24 de janeiro de 2014

Vaclav & Lena (Haley Tanner)


A capa era bacana, o título também: então ok, vai para a minha lista de próximas leituras. Assim, “Vaclav & Lena” foi parar na minha estante há muito, muito tempo atrás. Na época, eu sequer me preocupei em ler a sinopse numa demonstração vergonhosa de leitora superficial, consumista. Não que eu leia sinopses hoje em dia, mas ao menos criei meus próprios critérios (que para desolação geral do povo fazem todo sentido na minha cabeça).

Finalzinho de 2013, uma energia negativa no ar me impele a fazer promessas para 2014. Fiz uma lista de livros para ler e dentre eles o supracitado. Me baixou um exu da limpeza literária e eu queria me ver livre dos títulos empoeirados. Essa história de comprar e não ler começou a nadar contra a correnteza de novos princípios. E para quem começou a ler o livro como quem não esperava nada, mas assim, nadica de nada mesmo, as primeiras cem páginas passaram num toque de mágica (com o perdão do trocadilho).

Quando Vaclav fica desanimado, ele gosta de ler seu livro sobre Houdini e lembrar a si mesmo que Houdini teve de superar muitas dificuldades antes de ficar famoso, e que ele acreditava que a perseverança e a complacência eram as qualidades mais importantes que uma pessoa podia ter. Houdini trabalhou duro por muitos anos sem dinheiro nem fama, e foi quando adquiriu todas as suas habilidades importantes. Pensar em Houdini lembra a Vaclav que batalhar e ser perseverante é importante para forjar o caráter, e ele lembra a si mesmo que, um dia, no futuro, talvez agradeça a Lena por fazê-lo passar pelos problemas e dificuldades daquele momento, pois isso o tornará grande e magnífico. É o que ele diz a si mesmo uma porção de vezes seguidas em sua mente para não esquecer.

Continuei lendo quase num fôlego só até chegar na parte mais importante, pelo menos para mim. Eu esperei pelo desenrolar da história com a expectativa que iniciou o livro e percebi então que Haley Tanner havia me mimado demais com sua escrita criativa, que se encaixa perfeitamente no meu gosto literário. De super legal “Vaclav & Lena” foi para razoável.

Começando com um casal de crianças querendo participar de um show de mágica, passando por um longo hiato e retornando para a dupla com o laço desfeito, a autora perdeu nitidamente a mão e errou feio no tempero. Deixando Lena de lado e dando mais destaque a Rasia, a mãe de Vaclav, para mim teria sido melhor se o livro se chamasse “Vaclav & Rasia” – uma personagem muito mais densa do que a principal.

Enquanto via Vaclav entrar na grande multidão americana, sob as grandes montanhas-russas americanas, Rasia sentiu o mundo rodopiando loucamente para longe dela, e sentou-se e chorou por estar feliz e triste ao mesmo tempo porque ele não olhara para trás, porque amava tanto o corpinho dele e o roda-moinho em seu cabelo e o tórax pequenino, e a maneira como ele já sabia segurar a mão de uma menina se ela estivesse amedrontada.

Sou do Team Rasia, com certeza. Foi ela que me arrancou risadas e reflexões enquanto Vaclav e Lena se emaranhavam em um dramalhão ridículo e superestimado. A história foi perdendo a linha, ultrapassou certos limites do bom gosto como, por exemplo, “a pele incapaz de conter os nervos, de segurar galáxias de desejo em constante expansão”, e no fim não me deu o que eu estava acostumada a receber nas primeiras cem páginas.

Só não perdeu quatro estrelas logo de cara porque a narrativa é realmente boa. Está imposta ao lugar comum dos livros young adult: crianças espertas que crescem, se tornam adolescentes enquanto tudo dá certo mesmo que tenha dado muito errado, se apaixonam, são almas gêmeas, zzzZzZZzz... Mas Haley Tanner dá uma trégua no drama forçado começando bem, mantendo com certa desenvoltura; infelizmente encerrando com uma bela chafurdada na lama. Mesmo assim, o livro que tanto demorei para ler não decepcionou totalmente. Quem sabe, talvez, um dia Haley Tanner amadureça, desista da receita pronta e se encaminhe para seu lugar de direito: as histórias excelentes.

