30 de setembro de 2012

Trabalhando (ou não)

Eu queria que o Bonjour Circus fosse mais leve. Ultimamente, percebi que travo bastante na hora de blogar. Os assuntos não vem; se muito esticam um dedinho para fora da superfície e afundam de novo. Não é questão de escolher o que vou escrever, mas onde deveria haver o ponto de partida, só há uma interrogação. Na vida offline também, ando tendo dificuldades de começar alguma coisa, mais por confusão do que preguiça. Parece que minha mente entrou em descanso de tela. A ansiedade, consequentemente, aumenta. Um escritor não conseguir escrever só pode dar merda. Já me perguntei se seria a metamorfose natural dos 25 anos, ou qualquer coisa científica do tipo. Não obtive resposta. Enquanto a gente aguarda a volta do sistema, vamos tagarelar sobre o que ninguém quer saber.

As ideias estão aqui, desembestadas e nervosas, dando coices em algum lugar sombrio da minha mente. Vez e outra adestro no papel um título ou parágrafo, mas nada que ultrapasse o limite dessa demência temporária. O meu próximo livro empacou, lógico! Se não tivesse empacado, não seria meu. Pelo menos eu tenho o final, faltando somente preencher o miolo. Como eu já disse no twitter, o conto "O cara da porta 15" estará presente. Confesso que escrever contos é um tanto mais difícil do que romances, para a minha total surpresa. Pelo menos tenho a liberdade de produzir bem menos do que 200 páginas sem culpa.

Também andei ocupada com a preparação de textos para uma revista online, da qual participarei como autora. Pois é, recebi um convite, aceitei, e agora vou aparecer em um mundo paralelo ao Bonjour Circus. Escrever em uma revista não estava nos meus planos, mas compartilhar os meus textos nunca saíram deles. Portanto, juntei o útil ao agradável e espero que dê certo. As pessoas que me leem no blog fazem isso justamente por gostar dos meus textos. Já as pessoas que irão me ler na revista, farão isso porque gostam da revista. Um caos, sem dúvida.

E como era esperado, comecei de novo com essa ideia de escrever dois livros ao mesmo tempo. Graças ao The Rasmus, finalmente encontrei o título para uma história que desenvolvo desde o ano passado, e agora ninguém pode me impedir. Mysteria será um caminho difícil de percorrer, pois se trata de literatura fantástica. É, eu sei que mencionei por aí que não gosto desse gênero, mas as vozes na minha cabeça insistem. Ou eu escrevo, ou elas ficam cantando música brega o dia inteiro. Escolhas tiveram de ser feitas.

Tudo isso faz com que o meu cérebro peça arrego. A base de muito biscoito murcho de arroz integral, eu escrevo o quanto posso. O blog? Coitado, é sempre o primeiro a chorar de fome. Acho muito pau no cu essa expressão mas, são projetos que exigem uma cabeça sã e salva (coisa que eu, obviamente, não tenho) e um certo tempo livre. Além do mais, fora essa loucura do barulho, nada na minha vida tem mudado drasticamente. Eu sou um poço de mesmice. Você joga uma pedra e nada acontece - ela não afunda, não faz tibum nem boia. Faz o que, então? Muito provavelmente, ela cai da sua mão e pára na borda do poço.

Agora, imagine que louco começar a ganhar por cada texto que tenho de escrever!

26 de setembro de 2012

Inércia

Se um dia você adoecer de palavras, coisa que acontece com todo mundo, e ficar farta de ouvi-las, de dizê-las; se qualquer uma que escolher lhe parecer gasta, sem brilho, deficiente; se sentir náusea ao ouvir um "horrível" ou "divino" sobre qualquer assunto, não será com uma sopa de letras, claro, que vai se curar.
— Livro de Receitas Para Mulheres Tristes, de Héctor Abad.
O trecho continua pela descrição de um prato composto por macarrão al dente e ainda livros de poesia. A conclusão não poderia ser mais simples e acertiva: "Só os bons poetas nos curam do fastio de palavras. Só a comida simples e essencial nos cura da saturação da gula". Ainda não li o livro (mas está na lista de leitura), peguei este trecho no blog Carambolas Azuis, que sem dúvidas merece sua visita! E esse pequeno pedaço calhou tão bem no que ando sentindo. Ultimamente venho sofrendo de uma ressaca literária, se é que isso existe. Se é que eu existo, pois a crise anda séria. 

