29 de outubro de 2013

O que eu aprendi sobre o budismo

Tá, eu não gosto de escrever sobre assuntos específicos. Primeiro, sempre há alguém mais entendido (ou mais pau no cu), que sente a necessidade quase fisiológica de corrigir os outros. Segundo, prefiro saber tudo sobre determinado tema antes de me meter a besta, ou seja, quem nessa vida sabe tudo sobre alguma coisa? Tirando os pseudo intelectuais, só mesmo o Paulo Coelho (o que dá na mesma). Por isso, eu evito debater. Mesmo se o assunto me interessa muito, mesmo se estou curiosíssima para descobrir mais. A internet, esse lar onde ninguém é bem vindo!

Bom, no meme “Vinte e cinco coisas sobre mim” comentei que já pensei em ser budista. Na época em que isso se passou pela minha cabeça de vento eu não tinha a menor estrutura para ser iniciada na doutrina. Estava interessada, sim, intrometida como sempre, mas não era o bastante. Depois, não sei porquê, acabei me distraindo com o espiritismo. Desculpa, sociedade: religião é um assunto fascinante demais para me limitar em apenas uma doutrina por toda a vida. E então eu li o que tinha para ser lido sobre os espíritas (beijo, tio Kardec) e sem mais nem menos resolvi voltar ao “estudo” budista.


Buda ensina o Caminho do Meio, onde a dualidade se funde em unidade, e que transcende estes conceitos extremados.
— A Doutrina de Buda, de Siddharta Gautama

Li esses dois livros na esperança de compreender a fundo o que faz uma pessoa sair por aí de cabeça raspada e lençóis laranja envoltos no corpo. Quer dizer, eu tenho motivos de usar penas de corvo nos cabelos, mas raspá-los é uma atitude prematura ao meu ver. E não, isso não faz o menor sentido. Enfim, sempre quis compreender o estilo de vida radical que levam os monges – que filosofia os levaram a renunciar sua vida material e também seus familiares para viver plenamente os ensinamentos de Buda? Logicamente, desde o início eu estava ciente de que não tinha inclinação para abdicar, por exemplo, do meu notebook. Todavia, levar a vida com mais leveza e mais sabedoria não me faria mal.

A pura e fragrante flor de lótus desenvolve-se melhor na lama de um pântano do que num terreno limpo e firme; da mesma maneira, a pura Iluminação de Buda surge do lodo das paixões mundanas. Assim, mesmo os mais absurdos pontos de vista e as ilusões das paixões mundanas podem ser as sementes da Iluminação de Buda.
— A Doutrina de Buda, de Siddharta Gautama

Apesar de arrastada e pouco imparcial, Sophie Royer fez um bom trabalho em sua biografia de Buda. Como ela mesma menciona, não é uma doutrina fácil de ser absorvida pelo Ocidente por conta de sua característica fantástica e suas lendas, digamos, utópicas. Há também ideais incompreensíveis para nós como, por exemplo, a anulação da existência do ego – o “eu” e consequentemente o “meu”. Ora, vivendo no mais bruto capitalismo, esse tipo de desapego é impraticável. Buda, por outro lado, prega a completa extinção do indivíduo. Somos, ao mesmo tempo, seres que existem e não-existem.

A mente discriminadora é apenas a mente que discrimina as imaginárias diferenças que a cobiça e outras disposições do ego criaram. A mente discriminadora está sujeita às causas e condições, ela é vazia de toda substancia e está em constante mudança. Mas desde que os homens acreditam que esta é a sua verdadeira mente, a ilusão passa a ser parte integrante das causas e condições que produzem o sofrimento.
(...)
Fundamentalmente, todos possuem uma mente pura, mas, habitualmente, ela é toldada pela corrupção e pelo lodo dos desejos mundanos que surgem das circunstancias peculiares a cada um. Esta mente corrompida não é a verdadeira essência de cada um: é algo que lhe foi acrescentado, como um intruso ou mesmo um hóspede numa casa.
— A Doutrina de Buda, de Siddharta Gautama

No budismo não existe um destino previamente escrito, tão pouco um deus no comando de nossas vidas: tudo é resultado de infinitas causas. É natural concordarmos com o que convém. Às vezes acreditamos ter uma missão na Terra; quando algo ruim está acontecendo. Outras vezes os destino nos reservou coisas boas, afinal de contas; quando temos boas surpresas. A verdade é que estamos vivendo as consequências das inúmeras causas. Talvez eu não concorde com 100% do que prega o budismo, mas não há dúvidas de que ele simplificou bastante o meu dia a dia – “as coisas são o que são independentemente de você, get over it”!

