4 de fevereiro de 2014

Veer-Zaara (2004)

 Após uma longa conversa sobre amor-ideal/amor-real, projeção, depressão do sábado à noite, uma sucinta resposta sobre “mas o que é buliúd?”, eu consegui me acalmar e desligar o telefone porque, coitada da minha terapeuta, atender uma despirocada em pleno fim de semana com certeza não estava nos planos dela. Pode parecer absurdo, mas eu me desesperei. Terminei de assistir “Veer-Zaara” e me agarrei ao telefone.

— O filme se arrastou tanto, que eu quase desisti de assisti-lo até o fim, mas graças a Deus persisti! Não, você não sabe por tudo o que passei durante aquelas três horas. Você não faz ideia do que o final desse filme me causou. Eu simplesmente não ia conseguir dormir sem antes conversar com alguém sensato. Eu preciso que você me diga que é só um filme!

A doutora riu porque, sim, que situação ridícula. A cerumana agora deu para entrar em colapso por causa de filmes e atores indianos com, aparentemente, uma capacidade além do normal para interpretar papéis que, no fundo, tem tudo para dar errado. Mas não, dá tudo certo nas mãos de Shahrukh Khan. Inclusive um filme com mais de três horas cuja receita não tem qualquer surpresa, e ao que tudo indica, foi usada à exaustão pelo Yash Chopra. Taí o “Jab Tak Hai Jaan” que não me deixa mentir.


Tirando os defeitos, que são consideráveis mas não imperdoáveis, acho que não preciso gastar mais parágrafos tentando justificar minhas lágrimas, minha taquicardia, minhas mãos no coração, minhas quatro estrelas. Afinal, entrei em crise, a minha vida ficou inóspita e eu tive que arrancar minha terapeuta de seus devaneios de sábado. Olha, pode até parecer exagero. Talvez realmente seja. Mas todo bollywoodiano adora um drama. Eu demorei muito para conseguir lidar comigo mesma após terminar de assistir “Veer-Zaara” e, para ser sincera, até agora sustento um olhar de peixe morto quando esqueço de me policiar.

É uma história de amor, e vou me ater a esse detalhe apenas. Não vou me dar ao trabalho de descrever o enredo por ser impossível. Não vai dar para recordar a história porque eu acabei de sair de uma terapia via telefone para superar isso. Recomendo a pesquisa de críticas, sinopses, o que for para que vocês fiquem por dentro de tudo. Eu me abstenho de comentar qualquer coisa que seja porque esse filme já me causou muita discórdia. Se você tiver três horas disponíveis, um pouco de paciência e bom humor, e não uma pedra de gelo no lugar do coração, recomendo que assista “Veer-Zaara” o mais rápido possível.

Depois eu passo o telefone da minha terapeuta.

2 comentários:

Kamilla Barcelos disse...

Estou na dúvida se vejo, depois de descobrir tudo isso que o filme lhe causou. haha Mesmo porque eu não tenho mais terapeuta. Vou fazer o seguinte, quando eu ver, é a você que eu vou recorrer, tá?

Erika Souza disse...

Muito interessante
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