31 de agosto de 2011

BlogDay 2011

ARGH! Quase me atrasei, pombas! Ano passado eu tinha acabado de criar o Bonjour Circus, e não tive tempo o suficiente para me acomodar na blogosfera e conhecer os blogueiros mais chubirubas para participar do BlogDay. Mas agora, mermão, tia Del te oferece O Maior Espetáculo na Terra!


O blog contagioso de Anna Vitória foi um dos primeiros que conheci. Se bem me lembro, o "Entre estantes" me deu as boas vindas. Assim que terminei o texto, soube na hora que jamais deixaria de visitar aquele blog. Uma menina que transborda personalidade só poderia mesmo ser uma ótima blogueira. Pôneis, Beatles, Audrey Hepburn, Chico Buarque e as ideias e rotina de uma garota muito especial para mim!


Conheci a pouco tempo a Babi e seu cantinho aconchegante. Ela adora fotos e escreve maravilhosamente bem! Um dia, quando eu crescer, quero ser como ela. Quero ter a mesma sensibilidade e o mesmo olhar crítico. Seu texto sobre o final da saga Harry Potter foi o melhor que alguém poderia escrever, e eu fiz questão de dizer isso para a Babi. Apesar do pouco tempo, seria injusto deixá-la de lado no BlogDay. É muito amor, Brasil!


Eu sei, ficou até chato recomendar o blog do Rob Gordon porque todo mundo faz isso. Mas não seria BlogDay sem o nome dele na lista, gente! E que fique claro que só o conheci por "culpa" do So Contagious, que também o recomendou uma vez. É viciante, emocionante e engraçadíssimo seus textos. Rob Gordon faz de uma simples ida até a padaria uma saga completa de Star Wars. Acha impossível? Vai lá, então! Depois de enxugar as lágrimas (de tanto rir ou de se emocionar) você me conta o que achou.


Primeiro o nome. "Putz", o cosmo disse para mim, apoiando um braço no meu ombro, "Nem para você pensar em criar um nome desse, hein? Já pensou? Lauri Ylönen Gritou Meu Nome!". Pois é, mas não pensei. Achei que seria um blog groupie lotado de gritos afeminados de uma fã, mas é só uma garota querendo dizer para o mundo como ela vê as coisas. E, olha, ela enxerga bem, viu? Tatiani ama o Elvis Costello e escreve sobre tudo. De um jeitão que só ela sabe fazer!


Sou fã! Logo, sou suspeita para dizer qualquer coisa sobre o blog da Isadora. Eu gosto muito de ler sobre a vida das pessoas (e isso não inclue fofoca). Procurei listar aqui os blogs que mantem essa linha de postagem, e Is Adorable é um modelo para mim. Sem frescuras, sem forçar a barra para parecer lindo e lírico. Simples, cru e sincero. É outro blog que acompanho e penso: É, ainda vou escrever assim um dia!

Pronto, minhas cinco joias raras desse ano! Eu sou uma boba que quer incluir todo mundo que leio e comento, mas não dá. Quem ficou de fora da lista, saiba que pelo menos está dentro do meu coração!

29 de agosto de 2011

Eu, o desgosto e os nazistas

Tenho uma leve impressão de que todos os meses de agosto da minha vida serão ilustrados por um texto aqui no BC. Lá no comecinho do blog eu já havia publicado um "Desgosto", onde comentava sobre as peripécias do cosmo nesse mês. Tudo acontece em agosto. E esse tudo dobra quando somado a minha vida. Muito bem, vamos ao desgosto da vez.

Se você acompanha a vida circense do BC, sabe que meu pai vive na discórdia. Ele faz tudo ao contrário ou deixa de fazer por puro prazer. Em um sábado de manhã, o chuveiro que vive quebrando, quebrou. A água não esquentava."Tudo bem", eu pensei, "isso vive quebrando mesmo, não custa nada usar a mangueirinha para um banho frio, é só hoje." E eu tomei banho frio, caro leitor. Porque se a plebe não tem esperança, vai ter o que? Domingo chegou e nada do meu pai mexer o rabo para arrumar o chuveiro. O meu cabelo começava a dar os primeiros gemidos de clemência. Entenda, eu tenho muito cabelo, e cumprido. Não dá para lavá-lo com uma mangueirinha fria, por maior que seja a esperança da idiota.

