31 de julho de 2015

Não sei de mim

Eu nem sei como arranjei tempo para escrever estas linhas. Os últimos dias tem sido tão intensos por conta da castração da Luna, que não tenho sequer certeza de quem sou. Ainda sou a mesma de antes, ou a semana foi dinâmica a ponto de me embaralhar? Sinceramente, não me encontrei para tirar essa dúvida. Mal dormi na noite que antecedeu o dia da cirurgia dela, pois como vocês sabem eu estava uma pilha de nervos. Fiquei pior ao saber que a Luna ficaria internada praticamente o dia todo e que minha presença estava dispensada. Fui obrigada a sair da clínica sem ela nos braços e chorei, sim. Qual é? Sou adulta, mas tudo tem limites.

À tarde fomos buscá-la, após a castração bem sucedida, e nossos corações se cortaram em mil pedaços com o choramingo da recém-operada. É lógico que estava doendo para caramba. O fato de ela não poder se expressar por palavras só tornava a situação mais difícil para todo mundo. Voltamos para casa, ela de roupinha pós-cirúrgica, nós com uma listinha de remédios. Não foi fácil. É isso que posso dizer. Não que eu estivesse esperando uma beira de piscina e uma salada de frutas, mas o buraco é sempre mais embaixo. O mínimo que eu podia fazer era montar um “acampamento” no ateliê, almofadas do sofá espalhadas pelo chão, e mimá-la o máximo possível para que ela passasse a primeira noite o melhor possível.

me cortei da foto porque ninguém merece.

Não preguei o olho. Troquei de lugar com minha mãe, mais tarde, tentei dormir e no fim só cochilei um pouco. Não adianta, quando um membro da família está doente, ou sensível, todo mundo entra na dança. No dia seguinte, Luna estava nova em folha. Minha mãe e eu, em compensação, mortas de cansaço. Levamos o dia com o que tínhamos (que era pouco, bem pouco) e, a bem da verdade, só tentamos sobreviver e não dormir em pé. Passei o dia inteiro pensando na minha cama, em como ela deveria estar confortável e que legal seria a noite que estava por vir. É provável que eu tenha desejado demais, ou ainda estava preocupada com a Luna, fato é que passei a segunda noite sem dormir de novo.

Pensem no meu estado de espírito. Nada evoluiu. Essa semana é uma neblina (nevoeiro, cerração?) espessa, daquelas brabas, não enxergo a um palmo do nariz. Não me lembro o que fiz, o que deixei de fazer, das minhas respostas no WhatsApp, do que andei publicando na internet. Talvez uma calcinha minha apareça pendurada em algum lugar improvável, vá saber, é uma surpresa que estou disposta a enfrentar. A Luna, por outro lado, já começou a dar trabalho novamente. Não faço ideia de como vou fazer para manter os pontos no lugar. Tenho quase certeza de que chegaremos na consulta de retirada e o veterinário dará um sermão homérico. Vou mandá-lo tomar no cu? Vou porque estou sem dormir direito há dias – é direito adquirido.

Luna é carinhosamente chamada de “cabrita” por motivos óbvios. Quando dr. Ian disse que ela não poderia subir/descer dos sofás e camas eu só suspirei. Inocente, esse doutor. Sabe de nada. Pular é a única coisa que dá prazer genuíno para essa cadela e não me veio à cabeça, naquele instante, nenhuma maneira de impedi-la. E assim foi. Claro. No dia após a cirurgia lá estava ela pulando. Ferozmente, quase com raiva. Foi um pônei na vida passada. Só pode. Tentei colocar ordem na bagunça – tipo mãe de primeira viagem. Depois do décimo quinto pulo, porém, joguei a toalha. Estamos no quarto dia pós-cirúrgico. Eu não estou conseguindo trabalhar, meu sono está atrasado, minha TPM completa duas semanas. E quer saber de uma coisa? Estou mesmo a fim de levar bronca do veterinário. A adrenalina de uma discussão é a única coisa que poderá me manter viva.