21 de janeiro de 2014

O paradoxo do cotovelo

De repente, percebi que estava assistindo um filme sobre a invenção do vibrador. É, ele mesmo, o sex toy. “Como eu vim parar aqui?” foi meu primeiro pensamento. Daí me lembrei: ah, sim, foi após assistir um trailer interessante, mas a memória desse momento não passou de uma fumaça espessa sem um formato definido. Bom, já que estava pela metade decidi ir até o fim por mais que a ideia parecesse absurdamente inverossímil. O ponto é: não sei porquê. Por que eu me daria ao luxo de perder tempo vendo mulheres de classe média sendo masturbadas por um doutor “especializado” em plena era vitoriana? E o assistente manipula tantas vaginas, que chega a inventar a tendinite também. Veja você. Mas esta perde toda sua glória de cinco minutos de fama quando finalmente inventam o vibrador portátil. Bom, é só não assistir de novo, né?

Enfim, outro dia meu cotovelo sofreu bullying. É, isso mesmo. O que eu quero dizer é que o murro com que a quina da estante o acertou não pode ser considerado culpa minha, ou simplesmente uma lei da atração, ou ainda descuido. Não. Foi premeditado. Eu estava no mesmo lugar de sempre, a cadeira e a mesa onde uso o computador, também. Ou seja, a estante se inclinou mais um pouco para a esquerda só para acertar meu cotovelo em cheio. Como todo bullying, esse não teve fundamento. O mais fraco perdeu. Nesse caso, meu cotovelo. O estrondo de madeira contra osso foi tamanho, que minha mãe parou pela metade o trajeto entre a colher e a boca. Ambas arregalamos os olhos. O comentário dela foi simples: “Me deu até calor”!

Enquanto o choque percorria todos meus nervos atingindo até o coração, não sei por que cargas d'água me lembrei da minha podóloga. Veja, eu sou o tipo de pessoa que se lembra de podólogos quando sente dores extremas do tipo um osso sendo trincado lentamente. Não é bem isso. É que certo dia a dona podóloga disse: “Você é a cliente mais boazinha que tenho, mas também, com um nome desses só sendo muito forte e aguentando a dor com honra”. Viu? Com honra. A pessoa está na merda, sendo engolir a dor goela abaixo para não fazer escândalo, a única honra que sobrou. Está ruim? Podia ser pior. Ok. Não dei um gemido. Segurei, respirei fundo, e minha mãe lá sentindo as dores por mim: levantou os braços, se abanou, lacrimejou, esfregou o próprio cotovelo.

“Gente, essa garota está escrevendo um texto sobre bater o cotovelo”? Sim, ela está. Eu estou. Este é um texto sobre vibradores, filmes ruins, bullying, cotovelos e dor, muita dor. É também um texto sobre aguentar a dor e se lembrar de podólogas que acham seu nome a cabeleira de Sansão. Afinal, um texto sobre várias coisas e sobre nada. Quer dizer, se posso sofrer em silêncio uma dor atroz como a de um cotovelo sendo espancado por uma estante cheia de auto confiança, por que reclamar das dores menores como, por exemplo, a agonia de assistir um filme péssimo? E se posso aguentar calada a lancinante agressão de um ser inanimado, por que me incomodar com o sofrimento passageiro de uma vida fodida sem esperanças? Se está tudo tão ruim, mas assim, tudo mesmo e tão ruim de verdade, então acho que não preciso me preocupar.

16 de janeiro de 2014

O que minha depressão tem a ver com a Kombi?

Eu preciso escrever um post pessoal. Eu preciso fazer do meu blog um lugar melhor. Eu preciso publicar alguma coisa, qualquer coisa, a meu respeito, seja sobre dormir com dezenas de gnomos e acordar cheia de hematomas ou sobre como ando cansada, muito cansada, e em depressão novamente. Mas eu não gosto de escrever sobre meus problemas emocionais – primeiro porque não é da conta de ninguém; segundo porque não vai resolver nada. E depois, sempre tem algum espertalhão para achar que estou me fazendo de coitada. Ou seja, muitos problemas por apenas publicar um texto depressivo no meu próprio espaço pessoal.

