28 de fevereiro de 2011

Heavy

Eu acho chato quando as pessoas desatam a falar sobre seus artistas favoritos e no quanto eles são fodas. Acho mesmo. De verdade. Mas por outro lado, entendo perfeitamente o que leva essas pessoas a escreverem sobre a admiração que tem por alguém. Nosso coração navega da identificação com as letras das músicas até qualquer tipo de mera semelhança. Coincidências são muitas, mas admitir isso é como encontrar ouro no fim do arco-íris. É, eu sei. Sei de cabo à rabo tudo o que liga uma coisa à outra.

Eu poderia chegar aqui e dizer "o blog é meu portanto faço disso aqui o que eu bem entender", mas não é nada disso. Acredito que quando criamos um espaço onde cobramos o comentário de terceiros e suas opiniões, estamos abrindo mão da liberdade de jogar merda no ventilador. O BC é regido pela democracia. Eu jamais obrigaria vocês a lerem o que não querem, tão pouco postarei textos para afastá-los só porque o BC é meu, mimimi, meu único bem nessa bosta de vida.

Isso explicado, aviso de antemão que podem pular para os comentários reclamando do post um tanto vazio, já que não terá significado para ninguém além de mim. Comenta aí sobre o clima, sobre o Oscar ou até sobre o vídeo, caso tenha curiosidade. Mas também sintam-se a vontade para xingar um post tão groupie quanto esse.

Now it's time to hide yourself or read this shit.

Acontece o seguinte na minha pacata vida: eu amo The Rasmus. Isso não é novidade, mas vocês não entenderam: eu amo The Rasmus. Tanto que chego a fazer coraçãozinho com as mãos, só para vocês entenderem o grau de insanidade. Lauri Ylönen, o vocalista galinha preta é vossa mãe, começou agora uma carreira solo e horas atrás lançou seu primeiro vídeo sem o resto da cambada. Não, não dei pití por conta da carreira solo, até porque Eero também andou aprontando em projeto paralelo e deu super certo. Eu só não imaginava o impacto que seria ler a letra do primeiro single. Não vou dizer que foi surreal porque quero fingir que sou normal o melhor possível. Já chega as pessoas que se afastaram de mim por me verem correndo atrás de corvos.

Cansativo, sabe?, contar mil vezes a mesma história da mocinha que foi criada como bicho pelo pai. Cansa a beleza da mocinha e a beleza de quem a lê. Não há quem bote a mão no fogo por esse conto, mas eu de fato cresci em uma gaiola onde me serviam do suficiente para sobreviver. Cresci muito desacreditada das estruturas sociais que sustentam o sonho de cada um dos civis. "Não é nada disso", eu dizia para vida. "Foda-se o que você acha", a vida dizia para mim. Toda a vida perdi muitos pedaços de mim que foram caindo como saco de batata pelo caminho. Hoje aprendi que não sou a única que carrega uma cruz mais pesada do que o próprio corpo. Do que o próprio mundo.

Enfim. Talvez não lhe interesse. Não me interessaria se eu fosse a leitora. Como diria Beth Hart "no one will lend a hand and I guess that’s life", mas citá-la já é acúmulo de música, letra, verdades, coincidências e acasos. Me permita refazer o quote e citar o apropriado: "Harness your rage, take a leap of faith to claim back your soul before it's too late. Show them no fear, sing them goodbye. Leave all but your heart and you're free to fly. (...) You are not the only one. Who's tired of living afraid of the oblivion. 'Cause the crown on your head, the smile that you wear, the cross that you bear never felt this heavy."

7 de fevereiro de 2011

A arte da criatividade

Quando criei o Bonjour Circus sofri para escolher o nome do cafofo internético que agregaria todas minhas emoções e ideias. Pensei, pensei muito, tentando encontrar um nome que tivesse conexão com o que sou. Após dezenas de tentativas frustradas, já que todos os nomes escolhidos já estavam reservados, resolvi ser levada pelo coração. Pois bem, eu estava ouvindo Marie Laforet cantando na minha pasta "Artistas de um hit só 8D" e percebi o quanto eu amava a sonoridade da palavra bonjour. Colega, eu adoro pronunciar bonjour. Foi então que me lembrei das épocas idas de minha viagem ao exterior, onde as crianças quase toda manhã me recebiam com "Bonjooooour" depois de terem aprendido a expressão em suas aulas de francês na escola. Bonjour seria a escolha, mas o Blogspot não me permitiu. Já que eu estava sendo levada pela maré, nada mais perfeito como complemento do que circus. Além de ser meu nickname na internet (Ill Circus) "circus", ou simplesmente circo, é uma das minhas grandes paixões nessa vida. Posso afirmar que sou quase uma Ph.D. em circo.

