23 de setembro de 2013

Prinsessa (2010)


Eu adoraria conhecer mais sobre o cinema finlandês, mas é difícil encontrar filmes disponíveis por aí. Por isso, a lista de títulos que assisti é bem pequena. Não que sejam os melhores filmes do mundo, mas o pessoal se esforça. Todavia, não foi por gostar do trabalho finlandês que me dignei a procurar “Prinsessa” e uma legenda em inglês por toda a internet. Não, eu queria assistir esse filme just because Paula Vesala interpretava uma enfermeira. Não sabe quem é? Bom, ela canta numa dupla muito famosa na Finlândia chamada PMMP. São ruins pra caraaaalho! Ela tem bastante influência por lá, mas o que chama a atenção mesmo é seu namorado. Vocês já devem ter ouvido falar dele, ainda mais aqui no Bonjour Circus.

Lauri Ylönen, o magnânimo.

Oh, mas que coincidência, não é mesmo? Eu correr atrás de um filme feito uma condenada só porque a namorada do vocalista da melhor banda de toda a vida faz uma participação (questionável). 'Magina né, que eu ia baixar um puta arquivo e ter todo o trabalho de procurar legendas em inglês por causa de motivos assim, tão frívolos. Tá, eu não engano ninguém. A verdade é que eu não perco a chance de criticá-la e estava louca para dizer: “que atuação de merda, menina”. Só que ela aparece pouquíssimas vezes e o filme, meus queridos, é sensacional!

Um drama biográfico, “Prinsessa” retrata a vida de Anna Lappalainen. Dançarina de cabaré, ela acreditava ser um membro da família real inglesa, uma legítima princesa. Preocupados com suas alucinações, a equipe do hospital psiquiátrico onde ela foi internada resolve utilizar novas técnicas de tratamento em busca da cura – a Lobotomia adentrava as fronteiras da Finlândia e causava desacordos entre os especialistas. Enquanto os médicos discutiam os novos recursos, Anna conquistava aos poucos os pacientes e enfermeiros. Alguns entravam em suas alucinações, a tratando como realeza, outros caçoavam achando que estes precisariam logo de um tratamento de choque.


Mas o enredo não se resume à ela, e sim a vida em geral do hospício e seus momentos particulares que abrangeram outras pessoas. Mostra-se a vida do diretor e suas ideias novas que batem de frente com críticas e conservadorismos, outra interna que acaba por fazer amizade com Anna e se torna sua “dama de companhia”, assim como o paciente mais velho do local que passou pelo processo de lobotomia. Acompanha-se a rotina, os trabalhos no jardim feitos pelos doentes, suas refeições, instalações, e o elenco representou de forma excelente os medos de quem mora do lado de lá do alto muro branco.

Vocês sabem, é difícil escrever sobre algo que gostamos muito. É o caso desse filme para mim. “Prinsessa” é doce, ilustra a loucura com um toque sensível de realidade. Anna Lappalainen, ousada e ingênua, trouxe médicos para mais perto de seu mundo. Viajou com sua dama de companhia, distribuiu folhetos bancários para os pobres acreditando ser cheques com altas somas, teceu os presentes mais lindos e significativos para aqueles que precisavam abrir os olhos para uma vida alternativa. Não à toa, virou livro, filme e ganhou um memorial na clínica em que ficou internada a maior parte do tempo e onde deixou boas lembranças. É uma pena não ter aqui no Brasil mais informações – só encontrei sites em finlandês. No mais, recomendo para quem está precisando de histórias bonitas, um filme perfeitamente ambientado e cenas inesquecíveis.

3 comentários:

Thay disse...

Ah Del, te entendo! É difícil mesmo falar sobre aquilo que toca nossa alma sem acabar parecendo só um fã deslumbrado. Mas acho extremamente valioso quando isso acontece, de encontrar um tipo de obra que fale tão de perto com a gente, que fique em nosso pensamento mesmo depois que fechamos o arquivo (download, livro, desligar a tv! o que for!). :DD

Fiquei curiosa pela história, mas acho que mais por aquilo que você escreveu do que pelo trailer em si. Mas ainda tenho que assistir Goethe!, que foi inesquecível na sua resenha (e preciso tirar a prova daquilo que disse sobre Mr. Darcy, eu não esqueci! HAHA).

Beijo!

Helen Araújo disse...

Woow! Fiquei babando por este filme só pelo jeito que você falou. Igual Goethe! (que não lembro agora se consegui ou não).
E relax, eu busco filme quase sempre pelo mesmo motivo haha, e também não me decepciono ;)
Beijos!

Edgar disse...

Talvez isso faça de mim um idiota, mas poucas coisas me fascinam mais que a esquizofrenia.

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