29 de março de 2015

Cinco fatos sobre o Transtorno de Ansiedade

Em 2004, na época em que me formei no ensino médio e comecei a prestar vestibular como se não houvesse o amanhã, acabei parando no médico. Eu me sentia mal, sem saber muito bem como descrever os sintomas, e então o médico me receitou um calmante natural e passou um encaminhamento para o psiquiatra. Na época, com 17 anos, psiquiatra para mim era loucura (com o perdão do trocadilho). Além de não ter tempo, era um exagero, afinal, quem nunca se sentiu fadigado uma vez ou outra? Bom, tomei o calmante por uma semana, ou menos, porque ele me deixava imprestável: não conseguia acordar no horário, parecia estar de ressaca o dia inteiro e, como consequência óbvia, não estudava nada.

Em 2010, logo depois de voltar de viagem, caí de cama. Meu corpo tremia, meu coração parecia querer sair pela boca, sentia tonturas, dores musculares e tinha certeza de que ia morrer. Não dormia. Fui exatas sete vezes parar na emergência do hospital sem que ninguém descobrisse o que diabos estava acontecendo comigo. Até que, na sétima vez, a médica nem precisou olhar na minha cara para saber: Transtorno de Ansiedade. Ou seja, psiquiatra, remédios e terapia. Engole o choro!

Eu nunca tinha ouvido falar disso apesar de, desde os 15 anos, saber que um dia acabaria morrendo dos nervos. Pois bem. Comecei o tratamento, mas só consegui sair da cama após seis meses. Todos os meus planos foram cancelados. Até hoje, cinco anos depois, ainda não consigo enfrentar aglomerações. Sim, porque além da ansiedade em si, o TA trouxe consigo a Síndrome do Pânico e a depressão. Fui apresentada a um mundo completamente desconhecido: aquele da sala de espera de um psiquiatra, cheio de pessoas sensíveis e estranhas; ao mundo dos remédios fortes. A maioria das pessoas pensa que isso não passa de frescura, e eu digo que elas só poderão saber o que é de fato se um dia passarem por isso.


1. Não dá para “controlar”.
Quando sofro uma crise e alguém me diz para me acalmar, para mim, é a mesma coisa de quando pedem, em crises de asma, para que eu respire. Veja bem, não faz sentido. Não respiramos quando temos crises asmáticas, pois este é o princípio da asma. Da mesma forma, não ficamos calmos quando sofremos uma crise de ansiedade. Também não podemos prever quando e em qual intesidade será essa crise. Às vezes, o motivo não é aparente. Eu demoro a descobrir porque passei mal. E quando o coração começa a disparar não tem caminho de volta. Se tentamos “controlar”, pioramos porque ficamos mais nervosos ao não conseguir. Eu quase desmaiei uma vez porque, sim, os sintomas físicos são reais. O melhor a fazer é deixar o corpo reagir e, no máximo, acariciar a mão da pessoa e demonstrar apoio. É nossa mente que está se rebelando, e quando se trata disso, existem muitas coisas incógnitas.


2. Remédios: ruim com eles, pior sem eles.
Faz cinco anos que estou tomando remédios controlados e há uns meses comecei a tentar parar. Foi o pior erro da minha vida. De 2010 para cá, engordei dez quilos. Tenho que tomar cuidado com meus movimentos, pois perdi consideravelmente meu equilíbrio e minhas vistas escurecem com mais facilidade. Sinto fome, muita fome, e tenho que comer assim que ela se apresenta. Se não faço uma boa refeição no café da manhã, quando tomo o remédio passo mal. O problema é que sou o tipo de pessoa que está acostumada a tomar um copo de leite com mel, ou uma vitamina, pela manhã e já se sentir satisfeita. Agora sou obrigada a comer quantias consideráveis de pão, yogurte, frutas, para quando engolir o medicamento não começar a enjoar e sentir forte sonolência. Isso, e mais outras coisas, me fizeram tentar parar sozinha com o tratamento. O resultado foi desastroso: tive fortes enxaquecas, fiquei de péssimo humor, irritadiça e é óbvio que os sintomas da doença se intensificaram.


