25 de janeiro de 2012

Cordel paulistano

Violeiros, por J. Borges
I
Eu vim aqui para falar
Sobre a Terra da Garoa
Esse pedaço de esperança
A cidade gente boa
Canto meu cordel chuvoso
É melhor usar canoa!

II
Tanta gente, tanta vida
400 e tantos anos
Tanta pressa, tanto preço
400 e tantos planos
Tanta rua, tanto céu
Tantas minas, tantos manos

III
Eu só queria musicar
Sobre o lutador diário
Povo do Brasil inteiro
Seguidores do Seu Mário
Gente dedicada à luta
Sampa é seu aniversário!

Cordel que escrevi em homagem a cidade de São Paulo, que hoje completa 458 anos! A métrica deve estar errada, mas o que vale é a intenção :)

12 de janeiro de 2012

Sonífero social

A tia precisa explicar que no texto não há generalização? Não, né. Todo mundo fez o dever de casa :)

O indivíduo me conhece e descobre que gosto "de circo" (as pessoas não conseguem dizer Arte Circense). A primeira reação é: Por que? A segunda reação, depois da resposta, é uma cara de desconfiança. A terceira reação é, normalmente, mudar de assunto. As pessoas não esperam nada além do óbvio. Vão direto da maternidade para a banalidade. Não estou dizendo que uhul! vamos gostar de circo para sermos diferentes e legais. Não. Eu não quero que você encoste sequer um dedo na lona antes de compreender, pelo menos, o que é uma vida cigana. O que estou dizendo é que a maioria não gosta de palhaço porque sim. Porque viram algum filme de qualidade questionável ou esqueceram que a vida do Ensino Fundamental acabou, e nenhuma Kombi lotada de palhaços vai te sequestrar para vender seus órgãos no Mercado Negro.

Essa Kombi nunca existiu.
Porra.

Tempos atrás li uma pesquisa onde, uma universidade aí com verba e tempo de sobra, afirmou que o ser humano vive, por toda a vida, há tantos quilometros de onde mora. Não lembro o número, mas concordei. Ninguém se distancia da zona de conforto. Isso vale tanto para o emocional quanto para o físico. Vale muito para mim também. E para você. Somos condicionados a seguir padrões pré-estabelecidos. Convivemos com os familiares, com colegas de escola, com vizinhos e quando percebemos, pronto! Voltamos de um verão na casa dos primos gostando de metal. Voltamos da casa do coleguinha apaixonados por vídeo games. Emprestamos uma xícara de açúcar para a vizinha e, poxa, queremos uma grama mais verde também. Os pais vestiram uma camiseta dos Beatles em seus bebês e, quando esses crescem, dizem com orgulho que gostam de Beatles desde sempre! Mesmo que no começo desse Sempre tudo tenha sido um acidente, ou falta de bom senso dos pais, e o fã em questão não soubesse nem comer sozinho.

Por mais forte que a opinião seja, sempre terá alguém que não vive o que diz. Ninguém quer ficar sozinho, por isso inventaram a tendência. Por isso todo mundo assiste Globo e reclama dela nas mesas de bar e discussão. Por isso milhares de pessoas lotam shows de bandas miseráveis como Guns n' Roses. Mesmo sem Slash. Mesmo após Axl Rose cheirar todo o talento que restava a ele na chegada à terceira idade. Discernimento para que, não é verdade?

Você sai nas ruas para escutar o que as pessoas acham e pensam, mas só encontra frases decoradas de jornais. Cansado disso, você vai para o outro lado e encontra frases decoradas de Che Guevara. Mesmo ele não sendo brasileiro. Mesmo estando morto. Mesmo estando equivocado. Porque, sim, Che Guevara também errou.

Oh, sou polêmica!
Não, você que é meio vazio mesmo.

