest! Há centenas de painéis repletos de mais e mais ideias.

Ok, indiquei um monte de gente bacana, criativa, original, mas o que eu tenho a oferecer? De quais ideias é feito o Bonjour Circus? Bom, se você gostou dos links, já os salvou nos favoritos, mas está sentindo falta das minhas sugestões, aí vai a lista com 31 ideias para fazer um mês passar voando:

muito incríveis mesmo

6 de agosto de 2015

A Política Sexual da Carne (Carol J. Adams)

Estou em guerra com o vegetarianismo. Não, não tenho nada contra o movimento, pelo contrário: apoio tanto os vegetarianos, que quero entrar para o grupo. O problema é que ainda não encontrei as razões certas, tenho várias dúvidas sobre o assunto e amo comer salmão. Sério, salmão é a melhor coisa do mundo. Então comecei a acompanhar sites que tratam do assunto, assim como blogueiros/blogueiras, para ver se saio de cima do muro. Recentemente, decidi buscar respostas na literatura também, e o primeiro livro escolhido foi A Política Sexual da Carne. Já que o feminismo está em voga, achei melhor otimizar meu tempo e ler sobre tudo ao mesmo tempo. Apesar de ter pinta de famoso, eu nunca tinha ouvido falar dele antes. Carol J. Adams gasta boas páginas interligando feminismo, vegetarianismo e pacifismo.




O que é “a política sexual da carne”? É uma atitude e uma ação que animaliza mulheres e sexualiza e efemina os animais. Em 2008, tivemos conhecimento de que o juiz presidente da Corte de Apelação da nona circunscrição judiciária dos Estados Unidos postou em um site da internet matérias que incluíam a foto de mulheres nuas, de quatro, pintadas de modo a parecerem vacas, e vídeo de um homem parcialmente vestido, interagindo com um animal excitado. A mulher, animalizada; o animal, sexualizado. Isso é política sexual da carne. (...) A política sexual da carne é também a presunção de que os homens precisam de carne e têm direito a ela, como também que o consumo de carne é uma atividade masculina associada à virilidade. (...) Onde existe uma virilidade (ansiosa) se encontrará o consumo de carne.

Confesso que esperei absolutamente nada da leitura. Já no terceiro prefácio (sim, há um monte de prefácios) percebi que eu e a autora não falávamos a mesma língua. Carol J. Adams é radical enquanto eu tento ser apenas sensata. Se de um lado ela defende o consumo de carne como um traço belicoso de violência masculina, deixando completamente de lado (propositadamente?) o consumo de peles por mulheres vaidosas, por outro lado seu livro, para mim, não passa de falácia sexista com argumentos há muito tempo ultrapassados pela ciência. Além do mais, que ideia foi essa de comparar a opressão patriarcal com a violência animal? Sou mulher, e posso sofrer preconceitos por causa disso, mas não sou nenhuma vaca no abate, querida.

Por trás de toda refeição com carne há uma ausência: a morte do animal cujo lugar é ocupado pela carne. O “referente ausente” é o que separa o carnívoro do animal e o animal do produto final. A função do referente ausente é manter a nossa “carne” separada de qualquer ideia de que ela ou ele já foi um animal, manter longe da refeição o “múuu” ou o “báaa”, evitar que algo seja visto como tendo sido um ser. Uma vez que a existência da carne é desligada da existência de um animal que foi morto para se tornar “carne”, esta fica desancorada do seu referente original (o animal), tornando-se, em vez disso, uma imagem que não está ligada a nada, imagem esta usada frequentemente para refletir o status feminino, assim como o dos animais. Os animais são o referente ausente no ato de comer carne; tornam-se também o referente ausente nas imagens de mulheres subjugadas, fragmentadas ou consumíveis.

Antes mesmo de terminar o livro eu já estava com raivinha da autora. O limite, porém, foi atingido com as “evidências” que ela trouxe. Não há referências bibliografias em grande parte e outras citações estão completamente fora de contexto. Carol usa como exemplo a ser seguido escritoras do século XIX, ou início do século XX, o que demonstra que, apesar de o livro ter trezentos prefácios, ninguém se preocupou em atualizar pesquisas, estatísticas e representantes vegetarianos. Faltou pouco para eu fechar o livro, produzindo um baque surdo, assim que o discurso dos “nossos ancestrais herbívoros” apareceu preenchendo as páginas. Pesquisadores evidenciam, sim, que há 3,5 milhões de anos comíamos grama. Todavia, não acho que por isso estejamos dispostos a pastar. Tampouco considero o vegetarianismo a solução para o fim das guerras.

Pessoas que concordam com isso andam comendo a planta errada.

Eu sou contra a violência aos animais, nunca quero me aproximar de um matadouro e acho o mundo injusto. Isso não quer dizer que eu concorde com Carol J. Adams. Essa mulher tem uma visão completamente distorcida e utópica de como as coisas funcionam. Trocando em miúdos: ela é louca. Louca ao comparar a indústria machista com matadouros norte-americanos. Louca por concluir que nossos dentes caninos, por serem menores do que os de um tigre, não foram feitos para rasgar pedaços de carne. Louca por afirmar, veladamente, que o vegetarianismo é uma causa unicamente feminista – desmerecendo, aliás, feministas que comem carne (haja coragem). Só mais louca do que ela são as pessoas que leram tudo isso sem a menor sensatez (uma das poucas coisas que nos separam de um bovino, por exemplo).

Conclusão: as mulheres são oprimidas na sociedade e o consumo excessivo de carne prejudica tanto a saúde quanto o meio ambiente. Por outro lado, não acho que Carol J. Adams vá ajudar animalizando mulheres e humanizando animais. Existem os seres humanos conscientes, com noções de moral e ética, e existem os animais sencientes, com sistema nervoso, indefesos, que precisam ser protegidos. Nossas semelhanças não nos aproximam a ponto de mulheres sofrerem como animais, ou de animais sofrerem como soldados em guerra. Somos separados por uma infinita cadeia evolutiva e não me venha você dizer que o salmão, meu almoço em potencial, tem uma forte opinião sobre os textos de Plutarco.

3 de agosto de 2015

Cinco blogs brasileiros que você precis... não, não precisa

A Ellen Guerra, no meu post sobre seis blogs boho que visito quase todos os dias, sugeriu que eu indicasse alguns blogs brasileiros. Achei a ideia justa, apesar da maioria dos blogs de minha lista serem aqueles que todo mundo já conhece. Mas fiz o post com boa vontade, garanto, mesmo camuflando duas blogueiras portuguesas no meio. Não chega a ser trapaça, né? Clique nas imagens para acessá-los.