Tive de reduzir minha terapia. Antes, eu ia todas as semanas. Agora, vou uma vez a cada quinze dias. Não foi uma mudança para melhor, tão pouco decidida por mim e minha terapeuta - mas sim por terceiros. Como sempre. Aliás, por esses dias li dois textos que me atingiram de uma forma pessoal. Não, ninguém estava me provocando, leitor que só quer saber de UFC. São textos que tratam de um problema muito íntimo, profundo e ao que parece, crônico. Aquela velha mania de depender dos outros, não cortar o cordão umbilical e deixar a felicidade para amanhã, ou para quando ela quiser cair no colo. Será que posso chamar isso de mania?

Será a inércia, um vício? 

Descobri que não sei lidar comigo mesma. Privada de muitas coisas ao longo do caminho, só agora aprendo o que quero e como quero. Sim, pois há diversas formas de querer algo. Tantos jeitos e opções, que eu me encontro perdida no meu próprio mapa. Posso afirmar: não há sentimento mais desesperador. Eu escrevo, e desabafo, e me importo, mas por dentro persiste a sensação de que estou errada. "Você já disse isso antes" - e eu me repito uma vez mais. Eu reclamo das reclamações. Eu brigo com as brigas. Eu sonho os sonhos. Eu, marasmo. Ando estagnada. Assim mesmo, no paradoxo. 

Estou me deixando para amanhã. Infelizmente, não há receita para a controvérsia do tempo. "Eu adoraria" um milhão de coisas, mas me recuso a enumerá-las. Nada vale a pena, senão o voo.

21 de setembro de 2012

Sinfonia em Branco

"A história de duas irmãs é o fio condutor do romance de Adriana Lisboa. O enredo desenvolve-se através de breves relatos vividos ou imaginados, de descrições que se intercalam entre a vida e a memória, de diálogos e silêncios, o leitor se envolve no mundo de medos e pequenas maravilhas que cerca Maria Inês e Clarice. A infância na fazenda, os amores, a presença marcante do pai, os casamentos, as viagens, os descaminhos, as dolorosas tentativas de entender, tudo se entrelaça numa história carregada de intenso lirismo".

Adriana Lisboa 
★★★★



Eu não sei resenhar. O que eu sei, é comentar artificialmente sobre os livros e filmes dos quais gostei (ou não). Como o Bonjour Circus não é um blog literário nem cultural, acho que isso não tem problema. Quero que os leitores saibam exatamente o que eu senti enquanto lia, assistia, e o que eu achei da experiência como um todo. Eu sou uma leitora comum, portanto, minhas "resenhas" não podem ser nada além disso - comuns. Na verdade, eu estava interessada em ler Azul-corvo, da mesma autora, Adriana Lisboa, mas na falta de sorte só encontrei o Sinfonia em Branco que, no fim das contas, acabou por me deixar apaixonada da mesma forma. Ultimamente, tenho lido alguns autores portugueses e brasileiros por estar cansada da literatura americana e seus best sellers manjados. Toda estante chega a uma altura em que necessita de novidades, ou enfim, dos clássicos mais rebuscados e dos enredos ignorados, porém, ótimos. Desde que lancei Helena, estou curtindo essa mania de achar que as coisas boas estão sendo ofuscadas pelo marketing arrebatador das grandes editoras. Tenho até uma semi-resenha de Senhor dos Gatos; um livro tão independente quanto o meu.

Quando tinha vinte anos (antes de tudo), Tomás ficou obcecado em desenhá-la, a vizinha que gostava de ensaiar passos de ballet diante do espelho da penteadeira, secundada pelos cabelos escuros e grossos, compridos, que eram como um espírito. Desenhá-la, capturá-la, retê-la. Amá-la. Mobilizou os melhores papéis, os melhores lápis e tocos de carvão e giz pastel e começou a se aventurar naquela empresa: conhecer Maria Inês. Que estava fadada a nunca chegar ao fim.