Muitos precisam se valer de citações para assegurarem que pensam. Precisam da ideia dos outros para não passarem vergonha em discussões políticas. Acham cansativo criar novos conceitos e caminhos. Vamos aproveitar e reaproveitar o que já tem por aí! Vamos nos unir as mesmas causas de sempre, com os mesmos gritos de guerra e jogando pedras uns contra os outros. Vamos amarrar a sociedade na mesma solução encardida. As donas de casa continuarão donas de casa. Seus filhos continuarão crescendo homens mimados e sem visão. As meninas continuarão se denominando putas ou santas na vã tentativa de chamar mais atenção. Na irrisória tentativa de estarem certas. Mas sem perceberem que só são mulheres, nada mais, que ainda acreditam em príncipe encantado e se tornaram frustradas por nunca encontrarem um.

Tudo é vício.
Muita dependência, muita gente, e poucas pessoas.

Então, eu entro em uma conversa e perguntam: Por que você gosta de circo? Pelo mesmo motivo de não gostar de Beatles nem de Lady Gaga nem de jiló: Porque eu tenho esse direito. Sou, apesar da população. Saí do medo infantil e da jocosidade despropositada, onde todos se escondem e se misturam, e fui conhecer qualéquié dessa tenda aí. Descobri porque usavam e maltratavam animais. Hoje, sei o que estou fazendo ao defender a lei que os protege, e não apenas levanto bandeiras do Greenpeace porque maltratar animais é errado e ponto. Não. Nada nem ninguém possui ponto final. Sei o que estou fazendo e é isso que me diferencia.

9 de janeiro de 2012

Sob(re) as estrelas

Do tanto que caminhei só me sobraram os pés. Nem pedras, nem paisagens, nem caminho. Só os pés. Uma longa jornada, sim, porém insignificante. De bagagem vazia, entrei em casa descalça. Joguei a mala de um lado, joguei o chapéu do outro, e o orgulho ficou minguando os últimos suspiros na porta. Humilhado, não quis entrar. Talvez eu tenha vivido mais do que meus 20 e poucos anos são capazes de suportar. A bagagem pode estar pesada ou a alma leve demais. E agora importa? De fato, não. Os detalhes também, todos mortos de sede, foram pingando e marcando o caminho. Bati nessa porta já sem nenhum. Carreguei por muitos passos, todos eles, como mãe desesperada sem saber o que fazer. Mas os soltei. Os deixei para trás, porque a vida também é morrer.

Quero sentar e te contar, que aprendi a guiar as estrelas e levá-las onde eu queria chegar. E elas ainda estão lá, duras e secas, só esperando alguém para iluminar. No quintal, vá lá! Estão todas nos olhando com os olhos fixos e atrevidos. Ah, as estrelas... Uma delas, a menor, tinha nome. Falava baixinho, tão baixinho, que fingi entender qual era. Tagarela, conversou o caminho inteiro, perguntando para onde eu estava indo e se havia fugido de alguém. Dei um sorriso. Aquele no canto da boca.

— Fugindo, eu sempre estou! - exclamei - Porque se não fugirmos, o que há de vir atrás de nós? Nada! As borboletas voam porque querem ser vigiadas, e precisam mudar de flor. Pois! - eu sorri - Aí de cima, é possível ver de um tudo. Aqui embaixo, pobre de nós, há quem não enxergue a um palmo do nariz. O que dirá de enxergar a si mesmo!

Fugi, eu respondi à estrelinha. E fujo sempre que há oportunidade. Por mais detalhes que eu perca, por mais passos que eu enfraqueça, hei de ver o Tudo. Quero ver o Inominável com esses olhos que a Terra há de comer! E a estrelinha ficou calada, prestando atenção nesses meus olhos que não brilham mais.

— Sem orgulho, mas de pedregulho na mão! Porque sei me defender, dos outros e de mim. E sabendo isso, o resto se aprende andando. Ainda tenho os pés e esses não me falham, estrela.

O céu abriu seu melhor sorriso. Aquele celestial. E caminhei de volta para cá, mais vazia do que fui, mas os pés sobraram. Os 20 e poucos anos ficaram, se acumularam, e curtem com minha cara. Não sou nada nem serei. Agora eu sei! Voltei com as estrelas de guarda-chuva, menos do que costumava ser. Viagem insignificante, sim. Mas escute as estrelas contarem. Elas nos dizem, serenas, que o Inominável não tem significado e não há caminho que nos leve ao seu encontro. Sinta apenas entrar pelas narinas e navegar nos pulmões, o sopro do Tudo. Porque esse Tudo, de muito bom grado, se você deixar, vai querer caminhar em você e te descobrir.

