29 de março de 2013

Memórias de um Amigo Imaginário (Matthew Dicks)


Bom, eu não sei exatamente o que esperava desse livro. Acho que vivo numa expectativa de ler algo inovador e bem escrito, mas esqueço que as pessoas não estão aí para supri-la. Eu imaginei que seria uma história ao menos aceitável e que faria um pouco (só um pouquinho) de sentido. Sabe, nem todo mundo tem que ser um Markus Zusak na vida, só que o meu cérebro custa a entender isso. Um problema, realmente. Vivo frustrada. "Memórias de um Amigo Imaginário" não é um livro péssimo, é uma leitura para crianças. 

É muito estranho ser um amigo imaginário. Não dá para ficar sufocado ou doente; é impossível cair e quebrar a cabeça ou pegar uma pneumonia. Só o que pode matar um amigo imaginário é o seu amigo humano não acreditar mais nele. E isso é bem mais frequente do que todas as sufocações, quedas e pneumonias juntas.

É injusto de minha parte resenhar um livro infantil. Não tem como gostar de uma história dessa. Mas acabei lendo por curiosidade e, como já expliquei, por culpa das altas expectativas Zusakianas. Em cada esquina haverá um "A Menina que Roubava Livros" e não adianta tentar me convencer do contrário. Max Delaney, todavia, não tem a ver com o Max Vandenburg. Na verdade, ele é ninguém menos do que Sheldon Cooper quando criança. Talvez vocês tenham o reconhecido também sem ligar o nome a pessoa.

Quem narra a história é o amigo imaginário de Sheldon Max Delaney, o Budo. No início, ele nada faz além de descrever como seu amigo é, o que ele pensa e descreve sua rotina escolar. Ao invés de tentar descrevê-lo, vou simplesmente indicar o seriado The Big Bang Theory, para quem não conhece. Ele e Sheldon são a mesma pessoa. Insisto. Budo, por outro lado, mais parece um espírito do que um ser imaginário - pensa por si só, tem suas vontades, uma vida paralela enquanto se afasta do seu amigo humano e é egoísta. Budo passa o livro inteiro preocupado com seu amigo não por gostar dele, mas por medo de desaparecer caso alguma coisa aconteça à Max. Quando tem oportunidade pergunta a outros amigos imaginários se sumir dói, assim como fez quando Graham (amiga imaginária de uma garota que estuda na mesma escola que Max) começa a ficar transparente enquanto a amiga humana a esquece. Ele não está triste por perder uma amiga, mas com medo do que ela sente e que ele poderá sentir um dia quando for sua vez de ser deixado de lado.

Daí, o que era para ser um livro infantil cheio de aventuras do barulho, se tornou num romance policial. Max é levado da escola por uma de suas professoras e simplesmente desaparece sem deixar vestígios; somente Budo sabe quem o levou e onde pode estar, mas não é capaz de ser ouvido por ninguém. É nesse ponto que começo a fazer uma leitura dinâmica porque a história fica arrastada. São vários capítulos sobre a mesma coisa e sem finalidade. Para tomar uma atitude, é preciso que Budo resolva visitar um hospital infantil e tomar na cara uma lição de moral de uma outra amiga imaginária sem pescoço chamada Summer, que não consigo parar de imaginar assim:

Não sei, cara. Não sei!

Segue uma corrida contra o tempo para o heroi salvar seu melhor amigo e estamos então dentro da Sessão da Tarde. Não posso contar tudo o que se passa porque isso seria spoiler, ou melhor, uma tortura para vocês. Assim, comecei o texto dizendo que esta é uma história para crianças e elas devem ter achado sensacional, mas para os adultos exige um esforço supra-humano. Não seja enganado pela classificação YA. Deite-se confortavelmente ao lado do seu filho/sobrinho e tenha muita paciência enquanto lê "Memórias de um Amigo Imaginário" para ele dormir. E tenha cuidado para que não seja você a cair no sono.

6 comentários:

Jana disse...

não acredito que você colocou o tom"ei maçã" aqui, Del! haha

bom, apesar da tua resenha ser bem negativa, ainda quero ler esse livro... pelo que eu entendi faltou um pouco de foco na história e ando meio chata pra leitura, mas não é possível que eu ache tão ruim u _u ou até é, sei lá. rs

ps: você já assistiu "Dayo, um amigo imaginário"? achei a personalidade do amigo imaginário meio parecida com a do personagem do filme.

beijo!

Mari disse...

Tenho acompanhado seu blog... achei-o pelo Google, enquanto procurava por blogs que falassem sobre terapia, pois faço análise há um ano e sinto falta de saber da experiência de outras pessoas...
Tem um curta interessante, que fala sobre amigos imaginários, talvez você se interesse: "Traz outro amigo também", é brasileiro, tem aqui completo no Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=tx60Sna1Qog

Abraço!

Dea Carvalho disse...

"Acho que vivo numa expectativa de ler algo inovador e bem escrito..." - tenta O Perfume, de Patrick Süskind.

Gabriel Santos disse...

Oi, meu blog foi indicado a participar de 2 selos, que no qual eu tinha que indicar blog e eu indiquei o seu. Se gostar do selo, participa e me manda o link XD. O link do meu blog: http://refugionofimdouniverso.blogspot.com/2013/03/selos-liebster-award-e-versatile.html Comenta lá!
Abraços, Gabriel S.

Ana Flávia Sousa disse...

Nossa, que confusão me pareceu esse livro.
De confuso, basta a vida. rsrsrs

Sou dessas que esperam demais do livro. É triste. :/

MaKus Suzak é deuso.

Mia Sodré disse...

Eu tive que rir porque não gostava de livros infantis nem quando eu era criança, mas tá. hahaha A ilustração é lindimais. ♥

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