28 de dezembro de 2011

Últimos registros de 2011

Oi, gente boa.

O ano foi curto para todas as coisas que eu gostaria de postar aqui, no Bonjour Circus! A fila de textos está enorme e algumas coisas, infelizmente, perderam o sentido devido a espera que sofreram. Mas tudo bem, 2012 chegará para colocar tudo em pratos limpos. Até porque, se esse bloqueio mental circense continuar no próximo ano, minha lista de textos será rapidamente consumida. Então, eu serei obrigada a entrar em Hiatus e vocês irão me odiar. A fofoca irá me consumir por inteira, eu entrarei em depressão ao ouvir as pessoas dizerem que o sucesso (que não existe) subiu minha cabeça e eu chorarei por dias inteiros. Daí eu fecharei o Bonjour Circus e o mundo voltará a ser um lugar inóspito.

Desculpa, a TPM chegou mais tarde esse mês.

Depois de um post revoltado e sangrento, venho em missão de paz para registrar no Bonjour Circus as últimas migalhas do ano, que remanesceram após a publicação de textos que mereciam um Nobel! a sombra das obras literárias. Olha, a minha vontade de escrever é Z.E.R.O porque eu deveria estar de férias em Fernando de Noronha ao invés de trabalhar. De todos os lugares sensacionais onde eu poderia estar, o cosmo resolveu que está de bom tamanho ficar na frente do notebook escrevendo como se não houvesse o amanhã. Por isso, vou emporcalhar o texto com tópicos sem a menor vergonha na cara.

#1 Eu sei que meu texto anterior não teve nada de natalino, mas estou aqui para a retratação:
No quesito sentimentalóide, o Natal errou miseravelmente. Eu nunca tive uma família para juntar nas festas de fim de ano, portanto, não sinto falta disso. O problema é que nem meus pais gostam de reuniões aqui em casa. Cada um almoça/janta em um horário e, quando nos esbarramos pelos cantos, grunhimos ferozmente um para o outro. Mais ou menos como o Lobo Descamisado e o Vampiro que Brilha da saga Crepúsculo, acho. Ou talvez em melhor qualidade cultural. De qualquer forma, pecamos nos valores familiares, mas não deixamos a desejar no quesito material! Papai Noel esse ano estava obeso, coitado. Registrei o mais importante dos presentes só para colocar aqui. Não sei, as pessoas gostam de fotos em blogs. É um tanto sem lógica, mas a sociedade funciona assim mesmo.

DVD Segundo Ato, dois moletons e adesivos.

Pois é. Na falta de um moletom, ganhei dois moletons pretos da Zaluzejo Comercial! Mamãe comprou um dia, o namorado comprou no outro, e Seu Odácio deve estar encafifado com a logística da família dessa tal "Del Lang". Ô povinho louco do cu! Mas tenho que dizer que cheguei ao nível taquicardíaco de felicidade. Agora tenho dezenas de adesivos para colar até na testa do Benjamin, o dvd do álbum mais foda da trupe e um moletom sobressalente para trocar por chaveiros e pelo bem maior dessa nação: Fernando Dudu Anitelli!

Posso, Seu Odááááácio?!

#2 Eu sei que já fiz uma faxina homérica na minha Bat Caverna, mas teve outra:
Dessa vez natalina. Porque sim. Não sofro de TOCs, mas estou bem perto deles. Digamos que em negociação. Pouco antes do Natal, revirei mais uma vez meu quarto para me desfazer de todos os exus que se escondem nos cantos obscuros. Claro que não encontrei muitas coisas, já que a faxina de primavera foi o maior - e único - Epic Win! do meu ano. Mas mesmo assim, encontrei livros em lugares errados e coisas que não condizem mais com meu estilo de vida atual. Tipo uma carteira. Para que eu vou querer uma carteira?! Guardei a bonita longe do alcance dos meus olhos, que é para entrar em 2012 sem lembranças de pobreza aguda. Também encontrei um pacote de Ruffles pela metade, ou seja, recém aberto. Sim, porque eles já vem pela metade de fábrica (piada pronta). Bombons que ninguém gosta e sempre restam solitários na caixa, notas fiscais de quem compra esmalte e Tic Tac na farmácia, dvds e presentes importantíssimos de pessoas maravilhosas que foram esquecidos na escuridão da gaveta e muitas outras coisas.


O que restou dentro da gaveta, os livros e mísera coleção de canecas arrumados e a caixa de recordações atualizada. Clique para aumentar! Guardo meus livros dentro de um armário porque a) cansei de limpá-los toda semana para tirar o pó e poluição que se acumulam e b) porque não faz sentido colocá-los na estante!

