29 de outubro de 2012

O meme literário de um mês (2012) - Parte IV

Dia 22 – Cite três escritores que você gosta. Fale sobre eles.
Ah, todo mundo já sabe, e eu não me esforço nenhum pouco para mudar minha resposta. Não abro mão de Florbela Espanca, a melhor poetisa de todos os tempos. Meu Deus, essa mulher é incrível! A alma dela é quase paupável em cada verso. O seu amor chega a ter um cheiro adocicado quando leio um de seus livros. Ela sofreu uma das tristezas mais lindas que já li.





Markus Zusak, o meu ídolo, o meu mestre, o meu sol, raio, estrela e luar. Eu amo esse cara. Amo dividir o planeta com ele. Jamais pensei que um dia encontraria um autor assim, tão perfeito. Foi ele quem me ensinou a criar mais e libertar minha escrita. Antes, cheia de Machado de Assis, eu mantinha minhas histórias no cabresto. Posso dizer que há a Del Lang a.M e a Del Lang d.M!




 

Mia Couto, recém descoberto por quem vos escreve, é outro gênio. Rolou um vídeo dele lendo um conto de sua autoria, Murar o Medo, e eu fiquei apaixonada. E o sotaque português? E as metáforas? E os contos? Ainda não completei a leitura de todas as suas obras, mas já posso dizer que é um dos meus autores favoritos.








Dia 23 - Com que frequência você lê fora de sua zona de conforto? Você costuma abrir os horizontes para novos escritores, gêneros, países quando o assunto é leitura ou você lê sempre o mesmo dos mesmos?
Eu adoro conhecer novos escritores! Vivo pesquisando, tanto gringos quanto nacionais, e até independentes assim como eu. Foi assim que encontrei Mia Couto, um gênio, e Suzo Bianco, um autor que tem tudo para dar certo.


Dia 24 – Cite um livro que você achou que não iria gostar e acabou adorando.
Perto do Coração Selvagem, de Clarice Lispector. Eu sempre tive um pé atrás com ela, mas resolvi conferir um pouco mais de suas obras. Continuo com um pé atrás, não gosto de grande parte do que ela escreveu, mas Perto do Coração Selvagem é de uma sensibilidade sem igual!





Dia 25 – Cite um livro que você achou que iria gostar e acabou não gostando.
Lolita, de Vladimir Nabokov. Nossa, falam tanto desse livro (e mais ainda do autor), que é um espetáculo, ótimo, maravilhoso e ZzzZzzZZz... Desde que comecei a fazer terapia, como todo bom geminiano, entrei numa fase de analisar os outros também. Lolita, portanto, não passa de um romance psicológico, cheio de gente louca do cu, que deveria estar no hospício e não na cabeça de Nabokov. Muito chato, muito errado, e forçando a polêmica até o limite.




Dia 26 – Fale de alguns hábitos literários seus.
Não presto muita atenção nisso. Um dos meus hábitos, que me acompanha desde sempre (e já o citei no meme), é ler o último parágrafo de cada livro antes de começar a lê-lo. Outro hábito é sentir o cheiro das páginas e a textura da capa.


Dia 27 – Cite um livro que você gostaria de ler, mas que por algum motivo nunca leu. Por quê?
Quando Nietzsche Chorou, de Irvin D. Yalom. Ainda lembro da febre que esse livro causou. Sabe, eu sempre tive medo de ler qualquer coisa de Nietzsche ou relacionada a ele. Tenho a impressão de que vou cair em depressão profunda ou tentar suicídio após terminar alguma obra dele. É sério, pessoal. Eu tenho medo do Nietzsche. Esse best seller está na minha lista de leitura agora, só esperando por uma brecha para ser lido. Quem sabe começando por ele, eu vá perdendo aos poucos essa insegurança e paro de achar que vou abraçar cavalos só porque li algo do tio maluco.

25 de outubro de 2012

Lolita

"Irreverente e refinado, este é um dos romances mais célebres de todos os tempos. É também uma aventura intelectual que não deixa ninguém indiferente, um relato apaixonado de uma sensualidade alucinada, uma autópsia implacável do modo de vida americano. De um lado, um homem de meia-idade, obsessivo e cínico. De outro, uma garota de doze anos, perversamente ingênua. A química se faz e dá origem a uma obra-prima da literatura do nosso século. 'Lolita' é chocante, desafia tabus, escandaliza".