Segunda chegou, e foi embora. Terça, quarta, quinta. E eu? Tomando banho frio. Meu cabelo? Dreadlok natural. Cera de abelha é para os playboys, parceiro. Aqui é caveira! Minha mãe já tinha desistido de tentar convencer meu pai a consertar aquela merda. Veja bem, meu pai é do tipo que precisa de fortes motivos para tomar banho quente. A colônia alemã onde ele cresceu, cercado por renegados da Segunda Guerra Mundial, ensinou que banho quente e aconchegante é para os nazistas. É coisa feia, coisa do capeta. Na cabeça dele é natural obrigar a esposa e sua filha a aderirem essa religião. Banho frio no couro, sim! E ainda tem que dizer "amém". Se você fica aí, reclamando do jeito que a banda toca para o seu lado, é porque você ainda não ouviu a desafinada que ela dá no meu.

Na quinta-feira de noite minha mãe chegou com a notícia de que, sim, Hitler havia caído. Os nazistas estavam batendo em retirada e meu pai já havia consertado o chuveiro. Porque o banho quente seria o brinde de champagne para comemorar o fim do Holocausto. Parei de fumar meu cigarro da paz, desliguei meu Bob Marley, pedi para Jah me acompanhar na empreitada e desenrolei meu dreadlok. Minha vida de nômade tomava seus últimos passos. De toalha e coragem na mão, fui para o banheiro. Eu te juro, já não lembrava mais como se tomava banho com toda aquela água caindo no corpo. Água quente, ainda por cima! Fiquei à beira do êxtase. Meu cabelo coçava de tanta felicidade. Claro que ainda fica aquele medo bobo, né? A gente lavando os cabelos, aí abre os olhos esperando encontrar a cara de um nazista te encarando com uma faca na mão. Bem ali, na sua frente, você nu em pêlo e todo ensaboado. E o nazista lá: "Stick die seife in den arsch!"

Google tradutor:
Enfie o sabonete no cu!

Mas encarei o medo, a novidade de tomar banho quente após tanto tempo e fui para debaixo do chuveiro. Lavei o cabelo. Lavei as axilas. Quando comecei a ensaboar os países não participantes da Grande Guerra, adivinhe. Vamos, caro leitor, adivinhe! É, cosmo foi lá e BUM! cortou a energia do bairro. Um jato de água gelada caiu em cima de mim. Os nazistas riram muito. Eu fiquei toda ensaboada, com uma mão na frente e outra atrás, sem saber o que fazer. No mais completo e tenebroso escuro.

— Mãe?

É o que a gente faz, porque quem tem cu tem medo. Chamei mamãe, gritei por mamãe e mamãe trouxe uma bacia com água esquentada e canequinha. Fiquei lá, naquela situação medieval, desgraçando todas as gerações. Xinguei bastante porque xingo esquenta. Minha mãe rindo de um lado e do outro lado meu pai - sempre de consciência pesada - dizendo que a culpa não era dele. A culpa nunca é de ninguém. Enxaguei o sabonete do corpo e água abaixo foi o resto de dignidade que me restava na semana.

— Não posso nem lavar o cu!

"Lavar o cu é para os nobres!", os nazistas responderam.

24 de agosto de 2011

Todo dia é dia de circo

Senão a melhor manhã, aquela fez parte dentre as mais especiais. De cócoras à beira do rio, a moça lavava seu colã cor de carne que usava nos espetáculos do Rasmus' Circus. Fantasia aposentada há nove meses por conta de sua barriga avantajada, o colã implorava por um tratamento carinhoso para manter seu brilho e suas lantejoulas. Todo o circo, cercando um enorme terreno abandonado, se preparava naquela manhã para seu espetáculo de estreia em uma grande e movimentada cidade. A moça, por um lado saudosa de sua apresentação, por outro ansiosa pelo nascimento, observava seus cabelos no reflexo do rio. Foi então que uma pontada ela sentiu, tão rápida quanto um pensamento novo.

Pontinho por pontinho as estrelas estrelaram o céu de azul escuro. A lua, com seu meio sorriso, iluminava a entrada de uma tenda erguida em suas cores vermelha e amarela. Casa cheia. Caipira por caipira, o público adentrava o Rasmus' Circus alvoroçado pelo picadeiro forrado em palha que lhes oferecia entretenimento naquela noite ímpar. O dono do circo jamais havia presenciado tamanha venda e se empoleirou em seu orgulho, tocando com as pontas de seus bigodes as orelhas vermelhas de contentamento. Espetáculo vai, elefanta vem, a moça que costurava a fantasia de um palhaço franziu as sobrancelhas como quem descobre algo que mudaria o mundo.

— A minha bolsa estourou!

