1 de janeiro de 2014

Prefácio

E aí, como foi o Ano Novo de vocês? Não que eu esteja interessada, acho que nem vocês estão, mas precisei de uma pergunta de elevador para conseguir iniciar o texto. O meu foi. E esse “foi” nos proporciona uma lista de oportunidades. Apenas foi: um erro, uma noite qualquer, um coma profundo. Como estou numa fase ruim há quatorze anos, não comemoro que é para não ficar com cara de bunda depois. Pois é, os anos 2000 foram um divisor de águas na minha vida. É uma pena eu ter me afogado, todavia. Só que até aí: detalhes. Apenas.

Diferente dos reveiôns passados, tudo se passou com certa tranquilidade no meu bairro. Teve aqueles quinze ou vinte minutos tensos de queima de fogos, que depois dos cinco primeiros ninguém mais sabe o que fazer. Depois, uma merecida calmaria. Acalmei meus cachorros, com muito esforço, e pude me deitar para dormir. O bairro mergulhou no silêncio dos justos porque ou estava todo mundo bêbado demais para acender mais fogos de artifício, ou a galera se deu conta de que é, isso nunca fez sentido nem nunca fará. Infelizmente, bastam doze meses para se esquecerem disso.

Porém, como tudo na vida é difícil – entra ano e sai ano – um indivíduo atrasado por significativos vinte e cinco minutos deu início a sua bateria particular de fogos de artifício, mal escolhidos por sinal. E no meio daquela tranquilidade mórbida pós festa sofremos todos com a vergonha alheia daqueles três minutos solitários de quem chegou de mãos abanando. Minha ideia era abrir a janela e gritar “é por isso que ninguém te chama pro play”. Pensei melhor. Ponderei que essa talvez não seja a forma mais sensata de inaugurar 2014, por mais que ele prometa bastante criatura desgraçada, feito esse vizinho.

Nesses quatorze anos sobrevivendo entre momentos ruins e péssimos, já tentei todo tipo de mandinga. Acreditem. Pulei com o pé direito feito uma imbecil em plena meia-noite; comi lentilha; orei para nossa senhora do ano novo; fiz de conta que estava me divertindo, que era para ser feliz o resto do ano também; entre outros. As oferendas foram todas devolvidas. Então, ontem fiquei deitada assistindo a celebração na Globo enquanto tentava não sucumbir numa das piores crises de rinite que já tive. Nem promessas fiz porque acho que passou da hora delas virem pelo caminho contrário. Ou começam a me prometer e cumprir, ou a porra vai ficar séria.

6 comentários:

Thay disse...

É, Del. Eu parei de enxergar os novos anos como uma fórmula milagrosa já faz algum tempo. Parei de deixar nas costas dele toda a responsabilidade pelas coisas que eu gostaria que acontecessem. Acho mais justo comigo (e, pq não, com o ano) pensar que preciso de um pouco de paciência, e tudo bem. Chega de pedir coisas malucas, ou fazer listas aleatórias. Peço um pouco de paz, de gentileza e força de vontade. Acho que não dá pra pedir mais do que isso, não é mesmo?

De qualquer forma, desejo à você as melhores coisas. Que 2014 seja especial pra você. =]

L.H.C disse...

Comigo não foi diferente; promessas e pedidos acho perda de tempo, sabe? A gente começa a contar o ano novamente, e agora são apenas mais 364 dias pela frente. Para que? Eu ainda não descobri.

Elisa Mello disse...

A melhor parte das mandigas é comer lentilha, é tão boa ♥ haha

Nicolas disse...

Quantos anos você tem? Porque se a sua vida está uma merda a 14 anos, a última vez em que viu coisas boas acontecendo foi quando era uma criança? É claro que entendi que por "vida de merda" você não quis dizer só merda. Afinal, você não precisa ficar satisfeita com pequenas felicidades quando tudo está fora do lugar. O reveillon é só uma noite qualquer e eu odeio a queima de fomos, o champanhe, a necessidade de ficar bebado. Mas honestamente gata, assistir globo não foi "se ajudar". Se você tivesse lido um livro, visto um filme... Sem problemas. Mas globo? Sério?

Carol disse...

Oi, Del, Terceira ou quarta vez que tento comentar desde ontem. Vamos na fé.

Não "retribuo" visitas de blogs, mas seu comentário foi tão querido que tive de vir aqui. Obrigada. Quanto ao ano novo,este é o primeiro em que estou me sentindo particularmente esperançosa. Isto se deve mais à uma mudança concreta - fim da faculdade - do que a certezas místicas no poder de transformação de um novo ano. Antes eu achava tudo isso muito triste, mas agora acho interessante, até comovente, que em um dia do ano as pessoas fiquem num nível de ingenuidade tão grande para achar que tudo mudará magicamente.

Espero que em pelo menos um dia de 2014 você tenha tantos motivos para sorrir que os últimos 14 anos não pareçam nada.

Versos em bossa Camyli disse...

Pedi que 2014 me surpreendesse e prometi surpreende-lo :)

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