30 de novembro de 2012

Colcha de Retalhos

"O livro Colcha de Retalhos foi finalista do Prêmio SESC (2008) e foi vencedor do Prêmio Utopia (2010). A obra reúne 73 textos curtos e, apesar da predominância maciça dos contos, escapa em alguns momentos para a poesia e para a crônica. A obra foi lançada pela Utopia Editora e conta com projeto gráfico da ilustradora Laís Brevilheri."

Rodrigo Domit
★★★




Colcha de Retalhos foi o meu primeiro livro de micro contos. Apesar de adorar escrevê-los, confesso que não sou muito fã de obras que os reune. Mas após ler, pela primeira vez, o do Rodrigo Domit, além de mudar de ideia também senti vontade de fazer algo parecido! Infelizmente, a leitura é super rápida, deixando um baita gosto de quero mais. Li o livro em menos de dez minutos e achei que o autor poderia ter arriscado mais contos para prender o leitor.
A noite de estreia é um espetáculo, mágico, incomparável. As noites seguintes já não têm o mesmo encanto. Os sorrisos já não são mais os mesmos. Algum tempo depois, ela junta as tralhas e toma outros rumos, paixão itinerante.
— Espetáculo
Gostei de vários contos, o suficiente para esperar outras obras do autor. Colcha de Retalhos é leve, fofo e com certeza arrancará um sorriso e outro! Eu recomendo fortemente, pois além de tudo isso, a leitura não roubará mais do que alguns minutos do seu tempo. Por outro lado, a impressão e beleza dos micro contos tem um valor incalculável. Se você ficou interessado, visite o blog do autor ou baixe o livro em PDF (que o próprio Rodrigo disponibilizou). Eu, pessoalmente, vou comprar um exemplar e relê-lo várias vezes!
Acendia fogueiras, despretensiosa, apenas para vê-las arderem, estalarem e consumirem-se. Quando sentiu frio, desamparada, já não tinha mais ninguém para servir de lenha.
— Piromaníaca

18 de novembro de 2012

Inquisição trabalhista

Enquanto o mercado cobra R$500 para você aprender a passear com cachorros e ensino superior completo para testar produtos eróticos, ninguém parou para perguntar o que você quer da vida. A única coisa que dizem é: "Seja lá o que você quiser, vai ter que trabalhar para conseguir". Não importa o que seja. Mesmo se você quiser ser um eremita, terá que trabalhar em call center durante uns dez anos. Você precisa ter telemarketing no currículo para ser um eremita de respeito. Uma pessoa sem atendimento ativo ou receptivo em "qualificações" é um zé ninguém. Ou você se submete a um emprego mesquinha por R$500 na escala 6x1, ou é um vagabundo que merece viver à margem da sociedade. A dignidade não tem valor. O que vale, hoje em dia, é trabalhar loucamente nem que seja como colocador de saquinhos de tempêro dentro do pacotinho de macarrão instantâneo.

Aquele que não trabalha é automaticamente desvalorizado. Ninguém quer saber se, na realidade, você é autônomo ou blogueiro, que ganha seus ricos R$200 com anúncios do AdSense ou vendendo suas apostilas de boca em boca. Se não sai de casa às 6hrs para voltar só às 18hrs, não é classificado como cidadão de bem. Se não tem carteira assinada, horário de almoço, não precisa bater ponto nem conta os milhos pingados no final do mês, não tem direito a opinião. Eles não querem saber o que pensa um desempregado. Trabalhar por conta própria, então, é um insulto quase maior do que não ter emprego, porque é "impossível". Ah, isso não existe! Trabalho "de verdade" é aquele que você se mata para chegar, espremido no ônibus/metrô/trem, sofre repreensão do chefe (que quanto mais filho da puta, melhor heroi você será) e se mata, literalmente, em troca de um dinheiro que jamais será o bastante devido os altos impostos e outros roubos menos visíveis aos olhos dos pebleus.

