31 de maio de 2014

Os meus cinco desejos (versão 2.7)

Eu não sabia que já faz tanto tempo, mas a primeira e última vez que postei uma lista de presentes de aniversário foi em 2012! O que andam fazendo com o tempo? Ou pior: o que eu ando fazendo com meu tempo? Bom, era para ter sido um post anual. Pelo visto deu errado.


O meu aniversário está chegando. Legal, né?! Não. Para o seu governo, não é nada legal. Nunca me dei bem com essa data e não será agora que me darei, na altura vertiginosa de 27 anos. É pedir demais. A única coisa que ainda espero dessa vida são os presentes. Normalmente, é o que menos recebo (talvez justo por esperar? não sei; taí uma teoria). Caso o problema seja indecisão – se como eu fosse a pessoa mais difícil do mundo – ok, talvez só um pouco –, voltei com a lista mais aguardada do quê... A lista muito, muito aguardada.

1. Um tigre

Eu amo tigres. Mas assim: amo. Sou capaz de ir correndo abraçar um sem ponderar sobre os riscos de morte abrupta. Quero fazer “cuti-cuti” na barriga deles, cafuné entre as orelhas, rolar na grama, dar comida na boca (mesmo que seja um alce esquartejado). Ah, imagine que cena bonita! Eu levaria Dom Pedro, meu tigre, meu pet, para passear no parque, compraria uma bola de basquete para ele, tricotaria uma roupa com os dizeres “I love Mommy”. Dom Pedro andaria de carro comigo, sentado no banco do passageiro e eu economizaria horrores no seguro do carro. Não sei como funcionaria esse negócio de veterinário, castração (tigre no cio: tenso) e pooportunities (alugar uma caçamba para os dejetos, quem sabe), mas nada que a vida não arranje.

2. Uma viagem para a Índia

Está complicada, essa situação. Toda vez que vejo ou leio algo sobre a Índia, passo as duas mãos no rosto. A minha pressão cai. Eu quero muito esse lugar para mim, mas como sei que tomá-lo assim, do nada, pode acarretar numa guerra mundial – e eu não tenho exército para isso (o que pode significar que se eu tivesse...) –, fico satisfeita com uma passagem de avião. Quero me hospedar em um ashram de verdade, conhecer um monge, um hindu, um sikh (ou sique?), o rio Ganges. Quero tirar fotos no Taj Mahal e também com uma vaca sagrada. Quero nunca mais voltar!

3. Tom Hiddleston
Não custa tentar.

4. A temporada completa de Seinfeld

Porque sim, essa é a melhor série de todos os tempos! Estou cansada de assisti-la online ou ter que baixá-la toda vez que sinto falta de um episódio. O Youtube não dá conta das cenas que quero ver separadamenete para usar de referência. A internet é coisa pouca, o que eu quero ainda não tem nome. Quero dizer, tem nome e endereço. Eu, sinceramente, não confio em pessoas que nunca assistiram sequer um episódio. É sensacional! Vou dormir abraçada ao box.

5. Livros

Ok, se os presentes anteriores forem complicados demais, fico contente com livros. Agora, falando sério, às vezes amigos perguntam o que me dar de presente, querem inovar, comprar algo que estou precisando, mas minha única e legítima resposta sempre é livro. Porque é o que me faz feliz e não tem como errar; existe um leque bem generoso de preços e gêneros também. Sério, me dê livros. Nunca é demais!

27 de maio de 2014

Cem anos de leitura

Então, eu queria fazer uma resenha sobre “Cem Anos de Solidão”, do Gabriel García Márquez (ou Gabo, esse nome que me irrita), mas não achei justo haja visto o momento frágil que os fãs do leitor estão passando. Não que eu me importe, mas também não vou cutucar a onça com vara curta. Ok, eu vou. Só um pouco. É que eu não gosto dele, nunca gostei, li “Cem Anos de Solidão” por causa de sua morte, para ver se esse fato havia me fragilizado. Não, não funcionou. Felizmente, os mortos para mim continuam como em vida: ninguém vira santo. Minha impaciência com Gabriel é a mesma de sempre, mesmo após a leitura de três livros.


