31 de dezembro de 2014

Filmes e livros de 2014

Fim de ano é época de? Isso mesmo, de postar tudo o que foi assistido e lido. Comecei a fazer isso em 2012, parece que deu certo. Dois mil e quatorze não foi lá muito produtivo, não encontrei tanta coisa legal, mas estamos aí para isso. Como eu sempre digo, espero que essas listas sirvam de inspiração para quem gosta de livros e/ou filmes. Um feliz Ano Novo (por que as pessoas escrevem com maiúsculas?), blá blá blá, saúde, paz e muito brigadeiro também.

Filmes:
O Tempo e o Vento (2013) ★★★
Guru (2007) ★★
Rocket Singh (2009) ★★
Deewana (1992) ★
Camille Claudel, 1915 (2013) ★★
A Menina que Roubava Livros (2014) ★★★
Swades (2004) ★★★
Lore (2012) ★★★
O Auto da Compadecida (2000) ★★★
Histeria (2011) ★★
Main Hoon Na (2004) ★★
12 Anos de Escravidão (2013) ★★★
Álbum de Família (2013) ★★★
Antes das Chuvas (2007) ★★
Devdas (2002) ★★★★★
O Lobo de Wall Street (2013) ★★
Goliyon Ki Rasleela Ram-Leela (2013) ★★★★
O Boulevard do Crime (1945) ★★★
Arundhati (2009) ★
Veer-Zaara (2004) ★★★★
Flashdance (1983) ★★★
Yeh Lamhe Judaai Ke (2004) ★
Umrao Jaan (2006) ★★★
Don (2006) ★★★★
Kal Ho Naa Ho (2003) ★★★★
Being Cyrus (2006) ★★★
Kuch Kuch Hota Hai (1998) ★★★
Pardes (1997) ★★
Chalte Chalte (2003) ★★★
Sociedade dos Poetas Mortos (1989) ★★
Videsh (2008) ★★
Ninfomaníaca I (2013) ★
A Separação (2011) ★★★
Dil Se (1998) ★★
Os Filhos da Meia-Noite (2013) ★★
Comer, Rezar, Amar (2010) ★★
Capitão América II (2014) ★★★
O Renascimento do Parto (2013) ★★★★
The Lunchbox (2013) ★★★
Varanasi, India: Beyond (2013) ★★
Guardiões da Galáxia (2014) ★★★
Predadores (2010) ★
Tibete – O Final dos Tempos (1995) ★★★
O Livro Tibetano dos Mortos (1994) ★★★
Dissipando as Trevas – Os Reflexos (...) (2014) ★★★
Doze é Demais (2003) ★
Cops (1922) ★★
Gunday (2014) ★★★
Intocáveis (2011) ★★★★
Minha Mãe é uma Peça (2013) ★★
Livros:
O Livreiro de Cabul, Åsne Seierstad ★★
Nosso Lar, Chico Xavier ★★
Vaclav & Lena, Haley Tanner ★★
A Arte de Escrever, Schopenhauer ★
King of Bollywood (...), Anupama Chopra ★★★
Conte Sua História de São Paulo, Milton Jung ★★★
Divórcio, Ricardo Lísias ★
Auto da Compadecida, Ariano Suassuna ★★★★
A Maldição dos Bonzinhos, Jacqui Marson ★
O Projeto Rosie, Graeme Simsion ★★
Sete Anos no Tibet, Heinrich Harrer ★★★
Desculpa se te Chamo de Amor, Federico Moccia ★
O Sorriso das Mulheres, Nicolas Barreau ★★
O Sentido da Vida, Dalai Lama ★★
O Teatro Mágico em Palavras I, Maíra Viana ★
Amanhã Você vai Entender, Rebecca Stead ★★
Call the Midwife I, Jennifer Worth ★★★
A Idade dos Milagres, Karen T. Walker ★★★
Lugar Nenhum, Neil Gaiman ★★
Antes, o Verão, Carlos Heitor Cony ★★
A Sonata a Kreutzer, Tolstói ★★
Fantasmas do Século XX, Joe Hill ★
Persépolis, Marjane Satrapi ★★★
Doomed Queens, Kris Waldherr ★★★★
Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago ★★★
Comer, Rezar, Amar, Elizabeth Gilbert ★★★★
Six Feet Over, Mary Roach ★★
Sapato Florido, Mário Quintana ★★★
O Maravilhoso Mágico (...), Lyman Frank Baum ★★
Cinza do Tempo, Gustavo Barroso ★★★
Rua da Padaria, Bruna Beber ★
Espero Alguém, Fabrício Carpinejar
Os Filhos da Meia-Noite, Salman Rushdie ★★★
Sobre Meninos e Lobos, Dennis Lehane ★★★
O Amor é Fodido, Miguel Esteves Cardoso ★
Sinuca Embaixo D'água, Carol Bensimon ★★
Americanah, Chimamanda Ngozi Adichie ★★★
Madame Bovary, Gustave Flaubert ★★
Eleanor & Park, Rainbow Rowell ★
Por Deus, Pela Pátria e (...), Mark Pendergrast ★★
A Loja de Antiguidades, Charles Dickens ★★
Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez ★★
Bonsai, Alejandro Zambra ★
A Casa das Sete Mulheres, Letícia Wierzchowski ★★
Moça com Brinco de Pérola, Tracy Chevalier ★★
Seu Horóscopo Pessoal para 2014, Joseph Polansky ★
Dez Mulheres, Marcela Serrano ★★
Meus Desacontecimentos, Eliane Brum ★★
Mar Me Quer, Mia Couto ★★
A Mão e a Luva, Machado de Assis ★
Infância, Graciliano Ramos ★★★
Cotoco, John Van de Ruit ★★
Livro de uma Sogra, Aluísio de Azevedo ★★★

