1 de novembro de 2013

Meu Coração de Pedra-Pomes (Juliana Frank)


Lawanda. Eu daria esse nome à minha filha se a protagonista não fosse uma porra louca com pensamentos duvidosos e imaginação sem limites. Ela trabalha como faxineira no hospital, mas também ganha um dinheiro extra dançando com pacientes, os levando para shows do Cauby ou arranjando companhias noturnas para moças carentes. Foi numa dessas que conseguiu o dinheiro para comprar um frigobar. Aos dezenove anos Lawanda faz macumba, tem um frigobar vintage vermelho e costura borboletas em suas calcinhas.

— Bom, eu te amo. E o amor é importante.
— Não, José Júnior. Importante é saneamento básico.

Gosto de livros cujo personagem central não bate bem das ideias. Eu adoraria ser capaz de escrever uma narração assim como Juliana Frank. Ela é tão autêntica, que em alguns trechos fica difícil separá-la de Lawanda. Confesso que escolhi “Meu Coração de Pedra-Pomes” mais por curiosidade do que por vontade. Apostava em um livro lírico, metafórico, açucarado. Essa mania de não ler sinopses (estou começando achar que é sabotagem) não me levará muito além. Com uma liberdade bruta, Lawanda não poupa o leitor de seu vocabulário sujo e suas expressões ao mesmo tempo engraçadas e pesadas. No entanto, suas ideias e comparações são tão geniais quanto. Sua carta a respeito de um esfregão velho foi, para mim, o ponto alta do enredo.

Minha voz é a reprodução sonora dos peidos de Lúcifer.

Coleciondora de besouros (seus únicos amigos) e aquela que coloca as lágrimas de volta para dentro dos olhos quando chora, Lawanda é uma das personagens mais bizarras que já li. Ela entra dentro do leitor sem pedir licença, causando uma sensação desconfortável e ao mesmo tempo certa ternura – mais ou menos o comportamento que temos quando nos aproximamos de um real ser humano com problemas mentais. Portanto, longe, muito longe de ser um livro de metáforas duvidosas para descrever a vida, “Meu Coração de Pedra-Pomes” nos apresenta a forma crua de ser quem se é.

Ao contrário do que as pessoas pensam, loucos não são aqueles que saem gritando “Estou vivo” e esfregando o pau perdigueiro em cachorros.

3 comentários:

Carol Campos disse...

Eu tô numa ressaca literária horrorosa, mas adorei o título e o primeiro diálogo. Não sei quanto ao resto do livro, mas nesse primeiro diálogo a Lawanda parece uma amiga que eu tive. E ás vezes eu também não leio sinopses rs
www.doceilusao.com/

Renata Cristina disse...

Só pelo que você contou eu fiquei super curiosa para ler tudo! Parece ótimo *-*

Beijo
Reenoceronte

livroseoutrasfelicidades disse...

Esse parece bom! Daqueles livros que você não sabe bem o que esperar e, quando vê, já te fisgou.

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