Vladimir Nabokov
★★


Eu nem ia fazer resenha desse livro porque achei que vocês estavam de saco cheio, mas a Andreia pediu, comentando que as últimas que havia lido careciam de sinceridade. Eu concordo com ela. Também achei (sem generalizar) que faltou um toque pessoal em algumas resenhas que li por aí. As opiniões são praticamente as mesmas, se resumindo em cinco estrelas e no frisson que o nome do autor causa. Não sou louca de negar que o livro é um clássico, uma obra renomada, que merece o lugar que conquistou. Mas Lolita não é essa Coca Cola toda...

É um livro difícil de ler. Fato. Não é um prazer passar por todos os parágrafos milimetricamente escritos, com poucas pontuações e muitas explicações. Mas como não sou professora de português nem estudante de Letras, vamos ao enredo: eu não sei que parte da história o pessoal perdeu, mas se trata de um homem maduro querendo comer uma menina de doze anos. Não tem segredo, não tem poesia, não tem romance - Lolita é isso.
Compreendi, de repente, que lhe podia beijar, com absoluta impunidade, o pescoço ou o canto dos lábios. Sabia que ela consentiria e até fecharia os olhos, como Hollywood ensina. Um sorvete duplo de baunilha com creme quente de chocolate - seria algo pouco mais invulgar do que isso.
Humbert é um cara com nome idiota, que ficou preso para todo o sempre no seu passado com Annabel e começou a projetá-la em todas as meninas, mesmo após atingir uma idade inadequada para se relacionar com elas. Lolita é uma criança mal criada, que não gosta de tomar banho. E não se enganem em dizer que é uma história de amor, pois Humbert não amava Dolores, mas sim o fato d'ela ser uma ninfeta. O que foi comprovado em trechos onde ele anseia passar todo o tempo possível com a menina, antes que ela se transformasse em uma Lolita jovem, adulta, universitária; enquanto ela era uma menina inocente o bastante para acreditar em príncipes encantados.

Nabokov escreveu Lolita para horrorizar os leitores, provocá-los e consequentemente gerar discussões. Obviamente, nos dias de hoje isso é um pouco mais difícil - a gente não se escandaliza com qualquer coisa - mas ainda assim a obra continua produzindo discórdias. Eu, pessoalmente, não tive estômago e sequer prazer em ler as cenas em que Humbert se casa e deita com Haze, imaginando em seu lugar a filha; tirando proveito da viúva cristã e fazendo chacota da pobre coitada. Está mais para um relatório psiquiátrico feito para pesquisas e TCCs do que para um romance. Isso só poderia acabar em discussões e mais discussões, que não nos levam a lugar algum.

Para ser sincera, não tenho muito o que dizer a respeito da história como um todo. Humbert é um cara doente, que manteve Lolita debaixo de sua asa pura e simplesmente por motivos sexuais. Viajou com ela por todos os Estados Unidos (a parte mais chata do livro) e depois a matriculou em uma escola que dava vista ao seu escritório e a possibilidade de vigiá-la (até construírem algo na frente tampando suas observações). Assim, viviam em uma relação onde ele entregava dinheiro e presentinhos à menina em troca de carícias e beijos, enquanto Lolita se mantinha visivelmente desinteressada naquele tipo de vida e desenvolvia uma profunda melancolia. Também pudera! Uma garota em plena flor da idade, no topo do desenvolvimento intelectual, conviver com um filha da puta esnobe, egoísta, paranóico e prepotente feito Humbert, só podia acabar em merda. Eu não entendi o que as pessoas quiseram dizer ao mencionar "amor" em 80% das resenhas que li. Amor?! Um pedófilo privar a menina de uma vida social, ficar a vigiando de longe dentro do carro, a proibir de tudo e ainda dar dinheiro em troca de carícia é amor? Vão tomar no cu?! Obrigada.
Mas nessa altura já eu fizera descer drasticamente os preços, obrigando-a a conquistar, de maneira dura e desagradável, a autorização necessária para participar no programa teatral da escola - pois o que eu mais temia não era que ela me arruinasse, e, sim, que conseguisse juntar dinheiro suficiente para fugir. Creio que a pobre e impetuosa criatura se convenceu de que, se tivesse uns míseros cinquenta dólares na bolsa, poderia chegar à Broadway ou a Hollywood (...)
O livro inteiro é escrito de forma a colocar o leitor como júri. O que enche bem o saco já que ele poderia simplesmente contar a história assumindo seus erros porcos, sem a necessidade de se explicar demoradamente nem detalhar superficialidades (falei bonito). Mas acho que o objetivo era esse: dividir os leitores e escandalizar. A obra tem o seu valor, mas não serve para mim. É um pé no saco esse pessoal que acha ser obrigatório gostar de clássicos da literatura ou determinados autores, como o próprio Nabokov. Que se dane o Nabokov. Lolita é um livro chato, que não agregou nada em minha bagagem literária. É um clássico, ótimo, mas não funcionou para mim - o que não quer dizer que não vá funcionar para o mundo.
Que será que me excita quase até às lágrimas (quentes, opalinas, grossas lágrimas que poetas e amantes vertem)?
Lolita, Seu Vladimir. Lo-li-ta.