Foram os outros que me fizeram dar mais uma chance. Conheço tantos leitores que adoram o autor, que comecei a desconfiar de mim mesma. Eu só podia estar errada! “Essa piada deve ter passado batida”, pensei. Depois de ter detestado e chorado sangue com “Do Amor e Outros Demônios”, parti direto para “O Amor no Tempo do Cólera”. Li, li, li e li mais um pouco até que meu saco encheu e pulei umas dez páginas. É sempre assim. Eu pulo as páginas de Gabriel García Márquez sem o menor remorso. Ou faço isso, ou enlouqueço. Eu capto a ideia do livro lá pela metade da leitura e o resto é pura repetição, um longo e doloroso labirinto com informações desnecessárias, que não fazem a menor diferença. Não sei vocês, mas às vezes eu converso com o autor enquanto leio sua obra.

— Seu Gabriel, pelo amor de Deus, eu já sei de tudo isso.
— Mas eu nem cheguei na melhor parte.
— Eu já estou quase no final! Como assim não chegou na melhor parte?
— Eu nem contei aquele causo ainda, filha.
— Outro, Seu Gabriel?!
— Ih, ainda tem muito chão. Então, onde eu estava?

Em “Cem Anos de Solidão”, por exemplo, é tanto José Arcadio que eu decidi pelo meu bem deixar de acompanhar a linha do tempo. Não parei, um só minuto, de pensar em “O Tempo e o Vento”, de Erico Verissimo, que tem a mesma proposta, mas é infinitamente melhor. Resultado? Pulei umas vinte páginas e dei de cara com um final patético. Não se escandalizem vocês, fãs de “Gabo”, esse é meu jeitinho. É um autor que não me conquistou, fazer o quê? Suas histórias são boas, alguns diálogos são dignos de uma moldura dourada, mas nada que surpreenda. Daí você diz: “Mas ele ganhou um Nobel”! Poxa, que bom. Porém, isso não muda o fato de que toda vez que eu leio uma de suas obras tenha a impressão de que vá envelhecer instantaneamente e morrer com o livro na mão.

21 de maio de 2014

Amor ficcional

Eu não ia participar do meme “5 amores platônicos famosos” do Rotaroots por dois motivos: a) alguém aí ainda aguenta ler textos sobre homens, no Bonjour Circus? e b) acho que já falei de todos?! Não sei. Talvez. Se bem que sempre tem, né. Pão quente vive saindo do forno. E a maioria do público bonjour circense é feminino, então acho que estou lucrando. Bom, pelo visto é tarde demais para desistir.

1. Loki (dos filmes Thor e Os Vingadores)

Não sei nem por onde começar. No decorrer do meme ficará claro que tenho uma queda por fodidos. Loki é bastante. Quero dizer, não que ser adotado e meio que renegado pelo pai seja motivo para explodir o planeta Terra, mas gente, cadê a compreensão? Se psicóloga eu fosse (ainda bem que não sou), diria que o menino precisa se expressar, colocar o ódio para fora. Eu diria mais: diria que ele precisa de um abraço! E por que não o meu? Loki é um homem tão intenso, impulsivo, seria um excelente amante. Ah, vai dizer que ele não é carismático?!

2. Samar Anand (do filme Jab Tak Hai Jaan)

Tá bom que eu deixaria o Shahrukh Khan de uniforme fora dessa. Sabe de nada, inocente! E tem mais: se como não bastasse o uniforme, os músculos, a barba por fazer, Samar Anand canta, toca violão e é o homem apaixonado mais fofo desse mundo. É claro que ele se fode, taí uma regra para esse meme, mas se fode por amor. Eu tenho medo de detalhar e acabar dando um baita spoiler, mas também não sei se vocês vão assistir esse filme. É só que a história é longa, cheia de reviravoltas, o casal se separa porque ela faz uma promessa, Samar fica revoltado e decide descer o cacete na puta da vida. Coisas acontecem, ele continua um herói, um lindo, um soldado que escreve poesia e canta no tempo livre e puta que pariu, cadê um Samar Anand quando a gente ovula?

3. Jack Dawson (do filme Titanic)

A Thay, do blog Dreams, apesar de não escolher personagens fictícios mencionou Leonardo DiCaprio e, olha, ela está certíssima. Jack Dawson se apaixonando é a coisa mais pura que eu já assisti e não consigo lidar com ele. Eu passo mal toda vez que o vejo morrer, meu coração gela, é injusto, isso não está certo, esse rapaz era um príncipe, merecia ser feliz e acho que vou chorar agora mesmo. Se eu tivesse um Jack na minha vida para “me salvar de todas as formas que uma mulher pode ser salva” (pausa – suspira), eu não pediria mais nada da vida.