28 de dezembro de 2014

Retrospectiva e blá blá blá

Cá estava eu tentando encontrar algo de valioso que tenha acontecido ao longo de 2014 e dei com os burros n'água. É, a gente sempre acha que o próximo ano será sensacional porque não é possível que seja só isso e mais nada. Não viemos até aqui, não tivemos todo esse trabalho, não esperamos nove meses para obtermos um resultado tão meia boca. Não pode ser. Se não foi em 2014 será em 2015, com certeza. Tem que ser!

Pois é, nada saiu como o planejado, de novo, mas tudo bem. Mesmo assim houve intriga e emoções. Aprendi a fazer pipoca doce (parecia impossível em 2013) e crochet. Engordei feito um porco para o abate e me danei no pilates até que descobri o yoga. Emagreci? Um quilo. Lógico que a culpa é falta de disciplina e a Coca-Cola. Aliás, em 2015 vocês poderão assistir de camarote à minha tentativa de parar de beber refrigerante. Vai ser divertido.

Terminei meu relacionamento e me viciei em canais do Youtube. Sério, não consigo mais viver sem daily vlogs e assisto a todas as aulas em casa. Completei 27 anos e não fiquei muito contente com isso. Não é exatamente o que eu esperava, mas estou tentando melhorar (ou consertar). O que significa, também, que dei importantes passos em direção ao Budismo.

Teve Copa! Muita Copa. Teve bastante discussão política por causa das eleições. Teve problemas técnicos. O Bonjour Circus sofreu um leve abandono que, todavia, não abalou nenhuma estrutura. E o texto mais visualizado em 2014 foi Desculpe por mais um meme literário, mas o meu preferido é o Carta aberta ao anel de Zurique. Ah, inaugurei a categoria freebies!