22 de outubro de 2012

O meme literário de um mês (2012) - Parte III

Dia 16 - O que faz você largar a leitura de um livro no meio do caminho?
Faço isso quando percebo que o escritor não tem o menor talento e é visível que ele/ela não sabe o que está fazendo. Diálogos que não levam a conversa a lugar nenhum, personagens sem ação, capítulos soltos que não se entrelaçam no decorrer da história. Cinquenta Tons de Cinza é o melhor exemplo que me vem à cabeça! É uma fanfiction com o selo da Intrínseca.

Dia 17 – Na sua opinião, qual é o propósito da literatura?
Melhorar as pessoas. Se você parar para pensar, a humanidade está registrada nos livros! Tudo, muito além dos nossos pensamentos íntimos e dos nossos problemas triviais, está escrito e encapado em zilhões de exemplares. Nos livros existe política, cultura, mistérios, segredos, receitas, verdades, uma infindade de escolhas disponíveis para quem quiser ler. Para todos os gostos e ocasiões, se queremos rir, chorar, pesquisar ou descobrir. Para mim, um livro é a melhor marca que alguém pode deixar na Terra. É com ele que podemos mudar de ideia, criar novas concepções ou destruir preconceitos. Depois dos cachorros, a literatura é nossa melhor amiga.

Dia 18 – Você costuma ler e-books?
Sim. Em época de vacas magras, principalmente. Não abro mão do impresso, mas nem sempre posso comprar os livros que quero, e nem por isso deixo de lê-los.

Dia 19 – O que você acha da elitização da literatura? (Você acha que realmente só é intelectualizado aquele que lê os clássicos da literatura? Que ler 1000 livros “de banca” não equivalem a 10 clássicos? O que você acha das pessoas que criticam a literatura “para a massa”, os blockbusters literários? É mesmo possível julgar o nível de intelecto de uma pessoa pelo que ela lê? Você tem algum preconceito literário?)
Eu sinceramente acho que leitura está ligada ao prazer. Você precisa gostar para só então poder dizer que realmente leu o livro. Mas existem determinadas obras que abrem a mente das pessoas enquanto que outras parecem fechá-las para uma oportunidade de enxergar melhor o mundo ao seu redor. Na minha opinião, encher a estante de best sellers e livros juvenis é perca de tempo. Não recrimino, de forma alguma, quem prefere esse gênero, mas o ato de ler perde completamente seu objetivo em uma pessoa que não abre seus horizontes para uma boa leitura. Se você gosta tanto de ler, não vejo problema em juntar prazer, aprendizagem e quem sabe até um pouco de discernimento e capacidade de argumentação. Como eu disse no item 17, além de tudo, livros devem melhorar as pessoas.

Dia 20 – Cite três livros especiais na sua vida.
Helena, O Gigante Egoísta e Sozinha no Mundo. Bom, Helena é o meu primeiro livro lançado, acho que nem necessita de explicação. O Gigante Egoísta era o livro que minha mãe lia na maiora das vezes para eu dormir, e hoje vejo que minha vida tem muito mais em comum com essa história do que jamais pude imaginar. Sozinha no Mundo foi o primeiro livro que escolhi por conta própria, se bem me lembro, ainda no ensino fundamental quando a professora de português decidiu ter boa vontade em nos ensinar a gostar de leitura; é também uma história que carrego até hoje.

Dia 21 - Cite três personagens literários favoritos.
Ed Kennedy, do livro Eu Sou o Mensageiro (Markus Zusak). Ele é o cara mais sensacional que você irá conhecer, e ao mesmo tempo o personagem mais comum, sem atrativos nem grandes feitos (dependendo do ponto de vista). A morte, do livro A Menina que Roubava Livros (Markus Zusak), última narradora que eu esperava encontrar em uma história, maravilhosamente caracterizada e de uma simpatia encantadora. Jason Taylor, do livro Menino de Lugar Nenhum (David Mitchell), o menino mais sensível e apertável que eu já li!