O palhaço, que esperava sua fantasia sentado no trailer ao lado da moça, levantou de súbito batendo com a cabeça no varal de roupas. O anão, correndo e tropeçando, correndo e tropeçando e correndo muito e tropeçando cada vez mais ficou na ponta dos pés para cochichar no ouvido alheio que havia alguém ali ansioso para causar sua própria estreia. "A estreia!", todos murmuraram já reunidos em volta da moça que se encontrava confortável em um canto da tenda, almofadado por tufos e mais tufos de feno. Os conselhos eram muitos. Os medos eram enormes. As dançarinas do cabaré (oferecido gentilmente após o espetáculo para os adultos por 50 centavos), sentadas lado a lado da moça com o corpo suado, seguravam sua mão e lhe imploravam que empurrasse como se não houvesse o amanhã.

— Tá entortado - comentou a velha cigana com uma colher de pau nas mãos, tentando tirar uma casca de feijão dos dentes.
— Dessa mágica eu não entendo.
— C'est la vie!
— Isso sim levaria a plateia à loucura.
— Nunca mais vou querer ver uma mulher nua.
— Mon cherie, força!

Na tenda principal o espetáculo caminhava para seu desfexo. Elefanta, cavalos, macacos, leões mau humorados e palhaços com suas calças pelos calcanhares erguiam a plateia em aplausos e reverências. Choviam-lhes flores colhidas dos campos próximos ainda com o cheiro da frescura primaveril. That's all folks!, e as cortinas escarlates fecharam-se dizendo muito obrigado, muito obrigado, dirijam-se aos espetáculos secundários, por favor! E a moça arfava. Arfava como se o mundo estivesse querendo lhe arrancar as entranhas pelas ancas que, sim, eram acostumadas a galopar no trote fixo dos cavalos, mas não encontravam manobras o suficiente para tamanha dor.

— Eu disse! Tá entortado.
— Mergulha em uma banheira com azeite quente que resolve.
— O que está acontecendo? - o dono do circo entrou no meio dos rodeados trazendo consigo o resto dos circenses desgarrados daquela vida.
— Ah, mas isso é novidade pra nós!
— Toalhas!
— Não temos toalhas.
— Fantasias!

E então todos gritavam eufóricos por fantasias, todas elas, grandes, pequenas, de algodão, de lantejoula, e perucas e chapéus de palhaço de mágico de domador de leões. Um amontoado colorido foi se formando entre as pernas da moça circense que jogava pulmão afora seus últimos esforços. Ali, envolta em feno, velada pela elefanta curiosa e o macaco treinado, rodeada pela trupe circense escondida por detrás de suas personagens, bem ali, sob a tenda e os olhos celestiais, a moça deu à luz a uma preciosidade que seria sua alegria e seu porto seguro.

— Mon diê!
— Desentortou.
— Alguém fala latim? Precisamos batizar!
— O trapezista fala latim. Ele ia ser padre... - um palhaço comentou como quem acha um absurdo alguém querer ser padre.
— Olha só pra ele, é tão colorido quanto nós!
— É a coisa mais pequenina que já vi - um dos anões sentiu ciúmes.
— Signo de Leão. Esse vai ter uma baita personalidade! - disse a cigana pincelando o recém nascido com galhos de arruda.
— E o nome?
— Rasmus!
— Valeu a tentativa.

Os olhares dirigidos à moça preencheram as expectativas. Qual seria o nome? Qual nome dar ao rebento, o marco do recomeço? Qual nome? Qual nome!?

— Qual nome? - a trupe perguntou reunindo-se em suspense e enforcando mais o círculo em volta da moça.
— Bonjour... - ela disse em êxtase - Bonjour Circus!

A trupe, formando plateia, suspirou em uníssono.
Feliz 1 ano de Bonjour Circus para nós!

13 de agosto de 2011

Pelas bordas

Há dias em que não quero ser eu mesma. Às vezes falo o que as pessoas querem ouvir. Outras vezes digo o que elas esperam que eu diga. Também converso da forma que manda a etiqueta. Acho tudo um absurdo, uma sacanagem, um crime. Só porque a sociedade quer que eu ache isso. Não tenho paciência para puxar assunto, manter assuntos e tão pouco buscá-los por aí. Só quero sombra e água fresca. Só quero levar as coisas com a barriga e deixar por isso mesmo. "Amanhã eu resolvo". Segunda-feira eu começo. Na próxima vez serei mais simpática e extrovertida. Se houver segunda chance, darei o melhor de mim.