Melhores livros: Doomed Queens (Kris Waldherr) | Comer, Rezar, Amar (Elizabeth Gilbert) | Auto da Compadecida (Ariano Suassuna)

Li muito pouco (se compararmos com a lista do ano passado) porque estava estudando feito uma condenada. Não tive grandes surpresas, mas Comer, Rezar, Amar, por exemplo, me fez muito bem. Eu esperava a história de uma burguesa que coloca os bofes para fora ao menor sinal de sofrimento, no entanto Elizabeth Gilbert me deu um tapa na cara e me deixou morrendo de vontade de fazer viagens espirituais ao redor do mundo. Dei boas risadas com Doomed Queens e indico para todo mundo que sabe ler em inglês (não sei se foi traduzido para o português). E resolvi ler o Auto da Compadecida depois de ter assistido quinhentas vezes a adaptação para o cinema, que adoro. Ambos valem a pena!


Melhores filmes: Devdas (2002) | Goliyon Ki Rasleela Ram-Leela (2013) | Veer-Zaara (2004) | Kal Ho Naa Ho (2003) | O Renascimento do Parto (2013) | Intocáveis (2011)

Bollywood, Bollywod, Bollywood. Nenhuma novidade. Também não tive tempo para filmes apesar de eles não precisarem mais do que três horas de atenção (logo, eu posto a lista completa do que li e assisti durante o ano). Enfim, quem acompanha o blog sabe do estrago que Veer-Zaara fez em minha pessoa. Devdas não foi diferente, só não surtei publicamente. Kal Ho Naa Ho é tão dramático que chega a ser bom. Se fosse um enlatado americano eu provavelmente detestaria, mas fica difícil dizer não para o Shahrukh Khan. Daí que eu estava às lágrimas no final e envergonhada por me vender por tão pouco. O Renascimento do Parto é um documentário muito interessante, mesmo que eu não tenha planos de me tornar mãe. Intocáveis, sim, foi surpreendente. Eu deveria ter assistido antes!

Eu me lembro de ter feito uma lista de livros e filmes para 2014, lá no fim de 2013, e obviamente não cumpri nem metade da meta. Bem que eu queria fazer algo parecido agora, mas tenho vergonha na cara. Além do mais, quando percebi que estava me comprometendo a ler Guerra e Paz, soube na mesma hora que não fui feita para isso. Eu espero demais de mim, é esse o problema. Já fiz algumas promessas (ingênuas) para 2015 – manterei em segredo para passar vergonha sozinha em 2016. No mais, se eu pelo menos não ficar gripada, 2015 já terá sido um máximo!

18 de dezembro de 2014

Taylor Swift Book Tag

Faz um tempão que a Anna, do blog So Contagious, me indicou para esse meme e eu só não participei antes porque estava tentando descobrir quem, em nome do universo, é Taylor Swift. Depois de descobrir que é uma cantora, quase sucumbi a vontade de substituí-la por The Rasmus, mas seria muita cara de pau da minha parte, não acha? Como os itens tem uma explicação do que se trata isso tudo, vou responder logo de uma vez mesmo não conhecendo nenhuma música. Boa sorte para todo mundo!

1. We Are Never, Ever Getting Back Together (ou livro ou série que você estava amando, até que decidiu terminar para nunca mais voltar):
Ok, já comecei sem entender. Não sou do tipo que adia o término de um livro ou série por gostar muito da história. Pelo contrário, tento terminar o mais rápido possível antes que a ansiedade me mate. Agora, se eu amo provavelmente irei ler ou assistir de novo. Não sei que livro ou série indicar. Talvez A Culpa é das Estrelas, de John Green, que adorei, mas não leria mais uma vez. Eu já não aguentava mais a expectativa das últimas páginas e devorei o resto. Confesso que derramei uma lágrima. Confesso que fiquei abraçada ao livro por um tempo. Mas o amor acabou.

2. Red (ou um livro com a capa vermelha):
Tem um livro que acabei de adquirir, chamado Na Pele de um Dalit, do jornalista Marc Boulet, que viveu entre os intocáveis – pessoas da casta indiana mais baixa. A capa não é inteiramente vermelha, mas não comecemos com frescura. É uma história que muito me interessa. Sempre quis saber mais sobre as castas, como elas funcionam e qual é o impacto que causam na vida dos indianos. No livro Paixão Índia, de Javier Moro, fala-se muito pouco sobre isso. Em Os Filhos da Meia-Noite, Salman Rushdie sequer toca nesse assunto. Infelizmente, não tenho tempo agora para começar a leitura, mas Na Pele de um Dalit passará na frente de todo mundo na fila!