16 de outubro de 2012

A caixa de bombons

Tentei por várias vezes colocar em palavras o que venho sentindo, mas todas as expressões e metáforas falharam. O dia terminou mais cedo, e elas foram embora cabisbaixas, carregando suas marmitas vazias e os bolsos cheios de pedras. Fui obrigada a admitir que aqui não tem mais serviço. Fechamos. Lamentei que não sou mais uma escritora (se como fosse possível deixar de ser eu mesma), que tudo foi um erro, sou uma farsa, vou fazer minhas malas e me mudar para Cuba. Os vilões vão para o Caribe no último capítulo, os escritores ruins vão para Cuba.

É uma regra.

Mas as minhas sensações se esclareceram de repente, em uma terça-feira, após abrir uma caixa de bombons (não necessariamente nessa ordem). Eu amo chocolate. Não sou igual a minha mãe, que chega a entrar em lojas só para sentir o aroma, quando inventa em alguma dieta de doces, mas posso dizer que amo mesmo assim, pois cada um tem seu jeito. Quando compro, ou ganho, uma caixa novinha repleta de bombons sortidos, volto aos tempos idos de manhãs natalinas onde presentes se materializavam debaixo da árvore sem nenhum dinheiro ter sido terrivelmente jogado fora para tal. Bombons! Eu olho ao redor, pego o primeiro escolhido e saboreio como se fosse o último na face da Terra. Existe a hierarquia, logicamente. Tudo precisa de uma hierarquia, até o chocolate. E, mais uma vez, como tudo na vida, restam aqueles que não agradam ninguém. Hoje em dia chamam a isso de bullying, eu continuo achando que é uma questão de seleção natural.

Terça-feira, porém, eu abri a caixa de bombons crente de que havia guardado os melhores para o final. Os fortes fazem isso. A gente não sai devorando assim, sem respeito, os chocolates encontrados no caminho. Lembre-se da hierarquia. Nós levamos para casa, separamos por ondem de sabores, os brancos de um lado e os ao leite do outro, e então metodicamente começamos a degustá-los. É uma religião, se você ainda não percebeu. Você sai por aí mastigando hóstia de boca aberta, sem um ritual precendente nem a devida importância? Não. Então pronto. Nós não comemos chocolate como quem come biscoito. O que eu quero dizer, é que ao ver a caixa com apenas dois ou três exemplares de bombons negados pela seleção natural, eu descobri a descrição perfeita para o que venho sentindo:

Eu sou uma caixa de bombons vazia.

Não é o caso de não ter bombons dentro de mim, mas a expectativa. A gente se abre, se explora, e nos achamos pessoas boas e completas, mas no fundo não tem nada ali dentro. Nada aproveitável, pelo menos. E o que tem, você não quer. O que acontece não é segredo para ninguém: as sobras. Você se torna o acúmulo daquilo que restou. Uma montanha de coisas que não servem para você, ou que você despreza e não quer que sirva de jeito algum. O que fazer? Comer os bombons "não tão bons" mesmo assim? Passar adiante na esperança de que a pessoa saiba o que fazer? Eu optei pela reciclagem. Estou fazendo outras coisas com o que não quero, reaproveitando e transformando. Pode parecer brega, mas separar bombons é uma arte milenar.

15 de outubro de 2012

O meme literário de um mês (2012) - Parte II

Continuando o meme literário do blog Happy Batatinha. Se quiser ler a primeira parte, clique aqui. Se não quiser, bom, tudo bem.

Dia 09 – O que você acha dessa “moda” de livros que acabam virando séries?
Só vou me preocupar quando algum livro que gostei virar série. Daí eu paro para pensar se gosto ou não. No geral, eu gosto de séries! Acho que, se a história é boa, não tem problema algum. Claro, se a série fizer jus, o que é difícil, e não desgastar o livro.

Dia 10 – Spoilers te assustam?
Eu adoro spoiler! A primeira coisa que faço antes de começar a ler um livro, é conferir o último parágrafo da obra. Sempre faço isso, desde que me entendo por leitora. Eu não saio por aí caçando spoilers, mas se algum aparece na minha frente, eu leio sem pensar duas vezes. Sou feliz por isso. A má educação das outras pessoas, ou a falta de atenção (porque spoilers nem sempre são publicados por maldade), não interferem na qualidade do meu suspense.

Dia 11 – O que faz um grande escritor? O que faz um grande livro?
O sentimento que ambos conseguem passar. Seja raiva ou amor.

Dia 12 – Você prefere livros narrados em primeira ou em terceira pessoa?
Não faz a menor diferença!