Há anos que quebro promessas. Esqueço metas, objetivos e apago da agenda compromissos comigo mesma. "Hoje não quero. Hoje não dá. Hoje não é um bom dia." No fim das contas, hoje nunca chega. Hoje nunca se encaixa na semana. Acordo naquela vontade de recomeçar, mesmo quando não há nem o começo, e coloco os pés no chão frio. A vontade vai embora porque, convenhamos, a realidade é gelada demais. Então, todo um sistema de sabotagem começa a engrenar. E mais uma vez, ser eu mesma se torna cansativo. Provar da minha própria personalidade é improvável. Ser sincera na terapia, abrir o coração para os próximos, socializar com os conhecidos se transforma em uma batalha naval.

Há sempre o risco de ser atingida. Não pelos outros nem por suas reações, mas pelo impacto da coragem de ter sido o que sou. Às vezes, por incrível que pareça, é impossível. Simplesmente não tenho vontade. É um dar de ombros, um virar de costas, um sorriso sem os olhos. Me permito ser covarde sim, e não nego. Me escondo nas entrelinhas, no entortar de boca, no gole de café. Fico ali no fiasco, dependurada, rezando para ninguém notar. "Ela está sendo sincera? Verdadeira? É isso mesmo que pensa?". Nunca se sabe. Nunca sei. Para descobrir, preciso acordar na manhã seguinte determinada a encontrar a resposta. Caso contrário, jamais saberemos em que dia estou. Se no hoje ou no aguardo do amanhã.

9 de agosto de 2011

Ao escritor

Gostaria de agradecer muito aos comentários atenciosos e as estimas de melhoras no texto "A (não) arte de ser criminoso"! Me senti muito bem acolhida pelos leitores do BC e cada palavra de vocês fez com que eu me sentisse melhor e amparada. Seu lindos :*

Penso que, se você não tentasse sempre ser tão literário e poetico, conseguiria me alcançar. Atingir objetivos. Se você deixasse de lado a filosofia de vida e as palavras difíceis, poderia ganhar mais sorrisos do que icógnitas. De vez enquando vá lá um romance ou outro, mas toda vez? Não se sente escasso, esvaído, nem por um minuto? As pernas não lhe enganam, não lhe falham, sem aviso prévio? Os braços não se entregam, assim, do nada, deixando que a pena lhe caia aos pés? Não neva? Nunca? Jamais? Há sempre sol e borboletas sadias vagando nesta mente lúcida que não folga nem aos domingos?

Uma vez ou outra chamar-me de linda, vá lá. Uma vez ou outra.

Ainda ontem te vi, pé ante pé, atravessar o escritório com os dedos a palpitarem os lábios. Ah, eu sabia o que você caçava. Com tamanha sede, que nem o sertão é capaz de sentir, você caçava palavras rimadas, profundas, galantes. Procurava uma horizontal recheada de descobertas que qualquer reencarnação de Shakespeare invejaria. Eu observava quieta. Fiquei ali, caladinha, sentada em uma cadeira. Pernas cruzadas. Um gole de chá. Um arranjar de franja. Você, tão perdido entre cem caminhos, nem ao menos notou. Não me notar, vá lá, acontece com todo mundo. Talvez tenha sido culpa da falta de tosse singela, aquela de aviso. Culpa de um bater incessante de ponta de sapatilha, aquela batidinha alarmante. Talvez, por via das dúvidas, tenha sido sua cegueira crônica.

Nada pior para um poeta do que uma cegueira crônica. Aquela em que Deus lhe dá os olhos para você enxergar, mas não há natureza nesse mundo que o ajude. Uma ilusão incrustada que te faz pensar que tudo vê! Mas você não enxerga a um palmo de suas escritas. "Ela é linda, ela é linda!", por que ela é linda? Por que não feia, mas de bom coração? O que há de errado com o pobre coração? "Ela é insinuante e vasta de santidade!", eu lhe insinuo precipícios, como qualquer outro santo o faria.

Hoje, agora, sentada à beira do parapeito da janela e te observando castigar a pena à tinta, penso que seria cômodo aceitar suas súplicas e partidas como boa romântica criada à beira do fogão. Mas não sei. Estamos muito longe um do outro. Você de um lado procurando como sádico palavras e mais palavras para descreverem o que vê, mas não o que sente. Eu de um lado ao mesmo lado, em círculos, procurando por alguém que me veja. Como eu sou. Não como a poesia me inventa. Há tanto que nos separa. E esse tanto é você.