3. The Best Day (ou um livro que te deixe nostálgica):
King of Bollywood – Shah Rukh Khan, de Anupama Chopra, por nenhum motivo especial. É que comecei a ler esse livro logo após ter descoberto Bollywood e a maravilha que é ver Shah Rukh Khan atuar. Naquela época eu sabia pouco tanto sobre ele quanto da indústria e esse livro me ajudou bastante para conhecer melhor os dois. Agora sou macaca velha e devo parte disso à Anupama Chopra.

4. Love Story (ou um livro com uma história de amor proibido):
Não me lembro de ter lido histórias assim, só de amores que não deram certo. Por exemplo, Cartas Portuguesas, de Mariana Alcoforado, a freira que foi enganada por De Chamilly; ou A Casa das Sete Mulheres, de Letícia Wierzchowski, que tem aquele romance terrível entre Manuela e Garibaldi, que quase me fez arrancar os olhos de tão chato.

5. I Knew You Were Trouble (ou um personagem mau pelo qual você se apaixonou mesmo assim):
Ou eu li muito pouco nessa vida, ou essa tag realmente não foi feita para mim. Se a pergunta fosse sobre filmes, eu teria uma lista considerável de vilões apetecíveis, mas em literatura nenhum deles me conquistou. Quero dizer, tem O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux, mas ele não chega a ser um vilão. Pelo menos não sob o meu ponto de vista. Um psicopata? É, pode ser. Sequestrador? Consta nos autos. Mas me recuso a chamá-lo de vilão.


6. Innocent (ou um livro que alguém tenha estragado o final pra você):
Eu tenho a mania de ler o último parágrafo do livro antes de começar a lê-lo de fato. É muito difícil alguém estragar o final porque não ligo para spoilers. Por outro lado, falam tanto de Harry Potter que sei da história inteira por osmose, sem nunca ter encostado em um único livro da série. Acho que nunca vou me interessar a ponto de começar do começo, sabe? Eu sei, eu sinto, que não vou ter paciência para isso depois de ouvir tudo a respeito desse bruxo chato.

7. You Belong With Me (ou um livro que você esteja ansiosa para o lançamento):
O próximo livro de Markus Zusak, que até o presente momento se chama Bridge of Clay. Era para ter sido lançado no ano passado. Não sei nada sobre a história, nada sobre a nova data de lançamento, nada de nada. Não aguento mais!

8. Everything Has Changed (ou um livro com um personagem que se desenvolve bastante):
Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert, que passa por uma prova de fogo após o divórcio. Ela perde tudo e só lhe resta viajar para escrever uma matéria, que acaba se tornando um livro fantástico. Do estômago ao espírito, foi uma das histórias não-ficcionais que mais gostei de ler, até porque me identifico bastante com a Elizabeth.

9. Forever and Always (ou seu casal literário favorito):
Serei obrigada a mencionar Markus Zusak de novo, novamente. Eu poderia citar alguns casais, mas cairei no clichê de mencionar Liesel e Rudy, personagens do livro A Menina que Roubava Livros. Para quem já leu, ótimo: vocês sabem muito bem do que estou falando. Sabem, também, que a adaptação para os cinemas não conseguiu provocar a mesma depressão profunda e irreversível que a história impressa nos causou. Não sei lidar com essas crianças. Achei tudo muito injusto quando li pela primeira vez, mas essa é a vida e Markus Zusak entende disso melhor do que eu.