Pois bem, toda essa história para explicar que o BC foi criado unicamente para expressar tecnologicamente a pessoa que sou e, principalmente, a pessoa que quero ser. Do primeiro código CSS ao último ponto final de cada texto, o BC grita o meu nome com vários pontos de exclamação seguidos pelo número um ao final. Só para enfatizar a hiperatividade de quem vos escreve.

Mas para que tanto blá blá blá, moça circense? Não obstante, topei meu dedo na quina da discórdia quando deparei com um blog que gritava meu nome, mas não era meu. Como se meu reflexo olhasse para mim e fizesse chacota da minha cara de gringo perdido no carnaval. A Gabs do 187 tons de frio me compreende muito bem quando digo que encontrar um trabalho gerado como filho em uma curva de rio é, no mínimo, desanimador. A pobre blogueira sofreu vários ataques de plágios, coitada, e agora posso sentar ao seu lado tão desolada quanto, bebendo do amargo gosto da vida blogueira no bar dos Desterrados.

Não, eu não gosto de fazer alarde quanto a isso tão pouco caço plágios por ai. Acontece que a plagiadora em questão se deu ao trabalho de visitar o BC, deixar seu endereço rastreado em meu banco de dados privado da NASA (que o ofereceu à mim, sempre muito gentil) e colocou o BC em seus créditos para amenizar a situação constrangedora. Como se não bastasse as cores e a imagem, a plagiadora organizou seu "perfil" conforme o meu e usa expressões bem parecidas. Trechos separados, cada parágrafo descrevendo um pedaço de mim. Quando entrei no blog levei um choque. "Fui clonada!", pensei. Mas quando li o texto de abertura, vi que somente o BC havia sido clonado, apesar das modificações ingênuas que sofreu.

Veja bem, inspiração pode conter diversos significados e nenhum deles, posso afirmar, se comporta de forma diplomática no mundo blogueiro. Não há inspiração que sofra metamorfoses o suficiente para se tornar algo completamente diferente de sua origem. Em poucas palavras: você não se inspira em alguém para ser o que você acaba sendo: você mesmo.

O seu blog não é o Bonjour Circus.
Ainda bem, diga-se de passagem. Do contrário eu estaria sofrendo de esquizofrenia.

Eu comentei no blog avulso como quem comenta com o filho que comer hamburguer com Coca Cola no café da manhã não é sensato. A pessoa há de entender que, de fato, nunca será o Bonjour Circus e que tentar se parecer com ele (e comigo) é, infinitamente, ridículo. Até porque qualquer um consegue uma personalidade melhor que a minha, vamos combinar. A blogueira me respondeu educadamente (assim como me dirigi à ela), se desculpou, etecétera e tal. Eu fiquei contente, não por ter vencido mimimi já que isso não é uma competição, mas por perceber que ainda há pessoas controladas emocionalmente na blogosfera. Havia a possibilidade de, mesmo errada, a mocinha ter um ataque ético e xingar todas minhas gerações, mas não, ela se redimiu. Fim de papo. Nossos blogs podem sair juntos para brincar e, quem sabe um dia, se linkarem.

De qualquer forma, fica o sobreaviso para os futuros dedos escorregadios deste mundo injusto. O próximo que tirar lasquinhas vai para o Mural da Vergonha e será bombardeado por comentários dos Prós Circenses. Eu sou péssima com ameaças, minhas atitudes falam melhor por mim. Porque ninguém promove espetáculos senão o circo.

Este texto não é direcionado à mocinha que já se desculpou. O escrevi apenas para ilustrar minha primeira aventura bloguística após seis anos fora da blogosfera e, bem, sim, para sobreavisar à quem a carapuça servir. Me desculpe a falta de barraco, sei que todo mundo gosta, mas jamais permitiria que o circo pegasse fogo, se me permitem o trocadilho infâme. Obrigada por vossa atenção.

PS.: As inscrições para a Cápsula terminam agora devido a queda do PIB de nosso país. Blá blá blá. CHUBIRUBA. Vou desabilitar o botão direito de vosso mouse e a seleção para não enfrentar quedas de braço também.