3. Não sou antissocial, sou ansiosa.
Perdi a conta de vezes que fui obrigada a descer de um ônibus, no meio do caminho, porque estava muito cheio e comecei a me sentir mal. Não era pressão baixa nem “estômago vazio” como costumam dizer ao me verem branca feito papel. É a Síndrome do Pânico. Começa com um frio no estômago, até que toma todo o corpo, dispara o coração e dá a sensação de desmaio. Você acha que vai morrer ali mesmo, sem tempo para avisar aos desconhecidos que seu RG está no bolso da calça e que o telefone de casa está na agenda do celular. Sim, ansiosos pensam nisso “antes de morrer”. Não só aglomerações, como também qualquer outro motivo pode desencadear isso. Até mesmo com conhecidos corro perigo – não vou a festas, encontros, reuniões, se não estiver acompanhada por alguém do meu convívio, que saiba dessas limitações. O que se inicia com mãos geladas e respiração irregular pode muito bem se estender para um estado catastrófico, que além de me fazer passar vergonha, preocupará à toa os meus amigos e colegas porque, no fim, basta que eu controle a respiração e tome água com açúcar para que a morte iminente desapareça da mesma forma que surgiu.


4. Psiquiatra não é só para loucos.
Vou ao psiquiatra a cada dois meses. Não tenho nenhum distúrbio psicológico nem atestados que me impeçam de conviver em sociedade. Quem me conhece, sabe disso, mas não consigo convencer as pessoas que me olham torto quando me veem na sala de espera em frente à porta do médico. Fica difícil passar uma boa impressão quando se está rodeada de pacientes se balançando para frente e para trás, às vezes babando, dizendo que é a verdadeira Xuxa e que a usurpadora em seu lugar é um travesti. Alguns tem cara de bobos, são aéreos, a boca nunca se fecha. E eu lá bem vestida, penteada, por minha conta e responsabilidade, mexendo no celular, lendo um livro, suspirando. Ok, não posso negar que tenho “perna nervosa”. Daí você pensa “não deve ser nada agradável”. Não é! Eu me sinto um lixo toda vez que vou ao consultório. Não sou uma pessoa incapaz, mas é o que todos pensam ao me ver no meio daqueles pobres coitados. Como todo preconceito, este também humilha.


5. Medo.
Ansiosos tem medo de tudo. Eu, por exemplo, acho que tudo pode explodir a qualquer momento. Se o aspirador de pó começa a fazer um barulho incomum, vai explodir! Se o microondas não funciona direito, vai explodir! O posto de gasolina da esquina vai explodir! O celular, que deixei carregando no criado-mudo ao lado da cama enquanto tiro uma soneca, vai explodir! E o medo mais problemático: aviões e elevadores. Minha casa está debaixo de uma rota aérea. Toda vez que escuto as turbinas, prendo a respiração. Na verdade, isso acontece desde 1996. Quando entro em elevadores, acho que vão despencar. Consequentemente, tenho muitos pesadelos. A maioria das desgraças está na minha cabeça, o que não as torna menos assustadoras, pelo contrário – sou obrigada a lidar sozinha com elas. Esses medos tornam a expectativa do meu futuro numa cena de terror, o que é nocivo se aliado à depressão. Pessoas sem controle nem acompanhamento médico acabam tomando decisões erradas por não perceberam que é tudo fruto de uma doença e não da realidade.

O dia a dia é complexo. Escrevi somente sobre o que eu gostaria de ter ouvido assim que fui diagnosticada com TA. Com certeza eu teria ficado mais tranquila se alguém me dissesse que tudo bem, está tudo bem. Existem muitos obstáculos, sim, mas é possível seguir em frente. Todo dia tenho que aprender a me virar comigo mesma porque sempre aparece um sintoma, ou um medo, novos. A terapia é a maior ajuda que um ansioso pode ter, até melhor do que os remédios, que apenas abafam o problema. Às vezes, tenho a nítida sensação de que nunca mais serei a mesma, mas por outro lado isso pode ser bom para mim. O Transtorno de Ansiedade está fazendo com que eu busque uma vida melhor, mais ampla. Pode ser que meu estômago nunca mais esteja livre dos “frios e arrepios”, e que isso me incomode para o resto da vida, mas eu vejo como uma oportunidade de treinar meu auto controle. Aliás, viver com TA, no fim das contas, é viver buscando o lado bom da vida.

E isso não pode ser tão ruim!

25 de março de 2015

5 coisas para fazer antes... Não, sem essa

Não gosto de listas para “antes de morrer” por vários motivos. Elas me lembram que vou morrer. Conforme os anos passam, além de não ter feito nada do que as listas me mandaram fazer, percebo que nenhum item vale a pena – existem coisas mais importantes, do tipo depilar as pernas, escrever um livro, lembrar de colocar o lixo na calçada. Se a gente deixar de ler um livro, ver um filme, ou riscar uma viagem, o impacto será menor do que se esquecermos de usar o cinto de segurança, ou dos dias que o lixeiro passa. Então, escolhi cinco coisas para fazer, simplesmente, quando me der na veneta.