Dia 13 – Cite um trecho de um livro que você gosta.
Pense nisto: quando dão a você de presente um relógio estão dando um pequeno inferno enfeitado, uma corrente de rosas, um calabouço de ar. Não dão somente o relógio, muitas felicidades e esperamos que dure porque é de boa marca, suíço com âncora de rubis; não dão de presente somente esse miúdo quebra-pedras que você atará ao pulso e levará a passear. Dão a você — eles não sabem, o terrível é que não sabem — dão a você um novo pedaço frágil e precário de você mesmo, algo que lhe pertence mas não é seu corpo, que deve ser atado a seu corpo com sua correia como um bracinho desesperado pendurado a seu pulso. Dão a necessidade de dar corda todos os dias, a obrigação de dar-lhe corda para que continue sendo um relógio; dão a obsessão de olhar a hora certa nas vitrines das joalherias, na notícia do rádio, no serviço telefônico. Dão o medo de perdê-lo, de que seja roubado, de que possa cair no chão e se quebrar. Dão sua marca e a certeza de que é uma marca melhor do que as outras, dão o costume de comparar seu relógio aos outros relógios. Não dão um relógio, o presente é você, é a você que oferecem para o aniversário do relógio.
— Preâmbulo às instruções para dar corda no relógio, Julio Cortázar (retirado do livro Histórias de Cronópios e de Famas)
Dia 14 – Você costuma frequentar bibliotecas?
Eu costumava ir quando estava no ensino fundamental. Tinha um biblioteca pública pertíssimo de casa. Ela entrou em reforma há cinco anos, não fica pronta nunca. Aqui onde moro agora não tem nenhuma biblioteca por perto. Ainda não criei coragem para pegar dois ônibus e voltar a frequentar uma.

Dia 15 – Se você pudesse escolher um único livro para ganhar/comprar até o final do ano, qual seria?
Magic 1400s - 1950s, da editora Taschen, produzido por Mike Caveney, Jim Steinmeyer, Ricky Jay e Noel Daniel. Já que este seria o único livro durante um longo ano, nada melhor do que mais de 600 páginas e muitos encantos para me distrair.

11 de outubro de 2012

Mysteria

Antes, eu quero agradecer aos comentários no texto anterior. Alguns compartilharam suas histórias, o que me deixou super feliz, pois adoro conhecer o que se passa com quem lê o Bonjour Circus. Comentários assim me ensinam que sempre há uma saída. Obrigada, de verdade, à você que me contou um pouco mais sobre sua vida! Houve também, como sempre, quem interpretou o texto a sua maneira, o que não está errado, já que a partir do momento que algo é publicado adquiri os olhos de quem está lendo - obrigada também pelos conselhos e por tentar me ajudar. De um jeito ou de outro, há dois anos vocês fazem do Bonjour Circus e dos meus pensamentos, um lugar melhor!

Eu tenho uma péssima mania: começar várias coisas ao mesmo tempo. Por sorte, eu termino todas elas custando o tempo que custar. Mesmo assim, eu vivo me atrapalhando e furando a agenda, passando trivialidades na frente de urgências e me transformando em um inferno particular com vista para o desespero. Há de ser mal do signo (repito que o horóscopo está aí para colocarmos a culpa nele). Na escrita não poderia ser diferente. Estou sim, escrevendo o meu livro de contos, mas as vozes na minha cabeça não se aquietaram enquanto eu não comecei, simultaneamente, um outro romance. Dorival me compreende.

Há uns dois anos atrás, ou talvez há um ano atrás, eu tive um sonho. Eu adoraria descrevê-lo, se eu conseguisse, mas não sei nem por onde começar. Só sei que ele inspirou uma história, cujos trechos, parágrafos e ideias estão espalhados por diversos documentos no meu notebook. Deixei isso de lado, me preocupando mais com o próximo livro, e quase me esqueci por completo até que uma nova música surgiu para tirar esse romance da gaveta.

Pois é, eles. The Rasmus lançou um novo single para complementar o último álbum e isso não poderia se encaixar melhor no que eu estava planejando escrever. Melodia e letra vieram para dar uma mão à minha pobre criatividade e reacender a vontade de produzir meu primeiro livro no genereo de literatura fantástica. Mysteria pode demorar quatro ou dez anos para ser finalizado, mas promete ser um desafio gostoso de enfrentar. Assim que eu tiver algo mais concreto para apresentar, voltarei para conversar mais a respeito. Por enquanto, fiquem com o novo vídeo do single.

9 de outubro de 2012

Um desabafo

Quem acompanha o Bonjour Circus há um tempo, deve saber um pouco a respeito do meu relacionamento com o meu pai e o quanto ele foi filha da puta comigo ao longo desses 25 anos. A bem da verdade, a missa é muito mais comprida do que venho relatando aqui, mas acho que vocês já captaram a essência do meu ódio com um ou dois textos. Bom, resumindo para você que é um leitor estreante: eu não tenho um pai, para ser mais exata. A minha mãe, de alguma forma desconhecida, conseguiu ter relações com um exu e eu nasci. Meu pai, desde que eu me entendo por gente, vem sabotando minha vida e todos os meus planos de ser alguém. Minha psicóloga acha, com base em meus relatos, que ele é perverso. Eu prefiro acreditar que ele é um filho da puta profissional. Mas o assunto não é ele.