Mas a necessidade de conversar, digamos, mais intimamente continua. Chega uma hora em que é preciso aceitar: ninguém irá ler o livro que eu resenhei ou assistir o filme que amei. Ninguém irá experimentar em casa a receita que você compartilhou nem usará o creme duvidoso que você testou. Dezenas de pessoas podem até ler o texto até o final, mas poucas irão absorver o mínimo que seja e levar isso consigo. Então, no meio dessa crise blogueira de identidade, sem saber o que escrever porque, afinal de contas, não tenho o que contar, quase tranquei o Bonjour Circus: “quer saber? Vou fechar essa merda e arrancar o problema pela raiz”.

Apesar de ter certa facilidade em me expressar – basta estar tranquila para começar a digitar e tudo fluir naturalmente –, eu não estava nenhum pouco afim de chorar pitangas, catar coquinho na ladeira, secar gelo. Podia contar sobre o dia em que começou a chover no meio do caminho para casa e eu fiquei lá, andando tranquilamente enquanto todos passavam correndo por mim. Eu me molhei muito, bastante mesmo, e é mentira essa história de que chuva lava a alma. Podia contar que não vou ao circo, que se instalou praticamente ao lado de casa, porque devido a depressão supracitada não estou, veja você, no clima.

Podia contar, enfim, que o peso da idade caiu como um saco de batatas na minha cara quando li o anúncio de que a Volkswagen encerrou a fabricação da Kombi. Como assim, né? Até umas horas atrás a Kombi era o carro mais legal do mundo e atemporal. Mesmo a geração mais recente deseja ter uma Kombi. O Brasil precisa dela. O que será do micro transporte agora? Fiquei chocada. Não achei de bom tom. E para ser sincera, esse foi o ponto alto das minhas emoções nas últimas duas semanas.

13 de janeiro de 2014

Mulheres de Cabul (Harriet Logan)


Eu não ia escrever nada sobre esse livro. Mas nada mesmo. Primeiro porque esse negócio de escrever sobre o que li ou assisti está começando a dar dores de cabeça – nem todo mundo entende o que quis dizer, nem sempre consigo me expressar direito. Segundo porque o assunto em pauta tem sido tão discutido ultimamente, que não me resta nada a dizer – todo mundo já deu seu pitaco, seja a opinião ridícula ou digna de nota. “Mulheres de Cabul” reune relatos de mulheres (de Cabul, veja você) entre 1997 e 2000 que sobreviveram (ou quase isso) ao regime Talibã. E apesar de nem todos estarem comentando assiduamente sobre a situação no Afeganistão, todos estão metendo as colheres no feminismo.

Acho que no Ocidente existia a crença de que todas as mulheres do Afeganistão rasgariam suas burkhas, no exato momento em que não fossem mais obrigadas a usá-las. Porém, a mudança está acontecendo lentamente, em parte devido à reação dos homens ao ver mulheres descobertas em público, pela primeira vez em cinco anos. Depois de pouco tempo no país, era fácil entender por que elas continuavam cobrindo seus corpos: as ruas tornaram-se predatórias. Onde quer que eu fosse, uma multidão de homens me encarava fixamente. “Por isso preferimos nos cobrir”, disse minha intérprete. “Esses homens nos deixam encabuladas”.

Sim, esse livro tem tudo a ver com feminismo já que trata da cruel repressão que as mulheres afegãs sofreram durante tal regime, do uso de burcas até o apedrejamento público. E mesmo eu tendo minha opinião sobre feminismo, não adianta dizer que o movimento simplesmente ignora a classe baixa, a pobreza e se restringe praticamente a classe média alta. Porque no fim das contas toda luta é válida quando se trata de uma minoria. Porque se pelo menos as mulheres brancas mais esclarecidas estão saindo às ruas, temos mais é que agradecer e não desmerecê-las. Porque se uma preta favelada está passando fome no barraco enquanto feministas de axilas peludas estão discutindo se devem ou não trabalhar fora de casa, é apenas um passo do avanço onde umas são sacrificadas, ou melhor, cimentados embaixo dos degraus por onde outras sobem.

Daí que enquanto mulheres afegãs são assassinadas pela própria família por terem se apaixonado por um homem que não seu prometido, aqui no Brasil há aquelas que não admitem o parto humanizado como pauta feminista porque “maternidade é uma opressão do patriarcado”. Enquanto eu tenho que ler esse tipo de merda e outras mais, me conscientizo que o feminismo e seus braços curtos ainda não atingiram lugares onde o caos extermina (e sim, essa é a palavra adequada) centenas de mulheres inocentes.