#3 O Tony tosou-se:
É, tosamos o coitado do Milu! Digo, o coitado do Tony! Ele estava sofrendo bastante com o calor que fazia aqui, no extremo sul esquecido por Deus. Resolvemos que ele seria encaixado na agenda do Pet Shop e lá Tony ficou por um dia inteiro. Chegou em casa pulando em todo mundo, com cara de calango, e feliz da vida por estar 10 quilos mais leve e refrescado.

Para encerrar, vou contar que sem querer acabei fazendo outro layout para o Bonjour Circus. Sem querer porque abri o layout de teste só para ver se um código iria funcionar no The Rasmusologia e, quando dei por mim, estava retocando o que seria a nova cara do BC. Não sei se devo ou não usá-lo. Já estou acostumada com a cara daqui e acredito que vocês também. Por outro lado, não seria nada mau começar o ano com um layout novo. Mesmo que a novidade não dure nem duas semanas.

Acho que essa semana será agitada por aqui. Como eu disse antes, o ano foi curto para tudo o que quis postar e acabei me atrasando com a linha de textos. Por consequência ainda tenho a Retrospectiva do blog para postar e um último post do ano que eu gostaria de deixar aqui. O Ano Novo é no fim de semana e já estamos na quarta-feira, ou seja, só por milagre mesmo para conseguir fazer isso!

Aliás, tenho a sensação de que o meu 2012 se sustentará a base de milagres. O que pode ser assustador, bom ou ruim. Infelizmente, só irei descobrir isso no decorrer da história...

14 de dezembro de 2011

Os meus cinco pedidos

Eu disse que o BC sofreria uma overdose natalina.

Eu tinha uns 8 anos quando escrevi minha última cartinha para o Papis Noel. Não lembro o que escrevi nem os meus pedidos, mas tenho certeza que eram Barbies. Não mencionei a Paz Mundial, o que é uma lástima, já que uma criança que pede isso se torna um adulto bem aventurado. Só porque o cosmo acha bonitinho mesmo, na verdade, isso vale tanto quanto as orações de Justin Bieber pela África. Mas seja lá o que for, sei que ganhei o que pedi porque meus pais leram minha carta entregaram pessoalmente ao Papis Noel, após desbravarem as terras nórdicas em cima de seus trenós puxados por huskys. Tudo isso em uma única noite, aquela mesma, onde acontece o que mesmo? Ah, é. Os presentes, dãr!

Mas o que irei abrir no Natal se não pedir nada antes? Papis Noel pode ser muito inteligente e rico, mas ainda não desenvolveu as habilidades de uma cartomante. Trágico, eu sei. Dinheiro realmente não compra tudo. Então, já que mostrei o link do Bonjour Circus para ele ficar orgulhoso de mim, é aqui mesmo que farei minha carta. Quem quiser aproveitar para deixar algum pedido nos comentários, sintam-se a vontade porque o Papis está de olho. O que eu não faço para encher linguiça nessa bosta... 

#1 A Paz Mundial:
Será que ainda dá tempo de pedir isso para ganhar um bônus? Porque, veja bem, eu só tenho 24 anos de idade. Eu poderia estar na balada, poderia estar no salão de beleza ou viajando para Porto de Galinhas - o antro de orgia. Mas estou aqui me preocupando com a paz alheia. Enquanto os outros, vamos combinar, estão cagando e andando para a minha.

Porque ó, cansei. As pessoas esquecem meu aniversário. As pessoas chegam de mãos abanando e "mas você disse que não queria presente". E eu não quero mesmo porque o amor e carinho e consideração são muito importan... não! Não, Brasil. Não é assim que a sociedade funciona, não é desse jeito que a gente brinca. Se for para se valer disso, por favor, não desça para o Play. Aos interessados, favor comparecer ao link citado e fazer essa lista encurtar um pouco.

#3 Sistema Matrix de Aprendizagem
Então, já que não rola mesmo dinheiro para meus estudos de piano e francês e tecido e finlandês, será que posso ter uma daquelas máquinas usadas na dimensão de Matrix? Aquela lá, que você conecta uma entrada de USB (?) na nuca e toda uma aula de culinária, sei lá, é baixada para seu cérebro. Ou seria mais fácil pedir uma pequena verba doada por alguma Ong? Será que essas Ongs ainda protegem qualquer animal em extinção ou só os importantes?

#4 O guarda-roupa da Mariannan
Eu poderia ficar correndo atrás do senhor o ano inteiro, tentando ser uma boa menina e perguntando se o senhor anotou isso, aquilo e aquela outra coisa lá que fiz em busca de méritos. Tudo isso para completar meu guarda-roupa, que se encontra em ruínas assim como uma cidade pós-guerra, graças aos remédios que me proporcionaram 8 quilos a mais na balança (ou melhor, no quadril). Mas ao invés disso, vou resumir meus pedidos - e boas atitudes - em um único guarda-roupa alheio, situado na cidade dos meus sonhos. Mariannan é uma menina finlandesa, residente em Helsinki, que tem o guarda-roupa mais lindo que já vi por aí. Qualquer "look do dia" chora e fica depressivo após visualizar o que é ser bem vestido de verdade. Quero para mim. Quero agora. Quero morar em Helsinki também, se não for pedir muito.