Houve somente um pequeno problema na biografia de Royer ao ler o trecho: “Da mesma maneira, ó Ananda, que a doença chamada de alforra surge em uma plantação de arroz em plena prosperidade – e então a prosperidade da plantação não dura muito tempo –, da mesma maneira, ó Ananda, quando em uma doutrina e em uma ordem as mulheres são autorizadas a renunciar ao mundo e a levar a vida de errante, então a vida santa não prospera por muito tempo. Se, ó Ananda, na doutrina e na ordem que o Tathagata fundou não tivesse sido concedida a possibilidade de as mulheres abandonarem o lar para levar vida de errante, a vida santa, ó Ananda, permaneceria em observância durante muito tempo: a doutrina pura seria mantida durante mil anos. Mas como, ó Ananda, na doutrina e na ordem que o Perfeito fundou, as mulheres renunciam ao mundo e adotam a vida de errante, a partir de agora, ó Ananda, a vida santa não vai mais permanecer muito tempo em observância: a doutrina da verdade agora não vai durar mais do que quinhentos anos” – e a biógrafa segue, alguns capítulos depois, enfatizando o comportamento negativo de Buda em relação as mulheres. Foi um momento no, wait...

– Senhor, como devo me comportar perante as mulheres?
– Não tenha contato com elas.
– Mas, Tathagata, como poderei evitá-las?
– Ananda, se você encontrar uma mulher, evite qualquer conversa.
– E se ela me dirigir a palavra?
– Neste caso, você deve sempre tomar o cuidado de ser extremamente vigilante e não baixar a guarda.
— Buda (Biografia), de Sophie Royer

A minha flor de lótus murchou, se vocês permitem o trocadilho. Por mais que este fosse o pensamento dominante na época, Buda, o Perfeito, o Iluminado, jamais poderia dar eco ao machismo. Ele, antes de qualquer um, deveria abrir as portas de sua Sangha às mulheres (monjas). Consta que com muito esforço os discípulos persuadiram o mestre, mas ainda assim as mulheres não podiam subir de categoria e deviam respeito a todos os homens. Tudo bem, eu pensei, já não estava gostando muito do tom usado por Royer e no mais era o primeiro livro sobre budismo que lia na vida. As pessoas às vezes escrevem demais, interpretam errado ou a sua própria maneira. E lá fui eu conhecer outro livro: o supracitado “A Doutrina de Buda”, que diz:

Para seguir o Nobre Caminho da Iluminação de Buda, deve-se também possuir estas mesmas boas qualidades. Se alguém, independentemente do sexo, tiver estas qualidades, ser-lhe-á possível alcançar a Iluminação; não precisando de muito tempo para aprender os ensinamentos de Buda, pois todos os homens possuem a natureza inata à Iluminação.

Não posso deixar de mencionar o tal do neo budismo, que vegan e mais pacífico, abrange a humanidade como um único organismo. Resumindo: é mais sussa. Mesmo assim, os diálogos contidos na biografia deixaram uma má impressão. Se você aí compreendeu melhor do que, não faça cerimônia, explique. Como eu disse no início deste texto, sou apenas uma curiosa, uma iniciada, uma sem vergonha. Muitas informações úteis me faltam. Além do mais, quem aguentaria ler um texto deste tamanho? Quem tem tempo para isso, meu Deus? Recomendo, portanto, a leitura tanto da biografia quanto da doutrina. Não é obrigatório se converter (nem eu fiz isso), mas é uma leitura cativante.