1. Ir a uma praia naturalista
Eu não sei conviver em sociedade, não gosto muito de pessoas porque são (somos) imprevisíveis, mas acho que, enquanto nus, ficamos vulneráveis. Então, tudo bem. Não que eu queira ver gente pelada. Eu não quero. O que eu quero é viver a experiência de andar nua no mundo e sentir o vento bater em lugares ainda desconhecidos. Quero tomar banho de mar sem biquíni. Quero ser bicho-grilo em toda a essência pelo menos uma vez na vida. Se eu gostar, volto. Se eu me traumatizar, paciência, é bom calejar o intelecto. Ver muita gente pelada, livre, e depois essa mesma gente vestida, se achando qualquer merda, será um importante estudo sociológico.


2. Fazer um retiro budista
Desde que li o livro de Elizabeth Gilbert (Comer, Rezar, Amar) e também outros tantos relatos, sinto vontade de, ou me hospedar em uma sangha, ou participar de um retiro. Malhar o espírito, a qualquer hora poder encontrar silêncio para meditar (nem sempre é fácil), poder ser guiada por bons mestres, enfim. É bom, de vez em quando, ter uma vida regrada, sem exageros. Não acho que eu tenho vocação para nada radical, mas vez e outra é importante “colocar a casa em ordem”. Sempre que fazemos isso encontramos algo bom que estava escondido, sei lá, atrás do sofá.


3. Plantar (e cultivar) um bonsai
Aconteceu de repente. Certo dia levantei, esfreguei os olhos e sentenciei: vou fazer um bonsai. Eu não havia sonhado com bonsais, ou me animado com qualquer documentário ou reportagem a respeito. Simplesmente abri os olhos e a decisão já estava tomada. Comi uma maçã no café da manhã, separei as sementes, fiz o teste para ver quais poderiam vingar e germinei quatro delas. Não deu certo. Desistir não era, não é, uma possibilidade; tentarei novamente e terei um bonsai na minha janela, ou na minha mesa de trabalho, ou no quintal, e será uma macieira muito bonita que viverá 100 anos. Cheguei a plantar uma cerejeira na Suíça, mas não sei que fim levou. O inverno esterilizou todo o campo logo em seguida ao plantio, então as chances de ter brotado são mínimas. Agora, em menor escala e no país em que tudo (e todo mundo) dá, vou conseguir propagar raízes.


4. Fazer minha mãe feliz
Eu sei que se minha mãe lesse isso diria que eu já a faço feliz, mas ainda existem muitas coisas a serem realizadas. Ela, assim como eu, sofreu bastante na vida. Trabalhou muito. Fez de tudo para cuidar bem de mim, me educou, passou bons valores. Corro o risco de parecer piegas, mas eu não poderia deixar esse item de fora da lista. Quero que ela viva a terceira idade (senão antes) com segurança e fartura. Quero que ela viaje, faça cursos, experimente restaurantes diferentes. Quero, principalmente, que ela possa fazer seus próprios planos sem empecilhos.


5. Participar de um Happy Holi (in loco!)
Holi é um festival indiano que comemora a chegada da primavera entre fevereiro e março. Existe um evento em São Paulo que não se compara em nada com a atmofesra colorida que os indianos proporcionam. Nem todo mundo que conheço me encoraja a viajar para a Índia, pelo mesmo motivo que alguns estrangeiros não vem ao Brasil (pois é, acho que ambos países tem bastante em comum, no fim das contas). Eu levo em consideração todas as opiniões e dou até certa razão para algumas delas, mas conhecer o país continua sendo um sonho. O Holi é um dos festivais mais lindos que já vi, é impossível não querer participar!

18 de março de 2015

Tag dos filmes

A Aline respondeu essa tag e eu vou pegar carona porque adoro falar sobre filmes. Não que eu seja uma crítica de cinema; prefiro indicar bons filmes, dar opiniões não solicitadas e de vez em quando surto um pouco. É divertido! Antigamente, eu assistia o que a televisão oferecia, faz pouco tempo que comecei a correr atrás do que gosto (ou do que acho que vou gostar). Então a maioria das experiências cinematográficas não foi a melhor coisa do mundo. Respondi as perguntas com muito carinho, todavia.

1. Qual foi o último filme que você assistiu?
Segredos da Vida (1994). Sim, eu só coloco o ano dos filmes e ignoro por completo os diretores (mas não se esqueça, Sanjay Leela Bhansali, de que te amo). Acostume-se. Estou escrevendo um texto para o blog sobre Robin Williams e para tanto tenho que assistir alguns filmes escolhidos a dedo. O título em inglês é bem melhor – Being Human – e é a história da história contando várias histórias que, no fim, é a mesma história. Incrível.