#5 A paz de espírito
Pois de nada adianta desejar a Paz Mundial, enquanto os Homens não conseguem encontrá-la em si mesmos.

2 de dezembro de 2011

No meio do caminho havia um palhaço

Sabe como é, né? Nem sempre estou com saco para esse negócio de terapia. Há umas duas semanas, talvez mais, não tenho o que contar para minha terapeuta. Descobri que não tenho problemas, foi o que eu disse à ela. Não tenho problema nenhum. Mesmo. O problema são os outros, sempre eles, com seus infernos pendurados em colares lindos da Channel. Os outros enchem minha cabeça de porcaria, pesam o mundo deles nos meus ombros e ainda por cima me cobram muitas coisas e atitudes. Eles cobram desculpas. "Por que essa menina não pede desculpa? É falta de educação!" Não, é falta de porrete mesmo, para afundar a sua cabeça. Mas como minha terapeuta recomendou que eu domesticasse meu Monstro Interior, estou me valendo de sorrisos amarelos e desculpa, mas o meu pinico ficou na outra bolsa! Esse pinico, coitado, sempre cheio com as merdas dos outros. Enquanto eu, toda imbecil gentil, faço nas calças mesmo.

Veja você, domesticar meu Monstro Interior. Que coisa fina de se dizer. Eu faço o que? Dou Biscrok? Ensino a sentar e a grunhir? Acho que o meu caso é de abate mesmo, mas não tive coragem de demonstrar tamanha visão realista para minha terapeuta tão otimista. Talvez ela também não tenha coragem (ainda!) de ser franca comigo, de trabalhar com o preto no branco, de tacar fogo no circo e dizer "Querida...", com aquela voz serena de Papai Noel, "acho que devemos parar por aqui!" Porque, olha, eu sou uma raridade. Sem querer me gabar, mas ainda está para nascer pessoa tão apta quanto eu a encontrar sociopatas. Tudo bem que existem em maior número aqui, do outro lado do muro do hospício, mas todos concordamos que metade deles passou ou está passando lentamente pela minha vida. Matar assim, um tiro e pronto, não tem graça. Antes arrancamos as unhas, depois os dentes e então desfazemos o quebra-cabeça aos poucos.

Enfim.

O que eu queria contar é que estava lá, tentando encontrar qualquer coisa para desabafar ou contar para minha terapeuta, que esperava ansiosa por mais um capítulo da minha odisseia. Sou uma nova e reluzante enciclopédia da Psicologia, acreditem. Então, comecei a trabalhar meu lado sensitivo com ela. Eu tenho um. Claro. Não tenho problemas nem sou freak o suficiente para viver em paz daqui para frente. Eu precisava ser sensitiva também. Porque sim. Desse jeito tem mais graça para o cosmo. Comecei a contar que estava eu, sossegada em casa, pensando em desgraças (síndrome do pânico manda lembranças) quando penso, involuntariamente, em um amigo meu. Não o vejo há anos e nossos caminhos são dificílimos de se cruzarem nessa Sampa de meu Deus. Só Facebook ajuda de vez enquando. Daí contei tudo isso e no quanto foi estranho começar a pensar nele e ter a sensação de encontrá-lo logo.

— Quando desci do ônibus, quem estava lá?
A psicóloga anotando ferozmente para depois repassar para seus colegas psicólogos. Talvez pensando "Freud que me perdoe, mas ele não sabia de nada!"
— Esse meu amigo. Ele mesmo!

Foi pano para a manga. Até livro emprestado ganhei. Alguma coisa com Jung e símbolos, mas não lembro o título. Só sei que estou ansiosa para começar a lê-lo porque eu sou estranha. Sério. Tenho consciência disso, ninguém precisa ficar com vergonha de me dizer.

Com essa história de sensitividade e o escambal, acabei ficando um pouco agitada. Não tenho certeza, mas acho que comecei a falar alto e a rir assim, do nada. Sou dessas. Porque se eu não rir do nada, não vou rir nunca. Que lástima. Mas a terapeuta percebeu, óbvio, e perguntou se eu havia feito "técnica de relaxamento" antes. Não, nunca fiz. Até porque, pela altura dos meus ombros tensos e meu olho direito sempre pulando, fica explícito que sou o tipo de pessoa que vive na adrelina. Não me chamam de Porra Loca a toa, minha gente.

