21 de fevereiro de 2013

Os Miseráveis

"O longa é uma adaptação da célebre obra Os Miseráveis (1862), do escritor francês Victor Hugo e contará a história de Jean Valjean um homem libertado da prisão, que refaz a sua vida se tornando proprietário de uma fábrica, político e, posteriormente, acaba adotando a filha de Fantine, Cossette."

★★






Não gosto de musicais. Não aprendi a admirar isso, que chamam de filme, e que deveria ser mantido na Broadway. Sabe, lugar de cantar é no palco quiçá no karaokê quando não se tem bom senso. Cinema não. Cinema é lugar de diálogo (ou de crianças chorando quando não se tem vergonha na cara). Ok, assumo que sou muito antiquada quanto a sétima arte - não gosto muito de efeitos especiais, detesto 3D e tenho medo de adaptações. Musicais, então. Musicais são a prova de que alguém não sabe o que está se passando na vida porque, olha, qualquer que seja a época, nunca funcionou. Mas tudo bem se você aí, leitor, gosta. Eu te perdoo (e me declaro culpada por amar O Fantasma da Ópera).

Só que tem o Oscar, né? O troll mais chique e dourado da vida. Daí que eu resolvi assistir Os Miseráveis por causa da premiação e porque li o livro há muito tempo atrás. Que mais não seja, resolvi assisti-lo porque, ou eu passava a gostar de musicais para todo o sempre, ou eu continuaria odiando até o fim dos tempos. A sorte foi lançada. Baixei (porque não sou trouxa de pagar por uma coisa que, provavelmente, eu não vá gostar at all) e convidei o namorado. A gente só descobre que é amada de verdade assim, com o companheiro sofrendo junto a dor de barriga.

Eu li uma ótima resenha que diz tudo o que eu queria dizer. É um filme bonito, gente. Mas filme bonito não enche barriga. Para me conquistar e me fazer suspirar tem de haver muito mais do que fotografia ajustada e um elenco escolhido a dedo. Tem de haver diálogos história. Devo confessar que chorei uma lágrima no canto do olho esquerdo com a cena principal (e única, convenhamos) de Anne Hathaway. O que não é grande coisa se considerarmos que essa música está fadada ao sucesso de qualquer maneira. Acho que não fiz mais do que a minha obrigação em chorar.

Logo no começo do filme eu comentei: "Imagine como seria em francês"! Pois é, imagine você uma vez que Hollywood não se deu ao trabalho. Não se mexe numa obra dessas (e por aqui devemos ter contabilizado um número considerável de "nãos" para uma resenha meia boca) assim, sem mais nem menos. Isso arrancou pela raiz metade da emoção. A outra metade foi exterminada, sem chances de se defender, pelas quase 3hrs de cantoria desafinada. Fiquei arrepiada, no mau sentindo, com o desempenho de Russell Crowe, e Helena Bonham Carter que cantou para dentro.

Na altura em que Marius começa a entrelaçar um relacionamento perigoso e diagnosticado com Glicose Anal Americana com a insossa Cosette, eu encontrei o meu limite. "Não, não vai dar. Não consigo prestigiar esse bando de Yankees desafinados arruinando aos cuspes o pobre coitado do Victor Hugo. Nem mesmo a França merece isso"! Meu namorado, que até então estava disposto a assistir o final por causa da curiosidade e nada mais, deu stop e concordou. "Faltou uma meia hora ou um pouco mais de filme, a gente assiste no fim de semana que vem" ele comentou, mas ambos sabemos que não vai acontecer. Nunca. Jamais, enquanto eu estiver em minha sã consciência, vou me prestar a continuar o filme que terminou antes de começar; ali, nos minutinhos iniciais, com o Javert cantando como um gato de ponta-cabeça dentro da bota tendo as bolas arrancadas.

Duas estrelas na classificação por causa da Susan Boyle.

4 comentários:

Helen Araújo disse...

Gente, finalmente achei alguém que odeia musical tanto quanto eu!
Ainda não vi Os Miseráveis (nem esse, nem o de 1998 - que eu tenho), mas li uma versão infantil que ganhei da minha tia aos 9 anos e amo muito essa história.
Não sei se por sorte, quando tentei ver no cinema, o danado tava esgotado.
Não gosto de musical, 3D me deixa zonza e com ânsia, e filmes com "efeitos" eram mais legais quando faziam aquelas maquetes com lagartos que no filme eram gigantes mas que não passavam de iguanas haha
Adorei seu texto, tenho quase certeza de que vou abandonar também, mas sabe como é, meus amigos estão quase me obrigando a ver '~'

Dea Carvalho disse...

"cantando como um gato de ponta-cabeça dentro da bota tendo as bolas arrancadas." HAHAHAHAHAHAHA! *palmas!*
Vou confessar que gosto sim de musicais, (espero não ser odiada por isso) mas há de se ter um equilíbrio entre diálogo e música. Às vezes fica mesmo muito forçado.
Há uns 3 anos fiz um post sobre musicais que eu gosto: http://nocloudnine.blogspot.com.br/2009/06/ligue-tv-e-mexa-se.html *agora nesse momento lembrando de Jesus Christ super star, quando Jesus dá aquele sermão em Judas: "Juuuuuuuuuuuuuuuudaaaaaaaaaaaassss!" - todo trabalhado no heavy metal*
Ainda não assisti Os Miseráveis e já li tantas opiniões divergentes que só falta mesmo eu dar a minha. Então aproveitarei a deixa.

Thaís Menezes disse...

Estou louca para assistir! Sem mais.

Beijo,
Infinito Particular

Jana disse...

Não vou poder comentar de verdade porque não vi o filme, mas posso dizer que eu também não gosto de musicais. Acho que não é algo pra se ver na tv, nem cinema e computador... A emoção tá no palco (e ainda assim duvido que fosse gostar haha). Lembrei de "uma linda mulher", com a mocinha lá chorando. Acho que é mais fácil pegar a emoção da coisa se for ao vivo (aliás, ópera é musical? são a mesma coisa? são coisas diferentes? não sei. Por favor, não faça ~tsc tsc~ diante das minhas perguntas hehe)

Beijão, Del!

Beijos!

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