Em outra ocasião, eu andava pela rua. Alguns Talebãs espancavam uma mulher, então me aproximei e perguntei, “Por que estão batendo nela?”. Eles começaram a me espancar também, por ter perguntado. Recebi cinco chibatadas com um chicote de couro.

Mas longe de mim menosprezar um movimento tão legítimo, que é o feminismo. Todas as discussões são válidas, até que se prove o contrário. E é por isso que eu não vou escrever sobre esse livro.

Mas a vida de Zargoona e de todas essas mulheres só pode melhorar se elas não caírem novamente no esquecimento. Quando o mundo voltar sua atenção para a próxima história, o próximo assunto, o próximo evento - o que acontecerá naturalmente -, essas mulheres continuarão vivendo num país que as abandonou durante os anos de guerra, ignorando seus direitos básicos e negando seu valor. E, apesar de não ter poder suficiente para isso, espero que o futuro das mulheres do Afeganistão seja muito melhor que seu passado.

5 de janeiro de 2014

Crônicas de um bairro qualquer – Parte 3

Faz uma semana, ou mais, que um dos meus vizinhos – não sei qual – escuta Leandro & Leonardo em repeat. Antes fosse o repertório completo dos tomateiros, mas não. “Rumo a Goiânia” ecoa o refrão continuamente bairro afora. Heeeei, Goiââââniaaaaa... A vizinha às vezes acompanha formando um trio desafinado, um karaokê em plena luz do dia e sem o consentimento do restante dos moradores, que só queriam viver em paz. Só queríamos. Pensei em sair na rua para descobrir de qual casa vem o som, daí tocar a campainha e, sei lá, pedir uma outra música. “A senhora poderia tocar 'Não aprendi dizer adeus', por favor”? E com essa ideia em mente me vejo cantando Não tenho nada pra dizeeeer. Só o silêncio vai falar por miiiim. Eu sei guardar a minha dor, e apesar de tanto amor, vai ser melhor assiiiim o dia inteiro. Nada se resolve, claro. Fica “Rumo a Goiânia” tocando de um lado e eu cantando “Não aprendi dizer adeus” do outro.

Agora com as férias as crianças começaram a pipocar por aí nas ruas. Com elas, chegaram as pipas. É um tal de pedrinhas voando para arrancar aquelas que ficaram presas nos postes ou nos muros das casas. Janelas ainda não quebraram. Ainda. E com tanta gritaria, corre-corre e disputas acirradíssimas de quem empina mais alto, as minhas tardes de leitura na varanda foram por água abaixo. Por férias abaixo, melhor dizendo. Fato é que meu pai nessa época se transforma no velho rabugento que aterroriza a infância de qualquer inocente. Não sei o que falta para os estúdios Pixar descobrirem ele e se inspirarem. Ou melhor, levá-lo embora. Enfim, as pipas caem no nosso quintal e isso quer dizer que seus donos, os infantos, jamais a verão novamente. Vão todas para o lixo. E o prazer com que meu pai as amassa me faz entender porque fui uma criança desgraçada.

Minha mãe se revoltou contra as pulgas que nosso bairro gratuitamente oferece a todos os cachorros e comprou um veneno qualquer para exterminar o problema pela raiz. Quando vi que o Benjamin também sofria de tanta coçeira cheguei a apoiá-la. Só que nenhuma de nós pensou nos canos – estes, que receberiam veneno água abaixo após o banho dos animais e a lavagem (intensa, devo frisar) dos quintais. Existe todo um mundo subterrâneo o qual ignoramos, onde habitam insetos e crocodilos. Sabendo disso, fica fácil imaginar o resultado. Acuadas pelo cheiro do veneno, baratas – milhares delas – arrombaram as portas do inferno e entraram na nossa casa. Com boa vontade era possível ver Gregor Samsa de cartola e maleta na mão correndo entre elas. Se eu não estivesse ocupada gritando absurdamente e quebrando duas vassouras na tentativa de me defender teria acenado para ele. Se eu não estivesse a beira de uma síncope teria pensado duas vezes antes de armar um barraco extraordinário, que deve ter alertado os vizinhos de que sim, há um hospício funcionando na casa “dos alemães”.