24 de julho de 2015

Ultimamente não tenho existido muito

Se eu dissesse que estou sem assunto estaria mentindo. Há o que ser dito, mas me falta o gatilho. A verdade é que nos últimos dias tenho levantado da cama e sorrido mais para agradar aos outros, e não preocupá-los, do que por vontade própria. Se dependesse só de mim, tudo seria cancelado num piscar de olhos, sem mais nem menos. Bordar está me enchendo o saco; as colagens no meu journal estão me enchendo o saco; quebrar a cabeça elaborando um texto para o Bonjour Circus está, enfim, me enchendo muito o saco.


Parte é por causa da TPM, sim, não há porque negar. Outra parte é pela falta de vagas em feiras artesanais, que me impede de levar meu negócio para o próximo passo. E ainda tem o meu bonsai que não caga nem desocupa a moita – é mato, trevo, broto de maçã, um avião, ou o Super-Homem? Não sabo. Confesso que estou um tanto frustrada. Eu não sou de pedir muito então, por favor, dê certo, bonsai maldito.

Recebi uma proposta de emprego para trabalhar novamente como au pair, mas dessa vez no Canadá e apenas por três meses. Passei uma semana cogitando a ideia, colocando os prós e contras num papel. Achei que minha carreira como viajante sem fronteiras estava encerrada e foi uma enorme surpresa ter sido convocada para o que seria minha segunda chance de conhecer o mundo. Sabe o quê? Recusei. Apesar de o psiquiatra ter tirado um, dos dois remédios do meu tratamento, meu estado emocional não está devidamente calibrado. Eu sei que três meses é pouquíssimo tempo para quem trabalhou fora do país por um ano, o problema é que não houve compatibilidade com a família que me solicitou. E taí um erro que não cometo mais: aceitar o emprego só porque vou conhecer um país novo. Vá por mim, jovem senhora que cogita a ideia de se jogar na profissão de au pair, nem sempre vale a pena arriscar tanto na ânsia de desbravar novos territórios. Um dia escrevo qualquer coisa sobre essa carreira.

A Luna está prestes a ser castrada e isso tem me deixado um pouco, digamos, com os nervos à flor da pele. Passo a impressão de que a castrada será eu, e olha que não me parece má ideia. Estou conectada certinha com a vibe de arrancar tudo o que possa me fazer mal nos próximos dez anos, mais ou menos num missigura senão eu vou. Não fosse a corda-bamba do “ter, ou não ter, filhos” é possível que eu já tivesse tomado uma decisão precipitada e estivesse aqui escrevendo um texto de arrependimento. A Luna, por outro lado, está muito tranquila, completamente alheia ao que a espera. Vou precisar de muito apoio emocional e financeiro para conseguir superar mais essa fase.

No íntimo, também me sinto alheia a tudo. Sinto que coisas estão acontecendo, pessoas se moldam ao meu redor como massinhas, e eu deixo passar batido. Há em mim uma árvore movendo seus galhos ao sabor do vento. Alguns frutos caem enquanto me mantenho apática. É desesperador (um pouquinho), mas não consigo. O resultado é mais chocolate do que o recomendado, minha pele está mais oleosa do que o normal, passei os últimos dias usando pijamas, as pantufas são minhas melhores amigas. Uma lista de textos se acumulou na pasta do blog, não por falta de ideias para escrevê-los, mas porque eu não quero. Venha me obrigar. Portanto, não estranhem se aparecer, vez ou outra, um post abstrato sobre coisas legais que vi na internet, pois é mais fácil copiar e colar do que me espremer para ver se sai alguma coisa.

Eu vou ali na esquina comprar cigarros e “volto logo”.

18 de julho de 2015

Cinco passos para começar a meditar

A principal prática dos budistas é a meditação. Desde que me tornei parte do grupo comecei a treinar. Quero dizer, não porque sou budista, mas porque achei importante para minha espiritualidade e, de um modo geral, para a minha saúde. Mesmo quem não é budista pode (e deve) meditar. Não é necessário nenhuma crença, nenhum culto, nada que lhe prenda a algo em que não acredite. É uma prática neutra, sem preconceitos, que beneficia a mente e o corpo.