Existe essa tal holandesa, que é madrinha de casamento dos meus pais (culpa maior não há). Eu mal conheço essa mulher, consigo contar nos dedos das mãos quantas vezes conversamos em todos esses anos. Ela vem para o Brasil vez e outra; a cada três, quatro anos. Não há vínculos sanguíneos e muito menos afetivos. Eu adoraria conversar com uma parede ao invés de perder uma hora tentando suportar o sotaque europeu dessa senhora doutora em psicologia. Dialogar com salsichas, por exemplo, deve ser mais interessante. Em uma última ilustração do caso: prefiro dactilografar a Bíblia do que passar um tempo na companhia de dona (vaca?) holandesa.

Daí essa senhora chegou no Brasil nessa semana e entrou em contato com minha família, como sempre. Chegou chegando, fazendo perguntas (interrogatório inquisitivo) e, veja você, cobranças. Esse ser humano, que nunca levantou um dedo por mim, que sequer sabe o que acontece entre o meu pai e eu, me atirou uma pedra bem no meio da testa querendo saber por qual razão, motivo ou circunstância eu:

1. Não estou estudando.
2. Não estou trabalhando em uma multinacional.
3. Não comecei a minha vida.

Em uma entonação indignada, se como eu tivesse esbofeteado sua face com uma luva de couro legítimo, essa pessoa cagada e andada se insultou com minha leviandade. Porque, olhe só, eu não quis estudar. Não estudar foi uma escolha minha. Não ter a porra de uma especialização aos 25 anos é fruto da minha preguiça. "Não ter começado a minha vida", seja lá o que isso signifique, é consequência da minha irresponsabilidade. Eu, Del Lang - bolsista da faculdade de Direito da Universidade São Judas (que foi sabotada pelo próprio pai na hora da entrega de documentos), escritora publicada, autora de uma revista independente, blogueira, desgraçada que foi deixar o couro na Suíça de tanto trabalhar porque o pai nunca pagou um puto pelos estudos, membro premium do Transtorno de Ansiedade coligado a Síndrome do Pânico e Depressão LTDA. e que ainda aprende francês e alemão sozinha. Eu, caros companheiros do júri, estou sendo cobrada por uma pessoa que nunca se importou o bastante para perguntar como eu estava indo. Estou sofrendo retaliações de um cerumano desconhecido que, olhe só, ainda tem o apoio de quem? Do meu pai. Sim, ele! Papai acha que dona (vaca? vaca!) holandesa tem todo o direito de me metralhar.


Isso é vida, meu bom Senhor, ou castigo? Não seria mais fácil tacar fogo em mim de uma vez por todas? Está divertindo para quem? Eu adoraria saber isso. Quem, afinal de contas, está às gargalhadas com essa minha tragicomédia? São muitas perguntas, de fato. A maioria, infelizmente, sem respostas. Eu só sei de uma coisa: está na cara que essa mulher não se preocupa de verdade com o rumo que estou tomando. Se assim fosse, ela seria - no mínimo, hein - mais presente no meu dia a dia. Ela teria pago um ano de curso pré-vestibular para mim, como outra amiga da família fez e nunca me ligou para cobrar alguma coisa. Ela não quer saber. Simples assim. Ela compra uma passagem aérea para o meu país, senta, liga para a minha casa em um horário extremamente esdrúxulo (às 14hrs de um domingo ensolarado, como da última vez) e começa a soltar as maiores injúrias sobre uma garota a qual ela mal conhece e não quer conhecer.

Percebam o tipo de gente que anda habitando esse planeta. Notem a espécie com a qual eu tenho que lidar. Vejam vocês com o que ela anda a perder seu precioso tempo. Uma doutora em psicologia, mãe, avó, com a vida feita na Europa, decidiu gastar sua energia comigo. Não foi bem esse tipo de fã que eu pedi à Deus.

Desculpem o desabafo.

8 de outubro de 2012

O meme literário de um mês (2012) - Parte I

Eu resolvi participar do meme no blog Happy Batatinha porque sim. Eu não gosto nenhum pouco da ideia de postar todos os dias no blog - até porque não tenho tempo e as chances de dar errado são enormes -, mas tem tanta gente na brincadeira, que eu fiquei #chatiada por estar de fora. Só que eu resolvi postar as minhas respostas em grupos, ao invés de encher o read de vocês constantemente com informações (convenhamos) dispensáveis. Espero que o povo compreenda, espero que o povo continue votando em mim.