Minha bibliografia é muito curta para falar sobre o budismo com propriedade, existem por aí afora milhares de livros sobre o assunto: uns mais detalhados, outros sensacionalistas e ainda os descartáveis. Posso afirmar, todavia, que finalmente consegui parar de confundir budismo com hinduísmo, fiquei aliviada ao descobrir que não é uma doutrina contra o cristianismo – na verdade eles sequer afirmam ou negam a existência de um deus, os budistas trabalham somente com a integridade e evolução da mente. É preciso muita força de vontade para seguir a risca o Dharma, por outro lado a mensagem é bem clara: seja bom, honesto e justo. O budismo, por fim, é a pura lei da bondade, que não fará mal a ninguém. Basta abrirmos nossas mentes e corações ocidentais para os ensinamentos transcendentais de Buda!

25 de outubro de 2013

O que eu disse vs. o que eu deveria ter dito

— Você já começou a estudar?
Não

— Você devia arranjar um emprego melhor.
É

— Olha, sem estudo a vida é um...
Problema

— Eu me virei sozinha na vida, não precisei da ajuda de ninguém. O mérito é de quem?
Seu!

15 de outubro de 2013

Still feels like the first time

Foram várias as vezes que escrevi sobre The Rasmus aqui, no Bonjour Circus, mas fica a sensação de que na realidade eu nunca falei uma palavra sequer sobre eles antes. É se como o dicionário, as metáforas e as razões se esgotassem e tudo continuasse sem um fim. É como se eu fizesse uma palestra e os ouvintes saíssem do evento sem saber nada do assunto. Passarei mais dez anos falando sobre The Rasmus, e tenho a impressão de que não serão o suficiente.

Eu os conheci e a história pula para agora, dez anos depois. Não tenho mais dezesseis anos, tenho vinte e seis - uma idade em que talvez estaria velha demais para bandas de pop rock, mas que chegou apenas para intensificar meu interesse. Isso pode soar repetitivo, e peço desculpas desde já, pois não estou falando de um grupo formado por quatro homens. Estou falando do conjunto geral de uma inspiração que perdura por dez longos e densos anos.

Alguns acreditam que para a arte existir é necessário um grau intelectual incomum para a maioria das pessoas. Outros dizem que arte não passa de um movimento social, que representa determinada tribo, época ou ideologia. Pessoalmente, para mim a arte é o combustível que move um ser humano, seja ela praticada ou representada da forma que for. Se você se emociona com um quadro, por mais que seja uma cesta repleta de frutas, ninguém pode lhe negar sua arte. Concordam? Espero que sim. Porque se foi possível para vocês compreender o meu ponto de vista a respeito disso, será fácil captar a estrutura básica entre uma banda finlandesa e a minha insistente perca de tempo com ela.

De todo o amor e de todo o compartilhamento que eu poderia expor hoje aqui, escolhi falar sobre a representação, a identidade como modo de sobrevivência. A humanidade por mais auto suficiente que demonstra ser precisa desse reconhecimento mútuo entre si, de um lugar-comum, de percepção dentre seus iguais. Por isso os artistas vendem suas artes. Por isso as pessoas compram e colecionam. Elas foram representadas por um gênio, um criativo, um distraído, um disposto. Então, quando falo de The Rasmus, estou falando - na sua língua - de um quadro, de um poema, de uma porcelana pintada à mão, de uma dança. Estou falando da forma mais simplória possível: de amor.


Nos descobrir numa letra de música pode parecer superficial para os intelectuais de plantão (a internet está cheia deles). A não ser que você leia as rimas sem melodia, é provável mesmo achar ridículo que uma música inspire tanto alguém. Destrinchar a obra de um songwriter é uma mania que passa despercebida para muitos ouvintes (que às vezes se dizem entendidos). Acompanhar uma carreira, que ao primeiro momento nos mostra apenas glamour, é um ato de desocupação para a maioria que se sente ocupadíssimo coçando o saco no sofá. Agora, estudar uma pessoa ao longe e sentir vontade de conhecê-la pessoalmente, elogiar seu trabalho e sair do anonimato para que ambos troquem experiências não parece psicótico na opinião de ninguém.

É preciso mudar a forma de observar.

Além de agradecer ao The Rasmus por ter me ajudado a criar minha arte íntima, tenho muitas amizades, descobertas e momentos bons para incluir na lista. Eu fui em shows, e tenho histórias boas para contar. Eu conheci pessoas, e tenho amigos por perto (mesmo longe). Eu conheci outra cultura, e meu intelecto agradece muito. Eu encontrei um ponto de referência, e talvez essa banda não tenha a dimensão exata da influência que exerce sobre seus fãs. Não sei se vou conhecê-los pessoalmente, sequer tenho certeza se daqui há dez anos estarei comemorando vinte anos de banda. A única coisa que eu sei, é que um dia foi bom vivê-los!