4. Ram (do filme Goliyon Ki Raasleela Ram-Leela)

Você me desculpe, mas Bollywood é uma fábrica de amor platônico. Eles são bons nisso e estão orgulhosos. Ram é bem humorado, descontraído, é tão lindo que, pelo amor de Deus, estou suando e claro: um romântico incorrigível. “Goliyon Ki Raasleela Ram-Leela” é uma espécie de “Romeu e Julieta” indiano então, é... Ele se fode. E a pena que dá? E essas mulé que não sabem salvar seus homens? Tudo bem que, para os padrões brasileiros, Ram dá umas reboladas mei' assim, mas ele pode. Ele tem barba e anda armado.

5. Rocky Balboa (sério mesmo que preciso especificar?)

Rocky é o cara que eu mais respeito no cinema. Eu queria muito que fosse uma pessoa real, e esse é um dos meus maiores desgostos com a vida. Infelizmente ele está preso ao Sylvester Stallone, que fez o favor de transformar seu rosto em uma obra de arte abstrata. Era tão pegável, não era? Mas Rocky Balboa não é só beleza e força física. Eu o admiro, principalmente, pelo caráter. Pode não ser o cara mais inteligente do mundo, não é muito esperto, mas tem um coração de ouro. Ele é puro, quase inocente, o tipo de homem que não se encontra fácil por aí. É um dos personagens fictícios que mais me inspira, dá lições de vida incríveis e, mesmo que fosse horroroso, eu me casaria com ele pelo o que há por dentro.

PS: Só escolhi personagens fictícios porque a vida não tá podendo com amor platônico por celebridade. Além do mais, já me dei ao trabalho (duas vezes).

PPS: Sim, só personagens de filmes porque a vida também não tá podendo com a imaginação literária. E como não acompanho seriados, não fui apresentada apropriadamente a alguém.

15 de maio de 2014

Desculpe por mais um meme literário

Assim, talvez eu desagrade algumas pessoas com o que vou escrever agora, mas eu sou assim mesmo. Vocês que se acostumem. Então, não curto a maioria de blogs literários que pipocaram por aí. Não que sejam ruins, é que eles simplesmente não falam direito sobre livros. Pelo menos no meu conceito. A maioria só serve para encontrar tags legais, e é por isso que mantenho minha assinatura em alguns. Foi assim que descobri essa tag, esse meme, essa coisa, essas questões, enfim, mas não me lembro onde. Fico devendo os créditos. Sinto muito. Mesmo. Até comprei coroa de flores.  – A Anna, do So Contagious, solucionou o mistério: a tag se chama Palavras Cruzadas e foi criada por InesBooks!

1. Vox Populi (um livro para recomendar a toda a gente)
É um saco responder essa pergunta porque não tenho livros diferentes dos que já indiquei. Eu me esforço, mas nem sempre é fácil. “Americanah”, do nome impronunciável Chimamanda Ngozi Adichie, me surpreendeu positivamente. Não é tudo o que dizem por aí. Menos, bem menos. Mas é uma novidade no mundo literário, e isso é sempre bem vindo. “A Noiva do Tigre”, da Téa Obreht, também foi uma surpresa. Eu esperava uma história morna, sem começo, meio e fim, uma mistura de romance mela-cueca, enredo furado, mas olha: vale a pena! “Os Filhos da Meia-noite”, de Salman Rushdie, talvez seja nacionalista demais, mas é tão incrível quanto. Acredite. Você precisa conhecer a história da Índia através da perspectiva de Saleem.


2. Maldito plágio (um livro que gostaríamos de ter escrito)
Qualquer livro do Mia Couto, só para começar. Eu queria (todo mundo, eu acho) ter a capacidade dele de amordaçar o leitor. Ele não é desse mundo. Assim como Florbela Espanca – eu queria ser capaz de arrancar o coração das pessoas e comê-lo ao som de Chopin. Agora, descendo um pouco (bastante, ok) e atingindo meu nível intelectual porque... né, vamos ser realistas só por um minuto: eu queria muito ter a sensibilidade de Sally Nicholls ao escrever “Como Viver Eternamente”. Ou a criatividade e o desapego de Maria Semple em “Cadê Você, Bernadette?”.

3. Não vale a pena abater árvores por causa disto.
Acho que nem preciso responder essa. Vocês estão cientes da minha opinião a respeito de crepúsculos, tons de cinza e o caralho. Mas por outro lado, há o “O Amor é Fodido”, de Miguel Esteves Cardoso. Esse livro é tão ruim, que chega a doer. E o problema é que ele não pode ser ruim. Tipo, você espera qualquer porcaria de autoras que viveram no porão a vida inteira e não entendem nada de vampiros e palhetas de cores, mas quando o fogo é amigo a gente percebe que nunca está preparado. Ao afirmar que a pobre árvore não merecia isso, estou dizendo que o livro é realmente um erro. Assim, um erro bem grande. Reflitam. O mesmo vale para Schopenhauer. Pois é. Você está em plena guerra e seu colega soldado aponta a metralhadora no meio da sua testa. É o cúmulo. Quem nessa vida não admira Schopenhauer?! Estou louca? Olha, não sei, mas depois de ler “A Arte de Escrever” fiquei com tanta raiva desse mané, que não pretendo fazer as pazes. Schopenhauer é um babaca.