O que eu não sabia era que o início seria difícil. Como a maioria das pessoas, eu achava que a meditação era feita através do não-pensamento, ou seja, parar de pensar, limpar a mente, aquietar o fluxo de imagens desconexas. Tudo isso sentada em posição de lótus, os braços esticados, dedos unidos, costas eretas – é, pode até ser, mas também podemos meditar sentados em uma cadeira, com as mãos apoiadas nas pernas, ou em posição de qualquer outro mudra. Após descobrir que meditar não é a mesma coisa que tentar se encaixar em um lugar no qual você não cabe, parei tudo o que estava fazendo e fui procurar saber.

Dividi o meu caminho em cinco passos para facilitar a leitura. Contudo, eu gostaria de deixar claro que a iniciação é diferente para cada um. Para mim, esses passos funcionaram (e nem por isso foi fácil). Para você, espero que ao menos encoraje, ou ajude de fato. Boa sorte!


1. Começando do começo
O que, afinal de contas, é meditar? Eu me fiz essa pergunta quando comecei a levar a sério. Confesso que a imagem que eu tinha era totalmente estereotipada e percebi que se continuasse assim jamais aprenderia. Portanto, bati à porta do dr. Google e ele me deu todas as respostas. Minha primeira fonte foi o Lama Padma Samten com seu vídeo Para começar a meditar. Nada como um Lama para nos guiar, é o que eu digo. Depois procurei um relato pessoal. Não só o encontrei, como acabei conhecendo uma excelente blogueira: como começar a meditar, publicado no blog da Rita, me deixou bem mais tranquila em relação a algumas dúvidas. A partir daí, foi fácil encontrar material e compreender a técnica. Ainda passei por textos como 6 maneiras eficazes para você começar a meditar, do Yogui.co, e dei uma lida na apostila de J. I. Wedgewood. Eu me sentia, teoricamente, pronta.

2. Mas e o ambiente?
A minha casa está “acordada” quase o tempo inteiro: cachorros brincando, latindo, mãe na cozinha, no quintal, no jardim, no ateliê. À noite, quando as coisas devem se acalmar um pouco, a televisão está alta demais, os cachorros querem atenção. Além de tudo isso, meu bairro é absurdamente barulhento: motos sobem e descem a rua o tempo todo, outros cachorros latem, pessoas falam alto, carros buzinam, músicas tocam no último volume. O que eu fiz? Sentei e chorei. A vontade era de desistir antes de começar. Mais uma vez, fui pedir uma xícara de soluções para o Google. Ele me deu, de bandeja, o Meditação Brasil com mantras e áudios gratuitos para download e o Ventos de Paz (onde me apaixonei por Snatan Kaurh Khalsa, procurei por mais músicas dela no Youtube, que por sua vez me ofereceu outros tantos mantras e músicas para meditar “com o barulho certo”).

3. Colocando em prática
Mesmo tendo esclarecido algumas dúvidas sobre a técnica e arranjado sons apropriados para a prática ainda me vi um pouco perdida, sem saber por onde começar. Aproveitei que estou viciada em celular (inclusive, tentei me desapegar dele por uma semana, mas falhei miseravelmente) e baixei alguns aplicativos para ver se a coisa andava. Andou! Confesso que fui meio desesperada ao pote e baixei vários, logo de cara. O 5' Minutos, Eu Medito, por exemplo, te lembra a meditar todos os dias por cinco minutos. Foi bom para mim, que não estava acostumada com a rotina. Mas os que eu realmente gostei foram o Insight Timer, que controla a duração de sua meditação, e é ótimo para quem está começando, ou não tem noção de tempo; o Sattva - Let's Meditate, com um ótimo design, bons mantras e músicas; e , por último, o mais querido de todos: Headspace. O Headspace é um excelente aplicativo que oferece dez dias de meditação guiada. Foi ele que, no fim das contas, me fez deslanchar. O problema é que após as dez sessões você precisa pagar mensalmente para continuar com o serviço.