4 de outubro de 2013

Cinco filmes que recomendo

Dou preferência ao diferente. Nem precisa ser bom, para falar a verdade, basta ser incomum. Depois a gente discuti se valeu ou não a pena. E nessas buscas encontro muitas coisas boas que são ignoradas ou trocadas pelo mastigado – a mesma história contada de um jeito diferente. Como é errando que se aprende, eu não tenho medo de perder meu tempo com um filme ou um livro. Filmes, no caso. Adoro títulos e roteiros cabeludos, daqueles que você não sabe o que esperar ou espera no mínimo um diálogo ou mesmo uma simples sentença que vá mudar o seu dia.

Já assisti muitos filmes que me mudaram de uma forma ou de outra. Continuo procurando por eles e me afastando do que normalmente está exposto nos cinemas (porque lá nunca aparece o que realmente importa assistir). Não estou fazendo a blasé, não é isso. Curto um americano enlatado. Porra, “Os Vingadores” foi um dos filmes que me levou ao cinema três vezes, e eu iria pela quarta vez se tivesse oportunidade!

Daí que para encher linguiça, e nada além disso, escolhi cinco filmes que acho interessantes e inimagináveis para as mentes estreitas de Hollywood. São obras com as quais não topamos por aí todos os dias. Eu poderia ter escolhido no mínimo trinta, mas convenhamos: se você ler ao menos um dos cinco itens estarei no lucro.

Fogo e Desejo (1996)

O filme em si não tem nada de especial. Não se você desconsiderar que foi filmado na Índia em 1996 e conta a história de lésbicas. Não o avaliei bem, mas reconheço o seu valor cultural. Deve ter sido um tapa na cara dos indianos, suas castas, costumes e religiões. Segundo o Blog de Cinema: “(...) no dia de estreia várias cinemas foram atacados por fundamentalistas hindus em revolta contra a história de duas mulheres que se apaixonam. Banido da Índia por “insensibilidade religiosa”, foi também proibido no Paquistão”. Ainda não assisti as continuações (é uma trilogia) porque o primeiro não me conquistou em termos de... agradabilidade. É o tipo de filme para assistir quando se está interessado na realidade, o que não é o meu caso no momento. Por enquanto prefiro esvaziar a cabeça ao invés de enchê-la com críticas sociais e etc.

Archipelago (2011)

Conheci Tom Hiddleston no supracitado “Os Vingadores” e logo de cara vi que ali estava um puta ator! A primeira coisa que fiz assim que tive um tempinho foi pesquisar sua carreira. Descobri outros três filmes, dentre eles “Archipelago”. É uma ótima chance de conhecê-lo melhor e ver sua atuação brilhante que vai além de Loki. O filme é introspectivo, de pouquíssimos diálogos, “clima de velório”, mas nos diz muitas coisas. Se você é daqueles que dá valor aos críticos de cinema (uma espécie peculiar que deveria pisar em peças de Lego mais vezes), saiba que este foi avaliado com cinco estrelas no The Guardian. Para mim não faz a menor diferença, mas vá saber... Enfim, só não é um dos meus filmes prediletos por causa da falta de diálogos mesmo. Achei que o diretor perdeu uma chance de ouro nesse ponto. Por outro lado, não deixou a desejar nas imagens e em todos laços familiares quebrados.

Histórias de Cozinha (2003)

Uma palavra: sensacional. Quando foi que você parou para pensar em escrever uma história onde um homem ficaria sentado na cozinha de outro, ambos completos estranhos, anotando os movimentos do morador da casa para uma pesquisa? Quando?! Aposto que nunca. E não passa disso: um homem anotando o movimento da cozinha de uma casa. Mas o sentimentalismo e o humor leve são impagáveis. É o tipo de filme que você jamais esperou encontrar. Folke e Isak (personagens centrais) são de uma doçura, eu diria, bovina. Olhares murchos, atitudes relapsas, mas no fim há também uma cumplicidade tocante. O melhor é que não será nada do que você esperava, do começo ao fim!