2. Um filme que quer muito ver:
São três, na verdade, que ficaram para depois por causa do “projeto Robin Williams”: Dilwale Dulhania Le Jayenge (1995) que, sim, é um Bollywood. Aliás, o melhor Bollywood segundo pessoas confiáveis que acompanham o trabalho de Shahrukh Khan. Ainda não assisti por motivos de deixar o melhor por último. Eu gosto de prolongar ao máximo as minhas expectativas (porque tombo pequeno não tem graça, é preciso cair “catando coquinho”).

O segundo filme é a adaptação do livro As Aventuras de Pi. Deixei para assistir mais tarde porque não terminei a história me sentindo muito bem. Preciso reorganizar alguns sentimentos que foram brutalmente arrancados de seus devidos lugares. Não sei, na verdade, se algum dia, qualquer dia, estarei pronta para ver o filme, mas terapia existe para isso.

E o terceiro é Sete Anos no Tibet (1997), que também foi adaptado do livro, que já li. Não assisti porque fiquei com preguiça mesmo. Brad Pitt é uma pessoa que me deixa estafada. Não faço questão de guardar energias para ele. Por outro lado, sua esposa, que nasceu em 4 de junho e por isso deve ser uma pessoa excelente, é um tesouro para meus olhos. Enfim, com ou seu Brad Pitt, acho que vou gostar do filme.

3. Um filme para chorar:
Bom, qualquer ser humano chora com Marley & Eu, concorda? A não ser que a pessoa tenha um iceberg no lugar do coração. Falando em iceberg, caso eu mencionasse Titanic vocês deixariam de gostar de mim? Em minha defesa, digo que nos anos 90 era permitido chorar por Jack Dawson. Agora, um filme para chorar de verdade, soluçar, cair em depressão: O Rei Leão. Não sei vocês, mas eu não posso lidar comigo mesma. Existe aquela cena, que todos sabemos qual é. Essa cena, especificamente, me detonou de tal forma, que até hoje, vinte anos depois, ainda falo sobre Mufasa com minha psicóloga.


4. Um filme para rir:
Eu tenho sérios problemas com o humor. Basicamente, não acho graça de quase nada. Outro dia, assisti A Vida de Brian (1979) porque toda alma inteligente que conheço fala muito bem de Monty Python. Se eu dei um sorriso, foi muito. Achei o filme uma bela porcaria estereotipada. Depois dessa decepção, é óbvio que o problema só pode ser eu. Estou aqui, escrevendo este trecho, e fazendo um esforço imenso para me lembrar do último filme que me fez rir. Eu costumava achar engraçado o esquilo da franquia A Era do Gelo. Mas até mesmo ele, depois de 200 versões diferentes da mesma coisa, perdeu a graça. Ok, vou deixar para (tentar) responder no fim do post.

5. Um suspense:
Eu não costumo levar suspenses muito a sério porque sou, digamos, perspicaz. Ninguém me faz de boba, muito menos Hollywood. Nem tudo é maçante, lógico. Temos A Origem, que não me deixa mentir. Não que Leonardo DiCaprio tenha alguma coisa a ver com minha escolha (não que não tenha). Saí do cinema com uma pulga atrás da orelha e isso, para minha descrença, já é um grande passo. Eu entendi tudo, achei a ideia legal, mas fiquei tentando caçar pêlo em ovo (e eu escrevo pêlo com acento porque sou dos anos 90, me deixa). Coisas do tipo “o que o diretor quis dizer“ e afins. É um filme possível de se assistir duas vezes e ainda assim alimentar uma longa discussão.

6. Um filme para ver com a família:
Qualquer Bollywood porque somente neste caso não temos apelo sexual. Não garanto a mesma paz de espírito com as produções norte-americanas que, mesmo com a faixa etária de 10 anos, oferecem um entretenimento duvidoso. E quando falamos em filmes indianos, falamos num leque infinito de possibilidades. Temos, por exemplo, Chak De! India que nos motiva e nos ensina a superar os obstáculos. Sim, existem zilhões de filmes em Hollywood contando a mesma história, mas fica bem fácil quando se é a primeira potência mundial. Quero ver vencer na vida sendo um bando de garotas indianas. Temos Black, do incrível Sanjay Leela Bhansali, que deixará sua mãe orgulhosa de você por consumir tanta filosofia de vida. E não posso me esquecer de English Vinglish, que é um amor, de verdade. É um filme para ninar no colo.


7. Um romance:
Eu preciso assistir Forrest Gump de novo. Não me lembro de absolutamente nada a não ser um calorzinho no coração. Os sentimentos foram as únicas coisas que ficaram, então o filme deve ter sido realmente bom. Assumo que surgiram lágrimas no filme PS: Eu te Amo, mas aquela garota não existe mais. Fiquei mais exigente. Apesar de amar os dramalhões indianos, é, me sinto mais exigente. Bollywood é uma fábrica de romances, vocês (que assistem) sabem, portanto, fica meio complicado não mencionar nenhuma produção deles. Veer-Zaara me levou para a terapia. Eu me acabei. E Jab Tak Hai Jaan ainda é um assunto controverso, mas não deixa por menos. Acredite em mim, quando você passa a assistir romances indianos, não quer saber de mais nada.