4. Não és tu, sou eu (um livro bom, lido na altura errada)
Às vezes acho que se eu ler novamente “Memorial do Convento”, de José Saramago, e “A Trama do Casamento”, de Jeffrey Eugenides, eu vá gostar mais do que a primeira vez (analogias permitidas). Só um pouco mais. Normalmente, não me engano com minhas classificações. É sempre a altura certa de ler um livro porque eu quero ler aquele livro naquele momento, senão não o leria. Sabe, não parece, mas sou uma pessoa bem descomplicada.


5. Eu tentei... (um livro que tentamos ler, mas não conseguimos)
De cara me lembro do “Resistência”, de Agnès Humbert. Tinha tudo para ser um máximo, até gastei meus caríssimos pontos no Skoob e o solicitei como troca, mas não rolou. Meu Deus, que sacrifício virar cada página! A história não acontece, por incrível que pareça. O mundo está se acabando em guerra e Agnès não consegue fazer o sangue ferver com a injustiça de tudo isso. E nada nesse mundo, nenhum ser vivo, conseguirá algum dia me convencer da magnitude de “As Brumas de Avalon”, de Marion Zimmer Bradley. Não tem nada dentro desse livro. Se você chacoalhá-lo de cabeça para baixo só vai cair traça.

6. Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro que teve um final surpreendente) 
O final do livro “A Peculiar Tristeza Guardada num Bolo de Limão”, de Aimee Bender, é uma coisa que até hoje me dá vontade de peidar na cara da autora. Sinceramente. É mais uma árvore que deveria ter sido poupada. Aliás, se tivesse virado papel higiênico seu final seria mais digno. Já o final de “Eu Sou o Mensageiro”, de Markus Zusak, é uma coisa que me inspira há anos. Foi a coisa mais incrível que li na vida. Sou capaz de ficar no jardim regando uma árvore só para esse autor.

7. Foi tão bom, não foi? (um livro que devoramos)
“Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, é uma delícia. Fiquei sorrindo para o livro depois de terminá-lo. Lembro do dia que peguei “O Lobo da Estepe”, de Hermann Hesse, para ler e só consegui largá-lo no fim. Eu precisava muito saber o que aconteceria. Foi uma experiência e tanto. E teve a época (estranha porque eu não esperava por isso) em que não via a hora de terminar tudo para continuar lendo “Comer, Rezar, Amar”, de Elizabeth Gilbert. Eu adorava as histórias dela na Indonésia e na Índia!


8. Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós)
Fiquei morrendo de vontade de experimentar o arroz de coco da Ifemelu, em “Americanah”. Mas eu estava com fome quando li essa parte, então... E os pratos de Mary, em “Os Filhos da Meia-noite”. Toda manhã, quando esqueço de comprar pão, por exemplo, e tento me contentar com um potinho de Activia, me lembro das refeições que Jennifer Worth, do livro “Call the Midwife”, fazia no St. Raymond Nonnatus. Meu estômago ronca.

9. Fast Forward (um livro que podia ter menos páginas que não se perdia nada)
“Divórcio”, de Ricardo Lísias, podia ter página nenhuma. Mas já que ele se deu ao trabalho, perdeu a oportunidade de nos poupar de muitas coisas. É irritante. O máximo que posso dizer é isso: irritante. O engraçado é que gostei muito de “Céu dos Suicidas”. “O Menino do Pijama Listrado”, de John Boyne, é aquele livro em que viramos a página pensando “ok, entendi, agora pula logo para a moral da história” porque a gente sabe que tem uma moralzinha bem barata. Sempre tem. Ou “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, que a cada diálogo dela provoca a reação “ai, se mata”.

10. Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título)
Eu faço isso. Me sinto um lixo depois em 90% dos casos, só que... Vocês sabem: continuo. A lista é maior do que minha vergonha na cara. Tem “Azazeel”, de Youssef Ziedan; “Eu Hei-de Amar uma Pedra”, de António Lobo Antunes; “Receitas de Amor para Mulheres Tristes”, de Héctor Abad Faciolince; “A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata”, de Mary Ann Shaffer; etc. Com títulos assim a gente nunca acha que pode dar errado, né?


