15 de novembro de 2013

3 Idiots (2009)


Então, vamos começar este texto assim: se um filme norte americano tivesse na capa três babacas sentados em cadeiras com formato de nádegas e o nome fosse “3 Idiots”, cara, eu nem me daria ao trabalho. Passaria os olhos rapidamente achando se tratar de algum remake frustrado de “American Pie” (e tão detestável quanto). Mas o filme é de Bollywood, e não Hollywood, o que nos indica duas diferenças importantíssimas para minha resolução: 1) Americanos estão acostumados a serem idiotas porque, provavelmente, nascem assim. Indianos, não. Indianos dominarão o mundo. 2) Eu nunca digo “não” para Bollywood. Sim, isso vale para filmes sobre vampiros apaixonados também.
Most of us went to college just for a degree. No degree meant no plum job, no pretty wife, no credit card, no social status. But none of this mattered to him, he was in college for the joy of learning, he never cared if he was first or last.
Farhan e Raju acabaram de entrar para a melhor faculdade de engenharia e ainda não sabem que irão conhecer um grande cara. Um dos melhores personagens que já vi no cinema, com diálogos incríveis, que fará de tudo para salvar seus amigos das mais complicadas situações, é apaixonado por máquinas, sonhador e o único gênio que fará Viru Sahastrabudhhe morder a língua: Rancho.


Quando notei que o filme tinha duas horas e quarenta e quatro minutos, humpf, sério mesmo?! O que vão fazer com todo esse tempo? Quantos números musicais serão necessários para justificar esse orçamento, meu Deus? Acontece que não passaram de duas cenas e, olha, para Bollywood isso é um marco. O diretor deve ter se segurado forte na cadeira para não ter produzido mais uns quinze, pelo menos. E se ele fez isso, foi por ter uma carta na manga. “3 Idiots” não é sobre três amigos enlatados que passam duas horas e tanto fazendo palhaçadas sem o menor pretexto – como eu havia pensado. É sobre três amigos que tem uma ótima história para contar.

Bom, tudo começa do final: dez anos após a formatura na universidade, Farhan e Raju recebem uma ligação de Chatur, que traz uma enorme surpresa: ele encontrou Rancho, desaparecido desde então. O que os dois melhores amigos desse revolucionário fazem? Fácil, oras: um finge sofrer um ataque cardíaco em pleno voo para que o avião retorne ao aeroporto e o outro sai correndo de casa. Sem calças. Chatur marca o encontro em um lugar especial, onde há tantos anos atrás ele prometeu se vingar de Rancho, se tornando um homem bem sucedido. A partir daí, refrescando a memória dos dois melhores amigos de seu único e maior inimigo, Chatur nos leva para o passado.

É o tipo de oportunidade que Rajkumar Hirani, o diretor, não deixou passar! Ele não deixou nenhuma brecha para que eu pudesse fazer meu comentário favorito: “se eu fosse ele, teria feito assim”, ou “putz, ele perdeu a chance de fazer tal coisa com essa cena”. Não. Hirani calou minha boca e mostrou como se faz um filme sobre três amigos sem muita coisa na cabeça, mas de coração cheio. Tem liçaozinha de moral, tem suicídio, tem filosofia de vida, tem sim uma trégua para o humor e bastante tapas na cara.

Infelizmente, qualquer coisa que eu vá comentar poderá estragar as surpresas, que não param de chegar a cada minuto. Farhan e Raju não passaram por grandes aventuras enquanto procuravam por Rancho, pois na faculdade aprontaram o suficiente pelos próximos dez anos. Só posso indicar o filme de todo o coração, mesmo para você aí, que não curte Bollywood e acha que em todo filme terá um bigodudo saltando de algum carro em chamas (eu também pensava assim). Rancho, meu Deus, é de longe um dos personagens mais fantásticos do cinema! Eu sei que já disse isso, mas estou realmente impressionada com o trabalho dele. Além de todas suas respostas petulantes o seu mantra, sem sombra de dúvida, entrou para a minha lista:

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