O mercado de trabalho se supera a cada ano com suas exigências e formas de contratação. Um garçom só é contratado se obter inglês, no mínimo, básico. Outro dia, assisti na televisão um empresário reclamar que não encontrava funcionários qualificados para seu restaurante. Eu perguntei em voz alta, se como ele pudesse me ouvir, quais seriam os requisitos necessários para equilibrar copos em uma bandeja e anotar pedidos em um bloquinho? Onde está o segredo? As profissões que citei no início deste texto não são ilusórias, mas sim bem verdadeiras, por mais absurdo que pareça. Hoje em dia, existem trocentos cursos para as tarefas mais triviais encontradas no mercado. Cursos demais com salários e experiências de menos, devo ressaltar. Não contratam sem experiência, sem flexibilidade de horários, sem certificados, sem especializações, sem o que mais eles conseguirem encontrar.

Então, você fica nesse jogo de João Bobo. Sem dinheiro para estudar, sem trabalho por não ter estudado. Não consegue estudar porque não tem dinheiro, não tem dinheiro porque não consegue trabalho, sendo o resultado final a sua desqualificação como pessoa. Não estou transferindo a culpa, se é que há alguma nessa história, só estou tentando ilustrar o cabresto no qual nos metemos. Percebem? Dinheiro, dinheiro, dinheiro, relincha, e mais dinheiro, coices, dinheiro, dinheiro, dinheiro. O seu valor foi capturado e capitalizado no banco. Cultura? Bom senso? Boas intenções? Não. Emprego, emprego e emprego. Trabalhe e não olhe para os lados, não sonhe, não questione, não acorde. Deixamos de ser pessoas dotadas de espírito para nos tornarmos mãos de obra barata.

12 de novembro de 2012

Planos plainos

Eu tenho vários planos. Adoro fazê-los sem o compromisso de cumpri-los, se você quer saber. Além da isenção de responsabilidade, planejar a vida sem o menor risco de algo dar errado é um dos poucos privilégios dos adultos. Então, eu sento na varanda, abro um livro, e enquanto finjo que estou lendo, minha cabeça range as engrenagens e é a única de nós duas que trabalha de verdade. Os planos se fazem, mágicos, como teias de areia que, na primeira chuva, serão cobertos por orvalhos ou, exercitando o meu pessimismo, irão arrebentar e não deixar nenhum vestígio de existência. É esse descompromisso que mata aos poucos a humanidade. Mas, convenhamos, para quem inventou a roda, vale a pena morrer por esse tipo de preguiça.

Por exemplo, volta e meia me sinto seduzida pela vontade de ter filhos através de uma produção independente. Nada de homens. Nada de toalha molhada em cima da cama. Nada de discussões cansativas para a escolha do nome. Nada, veja você, de compromisso. Numa bela manhã, eu acordo disposta a ser mãe. Vou à clínica, faço meus exames, recebo cartilhas, folhetos e recomendações. Recebo, também, um arquivo com todos os doadores e suas especificações. Escolho um finlandês? Um italiano? Judeu. O que as pessoas tem contra os judeus? Posso escolher até um anão; imagina que louco montar um circo! O problema é que existe aquela peste sem vacina nem cura - o depois. Depois, a criança cresce. Depois, vai querer saber de onde vem os bebês, se peido pesa e cadê o papai. Eu, que não tenho o menor jeito para administração, vou me enrolar e fazer do meu plano, um pesadelo.

Talvez seja melhor continuar sendo mãe de cachorro.

Existe aquela velha ideia de fazer a faculdade de Letras (português - alemão) e me mandar daqui. Ser tradutora, professora, ou lavar pratos na Europa. Não, eu não sou o tipo de brasileira que faz pouco da pátria. Eu sou o tipo de brasileira que acha que todo ser humano tem o direito de morar na porra do território que quiser. Continuando: Após conhecer Dornach, não quero outra coisa na vida senão enraizar lá. Sou eu em forma de lugar. Mas se não for possível, ok. A vida é sempre impossível mesmo. Eu, o meu alemão e a minha dupla nacionalidade vamos para outro lugar, não tão desejado, mas igualmente tranquilo.