Levando uma resposta negativa cheia de risadas, minha terapeuta fechou a janela da varanda, desligou as luzes da sala deixando apenas um abajur fraquinho aceso, e pediu que eu me sentasse o mais confortável possível. Feito isso, ela começou a pedir que eu imaginasse certas cenas. E a vontade de rir? Só Jesus na minha causa. Fiquei ali, sentada de olhos fechados e pernas esticadas, me segurando forte para não rir da situação na qual me meti antes de chegar aos 30 anos. Em plenos 20 e poucos anos, fazendo relaxamento para não infartar.

Quem já fez terapia ou técnicas do tipo deve saber como funciona. É aquele negócio de imaginar um campo com flores, ventinho fresco e sol morno. Depois, ao longe, aparece uma montanha forte, bonita e imponente. Vou confessar que é genial as sensações dessa técnica, fora a tranquilidade que passa. Quando cheguei aos pés dessa montanha (que depois ela me contou ser meu subconsciente), havia um atalho que me levaria até uma caverna lá dentro. Fiquei meio atrapalhada de imaginar tantos detalhes assim, já que minha cabeça estava 100% ocupada com a decoração da montanha, colocando ninho de passarinhos, vegetação rasteira, até horta eu plantei. Mas tudo bem, fiz um atalho meia boca e consegui entrar na tal caverna que ficava dentro do meu subconsciente.

— Dentro dessa caverna há uma fogueira - a terapeuta disse - Há um sábio sentado ao lado dessa fogueira, consegue vê-lo? (sábio que, segundo o que ela explicou depois, representa meu Eu Interior ou alma, depende de como cada um prefere chamar esse troço ae.)

Franzi meu cenho no imaginário porque, opa, desculpa. Caverna errada?! Havia um palhaço sentado ao lado da fogueirinha. Um palhaço. Sabe palhaço? Esse mesmo. Todo chique, tipo Anitelli, em trajes dos bons com detalhes dourados e chapéu. Havia um palhaço sentado dentro do meu subconsciente, cutucando a minha fogueira. Por um tempo fiquei sem ouvir o que a terapeuta dizia, só saboreei esse momento... único. Como diabos posso descrever esse tipo de coisa? A terapeuta pediu para que eu me sentasse de frente para ele e lhe fizesse uma pergunta. Oi? Uma só? Foi um momento tenso, muito tenso. Fiquei sem saber se perguntava o que, meu Deus, ele estava fazendo ali ou, sei lá, por qual motivo sou assim. Por que estou imaginando um palhaço? Como esse palhaço foi parar aí? Exagerei na dose de Teatro Mágico? Eu sou doente assim, de um tipo irreversível? Todas as estações e reencarnações? Apodreci?

Fiz todas essas perguntas, e a terapeuta já narrando minha saída da montanha, enquanto o palhaço ficava quieto, sem me olhar nos olhos, só cutucando a fogueira. Até que ele deu uma risadinha de ombros e sentenciou: Vai ficar tudo bem!

... ?

Tapa na cara da sociedade. Transgredi a raça humana. Talvez ele quis dizer que "Fica tranquila que no hospício é todo mundo gente boa." Somos todos boníssimos, Seu Palhaço, só ainda não sabemos disso. E até descobrirmos, teremos que viver assim mesmo, na lei da caça. Mas ficarei tranquila, já que o palhaço dentro do meu subconsciente (presta atenção nessa frase!) disse que ficará tudo bem. Nem meus remédios controlados são capazes de discordar dele. Vou te contar, é uma coisa poderosa.

Ao abrir meus olhos, a terapeuta esperava ansiosa (claro) pela revelação do que há dentro dessa minha cabeça que, com certeza, ela jamais viu igual em mais de 30 anos de profissão. Como contar? Fiquei no conto/não conto. Se eu contasse, corria o risco de ir dali direto para o Gardenal na veia. Se eu não contasse, jamais iria descobrir o que acontece comigo. Mesmo com o medo dos remédios de tarja preta, acabei contando...

Logo depois de terminar a descrição dos fatos, ela se ajeitou na cadeira. Meio sem o que falar. "Cada um imagina esse sábio de um jeito diferente?", eu perguntei super esperançosa. Ela contou que o comum (hahaha adoro quando inserem a palavra "comum" na frase para me diferenciar das pessoas normais) era imaginar um velhinho de cabelos brancos e barba longa. Mas convenhamos que coisas comuns para mim, pessoa que transcende a Humanidade de tão errada que é, não são o suficiente. Nunca serão.

— Na próxima consulta vamos conversar sobre essa coisa de circo, tudo bem? - ela disse toda gentil.

Gentil, sim.
Porque, na dúvida, é melhor não me contrariar.