8. Um filme lindo:
Umrao Jaan (2006, porque tem uma versão mais antiga que ainda não vi) é uma adaptação do livro de Mirza Muhammad. Conta a história de uma cortesã indiana que foi raptada ainda criança e vendida para um bordel. É lindo. Quero dizer, é uma história triste, com certeza, mas que tem certa beleza. Não sou a maior fã de Aishwarya Rai (a protagonista), mas esse foi o papel da carreira dela. Suas danças são impecáveis. Nem mesmo em Devdas, outro filme lindo, ela se saiu tão bem.

9. Um filme para morrer de medo:
Eu não gosto de filmes de terror. O pessoal tem mania de me arrastar para o cinema quando algum está em cartaz e o final é sempre o mesmo: passo semanas dormindo com um olho aberto e tendo acessos de paranoia. Mesmo assim, já assisti uma quantidade considerável desse gênero que eu, pessoalmente, considero dispensável. Só que, ao mesmo tempo, tem esse filme chamado O Exorcista que não é apelativo. Desse tipo, eu gosto – conta uma história com começo, meio e fim. É até plausível, apesar de eu não acreditar em possessões. Passo as mesmas semanas suando frio e com medo da minha sombra, mas pelo menos vale a pena.

10. Um filme de ação:
Parece que a Marvel está numa boa fase, não é mesmo? Então vamos falar de Vingadores. Não, melhor, vamos falar de Tom Hiddleston! Ok, falemos dos dois: assisti Os Vingadores três vezes no cinema e outras tantas em casa. Antes do lançamento, lembro de ter comentado que isso marcaria uma geração e parece que eu não estava errada. É verdade, não curto explosões e produções 80% digitalizadas, mas tudo se justifica quando metemos um bando de heróis de quadrinhos na tela. Ficou na medida. É um enlatado? É. É patriótico demais para o meu gosto? É, sim. Mas, gente, Tom Hiddleston:


11. Um filme que não vale a pena:
Histeria! É um filme sobre TPM, masturbação e vibradores, tudo no meio da Inglaterra vitoriana. Não sei quem foi o gênio (acho que foi Howard Gensler), mas aplausos para essa mente perturbada. Comecei esperando por uma coisa e quando dei por mim estava assistindo outra, completamente diferente do que imaginava. Não, não li a sinopse. Para mim, bastou bater os olhos em “Londres na era vitoriana” para pensar que seria uma boa ideia perder 90 minutos. Nunca se passou pela minha cabeça que um dia assistiria um filme sobre um médico masturbando senhoras da classe média em busca da cura de histeria. Sim, é ruim desse jeito.

12. Um filme para o feriado:
Eu adoro assistir O Auto da Compadecida, de vez em quando. Normamelmente é quando não tenho o que fazer, e a Globo ajuda bastante reprisando centenas de vezes. É uma delícia de filme, se você quer saber. Ou então, Casamento Grego, que nunca sai de moda. Se a televisão não ajuda, tem os filmes de Rocky Balboa. Ajuda, se o feriado for prolongado, e a história do lutador de boxe é inspiradora. Os diálogos, então, dão assunto para quando você voltar ao trabalho ou aos estudos. Eu já decorei alguns!

13. Um desenho animado (pode ser animação? Pode):
Como Treinar o Seu Dragão. Tem vikings!

14. Um filme que todo mundo tem que ver:
Amadeus, que conta a história (romanceada) de Mozart, é uma obra-prima. Claro que essa é a minha opinião, mas para quem quer conhecer um filme de verdade, perfeito, precisa assistir este. Mesmo que você não goste, ou não conheça a obra do compositor, vale a pena pela produção e atuação do elenco. Coraçãozinho com as mãos para Tom Hulce, que interpretou Mozart como o imaginei. No filme, ele está na iminência de começar seu Requiem que, na minha humilde opinião, é a trilha sonora do planeta. Quem conta a história é Antonio Salieri que, se não fosse invejoso, seria a melhor pessoa. Coraçãozinho para ele também. Olha, quer saber, esqueça Salieri, Requiem, esqueça tudo e assista o filme por um único motivo. Este:


15. Um filme que você assistiu 3, ou mais vezes:
A Lagoa Azul. Se me derem papel e caneta, acho que sou capaz de transcrever o enredo confiando apenas na minha memória. Esse, e mais uma lista de filmes dos anos 90: O Pai da Noiva, Olha Quem Está Falando, Três Solteirões e Um Bebê, Ghost, Mudança de Hábito, etc. Era legal há uns 10 anos atrás. Hoje, se qualquer um desses, e outros tantos, aparecerem na minha frente, sou capaz de começar a gritar e martelar a televisão (ainda bem que tirei aquela que tinha no meu quarto). Sabe o Alex DeLarge, em Laranja Mecânica (livro), durante e depois do tratamento? É assim que me sinto.