4. Um apoio é sempre bem vindo
Em seguida, sem perder tempo, encontrei o The 30 Day Meditation Challenge (inglês), do site DoYouYoga, com a Faith Hunter. Fiz minha inscrição e acompanhei o passo a passo. O desafio me fez sentir mais à vontade na hora de meditar, com a sensação de que, finalmente, eu sabia alguma coisa – não tudo, mas mais do que sabia quando comecei. Não vou dizer que o desafio foi perfeito. Às vezes, me sentia incomodada com o notebook ligado, isso me distraía um pouco, e vídeos não chegam a ser minha forma preferida de aprender a meditar. Por outro lado, a Faith Hunter teve sua importância no meu processo, dando dicas valiosas. Não vou mentir, eu tinha preguiça de meditar todos os dias. Eu precisava de alguém me incentivando, de um desafio para me manter motivada. Trinta dias, no início, me pareceram impossíveis, mas quando tudo terminou, deixou saudade. Consegui continuar minhas meditações sozinhas, mais confiante comigo mesma, sabendo que poderia encontrar apoio na internet assim que precisasse.

5. E quando a ajuda cai no seu colo?
Bom, eu acho que estou indo bem sozinha. Pelo menos por enquanto. Não sei como vou evoluir, nem estou pensando nisso agora, para ser sincera. Mas, mais para frente, lá no futuro, já estou com um olho no gato e o outro no peixe! Encontrei o Medita SP, que oferece um curso gratuito de meditação. Sim, eu poderia ter simplesmente feito minha inscrição para aprender com um instrutor, só que estou numa época agitada, cheia de coisas para fazer, estudo, enfim: não tenho tempo para me deslocar até o local das aulas e ficar por lá. O tempo que tenho para meditar, hoje em dia, é à noite, após um dia inteiro de trabalho. E como eu queria muito começar essa nova fase, então dei os meus pulos e “aprendi” (estou aprendendo) sozinha. É claro que, se você tiver disponibilidade, deve ignorar todos os outros passos e correr para fazer sua inscrição. Caso contrário, espero que o meu caminho sirva, senão como prática, pelo menos como incentivo – pois é possível, sim, aprender a meditar em casa.

Namastê!

13 de julho de 2015

As 10 coisas mais legais do meu mundo

Parece que esse negócio de indicação para tags (ou memes, ou o que vocês quiserem, queridos; a taça é nossa) está em desuso, não é mesmo? E a palavra “desuso” é estranha, sim, mas me veio à cabeça e pronto. Aproveitando essa onda de rebeldia, catei a ideia do blog So Contagious. Só de olhar as categorias já percebi que não vou saber responder a maioria. Mas por que não correr riscos?


1. Decoração
Gosto de coisas rústicas (plantas, madeiras, móveis envelhecidos, hobbits...) e boho. A única coisa que foge um pouco dessa tendência é o universo meio lúdico da Antroposofia com suas feltragens, cores e pintura Lazure. Aliás, ainda não decidi entre Lazure, ou o 18-3015 da Pantone para pintar o meu quarto. Estou correndo atrás de caixotes de feira usados para fazer uma nova estante de livros e de um armário vintage para substituir o de varejo. Já providenciei vasos de lavanda e aloe vera para afastar os mosquitos e purificar o ar. Essas casas e home offices todos brancos com “pontos estratégicos de cores” me dão nos nervos. Dá vontade de jogar um balde de tinta da cor coral em tudo. COLORE ISSAE, PARÇA!