3 de janeiro de 2014

Livros e filmes de 2013


A primeira coisa que penso ao ver a lista do ano passado é: ok, acho que li demais. Não sei o que aconteceu nem se esse fenômeno merece um nome, mas a verdade é que estou orgulhosa. Para quem não conseguia ler uma simples tabela de valores na caixa de granola por causa do transtorno de ansiedade, a gigantesca lista de leitura é uma superação. Os mais observadores irão notar que no fim do ano houve um Bollywood Boom na lista de filmes – sim, foi a melhor descoberta da vida. Publiquei textos de alguns filmes e livros durante o ano, para lê-los é só clicar nos títulos.

Filmes:
Os Meninos da Rua Paulo (1969) ★★★
Prenda-me se for Capaz (2002) ★★★
De Pernas pro Ar (2010) ★
O Hobbit (2012) ★★
Anna Karenina (2013) ★★★★
As Bruxas de Salém (1996) ★★★
Django Livre (2012) ★★★
J. Edgar (2011) ★★★
Hanami - Cerejeiras em Flor (2009) ★★★★
Um Sonho de Primavera (1992) ★★
Crepúsculo dos Deuses (1950) ★★★★
Bastardos Inglórios (2009) ★★★
Diário de um Banana III (2012) ★★
Memórias de uma Gueixa (2005) ★★
Grande Hotel (1932) ★★
Bem-Vindo ao Jogo (2007) ★
O Lado Bom da Vida (2012) ★★
Piaf - Um Hino ao Amor (2007) ★★★★
Quebrando o Tabu (2011) ★★
Os Miseráveis (2012) ★★
Os Famosos e os Duendes da Morte (2010) ★
O Piano (1993) ★★
Se Meu Apartamento Falasse (1960) ★★★
Fogo e Desejo (1996) ★★
Um Pouco de Chocolate (2008) ★★★
Casamento da Noite Branca (2008) ★★★
Cirque du Soleil: Outros Mundos (2012) ★★
Arca Russa (2002) ★★
Não se Mova, Morra, Ressuscite (1989) ★★★
Último Tango em Paris (1972) ★
Anônimo (2012) ★★
Da Cama Para a Fama (2003) ★★
Clitóris, Prazer Proibido (2003) ★★★
Goethe! (2010) ★★★★★
Os Amores da Casa de Tolerância (2011) ★★★
A Datilógrafa (2012) ★
Alexandria (2009) ★★★
Love Never Dies (2012) ★★★
Cartas para Julieta (2010) ★★
As Horas (2002) ★★
O Grande Gatsby (2013) ★★
Surpresa em Dobro (2010) ★★
Renoir (2012) ★★★
Criança, a Alma do Negócio (2008) ★★★★
Meninas (2006) ★★★★
Minha Mãe é Uma Peça (2013) ★★
Prinsessa (2010) ★★★★
Ways to Live Forever (2010) ★
Os Estagiários (2013) ★
Aaja Nachle (2007) ★★★★
Super Size Me (2004) ★★★
O Porco Espinho (2009) ★
Mere Brother Ki Dulhan (2011) ★
Raincoat (2004) ★★★
3 Idiotas (2009) ★★★★
English Vinglish (2012) ★★★★
Guzaarish (2010) ★★★★
Thor II (2013) ★★★
Black (2005) ★★★★
Meu Nome é Khan (2010) ★★★★★
Paheli (2005) ★★★
Ra.One (2011) ★★
Chennai Express (2013) ★★★
Don (2006) ★★★
Don II (2011) ★★★
Amor Antes e Depois (2009) ★★
Asoka (2001) ★★
Jab Tak Hai Jaan (2012) ★★★
Rab Ne Bana Di Jodi (2008) ★★★★
Om Shanti Om (2007) ★★
Cada um Tem a Gêmea que Merece (2011) ★★
Dulha Mil Gaya (2010) ★
Chak De! India (2007) ★★
Kabhi Alvida Naa Kehna (2006) ★
Livros:
Deslembrança, Cat Patrick ★
O Amor nos Tempos (...), Gabriel G. Márquez ★★
As Ondas, Virginia Woolf ★
Carta a uma Nação Cristã, Sam Harris ★★★
Manual da (...), Ricardo Tokumoto ★★★
Leite Derramado, Chico Buarque ★
Ficando Longe (...), David F. Wallace ★★★★
A Teus Pés, Ana Cristina César ★
O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger ★
O Zen e a Arte da Escrita, Ray Bradbury ★
Por Isso a Gente Acabou, D. Handler e M. Kalman ★
A Estrada, Jack London ★★★
Memórias de uma Gueixa, Arthur Golden ★★★
A Vida na Porta da Geladeira, Alice Kuipers ★
Fala, (...), Carlos Drummond de Andrade ★★★
Festa no Covil, Juan Pablo Villalobos ★
Raízes do Brasil, Sérgio B. de Holanda ★★★★
Dia de São Nunca a Tarde, Roberto Drummond ★
O Menino no Espelho, Fernando Sabino ★★