Adriana Lisboa me lembra muito Clarice Lispector. Calma, eu não estou fazendo comparações! Tudo bem que a Lispector não é essa Brastemp toda, mas tem certo mérito. Adriana tem aquele jeito invasivo de descrever os personagens. Foi possível sentir, digamos assim, a pulsação de Maria Inês e Clarice - as protaginistas - e o calor dos dias ensolarados na fazenda, a melancolia do cachorro dormindo, a crueldade do azul do céu. É o tipo de leitura que ambientaliza o leitor, e eu me senti parte da história das irmãs que, muitas vezes, se misturam e se confundem entre si. Acho que Adriana tem um estilo parecido com Clarice Lispector, sim, mas bem menos chato. Ela usa de metáforas mais realistas e visíveis; uma leitura nua e crua, passando do presente para o passado das irmãs em um movimento sutil.

Uma, com cicatrizes gêmeas em ambos os braços, a outra, com uma cicatriz de cesariana e apendicite - Clarice e Maria Inês acabam se afastando ao longo dos anos e dos acontecimentos, sendo separadas por um segredo e uma árvore de dinheiro que não nasceu. Os homens de suas vidas, que não lhe trouxeram vida alguma, costuram o passado. Após muitos anos, elas se reencontram. Mas preferem não reelembrar o que se passou. E eu fiquei pensando: quantas possibilidades existem em uma vida só? Quais são os fatores que mudam para sempre o futuro de uma pessoa? Seria diferente? Tem como ser diferente? "Sinfonia em Branco" me surpreendeu do começo ao fim, revelando um passado desconhecido, por mais que eu estivesse dentro da história tanto quanto as protagonistas. Com um final singelo e de uma suavidade linda, eu terminei de ler o livro querendo mais.

Clarice foi procurar o que fazer. Beber um copo d'água. Olhar a comida que a Fátima, tão gentil, deixara pronta para o jantar. Lavar o rosto que o calor tornava oleoso e lavar as mãos. Olhar a si mesma no espelho e pacificar aquela consciência de que ela passava pela vida deixando muitas marcas e poucas sementes. Sair de casa pela porta dos fundos e tomar o caminho do curral e visitar aquelas esculturas velhas que estavam guardadas lá, no fundo de um armário, como num museu. Depois fechar o armário e deixá-las lá, suas antigas esculturas, até um outro momento, esperando. Deixando sua própria condição trancada num canto da alma, como num museu. Esperando.

10 de setembro de 2012

Maria Metade

Nunca quis. Nem muito, nem parte. Nunca fui eu, nem dona, nem senhora. Sempre fiquei entre o meio e a metade. Nunca passei de meios caminhos, meios desejos, meia saudade. Daí o meu nome: Maria Metade.
— O Fio das Missangas, Mia Couto

Eu detesto histórias sobre superação. Não me levem a mal, não sou arrogante nem coisa do tipo, apenas não gosto da comparação (inevitável, ok) entre um sofrimento e outro. As pessoas, para mim, são individuais demais para "olhe Fulano. Ele teve a atitude X e está em situação muito pior do que a sua". Fulano, para começo de conversa, jamais será a mesma pessoa que sofro para ser. Resumindo, é uma questão de quadrado - cada um no seu. Mas existe a tal da dotôra. Eu amo a minha doutora. A psicóloga sabe o momento certo para compartilhar, não ensinamentos baseados em quem nunca vi mais gordo, mas em histórias com cara de alguma antiga dinastia chinesa, que tem um efeito atemporal. Reparando uma leve queda na evolução do meu tratamento, ela resolveu me apresentar a águia.