2. Livro
Todo mundo está cansado de saber que adoro Markus Zusak, Florbela Espanca, Mia Couto, Érico Veríssimo, dentre outros. Porém, o que eu gosto mesmo, tenho orgulho e me dou o direito de gastar um tempinho paparicando é da minha coleção de livros circenses, que está crescendo devagar, mas sempre. Alguns exemplares tenho apenas em versão digital, o que é uma pena, pois são difíceis de encontrar em sebos por serem muito antigos (tipo o Circo-Teatro, da Ermínia Silva). Quando alguém consegue encontrar um impresso (milagre) me manda logo em seguida e eu agradeço por toda a eternidade. É uma coleção complicada de ser mantida. Em contrapartida, dá uma alegria enorme!


3. Viagem
Bom, para trocar o disco e parar de responder “Suíça” a todo instante, vamos de Sardenha. Fui para lá em 2009 junto com a família para quem trabalhei de au pair durante aquele ano. Bem que eu pensei, no início, em ficar na Suíça e aproveitar uns dias de férias, mas fiz a escolha certa. Tirando o enjoo da viagem de navio (água com gás: maldita, mas necessária) aproveitei bastante a praia e ainda conheci um pouco do porto de Livorno, na Itália. Tem tantos vendedores chilenos, ou bolivianos, ou sei lá: tanta gente dos grandes povos da América do Sul em Livorno que eu me senti em São Paulo. Minha estadia na ilha ainda teve um plus a mais porque fiquei presa na estrada, o carro rodeado por um rebanho de ovelhas. Quais as chances de isso acontecer de novo?! Pois é.


4. Música
O Bonjour Circus ganhou muitos seguidores novos nos últimos meses, portanto sou obrigada a deixá-los a par de uma coisa: gosto de uma banda finlandesa chamada The Rasmus, falo deles o tempo todo, enfio em qualquer tag mesmo que não tenha nada a ver com o assunto, coloco fotos em textos aleatórios, canto as músicas em voz alta e vocês que se acostumem com isso. Os leitores mais antigos não aguentam mais, mas como continuam gostando de outras coisas que escrevo fazem de conta que não viram e pronto: ficamos todos bem, e amigos. Aconselho aos novos leitores a fazerem o mesmo.


5. Sapatos
Estou naquela fase de me desfazer dos tênis e All Stars. Já deu para mim, fim da linha. Na minha cabeça (problemática, mas limpinha), 28 anos de idade não é lugar para isso. Quero dizer, até uso tênis, mas algo de acordo. Adoro mocassins, apesar de me persuadirem a largar a droga. Não sei o que as pessoas tem contra mocassim, sinceramente. Alpargatas estão na moda e eu não poderia estar mais contente com isso. Enfim, gosto de tudo que seja confortável. Suo frio toda vez que faço uma visita à loja Wishin'. Eles ainda me matam.


6. Maquiagem
Então... aí teremos um problema. Estou completamente por fora desse mundinho. Tentei algumas vezes, comprei um batom aqui e ali, mas não é para mim. Uso protetor solar, hidratante labial, às vezes um lápis de olho e máscara de cílios, e está bom demais. Só uso produtos caseiros para cuidar da pele. Quando, raramente, compro algo industrializado passo por uma verdadeira provação até encontrar cosméticos que não foram testados em animais – essa é a minha prioridade na hora de escolher um produto. Ou seja, volte e meia dou uma volta pela loja Lush para comprar hidratantes e que tais. Maquiagem, por outro lado, é algo que não está (por enquanto, ou para sempre) no meu vocabulário.


7. Ídolo
Eu não costumo ter ídolos. Admiro um monte de gente, mas não idolatro ninguém. Para mim, todo mundo tem defeitos e errou feio em certas ocasiões (o Pirula dá uma boa explicação em seu vídeo). Em suma, admiro aqueles que fazem o bem. Parece bem genérico (e é), mas não tenho como responder algo diferente. Eu poderia escrever uma puta lista superficial, enchê-la de nomes importantes e conhecidos. Todo mundo tem seus motivos para citar Gandhi, Tolstói, Madre Teresa, etc... Mas eu também tenho motivos para mencionar pessoas anônimas. Conheço algumas, outras vi de relance. São aqueles que sofreram, ou sofrem, alguma injustiça, passaram por situações constrangedoras, e são esquecidos de certa forma pela sociedade. Sou capaz de admirar qualquer um que seja capaz de um ato benevolente e também aqueles que, de alguma forma, são ou foram fortes.