Eu Receberia as Piores (...), Marçal Aquino ★★
Noções Básicas de Antroposofia, Rudolf Lanz ★★★
Extraordinário, R. J. Palacio ★★
Respeitável Público (...), Erminia S. e Luíz A. ★★★★
A Morte de Paula D., Brisa Paim ★★
Estórias Abensonhadas, Mia Couto ★★★
O Azarão, Markus Zusak ★★★
A Descoberta do Mundo, Clarice Lispector ★★
Memórias de (...), Matthew Dicks ★
Ressurreição, Machado de Assis ★★
O Livro dos Médiuns, Allan Kardec ★★★
O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald ★★★★
O Teorema Katherine, John Green ★★★
A Ciranda das (...), Clarissa P. Estés ★★
Os Enamoramentos, Javier Marías ★
O Coronel Chabert, Honoré de Balzac ★★★
Antes do Circo, Jerônimo Teixeira ★
Toda Poesia, Paulo Leminski ★★
O Céu dos Suicidas, Ricardo Lísias ★★★
Mrs. Dalloway, Virginia Woolf ★
Mil Tsurus, Yasunari Kawabata ★
O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry ★★★
Cartas Portuguesas, Mariana Alcoforado ★★★
Baú de Espantos, Mário Quintana ★★★
Os Segredos da (...), B. Blech e R. Doliner ★★★★
Um Piano Para Cavalos Altos, S. W. Junqueira ★★
Macanudo #1, Liniers ★★★
A Chuva Pasmada, Mia Couto ★★★
Macanudo #2, Liniers ★★★
Fadas no Divã, Diana L. e Mario C. ★★
Macanudo #3, Liniers ★★★
O Continente I, Erico Verissimo ★★★★
Jung e o Tarô, Sallie Nichols ★
O Sentido de um Fim, Julian Barnes ★★
A Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra, Robin Sloan
Os Dez Anos (...) I, Bill Watterson ★★
Os Dez Anos (...) II, Bill Watterson ★★
O Continente II, Erico Verissimo ★★★★
A Trama do Casamento, Jeffrey Eugenides ★★
O Retrato I, Erico Verissimo ★★★
Resistência, Agnès Humbert ★
No Meu Peito Não Cabem (...), Nuno Camarneiro ★
O Morro dos Ventos Uivantes, Emily Brontë ★★★
Nova Antologia Poética, Vinicius de Moraes ★★
Digam a Satã Que (...), Daniel Pellizzari ★
A Via Crucis do Corpo, Clarice Lispector ★
Travessuras da Menina Má, Mario Vargas Llosa ★★
A Peculiar Tristeza Guardada (...), Aimee Bender ★
Olhai os Lírios do Campo, Erico Verissimo ★★★
Sem Filhos, Corinne Maier ★★★
Os Maias, Eça de Queirós ★★★
Bom de Briga, Markus Zusak ★★★
O Bosque das Ilusões Perdidas, Alain Fournier ★★
A Improvável Jornada (...), Rachel Joyce ★★
A Lista dos Meus Desejos, Grégoire Delacourt ★★
A Obscena Senhora D, Hilda Hilst ★★★
A Garota Que Eu Quero, Markus Zusak ★★★
Meu Pai Fala Cada Merda, Justin Halpern ★★
A Elegância do Ouriço, Muriel Barbery ★★★
1222, Anne Holt ★
Buda, Sophie Royer ★★★
A Doutrina de Buda, Siddharta Gautama ★★
O Sutra da Flor de Lótus, Marcos Ubirajara ★
Meu Coração de Pedra-Pomes, Juliana Frank ★★★
O Amor de Uma Boa Mulher, Alice Munro ★★★
Cadê Você, Bernadette?, Maria Semple ★★★
Para uma Menina (...), Vinicius de Moraes ★
Tigres em Dia Vermelho, Liza Klaussmann ★★
Deus, um Delírio, Richard Dawkins ★★★
A Chuva Antes de Cair, Jonathan Coe ★★
Habeas Asas, Sertão de Céu, Arthur Martins Cecim ★
A Noiva do Tigre, Téa Obreht ★★★
Gandhi, Christine Jordis ★★
1808, Laurentino Gomes ★★★★
O Tempo Entre Costuras, María Dueñas ★
A Revolta da Vacina, Nicolau Sevcenko ★★★
A Alma Encantadora das Ruas, João do Rio ★★★
História do Olho, Georges Bataille ★
1822, Laurentino Gomes ★★★★
Fragmentos de (...), Roland Barthes ★★★
Contos Populares do Tibete, Dalai Lama ★★
O Livro dos Abraços, Eduardo Galeano ★★★
1889, Laurentino Gomes ★★★★
A Maçã no Escuro, Clarice Lispector ★★
Violetas na Janela, Vera Lucia Marinzeck Carvalho ★
Paixão Índia, Javier Moro ★★★★
Astrologia e as (...), Margaret H. Gammon ★★
Mulheres de Cabul, Harriet Logan ★★★