16. Um filme para meninas:
Pergunta, a senhora é sexista, mas vou respondê-la mesmo assim. Precisamos Falar Sobre o Kevin é um filme para meninas porque prova minha teoria de que filhos não são o maior e melhor presente que uma mulher pode ganhar e que a culpa nem sempre é da mãe (e Franklin, no livro, é mil vezes mais pau no cu do que no filme; que ódio, ele me deu). Às vezes sai torto mesmo, paciência. A Recruta Benjamin! Quem se lembra desse filme? Tirei do fundo do baú. Enfim, é uma mulher se alistando no exército americano. Não lembro praticamente nada da história, mas tenho quase certeza de que deve ser bem machista. Finalmente, Goliyon Ki Raasleela Ram-Leela, do querido e amado Sanjay Leela Bhansali (sim, de novo), onde Leela, lindamente interpretada por Deepika Padukone – que se lésbica eu fosse, teria o meu coração – então, Leela não fica em casa esquentando a barriga no fogão à lenha. Não. Ela aponta uma arma para o amor de sua vida.


PS: Não, não me lembrei de nenhum filme de comédia.

7 de março de 2015

Água parada não move moinho

Daí que tem esse episódio de Seinfeld, quando George esquece alguns livros na casa da ex namorada e não sabe o que fazer para pegá-los de volta. Talvez essa seja uma das piores consequências de emprestar livros, aliás: cortar relações com a pessoa. Jerry dá de ombros, deixa para lá, vida que segue, mas George insiste porque os livros são dele. Não importa se ele não reler nenhum deles, se servirem apenas para ficar na estante – “they're my books”! E eu entendo Costanza, de verdade. Quando eu estava viajando e emprestei um dos meus livros favoritos, fui ficando cada vez mais nervosa na medida em que a data de ir embora se aproximava e a pessoa não aparecia para devolvê-lo. Sim, eu pratico o desapego, mas ainda assim existem coisas materiais importantes para mim.

What is this obsession people have with books? They put them in their houses like they're trophies. What do you need it for after you read it?
Jerry Seinfeld

Tenho poucos livros. Minha estante consiste em favoritos e naqueles que ainda não li. Guardar algo que não vou ler novamente me incomoda, por isso fica difícil montar uma biblioteca de respeito. Eu sempre encontro uma razão para doar meus livros por mais que a história tenha me agradado. Claro que esse não é o caso de Markus Zusak, Mia Couto, Fitzgerald, Erico Verissimo e minha coleção de arte circense. Essas são as únicas obras que permanecem longe, bem longe, de uma agência dos Correios. Mas, por exemplo, o meu exemplar de A Culpa é das Estrelas já está com outro leitor há muito tempo. Conheço pessoas que teriam um faniquito só com a ideia de perdê-lo – e eu compreendo muitíssimo bem, pois cortaria meus pulsos com papel sulfite caso me desfizesse do meu A Menina que Roubava Livros. Só que, para mim, não foi um livro que deixou marcas, tão pouco existia a mínima possibilidade de relê-lo algum dia.

Faz muito tempo (muito tempo) que não faço compras em uma livraria de grande porte. Não deixou de ser meu habitat, um passeio obrigatório nos fins de semana, mas não me considero uma cliente. “Lá vem o papo bicho-grilo”, você revira os olhos. Pelo contrário, eu sinto saudades de formar uma pilha de livros e sair da Livraria Cultura carregando sacolas. O problema é que não tenho mais necessidade disso (e necessidade é coisa que não invento porque não sou louca). Encontrei outras formas de adquirir livros e, melhor, ao mesmo tempo passo para frente aqueles que não quero mais. Sou frequentadora assídua de sebos, que tem a vantagem de na maioria das vezes não venderem livros com capas de filmes, e sou membro do clube de trocas no Skoob (PLUS). Todo mundo nos Correios me conhece, vivo chegando com um pacote em mãos para enviar pelo registro módico, e a curiosidade é tanta que volte e meia alguém me pergunta de onde sai tanto livro.

As trocas mais sensacionais. Skoob, eu te amo!