8. Doce
Eu sou uma formiga. Adoro doces! A lista começa em brigadeiro, passa por quindim, torta de morango, de maçã, bomba de chocolate, qualquer coisa da linha Lindt, rocambole de doce de leite, pavlova, bolo de nozes e vai longe. Se eu fosse obrigada a escolher um único para comer o resto da vida acho que começaria a bater pino. Não seria possível. Herdei isso de minha mãe, que come uma lata inteira de leite condensado sozinha.


9. Foto
Passei um bom tempo pesquisando os arquivos familiares para no final descobrir que há mais de dez anos não registro nenhum momento em família, ou qualquer coisa que o valha. Meus pais não tiram fotos desde que o filme fotográfico saiu de moda dando lugar às câmeras digitais. Sempre tenho o celular no alcance das mãos, mas não sou do tipo que quebra o clima para tirar uma foto. Portanto, as últimas cenas devidamente registradas são da minha viagem feita em dois mil e nove. Como já postei uma foto da mesma aqui, nessa tag, fiquei sem material. O que resta de lembrança são as fotos reveladas em lojinhas Kodak, todas da minha infância, e não acho que valha a pena. Então sabe o que eu fiz? Eu fiz uma pesquisa no Google e escolhi uma foto circense bem bonita. Se reclamarem, eu coloco mais uma.


10. Blog
Tá, essa é a parte difícil. Eu adoraria mencionar pelo menos uns sete blogs que leio assiduamente, mas enquanto tentava escolher um único me lembrei que o mais antigo, aquele que acompanho há muito tempo é o blog da Raquel. Eu não sei dizer quantos anos exatamente, mas consegui segui-la por todas as mudanças de nome e domínio pelas quais o blog passou (e não foram poucas). Conheci e me apaixonei por milhares de blogueiros e blogueiras diferentes desde os anos dois mil e deixa pra lá. Todos se perderam ao longo do caminho por uma razão, ou outra – a maioria, na verdade, acabou fechando o blog. A Raquel, não. Foi o único endereço que restou da mais remota época. E o mais legal é que ainda adoro ler as atualizações como se tivesse conhecido ontem! Espero que o Bonjour Circus siga pelo mesmo caminho.

8 de julho de 2015

Problemas de um leitor

Encontrei a tag no lindíssimo A Life Less Ordinary, excelente, e acho mesmo que tags sobre livros nunca são demais.

1. Você tem 20 mil livros para ler. Como você decide o que vai ler?
Antes eu escolhia aquele que mais queria ler no momento. O que nos parece mais do que óbvio, não é mesmo? O problema é que eu acabava ignorando completamente outros títulos, adicionados há um tempão na lista, que também tinha curiosidade de conhecer. Minha preguiça jamais me permitiria ler um calhamaço de 800 páginas, ou qualquer estudo sobre sociologia, por exemplo – eu sempre dava preferência para um livreto de cento e poucas páginas, ou um YA bem ruim que poupasse o meu tempo. Quando eu passava os olhos por um Ana Karênina da vida me lembrava da vontade imensa, mas eu queria tanto evitar a fadiga... Então, o que eu fiz? Uma TBR. Taquei lá dentro todos os livros da lista de espera. O resultado? Pela terceira vez consecutiva a desgraçada me sorteia um tijolo, daqueles que pode rachar uma cabeça ao meio (nossa, que drama). Obrigada ao cosmo pela graça alcançada.


2. Você está no meio de um livro, mas não está gostando. Você para ou continua?
Antigamente eu costumava abandonar a leitura com mais facilidade. Hoje eu dou uma segunda, terceira, até quarta chance. Se o livro está me fazendo sentir dores físicas de tão ruim que é, vou largá-lo incompleto, com certeza. Isso, infelizmente, acontece com frequência quando já alcancei as últimas quarenta ou trinta páginas – é como morrer na praia, sim.