11. O que conta é o interior (um livro bom com uma capa feia)
Estou tentando me curar do Mal da Capa. Sempre que me interesso por um livro de capa feia me dou um biscoito. Eu poderia citar um monte de títulos lançados pela Martins Fontes, que tal? Ou simplesmente passar o link do catálogo deles e deixar a escolha do freguês. É isso! Vai lá no site da editora e divirta-se. Julgar um livro pela capa não me pertence mais.

12. Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir)
Tem um conto no livro “Histórias de Cronópios e de Famas”, de Julio Cortázar, que me fez rir demais. Infelizmente, não me lembro qual, mas está nos meus planos reler. “Os Maias”, de Eça de Queirós, também me rendeu boas risadas – o que a gente nunca espera de um clássico, né? Markus Zusak, eu nem deveria mencionar porque é mestre em me fazer rir. E não posso me esquecer de “Doomed Queens”, de Kris Waldherr. Foi um jeito legal de ler história!

13. Tragam-me os Kleenex, se faz favor (um livro que nos tenha feito chorar)
“Marley & Eu”, de John Grogan, lógico. Minha cadelinha estava bem velhinha na época e, por um motivo desconhecido, eu não sabia o que acontecia no final. Nem desconfiei. Eu sou uma anta. Quando comecei a desconfiar (veja bem, desconfiar) parei de ler na hora, aos prantos, nariz escorrendo, me sentindo traída. Papai Noel não existe, como assim? Traumático. Não era para acontecer aquilo, era para o mundo ser perfeito. Nossa, muito chato.

14. Este livro tem um V de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém)
O meu bloco de concreto carinhosamente chamado de “The Circus 1870-1950”, de Noel Daniel, que contém a história circense completa (ok, quase isso) e sequer sai do meu lado. Eu não deixo as pessoas encostarem nele. “A capa mancha muito fácil, por isso deixo ele fora do alcance” – o que já deveria ser uma dica, mas as pessoas demoram a entender (ou se fingem de desentendidas, o que é bem mais perigoso). Eu não empresto nenhum livro, na verdade. Isso não funciona. E para que emprestar em plena era tecnológica do eReader?! Se vira, mermão.

15. Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar)
Todo mundo está falando do Borges. Não sei o que deu que qualquer hora é Nooooossa, Borges! e eu tenho imensa preguiça. Meu volume único de “As Crônicas de Nárnia” está acumulando pó na estante há anos. É o único caso registrado de O Filme é Melhor. Pode me julgar. Adquiri o “O Espetáculo Mais Triste da Terra”, de Mauro Ventura, mas não estou na vibe de ler sobre animais de circo queimados e agonizantes. Ah! Tem o caso sinistro do livro “O Papa de Hitler”, de John Cornwell, que eu demorei anos, põe muitos anos nisso, para encontrar, falava toda hora dele, finalmente troquei no Skoob, o livro chegou e: nada. Está encostado e não tenho a menor vontade. Freud não explica.

11 de maio de 2014

Não gosto de nada

Decidi participar pela primeira vez da blogagem coletiva do Rotaroots, que em maio tem o tema “o que todo mundo ama e eu odeio”. É um assunto ao mesmo tempo fácil, pois odeio praticamente tudo o que os outros amam, e justo por isso é difícil, pois tenho tantas opções que não sei quais escolher. Se eu não me engano, já escrevi um ou dois textos no Bonjour Circus falando sobre isso, mas algo me diz que sempre terei material para publicar outros tantos.

Contudo, eu gostaria de ressaltar que cada um tem o direito de apreciar o que bem quiser, assim como eu tenho o direito de odiar os mesmos objetos de afeição. Ou seja, estamos condenados eternamente a esse cabo de guerra. E eu queria implorar também para que as pessoas entendessem de uma vez por todas que as críticas sempre são direcionadas a estes objetos e não a elas. Isso esclarecido, quero dizer por último que fiz o máximo para fugir do comum e não me repetir. Seria fácil citar Valesca Popozuda e Luan Santana, por exemplo, ou incluir todos esses hypes malditos, insistentes, pegajosos que assim como aconteceu com o É o Tchan e a calça boca de sino, no futuro ninguém terá coragem de assumir que um dia adorou.