Não vi o mesmo benefício, infelizmente, em sebos virtuais que cobram quase o preço de um livro inteiro no frete, então me contento apenas com trocas e sebos físicos. As trocas são de graça (a não ser que você considere muito quantias de até R$10). Já troquei por um mísero ponto títulos que estavam esgotados ou difíceis de encontrar em livrarias comuns. O máximo que paguei por um envio foram R$7, recebendo em troca um livro que custaria, em média, R$40 e tanto na Saraiava, por exemplo. Isso facilitou demais a minha vida financeira, se você quer saber. Como a cada dia que passa me importo menos com a estética da literatura (estou aprendendo a não fazer cara feia para capas), os obstáculos na hora de escolher vão diminuindo bruscamente e meu conhecimento literário aumentando.

E então, se como não bastasse, encontrei também o grupo Conhecimento Circulante, que é administrado por Daniela e Cuca Mundi através de uma página no Facebook. Você curte, confere a lista de livros doados pelos próprios membros e faz sua escolha. O livro chega na sua casa sem cerimônias. O legal é doar pelo menos um outro livro ao projeto para mantê-lo, afinal, é essa a graça. Fiz um teste semanas atrás e recebi o Passagem para Índia, de capa dura, bem conservado. Bastou mandar um email para a Daniela e, óbvio, o livro estar disponível para envio. Confesso que eu já havia esquecido da solicitação quando a encomenda finalmente chegou, só que vi pelo lado bom da surpresa.



O Conhecimento Circulante é bem organizado, até. Dúvidas e emails são sempre respondidos e, principalmente, a ideia é linda. Agora, falta cumprir a minha parte e mandar um exemplar que não quero mais para compor a lista de doações do grupo; coisa que farei o mais rápido possível porque com certeza terá alguém esperando pelo livro. Sempre tem. Eu estava esperando por Passagem para Índia, que nunca fica disponível no Skoob, e agradeço a quem doou e ao projeto da Daniela! Esses métodos tem me ajudado bastante na hora de praticar o desapego e não acumular o desnecessário. Ficou mais fácil controlar o consumismo ao compartilhar leituras com várias pessoas ao invés de deixar que os livros envelheçam na estante. Ler ficou tão barato, que só não é leitor quem não quer!

2 de março de 2015

Blogar: como a mágica acontece?

Eu não sou a pessoa mais indicada para ensinar, seja o que for, para alguém. Sou péssima em dar explicações, meus exemplos são mais complicados e densos do que uma teoria matemática bem cabeluda, eu me perco nas minhas próprias ideias e quando dou por mim estou precisando de explicações também. Um caos, como tudo que me envolve. Contudo, eu tenho meu orgulho. Eu sei de algumas coisas, tenho meus conhecimentos práticos, manjo dos paranauê. Blogar é uma das minhas práticas, por exemplo.


Seja uma pessoa de cada vez
Meu primeiro blog surgiu em 2004/2005. Dizem que quando mordido pelo bichinho a pessoa fica viciada, doente, não solta mais. Para mim foi diferente, prefiro o termo “chutar o pau da barraca” mesmo, que esse negócio de ser mordida não é minha praia. De lá para cá, aprendi – tanto por curiosidade, quanto por necessidade. Desbravei o mundo selvagem do HTML e do CSS. Instalei um Adobe CS só para fazer layouts de melhor qualidade (hoje, o uso para inúmeras coisas, menos para isso). Pesquisei temas interessantes, grupos de escrita criativa para blogueiros, todas as ferramentas para sair do comum e me encaixar em algum lugar. Pois sim, um blogueiro por mais que queira escrever sobre tudo, precisa encontrar um único lugar para si. Não é possível estar em toda parte a todo instante.

Não se limite em nome do que não lhe representa
Nessa internet sem porteira, aprendi que a originalidade é o tal do bichinho que morde – os leitores são seduzidos por conteúdo novo. É o que você é, sem medo de punição, que atrai visitantes. Então, eu corri atrás do ideal para mim. Ao contrário do que muitos pensam, acertar logo de primeira se tratando da personalidade não é tão fácil de acontecer. A gente muda, rapidamente, e não consegue se acompanhar. O blog, que antes tinha a nossa cara, é abandonado. Por falta de tempo, de ideias, de vontade? Não, foi porque a gente mudou. Perdi a conta de quantos endereços criei e deletei numa época de transição, e quantas vezes me arrependi de não ter criado em determinada fase produtiva, ou de ter excluído para sempre certas memórias que não deveria ter registrado. O blog é sua roupa, sua estante, seu espelho. Troque ou renove sempre que puder.