Dia 01 – Que livro você está lendo?
Comecei a ler dois, que impacaram: O Último Judeu, de Noah Gordon, e O Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfinch. São livros legais, mas acabei atraída por outros dois, que estou lendo, lendo mesmo:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Mais de 600 páginas sobre a doutrina espírita, só 60 e tantas de introdução. Após assistir a um debate religioso na televisão, senti vontade de aprender mais sobre o espiritismo. Sou dessas que sente vontades assim. Não, não sou espírita. Sou mais curiosa do que religiosa. O livro, para quem quiser saber, é muito interessante. Kardec conta e explica cada fio de cabelo e discute religião através de um ponto de vista impossível de ser alcançado por nós, meros mortais.



Não te Deixarei Morrer, David Crockett, de Miguel Sousa Tavares. Estou numa vibe portuguesa, oh pá, e lendo tudo o que encontro de autores dessa nacionalidade. Até aprendi palavras novas e me sinto muito chique por isso. É um livro de contos, coisa que ninguém sabe fazer tão bem quanto os portugueses, que nada tem a ver com o título senão uma lembrança da infância do Miguel. Morri de amores em alguns títulos e estou preparando minha estante para receber outros exemplares dele. Vale a pena!




Dia 02 – Qual foi o último livro que leu e qual é o próximo livro que lerá?
Estação das Chuvas, de José Eduardo Agualusa, que mistura ficção com a guerra angolana. É um ótimo livro, eu quase acreditei que as entrevistas eram verdadeiras, mas como guerra angolana não é o meu assunto favorito, dei somente três estrelas na classificação. Recomendo mesmo assim.



  

O próximo livro que eu lerei... Não sei. Estou entre As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, e Dicionário da Idade Média, de Henry Loyn. Algo me diz que escolherei As Brumas de Avalon, pois preciso de inspiração para escrever Mysteria, um dos meus próximos trabalhos. Além do mais, ninguém merece livros enormes, um atrás do outro e se prender a mais de 500 páginas toda vez que começa uma leitura nova.


 


Dia 03 – Como você escolhe seus livros?
Primeiro, pelo título. Antes eu escolhia pela capa, mas estou conseguindo perder essa mania. Depois o autor e então leio a sinopse. Estou tentando mudar a ordem. Quero começar a ler a sinopse antes de qualquer outra coisa. O autor nunca me importou muito; quero dizer, ele não é fator determinante para eu ler ou não um livro, só porque é um José Saramago não quer dizer que eu vá ler.

Dia 04 – Você costuma ler certo livro só porque ele está em voga?
Quanto mais famoso, menor a minha vontade de ler. Não porque gosto de parecer cult, mas tenho observado que esses best sellers andam enganando muita gente. Alguns até sinto curiosidade de conhecer. "Um Dia", do David Nicholls, por exemplo, chamou a minha atenção e acho que vou acabar lendo mais cedo ou mais tarde. Enfim, não costumo ler livros em voga porque me decepciono em 99% das vezes.

Dia 05 – Você costuma ler graphic novels e/ou gibis?
Eu estava lendo os gibis do Thor, mas fui interrompida pela vontade de ler livros. Descobri que não tenho paciência para gibis. Prefiro romances suculentos, circenses, com centenas de páginas e sem reboots - o que costumam fazer aos montes na Marvel, DC e outras companhias. Gibis agregam um universo imenso, o qual não tenho saco para desbravar, pois quando começo a entender o que se passa, ou eles recomeçam do zero, ou acabo encontrando uma edição que pulei.



Dia 06 – Um livro que todos deveriam ler pelo menos uma vez.
O Mito da Beleza, de Naomi Wolf. É um livro que mudará sua vida. Todo mundo sabe que não sou adepta do feminismo, pois acho que hoje em dia isso virou mais bagunça do que causa. Mesmo assim, leio vez e outra algo sobre o assunto encontrando, algumas vezes, mais teorias da conspiração e paranoias do que fatos. O Mito da Beleza, porém, é um livro sério, estatístico, revelador e verdadeiro. Ok, não concordei com 100%, mas ele continua sendo uma leitura obrigatória para todas as mulheres (e para os homens que pensam com a cabeça de cima).