Casamento Silencioso (2008)

Imagine que você acabou de se casar. Estão todos a caráter reunidos e ansiosos pela festa de comemoração com muita comida, bebida e música boa. De repente, enquanto todos estão ao pé da diversão, é anunciada a morte de Stalin e uma semana de luto - festas e qualquer tipo de comemorações estão, obviamente, proibidas e as ordens muito bem monitoradas por policiais. E aí, o que você faria? Os noivos, Mara e Iancu, e seus convidados usaram de uma criatividade hilária! Há todo um drama russo, mas vale a pena só pela situação cômica. Também não é uma ideia com a qual você dê em qualquer esquina. Foi inesperado para mim e recompensou muitas comédias meia-boca que assisti por aí (lembrando que eles não fazem o tipo de humor escrachado com que estamos acostumados).

Trem da Vida (1998)

Não deixo nenhum filme sobre guerras passar batido. Minha lista não é lá muito respeitável, mas está crescendo continuamente. A única coisa que faltava para eu senti-la completa era uma obra com um toque de comédia, o que parece ser impossível (ou não recomendável) se tratando de um assunto doloroso para muitas nações. O “Trem da Vida”, que tinha tudo para ser um filmezinho sem vergonha, superou as expectativas. Em 1941 o louco de uma vila de judeus anuncia que os nazistas estão se aproximando. Pronto! É o bastante para que os habitantes se desesperam e tomem medidas drásticas para fugirem o mais depressa possível. A solução seria cômica, se não fosse trágica: comprar um trem e montar um teatro para escapar da fiscalização. Há judeus que fazem papel de nazistas e outros que fazem papel de, bem... Judeus a caminho dos campos de concentração, todos aglomerados nos vagões da locomotiva enquanto são comandados por soldados suados de tão tensos. Afinal, ninguém ali estudou teatro! É uma receita fácil de gostar: tem risada, suspense, um pouco de drama e diálogos lindos.

2 de outubro de 2013

100 perguntas que você não fez – Parte I

Acabei de encontrar esse meme no A Life Less Ordinary e resolvi respondê-lo para matar o tempo. Dividi em duas partes porque ninguém merece ler cem respostas assim, sem preparo psicológico. Não me responsabilizo por nada. Na-da!

1. Você dorme com as portas do seu armário aberta ou fechada?
Por que alguém dormiria com as portas do armário abertas? Eu durmo com as portas fechadas porque, afinal de contas, elas estão sempre fechadas. Armário aberto é sinônimo de quarto desarrumado, na minha humilde opinião. Mas sabe quando a gente esquece uma roupa no cabide pendurado do lado de fora da porta? Então, já acordei várias vezes com taquicardia.

2. Você leva embora os shampoos e condicionadores dos hotéis?
É claro que sim. Por pior que seja a fórmula (água + detergente para lavar louça), não deixa de ser FREE STUFF! Também adoro kits de hospitais, que vem com mini escova de dente, mini pente para cabelo, mini pasta de dente, mini gilete e outras miniaturas que nunca uso.

3. Você dorme com seu edredom dobrado pra dentro ou pra fora?
Não faço a menor ideia do que isso significa.

4. Você já roubou uma placa de rua?
Por que eu faria isso? Estou começando a me arrepender de responder esse meme.

5. Você gosta de usar post-it?
Não. Tenho a teoria de que foram inventados para monopolizar a organização e viciar seus usuários em compromissos. As pessoas inventam coisas só para poder marcar algo, destacar uma folhinha nova, grudá-la e depois ter o prazer de desgrudá-la numa ilusão de ter cumprido uma tarefa importante, que na verdade é apenas mais uma bobagem. Desculpa, essa sou eu.

6. Você corta cupons, mas depois nunca usa?
Se eu cortei é porque quero usá-lo. Se eu cortei, mas não usei, não sou digna da luz do dia.

7. Você prefere ser atacada por um urso ou um enxame de abelhas?
Eu prefiro não ser atacada.

8. Você tem sardas?
A oposição nega, mas tenho algumas no nariz.

9. Você sempre sorri para fotos?
Eu odeio tirar fotos. Por que sorriria? Além do mais, o meu dente da frente é meio torto, o que deixa meu sorriso, digamos, precário.