Daí que tem aquele quadrinho (acho que da Mafalda, não sei) que é a respeito de planos com um trocadilho mei'porco sobre planícies. Sabem qual é? Já que comecei o texto falando sobre preguiça, não me dei ao trabalho de procurá-lo. Enfim, as pessoas tem essa mania de dizer que a vida não tem o aspecto plano; que há a montanha e o tal do Maomé, numa história onde os dois jamais se encontram por pura falta de interesse. Fico sem saber qual a moral da história. Montanhas não se deslocam, e o Maomé é um puta coçador de saco que espera pelas coisas cairem no colo. O cara é tão malandro, que espera avistar uma montanha no horizonte acenando para ele. Veja só. A gente inventa umas coisas muito curiosas, né verdade?!

Os planos que fazemos, porém, tem sim essa aparência monótona. Não é uma vantagem unicamente minha preencher as horas de ócio com coisas que jamais realizarei. Está no DNA. De quem? Da história. Por mais ridículo que seja, a gente espera sim pela montanha. A coitada aparece no horizonte, a barra levantada por uma mão até as ancas, na outra mão um lencinho secando o suor do topo. Ela acena, ofegante. "Que trânsito! Todas as montanhas resolveram sair ao mesmo tempo". A imaginação não trabalha como o coração, com seus picos e arritmias. Por mais criativos que sejamos, ela segue uma linha lógica, focada na luz no fim do túnel e com o único intuito de nos levar a continuação da espécie. Tem a preguiça, claro, porque caminho sem pedra não tem a menor graça. Sabe, não é ruim planejar o futuro, por mais utópico ou impossível que seja. O problema é essa paisagem plaina.

Descobriram a roda. Bacana.
Mas e o tempêro dos planos?

4 de novembro de 2012

O meme literário de um mês (2012) - Final

Dia 28 - Cinco livros que estão na sua pilha de “vou ler”.
Sem Filhos, de Corinne Maier. Aos 25 anos, já mudei de ideia umas 500 vezes. Ter ou não filhos? Não sou a maior fã de crianças, minha paciência com elas se esgota em três minutos e com base em minhas observações acredito que filhos, muitas vezes, acabam por destruir um casamento (eu sei, isso dá pano para a manga). Enfim, estou curiosíssima para descobrir o que a psicanalista Corinne tem a dizer sobre isso.



 
Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu. Gente, coitado desse homem! Seu nome anda pela internet sem casa nem coração, na boca de todo mundo e sob citações que não são de sua autoria. O pouco que conheço dele vem de tumblrs "oficiais", que existem aos montes, mas decidi ir direto à fonte. Escolhi Morangos Mofados por causa do título. Simples assim. Aguardemos o resultado.





 
Helena de Tróia, de Margaret George. A Thay me indicou enquanto eu ainda estava escrevendo o meu livro. Não tenho o hábito de ler biografias, história e coisas do genero. No começo, eu queria ler para talvez incluir algo no meu livro, mas agora que eu o finalizei, quero ler só por curiosidade. Vai que eu tomo gosto pela coisa.






Azul-Corvo, de Adriana Lisboa. Li o Sinfonia em Branco e fiquei apaixonada por Adriana Lisboa. Achei simplesmente sensacional a forma dela se expressar e a construção de seus personagens. Quero ler todos os livros publicados e sem dúvidas aqueles que estão por vir também.






 
A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows. Amei o título! Ah, para quem só julgava pela capa, agora julgar pelo título já é um avanço. Dê um desconto. Também gostei da sinopse, não é assim, uma Brastemp, tem grandes chances de me decepcionar, mas não consigo ignorar um título desse. A protagonista é uma escritora, o que contribui para a minha curiosidade (gosto de ler sobre personagens que são escritores).







Dia 29 - Qual foi o último livro que você comprou?
A Culpa é das Estrelas, de John Green. Clique aqui para ler a resenha.

Dia 30 - Qual o livro que você leu esse ano que menos gostou?
Cinquenta Tons de Cinza, de E. L. James. Clique aqui para ler o meu total desgosto com a vida.

Dia 31 - Qual o livro que você leu esse ano que mais gostou?
Apesar de não ser um dos meus favoritos, O Lobo da Estepe, de Hermann Hesse, foi o livro que marcou 2012 para mim.

Nem acredito que consegui participar até o fim do meme! Ok, terminei bem atrasada, mas ainda assim, continua sendo um progresso.