10. Come Back, Be Here (ou um livro que você não gosta de emprestar com medo de que não volte nunca mais):
Todos. Os. Meus. Livros. Não encoste nos meus livros. A última vez que fiz isso me arrependi bastante: o meu exemplar voltou bem judiado e não posso trocá-lo porque não fazem mais a mesma edição, que é linda e perfeita. O meu livro O Circo, de Gary Jennings, por exemplo, que eu levei comigo para uma viagem, sofreu sérios danos irreversíveis – ficou próximo demais de pessoas que não sabem o que é literatura. E não adianta, ninguém cuida das minhas coisas melhor do que eu mesma. Nem preciso mencionar The Circus 1870-1950, de Noel Daniel, não é? Os leitores mais antigos do blog devem conhecê-lo. Esse livro me custou um rim, não sai de perto de mim nem se o Lauri Ylönen em pessoa me pedir emprestado.


11. Welcome To New York (ou um livro que se passe num lugar que você tenha vontade de conhecer):
Eu adoraria mencionar um livro que se passa na Índia, lugar que obviamente quero conhecer, mas vou mudar o roteiro: Cadê Você, Bernadette?, de Maria Semple. Parte do livro acontece durante uma viagem para Antártida. Não sei se tenho coragem para atravessar a Passagem de Drake...


Fiz o melhor que eu pude. Muito obrigada para quem resolveu colocar adendos, facilitando muito a vida da terceira idade que está por fora da carreira promissora dessa mocinha. Tenho certeza de que ela deve ser simpática, de boa família e tal. Da próxima vez faço uma tag com The Rasmus e quero ver como vocês se viram. Não vou indicar alguém porque, enfim, nem sei porque me dou ao trabalho de explicar a essa altura do campeonato.

14 de dezembro de 2014

Desgostosa

Várias coisas me irritam na casa onde moro. Algumas irrelevantes como, por exemplo, o armário de panelas e o outro, de tupperware. Minha mãe ama tupperware, não pode ver uma promoção que compra logo uns vinte, mesmo comigo insistindo na ideia de que potes de vidro são melhores e, de quebra, mais saudáveis para guardar alimentos. Enfim, acumulamos muitos tupperwares. O armário de panelas vive em pleno caos. Toda vez que preciso de uma derrubo cinco para consegui-la. É um trabalho de garimpo, eu diria, assim como para encontrar a tampa certa do maldito tupperware. Não há o mínimo de organização, mas não cobro isso de mamãe porque é visível a falta de método. Não sabemos como fazer nem por onde começar. Então, entra ano e sai ano, continua tudo amontoado na mais perfeita falta de espaço.

A outra coisa que odeio na minha casa é o jardim. Quero dizer, é como dizem por aí: o fruto não cai longe do pé, então, por osmose, eu gosto de jardins, mas não do meu. Não caí longe do pé porque todo mundo da família gosta de plantas. Tem planta em todos os cantos, todas as casas, de todos os tipos, uma loucura. Só que o pessoal não entende jardinagem. Eles não fazem a mínima ideia de como funciona, do que é planejamento e acho que nunca ouviram falar em poda. Estou, secretamente, germinando sementes para um bonsai, mas se a notícia se espalhar, se alguém descobrir, tenho certeza de que no dia seguinte trezentos vasos se materializarão no quintal, numa vibe bem errada, cheios de sementes provavelmente já secas e mosquitos e terra espalhada e eu vou desistir. Não, meu bonsai sendo apenas o feto que é precisa de silêncio e paz.

Mas o que eu odeio de verdade, no momento, é ter deletado, meses atrás, a minha conta no Filmow. Não sei por qual causa, motivo, razão ou circunstância tomei essa decisão, que por causa da minha memória curta atrapalhou meu progresso nos filmes que queria ver. Sabe por quê? Porque eu esqueci quais eram. Estavam todos anotados no meu perfil da rede social e, automaticamente, uma vez salvos ali, minha cabeça não se viu obrigada a memorizá-los. Agora estou aqui tentando lembrar o que queria assistir e de quebra o que já vi. Porque vocês sabem que eu tenho esse tic nervoso (os anos 90 mandaram abraço) de não conseguir deixar nada pela metade, então preciso completar todas as estapas do meu Filmow para conseguir dormir bem. É claro que estou nessa há uns três dias e longe de terminar, mas pelo menos já encontrei a maioria dos filmes que quero ver. Descobri que já assisti muita merda, mas muita mesmo, só que isso não vem ao caso.