1. Gatos

Eu amo os animais. Protejo, adoto, cuido, denuncio maus tratos, me manifesto contra rodeios, etc. Vivemos em harmonia e eu jamais seria capaz de fazer sofrer qualquer formiga que fosse. Mas nem por isso crio rinocerontes em casa e se vejo uma barata saio correndo como o diabo da cruz. É assim com gatos: bonitinhos, graciosos, os acaricio quando visito amigos que os tem, brinco com a gatinha Mel que mora em um dos sebos que mais frequento, e não passa disso. Minha mãe adora, mas enquanto posso escolher, prefiro não tê-los. Na verdade, fizemos tentativas mal sucedidas de abrigar três deles em épocas diferentes e a experiência foi pouco satisfatória para mim – não brincam, arranham, são egoístas e indiferentes ao meu tatibitate que tem boa fama entre os cachorros. Estes, aliás, são infinitamente mais sociáveis e companheiros, na minha opinião. Gatos, em suma, não tem graça alguma. Talvez sejam animais para pessoas mais independentes do que eu, pois reciprocidade é uma coisa incomum aos felinos.

2. Paris

Eu já li tanto, já assisti tanto, que conheço Paris por osmose. Eu não preciso visitá-la para recomendar os melhores restaurantes e os pontos turísticos mais visitados. Nem preciso sair de São Paulo para comprar uma miniatura da Torre Eiffel e exibi-la como souvenir na minha estante. Paris, a capital do consumismo, do céu fechado, do ar perfumado, dos jardins franceses. Paris é boba. Pode ter sido romântica nas décadas de 20 e 30, mas envelheceu precocemente graças a exaustiva propaganda. Todo mundo só fala dela, a deseja acima de todas as coisas, não vê a hora de poder fazer inveja dizendo: “Ah, Paris... Você precisa conhecer”! Não, eu não preciso. Não tenho a menor curiosidade de visitar uma cidade abafada sob uma torre com mais de 120 anos, cujo principal atrativo é o consumo em lojas de grandes estilistas, gastando o dinheiro que ninguém tem com coisas que jamais irão usar (para não estragar ou acabar porque são de Paris), e onde o turismo não tem alma e calor humano.

3. Bebês

Se eu vejo um berçário, a primeira coisa que penso é: “ai, meu Deus, quanta gente! Para onde vai todo mundo”? Enquanto uns suspiram e acham a cena tranquilizadora, eu me desespero. São coisinhas pequenas, frágeis demais, que expelem secreções por todos os buracos, berram, choram, sofrem com cólicas mesmo não tendo muito espaço para isso, podem morrer de uma hora para a outra sem mais nem menos e o pior: vão crescer. Vão se tornar crianças insuportáveis, mimadas na maioria das vezes, cheias de vontades, maldades, bullying e a promessa de um futuro pouco promissor. E, novamente, ao olhar para dentro do berço onde um recém nascido dorme, eu penso: “tenho certeza que os pais dessa criança vão foder com a vida dela”. Porque é isso que nós, adultos, fazemos. A gente destrói, inconscientemente, tudo o que encontramos pela frente – inclusive, e principalmente, a própria cria. Bebês são imprevisíveis, eu nunca sei o jeito certo de segurá-los e tenho pavor de começarem a chorar enquanto estão no meu colo. Eu sei que vão vomitar em mim, ficar vermelhos e encherem a fralda numa sincronia perfeita com as minhas palmadinhas em seus bumbuns e vão ficar me encarando se como eu fosse de outro planeta, ou irão decepar a mãozinha de tanto enrolarem meu cabelo.

4. Remédios

Quando você está gripado, qual é sua primeira atitude? Tomar uma boa dose de Naldecon, não é? E se tem uma crise de gastrite? Também, um remédio qualquer para dor ou o receitado pelo seu médico. Analgésicos, antitérmicos, aspirinas, pílulas: só tomo se estiver à beira da morte. As pessoas inteligentes procuram o alívio imediato e correm para a farmácia mais próxima. Eu, ao contrário, sou meio bicho-grilo. Sou do tipo que prefere boicotar a indústria farmacêutica e cultivar ervas no meu quintal. Quando se fala em Buscopan, Dorflex, Apracur, eu só consigo ouvir: câncer, testes em animais, dependência, queda na produção de anticorpos e dominação mundial. Consigo resistir por um tempo invejável, mas no fim acabo arregando. Sempre tomo um BuscoFem, ou um Dramin para dormir por três dias e não ter que viver. É um pecado imperdoável para mim, mas a modernidade está aí para isso.

