16 de julho de 2013

Não se Mova, Morra, Ressuscite (1989)


Eu adoro assistir filmes russos apesar de fazer isso poucas vezes. Explico: são ótimos em fotografia e arte, mas fortes em histórias. Nem sempre tenho humor para acompanhar um russo gritar por quase duas horas. Porque os russos gritam. Eles são assim. Quando estava no aeroporto de Zurique, voltando para casa, um tipo desse chegou bêbado, cheirando à vodka e berrando comigo. Não sei o que o aeroporto fez contra ele, o que eu fiz para merecer isso ou se ele estava apenas cantando, só sei que seus olhos vermelhos e seu bigode me assustaram muito.

Como fazia tempo que eu não enfrentava um filmóvisky da vida, baixei esse tal de “Não se Mova, Morra, Ressuscite” porque o título é bacana e porque é filmado em P&B. Além do mais, a história se passa na Sibéria. Quer coisa mais russa do que isso?! Galia e Valerka são amigos que moram na cidade mineira de Suchan em meio a pobreza e também as traquinagens infantis; levando em consideração que o que é brincadeira para eles normalmente está enquadrado em algum artigo penal para nós. É um clássico de duas crianças que estão apaixonadas entre si e demonstram isso com pontapés e empurrões. Os dois passam o filme inteiro juntos, vendem chá na mesma zona de trabalhadores e se ajudam.

Na minha humilde opinião, é uma espécie de “Os Incompreendidos” (1959), só que russo ao invés de francês - ou seja, muito mais punk. O buraco é bem mais embaixo na banda dos camaradas. Valerka, o personagem principal (e um menino super talentoso), é aspirante a revoltado sem causa, tem uma mãe problemática, uma vida sem estrutura alguma e é autor de uma das melhores frases do cinema: “Agora todo mundo vai saber que eu durmo com um porco”!

Na URSS, o filme assiste VOCÊ!

“Não se Mova, Morra, Ressuscite” é um filme pesado - essa foi a palavra que encontrei e que se encaixou perfeitamente enquanto eu assistia o final. Representa a vida nua e crua de uma criança pobre na Sibéria de 1947 e não se esforça para romancear ou mesmo nos poupar do impacto que a realidade causa. Cometi a besteira de assisti-lo em um sábado a noite e só posso dizer que fui dormir deprimida, querendo a minha mãe. Recomendo fortemente para quem quiser conhecer o cinema deles, mas aviso de antemão que os russos não são para qualquer um.

6 comentários:

Thay disse...

Acho que nunca assisti a um filme russo. Nem saberia por onde começar a procurar um que não me deixasse deprimida. Lá as coisas parecem tão mais fortes e doloridas. Pra não dizer que não assisti absolutamente nada russo, já vi as três versões de Anna Karenina. Nem preciso dizer que gosto da mais recente só pq é mais bonita, né? HAHA, não que as outras sejam ruins, mas as cores fortes e cenografia do filme de 2012 são mais a minha cara. Mas russo mesmo, falando russo e tudo, difícil de encarar. Não é preconceito nem nada, assisto filme austríaco, francês e até japonês! Não olho bem pra nacionalidade, só preciso curtir a premissa. (:

Dea Carvalho disse...

Interessante... vai entrar pra lista.

livroseoutrasfelicidades disse...

Acho que não tenho estômago para vodka, digo, filme russo...

perdidit disse...

Tenho alguns filmes russos baixados, mas não me animo a procurar as legendas. O fato de eu entender inglês me afasta de filmes estrangeiros, mas tô tentando mudar isso. Quero muito me inserir mais no cinema e na cultura russa, e adorei a dica de filme. Já está aqui na minha lista de downloads.

Ana Flávia Sousa disse...

Nunca assisti a um filmóvisky, mas anotei como dica.
Precisando ampliar os horizontes culturais. :D

Anna Vitória disse...

Que bacana, Del! Acho que nunca assisti a uma filmovisky (adorei!), mas sou apaixonada pelos livros desses caras e acho que gostaria do cinema também. E quando você citou Os Incompreendidos, uma chama de amor acendeu aqui dentro. Sou apaixonada por esse filme!
"Na URSS, o filme assiste VOCÊ!"
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

beijos!

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