A vida cansou bastante, mas cá estou. Logo, logo, eu fujo de novo.

PS:Como podem ver, acabei mudando de novo a fonte do blog. Também estou acostumada com essa, é cheia de charme :)
P.P.S: Decidi cancelar a Cápsula do Tempo desse ano. Peço desculpas a quem já inscreveu, mas acho necessário colocar algumas mudanças para que o projeto funcione melhor. Mesmo assim, dia 31 de janeiro ainda está de pé, e quem participou deve publicar sua cápsula!

6 de janeiro de 2012

Metendo metas

Estou fazendo uma imensa reciclagem emocional. Acumulei muitas raivas e mágoas durante minha vida e deixei muitas coisas incompletas também. Isso não é exclusivo, sei que todas as pessoas também carregam uma grande carga emocional. Cada caso é um caso, e no meu a maioria dos problemas surgiram dentro de casa. Não que eu vá cair na besteira de enumerá-los aqui!

Essa faxina é bem detalhada e dolorosa. Não é fácil deitar no divã e desfiar todos os contratempos pelos quais passei. Algumas pessoas dizem que é um absurdo pagar para alguém ouvir nossas reclamações. Essas pessoas, graças à Deus, devem ter amigos e familiares o suficiente para recebê-los com todo o carinho. Essas pessoas, felizmente, não sentem dores musculares terríveis por conta de problemas emocionais. Porém, infelizmente, essas pessoas jamais irão conhecer seus defeitos e passarão pela vida sem ter conhecimento de suas atitudes e muitas outras coisas. Porque nós, respeitável público, somos nosso maior desafio.

Na última consulta minha psicóloga chegou com uma novidade. É, se como minha vida não fosse repleta de novidades, ela chegou com mais uma. Eu aqui, pensando até fritar meus botões e me virando do avesso para me tornar uma pessoa melhor (para mim mesma!), não preciso de mais novidades nem descobertas surpreendentes. A psicóloga pensa diferente, claro, e decidiu me dar uma Lição de Casa.

— Quero que você pense em dez metas para 2012!

Assim, sem anestésico. Dez metas. Eu, que mal consigo escrever um meme, tenho que pensar em 10 metas para minha vida real. Essa vida que mais parece uma tenda toda esburacada e encardida, que o vento invade pelas fendas e faz aquele assovio macabro de arrepiar. O assovio do abandono. Então, logo que ela me disse, franzi a testa porque a) é uma pegadinha?; b) foi para mim ou meu Eu Lírico?; e c) o que são metas, doutora?

O que são metas, caro público de respeito? É pavê? Cumê? Fudê? É para perdê tempo pensando, pensando e pensando sem sair do lugar. Porque, veja bem, faz muito tempo que não estipulo metas. Isso se algum dia o fiz! Sinceramente não me lembro. Preferi escrever que faz tempo que ao invés de nunca fiz. Ando precisada de autoestima (mesmo a falsificada). Concordei em fazer minhas metas, todas bonitas e escritas para não esquecer. Concordei, mas não faço a menor ideia de como começar. Também não faço ideia de qual desculpa usar quando ser perguntada sobre elas. Eu e vocês sabemos que não serão feitas. Com muito custo consigo pensar em duas, ainda assim, com cara de meme blogueiro. É, eu concordei como quem coloca em si mesmo o laço da forca. Vamos lá, quebrar o pescoço cantando muito contente já que se correr o carrasco pega, se ficar a corda tranca.

Portanto, seria a primeira meta não ir contra meus princípios? Dizer não, quando é não? Mas o que são princípios, público circense? Vejam vocês, ando carente de auto-respeito. Carente de tudo, na realidade. Mas vá lá: #1 Princípios. Uma meta até bonita, profunda, mas não é algo que eu possa realizar com atitudes. E justo o que minha psicóloga quer é atitude! Valeria a tentativa anotar: #1 Princípios #1 Atitudes? Mas acho que ela não cai nessa. Além do que, é possível ver de longe que não sou uma pessoa de atitude. O que dirá minha psicóloga que me analisa a quase um ano! Atitude? VOCÊ?! Há.Há.Há! Nenhum profissionalismo será o suficiente para me libertar da verdade humilhante.

