24 de janeiro de 2014

Vaclav & Lena (Haley Tanner)


A capa era bacana, o título também: então ok, vai para a minha lista de próximas leituras. Assim, “Vaclav & Lena” foi parar na minha estante há muito, muito tempo atrás. Na época, eu sequer me preocupei em ler a sinopse numa demonstração vergonhosa de leitora superficial, consumista. Não que eu leia sinopses hoje em dia, mas ao menos criei meus próprios critérios (que para desolação geral do povo fazem todo sentido na minha cabeça).

Finalzinho de 2013, uma energia negativa no ar me impele a fazer promessas para 2014. Fiz uma lista de livros para ler e dentre eles o supracitado. Me baixou um exu da limpeza literária e eu queria me ver livre dos títulos empoeirados. Essa história de comprar e não ler começou a nadar contra a correnteza de novos princípios. E para quem começou a ler o livro como quem não esperava nada, mas assim, nadica de nada mesmo, as primeiras cem páginas passaram num toque de mágica (com o perdão do trocadilho).

Quando Vaclav fica desanimado, ele gosta de ler seu livro sobre Houdini e lembrar a si mesmo que Houdini teve de superar muitas dificuldades antes de ficar famoso, e que ele acreditava que a perseverança e a complacência eram as qualidades mais importantes que uma pessoa podia ter. Houdini trabalhou duro por muitos anos sem dinheiro nem fama, e foi quando adquiriu todas as suas habilidades importantes. Pensar em Houdini lembra a Vaclav que batalhar e ser perseverante é importante para forjar o caráter, e ele lembra a si mesmo que, um dia, no futuro, talvez agradeça a Lena por fazê-lo passar pelos problemas e dificuldades daquele momento, pois isso o tornará grande e magnífico. É o que ele diz a si mesmo uma porção de vezes seguidas em sua mente para não esquecer.

Continuei lendo quase num fôlego só até chegar na parte mais importante, pelo menos para mim. Eu esperei pelo desenrolar da história com a expectativa que iniciou o livro e percebi então que Haley Tanner havia me mimado demais com sua escrita criativa, que se encaixa perfeitamente no meu gosto literário. De super legal “Vaclav & Lena” foi para razoável.

Começando com um casal de crianças querendo participar de um show de mágica, passando por um longo hiato e retornando para a dupla com o laço desfeito, a autora perdeu nitidamente a mão e errou feio no tempero. Deixando Lena de lado e dando mais destaque a Rasia, a mãe de Vaclav, para mim teria sido melhor se o livro se chamasse “Vaclav & Rasia” – uma personagem muito mais densa do que a principal.

Enquanto via Vaclav entrar na grande multidão americana, sob as grandes montanhas-russas americanas, Rasia sentiu o mundo rodopiando loucamente para longe dela, e sentou-se e chorou por estar feliz e triste ao mesmo tempo porque ele não olhara para trás, porque amava tanto o corpinho dele e o roda-moinho em seu cabelo e o tórax pequenino, e a maneira como ele já sabia segurar a mão de uma menina se ela estivesse amedrontada.

Sou do Team Rasia, com certeza. Foi ela que me arrancou risadas e reflexões enquanto Vaclav e Lena se emaranhavam em um dramalhão ridículo e superestimado. A história foi perdendo a linha, ultrapassou certos limites do bom gosto como, por exemplo, “a pele incapaz de conter os nervos, de segurar galáxias de desejo em constante expansão”, e no fim não me deu o que eu estava acostumada a receber nas primeiras cem páginas.

Só não perdeu quatro estrelas logo de cara porque a narrativa é realmente boa. Está imposta ao lugar comum dos livros young adult: crianças espertas que crescem, se tornam adolescentes enquanto tudo dá certo mesmo que tenha dado muito errado, se apaixonam, são almas gêmeas, zzzZzZZzz... Mas Haley Tanner dá uma trégua no drama forçado começando bem, mantendo com certa desenvoltura; infelizmente encerrando com uma bela chafurdada na lama. Mesmo assim, o livro que tanto demorei para ler não decepcionou totalmente. Quem sabe, talvez, um dia Haley Tanner amadureça, desista da receita pronta e se encaminhe para seu lugar de direito: as histórias excelentes.

1 comentários:

duaslibras disse...

Também achei esse livro mais ou menos... Eu achei que foi dado muito espaço para a primeira parte, e a segunda e a terceira ficaram meio corridas, sei lá. E não tinha pensado nisso, mas super concordo que a Rassia tava presente DEMAIS. Mas de qualquer forma é um livro interessante, vou ficar de olho nas próximas coisas que a Haley Tanner publicar :)

Postar um comentário