É, o pássaro. No divã, escutei que quando velha (em torno de 35/40 anos), a águia sobe no topo da montanha. Eu adoraria contar tão bem quanto ela, mas vou fazer o meu melhor. Lá em cima, existe uma parede para se escorar. Então, começa todo um ritual de sobrevivência, ou ainda, um ritual para renascer (como quiser). Para viver mais 40 anos, a águia precisa arrancar todas as suas penas velhas, suas unhas, e por fim, ela bate a cabeça na parede até perder o bico. É um processo dolorido, triste, mas há uma recompensa. "Você já passou pelo mais difícil e falta muito pouco. Por que parar agora"? Ela finalizou. Segundo a psicóloga, já arranquei minhas penas, unhas, e apontou para o livro, que levei de presente em forma de agradecimento. Eu olhei para Helena, e ela olhou para mim. Por que eu não estava feliz? O que faltava para ter a sensação de dever cumprido?

Por que, diabos, tudo fica pela metade?

Daí eu me lembrei de um conto do Mia Couto - Maria Metade, que inicia este texto com uma citação. Não, eu não matei ninguém, mas ainda assim me identifico com Maria e os seus tantos incompletos. É claro que o problema sou eu. Sempre eu. Essa garota que me acompanha desde a maternidade, insistente, querendo porque querendo ser minha melhor amiga. Ela só me traz problemas, se você quer saber. Suas frases mortas em reticências são o que mais me irritam, pois a vida fica assim, um texto súbito e ruim da Clarice Lispector. A culpa sendo minha, com quem discordar? É isso, e mais nada. Ou discuto comigo mesma, ou engulo os sapos e peço para repetir.

Existe essa mazela coletiva chamada sociedade. O pombo, todavia, cagou em mim. É mais ou menos assim que me sinto na maior parte do tempo. O pior, é ter a responsabilidade disso como sombra. Antes fosse refletindo minha silhueta no chão, mas na verdade ela tampa o sol. Ser pela metade é um defeito de fábrica ou adquirido no uso? É uma escolha? Preguiça?! Acho que deve ser preguiça. "Ah, segunda-feira eu serei corajosa. Na próxima segunda-feira, não nessa". Ou seria medo? "Se eu for corajosa, vou ter que viver". Meu Deus, que pesadelo deve ser viver. A gente prefere o muro. Lá em cima, os cachorros não alcançam, as formigas não incomodam, temos a ilusão de estarmos mais perto do sol e não sujamos os pés.

Eu estou feliz com o lançamento do meu livro e tudo o que isso está trazendo. Só que falta aquilo. Estou transbordando de "não seis". Ao mesmo tempo, vazia deles. É uma coisa que ocupa um espaço desgraçado, mas não mata a fome. Um paradoxo, que tampa meus olhos na melhor parte do filme. Maria Metade. Aquela que recebe a metade de tudo e reclama pela metade. Que nem com muito esforço consegue completar o que quer que seja. Esforço? Será?! Tenho minhas dúvidas, mas taí um pensamento que jamais irei concluir.

Por agora, prossigo metade, meio culpada, meio desculpada. Por isso lhe peço, doutor escritor. Me ajude numa mentira que me dê autoria da culpa. Uma inteira culpa, uma inteira razão de ser condenada.
— O Fio das Missangas, Mia Couto

7 de setembro de 2012

O meme das onze perguntas - Parte II

Eu já participei desse meme tempos atrás, mas a Mariana me indicou no PopNoid. Como estou sem assunto, e meio que me sentindo um peixe fora d'água no meu próprio blog, aproveito a desculpa para encher linguiça.

Mentira. É que eu amo ser entrevistada.

11 fatos aleatórios sobre mim:
1. Eu lancei um livro! (ah vá)
2. A minha primeira fanfiction foi "Out of the Shadows" e é, obviamente, sobre o The Rasmus.
3. Não fui para a Finlândia em 2009 por puro medo. Ainda não me perdoei.
4. Tenho bronquite asmática, rinite e sinusite. Continuo amando São Paulo.
5. Kevin Richardson ainda dá um caldo!
6. Eu tenho gosto estranho para homens.
7. Sou alérgica a camarão.
8. Quer me conquistar? Me chame de "moça circense".
9. Nunca, em hipótese alguma, aponte o dedo para mim.
10. O homem nunca foi à lua.
11. Puta que pariu, eu amo The Rasmus!