Não siga ideias que deram certo, faça com que o “errado” funcione
Quando vi que era blogar o que eu queria para passar meu tempo livre na internet, me organizei. Gastei um tempo considerável construindo um nome bacana, mais um tempo imenso e cansativo buscando a identidade visual e até hoje estou trabalhando no conteúdo – sim, o principal e interminável trabalho de rechear a bolacha (não, não é biscoito). A minha prioridade foi, é e sempre será a autenticidade. Se eu falar de moda, maquiagem ou tendências quaisquer, pode ter certeza que vou descer o cacete, que é para deixar a galera mais ligeira. Vou escrever o meu ponto de vista do meu jeito, quer você queira ou não. Assim encontrei meu encaixe: fazendo o que outros deixaram de fazer.

Escreva além das palavras
Um tempo atrás participei de uma entrevista sobre criatividade, na Revista 21. Dei dicas juntamente com outras pessoas, tentando mapear o caminho para o pote de ouro, e é um ótimo artigo para quem não sabe como começar. Só não se engane, a criatividade é um assunto farto – sabe aquela macarronada servida no domingo? Aquela feijoada que arrebenta o zíper da calça sábado sim e sim? A mesa de Natal na casa da sua tia solteirona? A personificação da criatividade. Sabe todas essas analogias que acabei de citar? São o resultado de exercícios, observação e leitura. Eu acabei de prender sua atenção, aguçar sua imaginação, te iludir, fazer o coelho aparecer na cartola, e me dei bem.

Cale a boca
O começo de um blog é a parte mais fácil. Afinal, se não existisse um fim, um objetivo, não nos daríamos ao trabalho. Eu criei o Bonjour Circus após um longo inverno, uma ressaca das bravas que me afastou da blogosfera por um período. A vida estava agitada, eu morava fora do Brasil (o que por si só seria um ótimo motivo para blogar, mas sou burra desse jeito), não havia o que escrever, ou ao menos, a ponte para chegar lá estava interditada. O que eu fiz? Dei um tempo. Não forcei a barra. A única explicação para postar com a produção em baixa seria uma necessidade física, do tipo dedo apodrecendo, braço caindo, cérebro derretendo. Escrever nesse estado ao invés de tomar Rivotril é a maior causa de plágio, opinião irrelevante e pior: vergonha de si mesmo. Respeite seu tempo, não invente moda, não saia por aí copiando os outros para livrar seu blog do ostracismo. Se você não sabe o que fazer, não faça.

Cuidado com os gnomos
De onde vem as ideias? Para onde elas vão? As anotações, cadê as anotações que fizemos naquele papel só para passar a limpo depois? Deixamos ali, em cima da mesa, não é possível que tenham desaparecido por vontade própria. Eu tenho a resposta: gnomos. Esses seres minúsculos, patéticos, assustadores, levaram suas ideias embora. Ou ainda: sua mãe, cuja finalidade não tem grandes diferenças. O aspirador de pó, a empregada, o irmão mais velho, o vento – todos formam um complô para que suas melhores ideias não prosperem. O mundo está cheio, não aguenta mais gênios e inovações. Ele quer descanso, logo, vai coibir suas criações. Eu mesma já fui vítima do cosmos mesmo tomando todas as precauções. Aprenda com o que eu não fiz: crie arquivos com títulos, parágrafos, temas, tudo o que você for precisar ou o mínimo lampejo de proposta. Salve se como sua vida dependesse disso, pois ela depende.

Os bastidores do Bonjour Circus funcionam mais ou menos dessa forma: eu tenho uma pasta só para o blog onde guardo tudo, absolutamente tudo sobre ele. Lá estão as imagens, códigos de todos os layouts que usei e o usado nesse momento, textos, listas, imagens, créditos e fontes de terceiros, prints, o certificado de direitos autorais, back up de arquivos, etc. Essa pasta está no computador, no Dropbox, pendrive, armário de rodoviária com cadeado, numa garrafa amarrada a uma pedra que descansa no fundo do mar.

E ainda, existem blogs úteis, necessários, eu diria, que podem ajudar um cego no meio do tiroteio. The Daily Post publica temas originais, por vezes desafiadores, todos os dias para que sua criatividade não morra seca, estorricada. É um bote salva-vidas para mim. Nem sempre tem assunto, sabe como é, e apesar de tags ajudarem, nenhum leitor aguentaria ler uma a cada semana. O texto 101 Blog Post Ideas That Will Make Your Blog “HOT”, do blog Start Blogging Online, foi outro achado assim... Chorei uma lágrima.

Ajudei? Atrapalhei? Confundi sua cabeça? Fiz você desistir antes mesmo de começar? Calma, blogs não são coisas de outro mundo quando feitos com carinho. Se você gosta disso, siga em frente. Se não gosta tanto assim, pense melhor. Se não gosta, mas quer cinco minutos online de atenção, é melhor postar uma foto de biquíni ou sunga no Facebook. Blogar é coisa de gente séria!