5. Gnomos

Antes de qualquer coisa, preciso tirar uma dúvida: existe mesmo pessoas que cultuam gnomos? Eles fazem parte da Wicca? Esse povo é doido assim mesmo ou eu que não entendi a piada? Enfim, eu odeio gnomos. A classe média adora enfeitar seus jardins com eles, colocá-los nos vasos de flores (oi, mãe) e até na estante de livros ou em cima da mesa de trabalho. Eles estão por toda parte e tem gente que jura de pés juntos que já os viu ao vivo e em cores. Tirando a minha teoria de que são os principais responsáveis pelo sumiço dos meus objetos inanimados favoritos e hematomas que surgem no calar da noite, eu duvido muito que esses seres estejam ocupados em existir de fato. Acho mesmo que seu único objetivo é passar dia e noite nas prateleiras de lojas para materiais de construção. Para ser sincera, eles me dão mal estar. Eu fico inquieta na presença de um gnomo, tenho a impressão de que ele moverá lentamente a cabeça na minha direção para me encarar com seus olhinhos frios. Aqueles sorrisinhos de escárnio pintados a mão, sabe? Eu sei que significam muito mais do que imaginamos.

6 de maio de 2014

Youtube: meus cinco canais favoritos

Para ser sincera, acabei de descobrir a real magnitude do Youtube. Antes, eu só acessava para assistir o vídeo mais badalado do momento, que em 90% dos casos era uma porcaria. Porém, recentemente descobri canais úteis para o meu dia-a-dia: yoga, pilates, receitas, tutoriais – um mundo de gente boa compartilhando o que sabe. Para além disso, que está fazendo diferença na minha internet, encontrei também alguns loucos dispostos a passar o dia inteiro com uma câmera na mão gravando suas rotinas, ou falando com propriedade sobre livros, ou sendo engraçados e só isso mesmo. Talvez, no futuro, eu amargue o tempo que perdi rindo feito idiota de atitudes idiotas vindas de pessoas idiotas, mas ok. Faz parte.

Para mim é uma escolha pessoal, essa de acompanhar canais no Youtube. Nem todo mundo curte assistir a vida privada de completos estranhos, não tem o mesmo senso de humor, tem mais o que fazer, sei lá. Eu sou assim. Normalmente, quando alguém me indica um youtuber, eu não gosto. Prefiro descobrir por mim mesma. Você aí, caro leitor ou leitora, pode ser igual. Mas caso goste de indicações porque não sabe por onde começar a procurar alguém realmente bacana, que valha sua atenção, vem comigo.


Comecei acompanhando o canal dela sobre maquiagem que, apesar de eu não usar maquiagem nem gostar desse tipo de vídeo com tutoriais, adorava o jeito dela e as coisas diferentes que às vezes apareciam no canal – feltragem, por exemplo, ou ela pintando um quadro lindo. Só depois de um bom tempo, sem querer, acabei encontrando seu vlog pessoal. Costumo dizer que é um dos “seriados” que mais gosto de ver. A vida de Bubz, Tim (seu marido) e os dois cachorros não tem nada de sensacional, o roteiro não tem nenhuma sacada genial, e é por isso mesmo que gosto tanto: é a vida normalzinha dos dois, que agora vão se tornar pais. Para quem tem a vida meio louca, como a minha, é bom acompanhar pessoas comuns de vez em quando.


Estou inscrita em vários canais literários gringos para ficar por dentro dos lançamentos lá fora. Ainda mais agora, que perdi a preguiça e cada vez mais leio livros em inglês. Não é fácil encontrar um youtuber com o mesmo gosto literário, ou pelo menos parecido, mas dá-se um jeito. As irmãs muçulmanas não são uma exceção: leem tudo o que eu jamais sequer tocaria, mas são verdadeiras simpatias (principalmente a Farah, coração com as mãos para ela). E ok, às vezes eu acabo me interessando por um chick-lit e outro, um YA mais ou menos diferente – tudo por influência delas. Assisto mais para me divertir, no fim das contas, do que para ficar por dentro das novidades literárias.


Esse é outro “seriado” da vida real que gosto de acompanhar. Judy faz vlogs há quatro anos, ou mais, e sua vida é o que eu chamo de caos. Nesses quatro anos de vlog diário, ela conheceu seu namorado, casou com ele, teve uma filha e logo em seguida deu à luz gêmeas. Visualize: uma casa com três crianças pequenas (a mais velha mal aprendeu a andar). Eu não sei bem como isso acontece, mas o casal se diverte. Eles gostam. Acho que é isso que me fascina, o conforto deles dentro dessa vida virada de cabeça para baixo; e também a disposição de gravar vídeos diariamente sem se importar muito com as aparências.