10. Qual é a sua maior neura?
Eu diria que é a minha própria neura, ou seja, minha mania de me preocupar. Me preocupo com determinada situação, daí paro de me preocupar porque sei que isso me fará mal. Então eu começo a me preocupar por não estar me preocupando e desencadeio uma crise de consciência e ponho em prova minha moral. Recomeço a me preocupar, fico mal, como sabia que aconteceria, e me preocupo por estar mal em me preocupar com a preocupação e com o problema em questão. Converso com alguém, que manda um conselho padrão, e me preocupo com a aparência que causo devido minha preocupação excessiva. “Fulano deve me achar louca”. E me preocupo com minha saúde mental. Tento parar de me preocupar, mas percebo que é impossível: me preocupo ainda mais.

11. Você já contou seus passos enquanto você andava?
Eu tropeço se fizer isso. Neurótica do jeito que sou, é bem capaz de voltar algumas quadras caso perca a contagem.

12. Você já fez xixi na floresta?
É lógico que sim. A vida é uma só!

13. E quanto fazer coco na floresta?
Olha, quando eu era pequena tive um problema intestinal, ok? Minha mãe escolheu uma solução prática. Como demorou a fazer efeito, decidimos sair para um passeio. Aliás, decidiram por mim. Quem em sã consciência sairia de casa sendo que está esperando realizar uma obra barroca, não é verdade? Vê se o Aleijadinho ficava longe da latrina em dias críticos. Enfim, saímos, fomos para o sítio da família, e eis que no meio do matagal meu Xingu cantou. Gente, sem preconceitos: é bacana cagar ao ar livre.

14. Você dança, mesmo se não tiver música?
Sempre há música na minha cabeça. Quem me acompanha pelo Twitter já deve conhecer o rádio mental.

15. Você mastiga suas canetas e lápis?
Não, mamãe mantém a despensa de casa sempre abastecida.

16. Com quantas pessoas você já dormiu essa semana?
No mínimo, uns oito gnomos. É, toda manhã acordo com hematomas de procedência desconhecida. Não há outra explicação.

17. Qual é o tamanho da sua cama?
Queen size.

18. Qual é a música da semana?
Stranger, do The Rasmus.


19. O que você acha de homens que usam rosa?
Poxa vida, pois é: o que eu acho sobre completos desconhecidos e suas vestimentas? O que eu poderia pensar sobre um homem que trabalhou o mês inteiro, ou que pediu emprestado ao amigo, e resolveu comprar uma camisa rosa assim, just because ele quis, porque deu na veneta? Mesmo que eu conhecesse o cerumano em questão, o que poderia passar pela minha cabeça ao vê-lo usar uma roupa que não me impede de ser feliz? Acho que PORRA NENHUMA!

20. Você ainda assiste desenhos animados?

21. Qual é o filme que você menos gosta?
Além do óbvio, acho que vou citar “A Arca Russa”. Não é um filme ruim. Quero dizer, não é um filme bom, mas também não merece ser ignorado. É uma obra de arte russa, ou seja, ela assiste você e não o contrário. É lindo, visualmente, mas maçante. Recomendá-lo é um puta cavalo de Troia, mas não fazê-lo não te deixará dormir. Tá, escolhi o filme mais complicado da minha lista de assistidos. Tinha que ser...

22. Onde você enterraria um tesouro escondido, se você tivesse algum?
'Cê acha que eu contaria? Que pergunta escrota.

23. O que você bebe com o jantar?
Normalmente, não janto com o jantar. Ele fica servido na mesa enquanto me deleito com a degustação. Todavia, enquanto janto costumo beber água.

24. No que você mergulha um nugget de frango?
Numa piscina de mijo do parque aquático mais próximo de você.

25. Qual é a sua comida favorita?
Depende. Se estou com preguiça: sopa. Se estou disposta a cozinhar: frango com frutas ao creme de leite. Se estou com muita fome, mas com pressa: lasanha industrial. Se estou com muita fome, sem pressa, mas com preguiça de cozinhar: macarrão com ervilhas. Se estou sem fome, mas com vontade de cozinhar: ovo frito (porque o meu ovo frito mata a pau). Se estou com pouca fome, muita pressa, e bastante preguiça: duas maçãs. Se estou com vontade de comer (o que é diferente de ter fome): yakisoba. E, finalmente, se quero dar uma de chique: erva-doce ao molho branco.