E o mouse que comprei há três semanas atrás, como ele está? Quebrado. Não quebrado, quebrado, é só um mau contato que me tira do sério. Não posso movê-lo bruscamente que o notebook emite um som de dispositivo desconectado, sabe? E esse som irrita. E o mouse que pára de funcionar de repente também não ajuda. Limitei meus movimentos ao máximo, o que é ridículo, pois o que fazemos com um mouse senão movimentá-lo? O problema, de verdade, é a preguiça de comprar outro. Eu tenho certa razão porque, se você pensar bem, fiz isso há três semanas atrás. Não estou afim de fazer de novo em tão pouco tempo.

Para completar, eu queria dizer que odiei os últimos quatro meses. Não foram fáceis, bons até certo ponto, não posso negar, mas deram em nada. Foi bom ter me dedicado a algo importante, ter mudado um pouco de trajeto, cresci um pouquinho, mudei algumas coisas, aprendi outras – o melhor é ter consciência disso. Acabou em nada. Digamos que fiquei com o cu liso de tanto tentar. Digamos que não foi totalmente em vão. Acho que estou de volta. Não é isso que importa? A boa filha à casa torna.

9 de dezembro de 2014

Natal – Cinco presentes criativos

Não é novidade que, para mim, Natal é a pior época do ano. Com quatro anos de Bonjour Circus já escrevi algumas vezes a respeito da impaciência, do mau humor e do azedume que me atingem em dezembro. Mas eu gosto de presentear as pessoas. Na maioria das vezes, enquanto os outros se amontoam pelas ruas para as compras de última hora, eu a) já estou pronta há muito tempo ou; b) me viro com o que tenho em casa. E se virar com o que encontramos guardado por aí, na minha opinião, é muito mais divertido do que comprar um par de meias só para não passar em branco. Sim, sou adepta do Faça Você Mesmo, da criatividade, de surpreender a pessoa. Como nesse ano as coisas estão particularmente atrasadas e as contas curtas, tive que colocar a mão na massa de novo. Daí que resolvi reunir aqui as ideias que acabei separando para colocar em ação mais tarde!


1. Pote de mensagens
É muito simples: você pode ir à loja especializada, no R$1,99 mais próximo da sua casa, ou compre pela internet mesmo um pote bem bonito de vidro. Depois, faça como preferir: escreva as mensagens à mão ou digite no computador, imprima e depois recorte os retângulos. Existem potes médios que comportam de 50 há 60 mensagens. E o que escrever? Mensagens pessoais, motivacionais, citações de autores famosos, formadores de opinião, líderes religiosos, frases de biscoito da sorte, enfim, o que você quiser que a pessoa presenteada saiba, sinta e leia por um bom tempo.


2. Caneca personalizada
No hipermercado perto de casa existem diversos formatos diferentes, mas sem pintura, apenas brancos. A vontade de comprar o estoque inteiro e depois pintar uma por uma em casa, do jeito que eu quiser, é enorme! Antigamente, na minha adolescência, quando eu ganhava uma caneca branca colava alguns adesivos na porcelana para deixá-la mais “animada”. Mas descobri que existem canetas próprias para isso vendidas em armarinhos ou grandes papelarias. Agora ficou bem mais fácil: uma caneca branca ganha frases matinais, desenhos de gatos ou qualquer motivo que descreva a personalidade do presenteado. Nesse link tem o tutorial em português.

Fonte
3. Spa in a jar
Eu, particularmente, adoraria receber um presente assim! Um jarro cheio de produtos de beleza: esmalte, creme para as mãos, protetor labial ou batom, velas. Claro, tudo em miniatura. Já vi algumas versões com esponja para banho, lixa de unha e até bombom. Você também pode fazer um kit para costura (com linhas, agulhas, tesourinha) ou de doces (balas, bombons, chiclete). Na verdade, são vários presentes numa só embalagem que manterão a pessoa entretida por algum tempo.