3. O fim do ano está chegando e você está perto, mas não tão perto, de finalizar sua meta de leitura. O que você pretende fazer e como?
Meta de leitura? É pavê ou pacomê?

4. As capas de uma série que você ama são horríveis! Como você lida com isso?
Aos poucos estou aprendendo que literatura não depende de estética. É claro que uma capa bonita chama muito mais a atenção e que dá orgulho exibir na estante uma série com lombadas bem ilustradas. Fiquei decepcionada com a trilogia dos irmãos Wolfe, de Markus Zusak, que iniciou em uma editora e terminou em outra. As duas primeiras capas, lançadas pela Bertrand Brasil, são de um jeito e a terceira, lançada pela Intrínseca, é completamente diferente (e feia). Comprei o primeiro volume, super feliz por terem traduzido as primeiras obras do meu escritor favorito, mas desanimei por completo. Talvez eu compraria os outros dois volumes, hoje em dia, já que estou perdendo essa mania de capas.


5. Todo mundo, incluindo sua mãe, gosta de livros que você não gosta. Como você compartilha esses sentimentos?
Faço uma pilha de sacos de arroz a minha volta, coloco um escorredor de macarrão na cabeça e me defendo com uma escumadeira.

6. Você está lendo um livro e está prestes a começar a chorar em público. Como você lida com isso?
Sou uma INTJ. Choro quando eu quero e não quando o livro manda.

7. A sequência do livro que você ama acabou de sair, mas você esqueceu parte da história anterior. Você lê o anterior novamente? Pula para a sequência? Lê uma sinopse ou resenha? Chora de frustração?!
Estou passando por isso nesse exato momento. Comecei a ler O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, há um tempão atrás, acho que cheguei ao terceiro, ou quarto, volume e parei bruscamente sem razões aparentes. Agora estou querendo recomeçar a leitura, mas como vocês podem ver, não tenho certeza de qual foi o último volume que li. O que eu faço? Apesar da história ser maravilhosa, me dá gastura só de pensar em ter que reler tudo, desde o começo. Existem pedaços da segunda e terceira partes que se apagaram completamente, não faço a mínima ideia do que se passou. Estou me digladiando. Vocês nem imaginam!

8. Você não quer que ninguém, NINGUÉM, pegue seus livros emprestados. Como você educadamente diz às pessoas NÃO quando elas perguntam?
Digo, simplesmente, que não costumo emprestar livros porque estou montando minha biblioteca. Se a pessoa insistir, agarro o livro, pulo para dentro do meu fort (ver questão nº 5) e começo a brandir minha escumadeira.

9. Déficit de Atenção: você não conseguiu ler os livros que queria no último mês. O que você faz para voltar a ler mais?
Isso está me cheirando à meta de leitura...

TEJE REPREENDIDA!

10. Há muitos livros novos que foram lançados e que você está morrendo de vontade de ler! Quantos deles você realmente compra?
Aqueles que eu, realmente, quero ler. Na teoria, óbvio. Não faz muito tempo que publiquei um texto falando sobre minha guerra pessoal contra o acúmulo literário. Eu tinha mais de 600 livros na lista de espera e esse número me deixou desesperada. Hoje, tenho 300 e poucos títulos – os sobreviventes de uma metódica limpeza. Para vocês terem uma ideia, encontrei livros que em sã consciência eu jamais leria. Não sei como foram parar ali. Analisei sinopse por sinopse de todos os 600 e lá vai pedrada. Valeu a pena! Agora estou me monitorando e tentando não deixar a animação momentânea tomar as decisões. Tem funcionado, e eu recomendo.