Perguntas da Mariana:
1) Prefere ganhar um milhão de dólares ou ter um encontro com sua celebridade favorita?
Prefiro ganhar um milhão de dólares, viajar para a Finlândia e assistir a um show do The Rasmus na terra natal.
E não voltar nunca mais.

2) Com qual animal você se identifica e por quê?
Com o elefante. Não existe animal mais circense do que o elefante. Por outro lado, adoro o tigre e o leão, mas não tenho nada de felina. Sou mais pesada, inteligente, altruísta (e humilde).

3) Qual o lema da sua vida?
Sempre pode ficar pior.

4) Por que você tem um blog?
Além de gostar de escrever, eu gosto de ser lida.

5) Está sentindo saudades de alguém nesse exato momento?
Sim. De alguéns, na verdade. Eu sou muito saudosa. Vivo sentindo saudade de pessoas, coisas e épocas. Tenho a sensação de que poderia ter curtido mais ou vivido melhor determinado momento.

6) Você acredita em fantasmas?
Acredito em espíritos, o que é bem diferente.

7) Qual profissão você queria ter quando era criança?
Eu queria ser professora - sentava minhas bonecas e bichos de pelúcia em frente a uma lousa, passava lição para eles em caderninhos e corrigia tudo a noite, antes de dormir.

8) Você (ainda) assiste desenho animado? Quais?
Não. Bem que eu tento, mas percebi que minha paciência para tal se esgotou.

9) Quanto tempo por dia você costuma passar online?
Depende do dia. Às vezes tenho muitas coisas para fazer, emails para responder, livro para divulgar... Outras vezes, só confiro se está tudo bem, se ninguém morreu, e vou viver offline.

10) Liste cinco celebridades que você pegaria.
Vish. Eu sou romântica, gente. Não pego ninguém! Por isso, é difícil me imaginar pegando um ser humano sem me envolver. Logo, para me envolver, eu precisaria conhecer o dito cujo, o que é complicado já que não tenho celebridades ao meu alcance. Mas digamos que Lauri Ylönen, o compacto, seja mesmo essa Brastemp toda - poxa, eu pegava. O Fernando Anitelli! Ele é um palhaço, não precisa preencher nenhum quesito a mais. Tom Hiddleston! O mundo inteiro pegaria o Tom. Quem mais? Buster Keaton serve? Ele também foi palhaço. Por último, o crème de la crème, Christian Bale!

11) Você mataria alguém se tivesse a chance de não ser descoberto?
Não. Deixar a pessoa viver é o castigo perfeito.

4 de setembro de 2012

50,000 e mais alguma coisa

No dia 22 de setembro de 2011, eu escrevi um post de comemoração as 19,000 visitas no blog. Menos de um ano depois, escrevo sobre as cinquenta mil visitas que o blog acumulou em dois anos! Para mim, isso é muita coisa. Para quem sequer imaginava que o blog teria 50 seguidores, atingir essa marca é um grande passo. Não porque eu gosto de números, mas porque isso significa que eu não falo tanta besteira assim. Talvez, eu tenha algo de bom a compartilhar. As pessoas se interessaram nas minhas frivolidades 50,000 vezes, o que me deixa feliz!

De fato eu mudei o tom algumas vezes e até perdi o fio da meada com o lançamento de Helena, mas entre trancos e barrancos, o blog continua firme. É normal, minha gente, um blog sofrer mutações. Até porque, quem faz o dito cujo é um ser humano (se tratando de mim, um ser humano complicado). O importante é manter a cara - e dar à tapa quando necessário. Acho que consegui cumprir o que queria por aqui. Construi um público, que se identifica com o que escrevo, que gosta de participar. Criei uma marca que, antes de tudo, é minha e de mais ninguém. Eu sempre quis ter um blog meu, só meu, sobre os meus assuntos e ao redor do meu mundo. Aqui está o Bonjour Circus!

Aqui estamos nós.