Pare tudo o que você estiver fazendo – abandone esse texto – e vá correndo assistir os vídeos desse cara! Eu estava maluca atrás de alguma coisa diferente (sempre, né?), querendo sair do padrão e, principalmente, procurando material indiano. Porque sim. Jasmeet é sique, nasceu e mora no Canadá, mas foi criado nos conformes da cultura indiana. Ele também tem um vlog, mas acompanho mais o “principal”, JusReign, onde ele publica vídeos variados – opiniões, interpretações, músicas de sua autoria, etc. Não faz muito tempo que o descobri e tweetei divulgando. Vi todos os vídeos em uma única noite no fim de semana e ri mais do que achava ser possível rir de um sique. A gente nunca espera certas coisas de um cara que usa turbante. Para começar, ou conhecê-lo melhor sem navegar demais, recomendo três vídeos: Don't touch my turban! (Prank), The Hand Clap Dance e Things I HATE About India.


Vou tentar não entrar de novo na discussão “qualidade literária”. Só que preciso dizer que volta e meia me irrito assim, profundamente, com certos canais que falam de livros. Ninguém precisa nascer sabendo, ser um expert em literatura para poder discutir, mas convenhamos: já que o cerumano se deu ao trabalho de montar um canal só para isso, que ao menos pesquise antes de falar – que saiba a pronuncia correta dos autores e das autoras, que fale um pouco sobre a história deles, cite traduções dos livros (boas e ruins), curiosidades também e, por que não? Leia a droga do livro antes de resenhá-lo. Foi no meio desse mar morto, afogando em frases do tipo “Não faço ideia do que se trata esse livro, só comprei/recebi da editora por causa da capa (ou por ser de graça)”, que encontrei a Juliana. Eu queria muito carregá-la no meu bolso. Ela lê o que gosta, porque gosta, quando gosta. Sabe do que está falando, interpretou perfeitamente o que leu e participa de vários projetos literários para sair da zona de conforto e sempre trazer títulos com conteúdo e diferentes do que a grande maioria anda lendo por aí. A Juliana é um amor. É um oasis no horizonte desse consumismo literário vazio e desenfreado.

2 de maio de 2014

No fim do arco-íris

É lógico que eu quero que o Bonjour Circus alcance metas cada vez maiores. Afinal de contas, se trata do meu ego. Do meu pobre e mal tratado ego, que como todo gato gordo, merece um afago. O sentido da vida é influenciar, você não acha? É por isso que volte e meia procuro textos e receitas mágicas para impulsionar o ibope deste blog circense e colorido.


Segui algumas dicas, li vários artigos tanto de sites profissionais quanto de blogs despretensiosos, e o resultado foi tão minúsculo que parei um momento para me perguntar: será que no fim desse arco-íris tem um pote de ouro? Porque, veja bem, consultoria para um blog pessoal de repente me pareceu uma atitude desesperada. Se eu tratasse de um assunto específico ou quisesse vender um produto, ok: vamos fazer essa pipa subir! Mas se tratando de um espaço onde escrevo o que me dá na veneta, a busca pelo sucesso colossal perdeu completamente o sentido.

Daí para frente ficou mais fácil: quer saber? Nem tudo precisa ser um sucesso. As coisas podem simplesmente existir e agradar quem estiver disposto a fazer uma aposta. Então, eu abandonei o culto as mil curtidas no Facebook, as centenas de seguidores no Twitter, os mais de quarenta comentários e compartilhamentos infinitos em redes sociais. É claro que ainda participo de grupos que condizem com meu nicho de mercado, pois acredito que blogs são para isso: concordar ou discordar. Quanto mais leitores, melhor. Sempre. Mas que cada um chegue aqui pelo próprio caminho, e não por ter sido intimado. E, principalmente, que volte porque sentiu saudades.

Entendo quem queira alavancar as visitas e ganhar notoriedade fazendo o que for possível, usando de todos os truques de publicidade. Eu também quero. Escolhi o jeito mais difícil, só isso. Aprendi que essa ansiedade por atenção não combina com o blog que quero para mim. Que meus leitores, por mais que sejam do mundo, podem sim ser chamados de meus por mérito próprio, e não por eu ter publicado textos com o “assunto do momento” ou títulos apelativos. Vamos combinar? Deixemos o jornalismo para quem entende do assunto. Depois de tanto ler, experimentar e dar com as fuça na porta descobri o que não está escrito em manuais ou demonstrado nos gráficos: no fim do arco-íris há outro arco-íris.