1 de janeiro de 2014

Prefácio

E aí, como foi o Ano Novo de vocês? Não que eu esteja interessada, acho que nem vocês estão, mas precisei de uma pergunta de elevador para conseguir iniciar o texto. O meu foi. E esse “foi” nos proporciona uma lista de oportunidades. Apenas foi: um erro, uma noite qualquer, um coma profundo. Como estou numa fase ruim há quatorze anos, não comemoro que é para não ficar com cara de bunda depois. Pois é, os anos 2000 foram um divisor de águas na minha vida. É uma pena eu ter me afogado, todavia. Só que até aí: detalhes. Apenas.

Diferente dos reveiôns passados, tudo se passou com certa tranquilidade no meu bairro. Teve aqueles quinze ou vinte minutos tensos de queima de fogos, que depois dos cinco primeiros ninguém mais sabe o que fazer. Depois, uma merecida calmaria. Acalmei meus cachorros, com muito esforço, e pude me deitar para dormir. O bairro mergulhou no silêncio dos justos porque ou estava todo mundo bêbado demais para acender mais fogos de artifício, ou a galera se deu conta de que é, isso nunca fez sentido nem nunca fará. Infelizmente, bastam doze meses para se esquecerem disso.

Porém, como tudo na vida é difícil – entra ano e sai ano – um indivíduo atrasado por significativos vinte e cinco minutos deu início a sua bateria particular de fogos de artifício, mal escolhidos por sinal. E no meio daquela tranquilidade mórbida pós festa sofremos todos com a vergonha alheia daqueles três minutos solitários de quem chegou de mãos abanando. Minha ideia era abrir a janela e gritar “é por isso que ninguém te chama pro play”. Pensei melhor. Ponderei que essa talvez não seja a forma mais sensata de inaugurar 2014, por mais que ele prometa bastante criatura desgraçada, feito esse vizinho.

Nesses quatorze anos sobrevivendo entre momentos ruins e péssimos, já tentei todo tipo de mandinga. Acreditem. Pulei com o pé direito feito uma imbecil em plena meia-noite; comi lentilha; orei para nossa senhora do ano novo; fiz de conta que estava me divertindo, que era para ser feliz o resto do ano também; entre outros. As oferendas foram todas devolvidas. Então, ontem fiquei deitada assistindo a celebração na Globo enquanto tentava não sucumbir numa das piores crises de rinite que já tive. Nem promessas fiz porque acho que passou da hora delas virem pelo caminho contrário. Ou começam a me prometer e cumprir, ou a porra vai ficar séria.