Fonte
4. Esfoliante natural
Existem dezenas de receitas na internet para esfoliantes, máscaras, cremes. É um presente que poucos esperam receber e bem personalizado. Conheço algumas pessoas de pele bastante sensível, que não podem usar os cosméticos convencionais ou mesmo veganas que acham difícil (e caro) manter um tratamento cruelty-free. A solução para elas, e para mim de certa forma, foram os produtos caseiros. Tem a mesma eficácia! Basta adicionar essências e corantes alimentícios para deixar tudo melhor. Separei três receitas de esfoliantes que funcionaram muito bem comigo!



5. Biscoitos
Todo ano eu e minha mãe fazemos biscoitos com uma receita que está há anos na família (não é uma tradição, só fazemos porque gostamos). Depois presenteamos os vizinhos, o cabeleireiro, a dentista, o padeiro, o cara que sempre quebra um galho quando alguma coisa em casa quebra, enfim: todo mundo fica feliz! Eles se sentem lembrados, sabem que tem importância para a minha família e que, apesar de não termos gastado horas no shopping para escolher o par de meias perfeito, nos demos ao trabalho de preparar aquilo com muito carinho. Modéstia a parte, os biscoitos são uma delícia. Mal chega dezembro e já tem gente perguntando por eles! Mas como tenho ciúmes dessa receita, separei outras quatro para vocês (e existem outras centenas no Google).


E para encerrar com chave de ouro separei também alguns links com ótimos printables (gratuitos) para imprimir e colar no seu jarro, caixa ou pacote de presentes: Decorator's Notebook, Everything Etsy, The Graphics Fairy e Crafts With Jars.

Falta de tempo e dinheiro não são desculpas aceitáveis. Eu sempre arranjo um jeito de fazer feliz a pessoa de quem gosto. Dá um pouco mais de trabalho? Sim. Concordo que é bem mais fácil ir na C&A, escolher uma blusinha bacana, enfiá-la na caixinha de marketing e só esperar pelo momento certo. É o que eu faria se isso me deixasse satisfeita, mas na verdade prefiro gastar um pouco mais de tempo (e de quebra menos dinheiro) nos presentes que irei dar. Afinal, Natal só acontece uma vez por ano (ainda bem)!

5 de dezembro de 2014

Até logo, meu gordo

O Benjamin uivou a manhã inteira. Seu melhor amigo, Tobias, foi levado para o veterinário e não voltou. Tenho o costume de conversar bastante com ele e contei que Tobias precisava ficar um tempo internado porque estava doente. Sempre que converso com o Benjamin, falo aquilo que eu mesma quero ou preciso ouvir. Aos 14 anos de idade, o Tobias, um dos meus cachorros, não superou o câncer e teve de ser sacrificado – quatro anos após o sacrifício da Laika, pela mesma razão. Apesar de não ter sido tão apegada a ele como eu era à Laika, o vazio que ele deixou é enorme. A morte tem isso de assustador: o Nunca Mais.

Nunca mais brigar para que ele não roube a comida dos outros cachorros, nunca mais ser recebida em casa por ele, nunca mais chamá-lo de “gordo”, com todo o carinho, porque o que mais o Tobias tinha era fome. Essa certeza irremediável faz estragos. Deixa marcas. A gente pensa que poderia ter feito diferente, tentado de outra forma, sente culpa por tudo. Acho que fui fraca, que deveria ter lutado por ele, que não precisava terminar desse jeito. Eu o amava, é lógico, e o que a morte coloca no lugar desse amor não me é agradável.

Eu não queria escrever. Não me sinto bem. Passei por várias fases do luto em poucos minutos: chorei, me conformei, senti alívio por saber que ele não sofrerá mais, então veio a culpa, a sensação de injustiça e agora fica a saudade. Ele suportou a doença por anos, enfrentou com coragem, deu o melhor de si e não desistiu. Foi um campeão, sem dúvidas, que quis ficar mais um pouco por aqui porque gostava demais da gente. E apesar de ele ter sofrido muito, sentido dor, acho que a frágil fui eu.