13 de junho de 2015

Os Luminares (Eleanor Catton)

Resolvi fazer um TBR para desencalhar alguns livros que jamais sairão da fila de espera se a escolha depender de mim. São títulos que quero muito ler, só que não – sempre me aparece algo mais urgente. Daí que Os Luminares, de Eleanor Catton, inaugurou o sorteio. É raro eu estar a fim de ler um calhamaço, então já provei para mim mesma que a ideia funciona mesmo: só assim para ler Ana Karênina, por exemplo. Só que eu comecei com o pé errado. Além de ser um tijolo que suprimiu boa parte do meu tempo, Os Luminares para mim não passou de um YA sofisticado que me daria mais prazer com 500 páginas a menos.

Algumas pessoas podem até ter ficado impressionadas com o início da história e, principalmente, com a promessa da sinopse. Comigo foi assim. O problema está no miolão, quando o combinado deveria ser cumprido. Pois estamos em Hokitika, no meio da corrida do ouro, banhados em ópio e láudano. Emery Staines desapareceu, uma prostituta está de luto, uma bala desapareceu após um revolver ser disparado, vestidos estão recheados de ouro e Crosbie Wells está morto. Todos os personagens, de alguma forma, estão conectados a Francis Carver, o homem que tem uma cicatriz no rosto.

Logo no início achei um exagero arrastar a trama por 880 páginas. O que eu não sabia era que 90% do livro não passava de uma história paralela, que o que realmente importava era o romance “mapa-astralmente” destinado entre dois personagens (não vou falar quais porque morro de medo de dar spoiler). Personagens, aliás, totalmente enfadonhos, cuja trajetória submissa em relação aos outros me deu uma gastura, que vocês sequer imaginam. No fim das contas, as revelações que eu tanto aguardava (e que me levaram à força até a última página) não passavam de uma cilada. Pelo menos de acordo com a minha experiência literária, ficou claro que a escritora começou a escrever de trás para frente. Os últimos capítulos nada mais são do que um esboço, um rascunho, da história em si. O que se principiou com capítulos graúdos, bem estruturados e com forte apelo, se encerrou com pedaços esparsos que incriminavam aquela velha falta de paciência do escritor com a própria história.

Estive a ponto de abandonar o trabalho árduo que foi ler esse livro quando alguns “mistérios” se solucionaram. Não posso deixar de dizer que outros ficaram de lado, ou foram resolvidos superficialmente. Então, eu faço a pergunta: como Eleanor Catton conseguiu ser superficial num livro de 880 páginas? Seria este, seu verdadeiro talento? Ou ela não quis jogar fora sua mais do que embasada pesquisa sobre a extração de ouro do século XIX? Pois isso não posso negar: a riqueza de detalhes com que a vida de Hokitika, uma cidade de mineiros, foi narrada. Não há um defeito a ser apontado na veracidade com que Eleanor ambientou o leitor. No entanto, quanto ao enredo, interligar um casal a um mapa astral e em relação a isso construir um paralelo com força suficiente para apenas 300 páginas foi um enfado que, sem sombra de dúvidas, não estava escrito nas estrelas.

1 comentários:

Alessandra Rocha disse...

Gente! Mas que cilada, e o livro é tão bonito! Apesar de intimidar pela grossura ele parecia mesmo promissor.
Meu desafio literario tem um "ler um livro com mais de 500 paginas" e to quase pegando o pintassilgo, mas e o medo de achar ele um porre? haha

Compartilhe mais suas leituras aqui Del, é muito gostoso o jeito que você escreve sobre o assunto! (:

beijo!

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