Os últimos acontecimentos tem sido pesados, tanto para o bem quanto para o mal. Lançar um livro virou minha vida do avesso, me fazendo acreditar numa Del que antes não existia para mim. Tem noção do que é isso? Preciso rever muitas coisas, reorganizar outras e prioridades foram revertidas. Eu penso diferente, mas felizmente continuo pensando. Ouço pessoas, que antes me ignoravam, parabenizarem pelo livro, mandarem cumprimentos, fazerem de conta que somos os melhores amigos de todos os tempos. É engraçado. É nojento. É desesperador. O mundo está perdido, minha gente, esqueçam suas religiões. Mas eu levo na boa. O que há para se fazer senão levar na boa? Na boa e velha e indiferença.

Daqui para frente? Não sei. Já estou preparando meu próximo livro (contos), não paro de pensar em como posso melhorar o Bonjour Circus para a casa ficar cada vez mais confortável, minha vida parece começar a andar para frente e o quebra-cabeça se transforma, aos poucos, em uma tenda circense! Será que a vida realmente não pára? Há controvérsias. De qualquer forma, sejam cinquenta ou cem mil, você continuará sendo o leitor individual, com suas próprias interpretações e opiniões. Para mim, é isso o que importa.

Obrigada!

2 de setembro de 2012

Cinquenta tons de ignorância

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Grey admite que também a deseja.

E. L. James
Abandonei



Eu vivo conectada na internet acompanhando as novidades e, graças a Deus, tenho um filtro bem apurado para as coisas erradas não cairem em minhas mãos. Por isso, ignoro 80% das notícias, dicas e lançamentos que vejo por aí. Entre esses 80% de puro lixo, estava o livro Cinquenta Tons de Cinza, de Stephenie Me... Quero dizer, de E. L. James. Assim que a capa apareceu, sendo divulgada pela Intrínseca, eu me interessei. Depois, li a sinopse. Desinteressei na hora. Passei os olhos por algumas entrevistas e reportagens e o escambal: azedei. Obviamente, Cinquenta Tons de Cinza era mais um apoio para as mesas capengas das casas desse Brasil. "Ok, não vou perder meu tempo", pensei. Ignorei o livro e desejei boa sorte para aqueles que cairiam na armadilha de marketing. Isso aconteceu comigo na época do lançamento de Crepúsculo e eu sei como é ruim ser feito de idiota.

Só que (pausa para um lamento interno) todo mundo fala 24hrs por dia desse livro. Todo mundo faz resenha, comenta, faz piada, vídeos, fotos, promoções e o caralho a quatro. Para onde quer que eu olhe, tem uma gravata, uma máscara ou algemas ilustrando um texto ou um perfil ou ainda um anúncio. Alguns chamam de estratégia, eu chamo de lavagem cerebral. A velha tática das mamães: "Você vai engolir isso!" Não adianta virar a cara para o lado, você vai ler Cinquenta Tons de Cinza nem que a vida de cem crianças na Somália seja sacrificada para tal. "Tá bom", eu dei de ombros porque nasci no sistema econômico mais pau no cu já visto na história da humanidade. "Eu vou ler esse livro só pelo prazer de odiar com propriedade". Nada como odiar alguma coisa com razão, não é verdade? Daí eu baixei um PDF (posso ser burra, mas nem tanto) porque não comprar um exemplar era o meu resquício de dignidade falando mais alto.

Veja bem, eu passei o Cinquenta Tons na frente de um livro do José Luis Peixoto, tamanha a minha curiosidade (essa maldita). Note o que o capitalismo faz com o comportamento das pessoas. Ele nos obriga a blasfemar! Ok, abri o arquivo com muito medo de Deus estar vendo aquilo, e comecei a ler. Eu estaria lendo um lançamento, correto?, senão fosse pela presença de Bella, Edward Cullen e o Lobo Depilado Sem Camisa. Até conferi o nome da obra (HAHAHAHAHA) para ter certeza de que tinha baixado o santo arquivo certo. Estava tudo bem a não ser por um detalhe: Cinquenta Tons de Cinza não é um livro, é uma fanfiction. Não, pior! Cinquenta Tons de Cinza é um erro. Um amontoado de merda, repetições e sentimentos pré-adolescentes que não deveria ter saído da cabeça apodrecida de Stephenie Me... Quero dizer, E. L. James. Essa pessoa é um perigo para a sociedade. Ela deveria estar internada em um hospício de segurança máxima. Ou ao menos em algum motel com um homem de verdade, tendo sua primeira noite de sexo de verdade, e não aquele virtual, ao qual ela se acostumou devido sua incapacidade de relações interpessoais. Em tempo, Stephenie Me... Quero dizer, E. L. James deveria trabalhar carregando livros, ao invés de escrevê-los; profissão que condiz com seu estado mental de uma mula.