11. Depois de ter comprado os novos livros que você tanto queria, quanto tempo eles ficam em sua prateleira antes de você realmente ler?
Estou nas mãos da minha TBR. Não vou negar que de vez em quando passo um ou outro na frente porque quero muito ler, mas normalmente deixo nas mãos do destino. É uma forma justa que encontrei de ler todo mundo. Foi o jeito, já que eu não tenho critério algum. Como eu respondi na primeira pergunta, se dependesse só de mim acho que ficaria lendo os gibis da Turma da Mônica. Estou numa fase complicada, vivo cansada e meu novo psiquiatra aumentou a dose de um dos remédios de TAG, ainda por cima. A TBR é minha melhor amiga ♥

4 de julho de 2015

Diário de um bonsai (capítulo 1)

Quando eu tinha dezesseis anos de idade ganhei um bonsai – daqueles de supermercado, cuja teoria imbatível, de minha autoria, calcula não mais do que dois meses de vida predestinados. Dito e feito: o bichinho morreu, apesar dos meus esforços em mantê-lo vivo e verde. Dizem que devemos trocar a terra após a compra, que aquela não é adequada, só serve para que a planta não morra durante o transporte e a exposição nas gôndolas. Aliás, dizem muitas coisas a respeito de bonsais e eu não tenho paciência para, no mínimo, 70% delas. Quero dizer, pelo visto passei a ter a calma de um monge em determinado momento porque resolvi, de repente, começar um bonsai do zero.

Não fiquei traumatizada com a morte prematura do meu primeiro bonsai, pois sempre soube, lá no fundo, que a culpa foi minha. Eu não estava pronta para ele e, para ser sincera, um bonsai precisa muito mais do que a vontade de tê-lo e dinheiro no bolso. Pode parecer idiota (e talvez realmente seja), mas até mesmo maturidade é necessária para se ter um bonsai de sucesso. Hoje, eu tenho tudo isso e um pouco mais. Numa tarde qualquer, daquelas que você não espera nada a não ser dar logo 18 horas, escolhi minha árvore, abri o Google e respirei fundo.



08/06/2015 – PLANTIO
Na minha primeira tentativa fiz tudo o mais certo possível para que depois, se desse errado (e deu), eu pudesse colocar a culpa em qualquer um menos em mim. Fiz o teste de fertilidade, ou seja lá como isso se chama, colocando as sementes num copo com água: as boas deveriam afundar e as ruins boiar. Ou era ao contrário? Bom, não importa já que deu errado. Coloquei as sementes “boas” juntamente com um papel toalha úmido dentro de um pote com tampa para germinar antes de plantar. Foi todo mundo para a geladeira, de onde só saíam uma vez por semana para trocar o papel. Olha, oito semanas depois não havia o menor sinal de que aquilo estava dando certo. Ninguém germinou e eu fiz papel de trouxa. Mais uma vez.

Dessa vez, eu chutei o pau da barraca. Tirei as sementes da maçã, coloquei ao sol num papel toalha para que secassem bem e dois dias depois enterrei em um vaso com terra e substrato. Ouvi dizer que o inverno é a época ideal para o plantio, então me preocupei, no mínimo, com isso. Resolvi deixar o vaso no parapeito da janela do meu quarto para que eu possa acompanhar a evolução (ou o fracasso) de perto. Durante o inverno essa janela é um local onde bate sol só à tarde e procuro regar as sementes todos os dias (isso quer dizer que às vezes eu me lembro, às vezes não).


01/07/2015 – BROTOS?
Bem, estamos num impasse. No dia 23/06 postei uma foto no meu Instagram, cheia de esperança. No vaso havia um brotinho de qualquer coisa. Veja você, era um broto, estava verde (vivo!), dentro do meu vaso de bonsai. Hoje, dia 01/07 há vários brotos, o que significa que pelo menos a rega estou sabendo fazer e que seja lá o que houver de vida nesse vaso, ela está gostando do sol e tudo o mais. Comparando meus brotos com os de maçã que o Google me mostra, nem de longe parecem ser a mesma coisa. Os meus matinhos zueira (como resolvi divulgar no Twitter), todavia, continuam se propagando. Não sei o que vai sair daí. Só sei que por bem, ou por mal, farei um bonsai.