Dia 07 – Você já pensou em escrever um livro?
Já pensei, continuo pensando e sempre pensarei. Já lancei meu primeiro romance (essa palavra pesa demais, mas é o gênero) e já estou escrevendo outros dois. Não, não dá certo preparar duas obras ao mesmo tempo, mas é mais forte do que eu. Um deles, que é de contos, tem suas tímidas 10 páginas prontas e o outro, literatura fantástica, ainda é um feto. O importante é que ambos tem começo, meio e fim. Eu não sei se tenho talento ou não. Também não estou preocupada com isso. Para mim, basta escrever.



Dia 08 – Cite um livro que você gostaria que nunca acabasse. Por quê?
Olha, eu fico feliz quando o livro acaba, sabe. Tudo o que é eterno uma hora cansa. Digamos que eu adoraria que o Markus Zusak publicasse para todo o sempre. Aí sim! Ter milhares de obras inéditas dele é o ideal. Acho que o final do livro, muitas vezes, é melhor do que o enredo em si. Um livro sem fim acabaria com todo o objetivo da brincadeira.

Qualquer dia desses, eu publico o segundo grupo de perguntas do meme. Vou fazer o possível para vocês não girarem os olhos nem sentirem dores musculares ao se depararem (de novo!) com perguntas e respostas literárias no Bonjour Circus. Será um meme indolor, se Deus quiser.

3 de outubro de 2012

Os sete pecados da leitura

Encontrei esse meme por vários blogs e para ser sincera a minha lista está há um tempão esperando pela publicação. Como ando ocupada e sem inspiração por esses dias, acho que a hora do meme chegou. Muitas pessoas já participaram, então dessa vez esse é o motivo para não indicar alguém. Mas se você aí ainda não fez e ficou vontade, sinta-se indicado.

Ganância: Qual seu livro mais caro? E o mais barato?
O meu livro mais caro (e o mais querido da vida inteira) é o The Circus 1870 - 1950, que passou longe dos R$100. O livro mais barato é o Auto da Barca do Inferno, que custou R$7,00.







Ira: Qual autor você tem uma relação de amor/ódio?
Eu não sou uma pessoa de meio termo. Ou eu amo, ou odeio. O Jostein Gaarder é aquele tipo de autor que escreve bem, sabe se expressar, mas fica naquele papinho batido de filosofia juvenil, tipo num atoleiro, e não sai do lugar. O Dia do Curinga, por exemplo, é o livro mais porre que eu já li na vida, e mesmo assim continuo gostando do trabalho do Jostein.





Gula: Que livro você deliciosamente devorou várias e várias vezes sem vergonha nenhuma?
O Circo - As Aventuras de um Circo Viajando pela Europa do Século XIX. Além de ter o maior subtítulo da história, reune também o maior número de informações sobre a vida circense. Volte e meia recorro às páginas dele para verificar alguma curiosidade ou responder as dúvidas que algumas pessoas trazem para mim. É um livro fantástico!




Preguiça: Que livro você tem negligenciado a leitura devido à preguiça?
Quem me acompanha no twitter sabe como estou sofrendo para ler O Último Judeu. O livro não é chato, fala sobre um assunto que me interessa muito, mas não vai de jeito nenhum! Começo a ler outros livros, acabo comprando outros e ele vai ficando para trás. Existe aquele negócio de "momento para determinado livro", né? Então, acho que não estou pronta para esse. 





Orgulho: Que livro você sempre fala sobre para parecer um leitor intelectual?
A Insustentável Leveza do Ser é o livro mais du'oh que eu li, por enquanto, mas fazer o quê? Milan Kundera parece ser o querido dos exibidos, então eu sempre digo que "sim, já li um livro dele, pois é, justo esse - A Insustentável Leveza do Ser", e oculto a parte do "é uma verdadeira bosta".
 




Luxúria: Que atributos você acha mais atraente em personagens masculinos e femininos?
Mulheres tem de ser fortes, ou amadurecerem durante o enredo. Não suporto mocinhas frágeis e desprotegidas, que passam pelas páginas suspirando no parapeito da janela e jogando lencinhos na rua para o cavalheiro pegar. O homem? Inteligente, perspicaz e com um quê de gentil, sensível. Um cara sem medo de demonstrar que tem coração. Mas o que eu gosto mesmo é de cachorros. Eu amo cachorros porque eles não são pessoas. Na foto, Porteiro, o cachorro mais legal do mundo (depois do Benjamin). 



Inveja: Que livros gostaria de receber de presente?
Todos os livros do mundo. Até os ruins eu aceito, só para acender a lareira enquanto leio os bons. Ok, escolhi os três assim, mais urgentes, que eu quero ler para ontem! Se alguém encontrar em PDF, também trabalhamos, viu? Se alguém sentir pena e quiser presentear, prometo incluir vossa alteza em minhas orações.