26. Quais filmes você poderia assistir várias vezes e continuar amando?
“Amadeus”, sem sombra de dúvida. “Goethe!” também, mas tenho receio de soar pedante. Qualquer um do Leonardo DiCaprio porque, porra, é o DiCaprio! E, sei lá, vários outros que não são meus favoritos, mas que não deixam de ser ótimos por conta disso.

27. Última pessoa que você beijou/beijou você?
Minha mãe sempre deixa uma marca de batom na minha bochecha.

28. Alguma vez você já foi escoteiro(a)?
'Cê tá bem louco, né? Eu já não era a menina mais querida pela turma da escola, imagine se eu inventasse de ser bandeirante (porque meninas não são denominadas escoteiras). Esse negócio de esfregar graveto para ver se pega fogo não é comigo. Sou da geração acendedor elétrico.

29. Você posaria nua em uma revista?
Não tenho o que mostrar. Desculpa, sociedade.

30. Quando foi a última vez que você escreveu uma carta para alguém no papel?
Um ano e meio, se as contas não falham.

31. Você pode trocar o óleo de um carro?
Posso, mas não quero.

33. Alguma vez ficou sem gasolina?
Sou movida a feijão com arroz. Gasolina, nunca tomei. Então acho que a resposta certa é: sempre.

34. Tipo favorito de sanduíche?
Tipo todos.

35. A melhor coisa para comer no café da manhã?
Frutas e granola. Eu amo granola! É a única coisa que ainda me convence a sair da cama de manhã cedo.

36. Qual é a sua hora de dormir?
Quando tenho sono. O que significa que qualquer hora é hora.


37. Você é preguiçoso?
Comprei um salgadinho sabor pimenta mexicana, mas só descobri depois que minha língua começou a arder no mármore do inferno. Continuei comendo porque a) estava com fome e b) o outro salgadinho com sabor decente se encontrava na cozinha e eu não quis descer para pegá-lo.

38. Quando você era criança, o que você vestia para o Dia das Bruxas?
Eu ficava pelada e de tênis.

39. Qual é o seu signo astrológico chinês?
Segundo o Google: coelho.

40. Quantos idiomas você fala?
Contando com o português: dois e meio.

41. Você tem alguma assinatura de revista?
Gastar dinheiro com isso é um luxo que nem o Eiki Batista se permite.

42. Quais são melhores, Lego ou Logs Lincoln?
Lincoln Logs é a coisa mais retardada do mundo. Se me perguntassem isso há uns vinte anos atrás eu até me prestaria a responder com dignidade, mas hoje quero que simplesmente se foda.

43. Você é teimoso(a)?
Teimoso é quem teima comigo.

44. Quem é melhor: Faustão ou Silvio Santos?
Quem se importa?

45. Já assistiu alguma novela?
Silvio de Abreu mata a pau!

46. Você tem medo de altura?
Todo mundo que tem cu lacrado tem medo de altura.

47. Você canta no carro?
Depende. Você quer carona?

48. Você canta no chuveiro?
Todo mundo que é feliz de verdade canta no chuveiro. Quem não canta precisa de terapia.

49. Você dança no carro?
Como assim dirigir e dançar ao mesmo tempo?! Que tipo de pessoa criou essas perguntas?

50. Alguma vez usou uma arma?
Sempre. Uma caneta pode se tornar uma arma na minha mão. Eu já arranquei dentes usando apenas uma corneta. Já arranquei unhas com apenas um degrau de escada. Já quebrei as costas numa rede. Já rasguei a perna com uma flecha indígena parada. Já peguei fogo com um fósforo e queimei o dedo no ferro de passar roupas. Machuquei a bunda no escorregador infantil e a virilha num parquinho do jardim de infância. Abri o pulso escorregando no gelo e me fodi inteira sendo arrastada por um cachorro. Me engasgo com saliva a todo instante. Olha, sinceramente, não sei do que sou capaz com uma arma de fogo.

Se as perguntas continuarem idiotas na segunda parte, juro que não publico.