Enfim.

Peguei uma folha em branco do meu caderno e comecei a rabiscá-la. Dizem que as ideias sempre surgem quando estamos distraidos, mas acho que isso não se aplica quando estamos fingindo. Desenhei muitos bonequinhos, um sol que sorria, uma tenda torta e várias letras de músicas. Nada de metas. Cheguei a conquistar a grande superação de escrever o número 1, mas nada além disso. Logo, esse número se tornou um bonequinho que corria, pois desenhei bracinhos e perninhas. Ainda fiz três riscos para ilustrar que corria rápido. Depois de algumas horas ali, rabiscando o papel, o resultado foi algo assim:

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Uma lista de supermercado.
Talvez minha única meta seja o autismo.

Não que eu seja uma pessoa sem metas. Eu tenho, sei que tenho em algum lugar. Provavelmente de paredes descascadas, goteiras e ninhos de rato, mas ainda assim um lugar. Preciso pensar até a cabeça doer, mas com ou sem mapa, eu encontro esse lugar!

PS: Modifiquei a fonte do blog. Melhorou, piorou ou não fez a menor diferença? Respondam nos comentários, por favor :)

4 de janeiro de 2012

Retrospectiva Bonjour Circus 2011

Resolvi fazer uma retrospectiva blogueira porque sim. Apesar do meu rebento internético ser muito novinho, já agregou muitas coisas e pessoas e acontecimentos. Já está mais do que rodado em redes sociais e perambulou por todas as fofocas do estilo "Um passarinho me contou!"

Eu duvido muito que eu vá fazer isso de novo ano que vem...

O ano fecha com mais de 90 textos publicados, 19 não terminados e quase 40 na fila de espera. Sim, eu escrevo um monte de bobagens que são atropeladas por outras bobagens causadas pelo cosmo, que merecem a luz do sol antes dos renegados (ou famigerados?) textos da tag alter ego. Desses 90 e tantos, os mais lidos foram: 1º lugar com Cadê meu Dono?; 2º lugar com Seis coisas que eu gostaria de fazer e ainda não fiz e 3º lugar com UniverSo Paralelo. O que me faz pensar que vocês adoram cachorros, acham que sou tão exótica que correram para conferir a lista do que quero fazer e querem mais é ver o circo pegar fogo com as minhas opiniões contrárias e primitivas.

Comemorei o primeiro aniversário do Bonjour Circus com um dos meus textos fictícios preferidos: Todo dia é dia de circo. E também, pela primeira vez, revelei a todo mundo as músicas que fazem parte da minha vida com a mixtape "A garota 100 faces", na comemoração de 100 textos. A playlist, porém, ganhou novas músicas desde sua publicação e talvez mereça uma segunda rodada. Os meus textos favoritos não foram para os mais lidos nem coroam algum dia especial, mas ganham um espaço agora: em 1º lugar 600ml, que foi o maior e mais complexo desabafo que já fiz, onde metáforas jamais serão compreendidas. Em 2º lugar Que seja eterno enquanto sempre, que é simples como todo amor deve ser. E por último, em 3º lugar, o Pelas bordas, que foi escrito de coração aberto.

Eu não poderia deixar de mencionar o E aí você entrou na minha vida, texto pelo qual tenho um enorme carinho, e também o Eu mãe?!, que mostra um lado "gente grande" que nem eu sabia ter.

O Bonjour Circus passou de "endereço na internet que abriga textos" para O Lugar Onde Registrei Minha Metamorfose. Como todo blog feito com carinho, o BC conquistou um pedaço do meu dia a dia e parte das minhas ideias. Aqui conheci novas pessoas maravilhosas, que me preenchem com crônicas requintadas, ternura, companheirismo e muito carinho.

Por isso digo que sim, pari o Bonjour Circus. Mas ele só está crescendo forte e bonito por causa do carinho de cada um de vocês: o meu Respeitável Público!