Eu não entendo. Juro que não entendo o que fez tantas pessoas comprarem essa bosta e fazerem disso um best seller. A garota mal sabe escrever! Todo parágrafo tem um "puta merda" ou qualquer outra expressão chula. Ela é tão virgem, que nem vagina consegue descrever, usando em seu lugar a palavra . Como assim? Lá aonde? O meu "lá" pode ficar em um lugar completamente diferente do seu. O meu "lá" pode nem ser uma parte do meu corpo, mas por exemplo: Sr. Grey tocou - Lá na campainha da vizinha e pediu um pouco de açúcar para nosso chá das cinco. Eu nunca li uma cena de sexo tão ruim e amadora como as cenas encontradas no livro. Custa a chamar isso de livro, sinceramente. Assim como uma amiga minha disse, eu já li fanfictions melhores, o que direi de livros! Eu, com 16 anos de idade e nenhuma experiência, escrevia fanfics elaboradas com diálogos mais coerentes.

Pois é, daí entra o meu calo.

Coitado, pisaram nele! Para mim, é muito difícil ler enredos assim. A minha revolta nem é tanta com quem compra esse lixo, quem gosta e divulga. A minha revolta é com a editora e o mercado em geral. A Intrínseca - uma editora que tem o Markus Zusak no catálogo, se submeter a traduzir o trabalho de uma criança da 5ª série? Depois, o quê? Vão lançar um livro com ilustrações do jardim de infância? Tentem compreender o meu ódio: eu passei quatro anos dando o melhor de mim para escrever o meu primeiro romance. Eu perdi noites de sono. Perdi encontros com amigos, almoços. Abri mão de ler, ouvir música, assitir filmes só para usar 100% do meu tempo livre. Tudo isso sozinha, suando frio, aprendendo na marra e no choro. Agora, com ele lançado, ainda tenho vergonha dos erros que sei que cometi, da falta de qualidade profissional e corro atrás de tudo o que ainda tenho de aprender para ser escritora. Porra, isso não é brincadeira para mim! Eu batalho dia e noite para vender UM exemplar. Corro atrás de divulgações, indico para todo mundo, rezo para que dê certo. Cara, eu vendi seis exemplares de Helena.

Eu disse seis.

Enquanto isso, E. L. James senta sua bunda virgem na frente do computador, escreve a maior merda de todas sem o mínimo cuidado e apreço pelo o que está fazendo, e vende milhões.

Eu disse milhões.

Por quê? Por que as donas de casa não encontram mais sexo com seus maridos flácidos? Por que as bancas não vendem mais romances eróticos de veracidade duvidosa? Por que o povo anda sem discernimento e engole tudo o que a Mãe Capital manda para dentro? É possível. Dizem que hoje em dia tudo está mais fácil, e eu infelizmente concordo. Só que está mais fácil para as pessoas erradas - e isso é difícil de engolir. Não se enganem! Apesar de dizerem o contrário, os empresários não sabem o que é melhor para vocês. Cinquenta Tons de Cinza é a prova de que algo está do avesso. Eu tolerei Crepúsculo. "Ok, acontece! Não dá para dopar todos os loucos". Mas repetir o erro? Não tenho mais faces para oferecer, desculpa. Abram seus olhos! Ler de olho fechado não funciona. O nazista Joseph Goebbels já dizia: "Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade". Pois bem, não acreditem! Cinquenta Tons de Cinza não é um livro. É uma fraude; mais uma das tantas que tentam fazer você engolir.

Me avisem quando Stephenie Me... Quero dizer, E. L. James conseguir dizer "pênis" sem, HOLLY CRAP!, enrubescer.