18 de janeiro de 2011

Meu pai e a discórdia

Meus pais estão passando por um tipo de Guerra Fria do Paisagismo, e eu me senti afim de registrar isso no BC por um motivo ainda desconhecido. Talvez para servir de prova à polícia caso isso tome proporções extremas. Afinal de contas meu pai é um sociopata em potencial. Minha mãe, quando o assunto é planta ou decoração da casa, também não fica muito consiliadora. De qualquer forma, vale o registro de mais uma Guerra Fria em família, nunca deixa de ser divertido.

O problema começou há anos atrás quando meu pai resolveu nascer em uma colônia alemã em RS. Ser criado assim vá lá, mas permanecer colono após se mudar para SP é suicídio social. Queria deixar claro que sou fortemente influenciada pelo meu desgosto com os gaúchos de minha família, portanto, ignore alguns comentários avulsos de raiva instantânea. Meu pai tem necessidade de ser cercado por mato, não jardins, mato. Tudo tem que ser verde, muito verde, úmido, fechado e longe do mundo. Eu avisei que ele era um sociopata. Então, o que ele fez? Anos atrás ele decidiu que nosso lar não seria doce se as grades da frente continuassem sendo grades, não, elas deveriam ser árvores, cipós, esconderijo de bichos provavelmente nojentos. Ai ele arranjou aquela planta que tem uma flor pequena e lilás. Conhece? Não sei o nome, mas sei que é uma praga e isso me basta.

Se tem uma coisa que herdei de minha mãe foi a cara de cu quando desprezo alguma coisa. A planta começou a crescer desordenadamente tomando conta da frente de nossa casa por completo. O Satã em forma de vegetal chegou a se enrolar nos fios do poste na calçada, eu estava vendo a hora que a Eletropaulo viria aqui nos prender por nossa planta ter provocado incêndio em todas as casas da rua. Se é que restasse algo de nossos corpos carbonizados. "Mas era uma planta bonita", diria meu pai no inferno. O pior é que a peste verde invadiu o terreno alheio e, claro, incomodou os vizinhos que varrem as folhas e flores várias vezes por dia. Fora os mosquitos que essa maldição acumula. Sim, isso mesmo, e a dengue. Mas o sociopata segue achando lindo.

Um crítico erro de DNA faz com que meu pai pense que ele é o centro do universo e que a verdade absoluta lhe pertence, então ele protege a planta como se fosse sua vida e não permite que minha mãe arranque ela pela raiz. Só que enquanto meu pai fala, a única coisa que ela escuta é: Blá blá blá blá. Naturalmente a planta perdeu metade de seu espaço conquistado e agora se sente intimidada pela tesourona enferrujada de minha mãe. Dona Mãe se empolgou tanto que chegou a comprar um par de luvas de jardinagem novas e não se desconecta mais da internet atrás de informações diversas sobre plantas e cuidados com as mesmas. Até se viciou na Mini Fazenda do Orkut para aprender mais sobre agricultura também.

Eu não tinha motivo algum no início do texto para publicá-lo aqui, no BC, mas agora me veio à cabeça uma luz dizendo que, sim, eu tenho motivo. Primeiro eu gostaria de perguntar se alguém conhece a planta e se existe veneno potente contra o Mal encarnado em meu portão ou qualquer macumba que funcione sem deixar rastros. Segundo eu queria esclarecer, mais para mim mesma, que eu tenho todo o direito de ser um tanto amarga outro tanto ressabiada com a vida, já que meu pai é uma pessoa realmente difícil de se lidar. Terceiro, e por último, essa publicação serve mesmo como prova caso eu enforque meu pai com os caules de sua planta preferida.

NOTA:
As inscrições para a Cápsula 2012 continuam ;)

4 de janeiro de 2011

Retrospectiva Literária 2010

Oi, eu sou um post programado. A moça circense está impossibilitada de estar presente nesta data devido a reuniões não mais secretas com membros finlandeses da ONU para resolver o problema de imigração de corvos no verão brasileiro de 2011, portanto, cá estou autometicamente caindo de paraquedas no BC. Tá. Eu só temi esquecer de postar isso na data certa mesmo.

O livro infanto-juvenil que mais gostei:
Fui obrigada a dar uma boa remexida no baú empoirado pra descobrir essa (rinite manda beijo). Sem sombra de dúvida foi A Garota das Laranjas (Jostein Gaarder). Eu não queria ler O Mundo de Sofia por várias razões, dentre elas a filosofia que na época me incomodava muito, mas eu queria ler um livro do Gaarder pra pelo menos poder falar mal conhecer algum trabalho do autor. Na livraria A Garota das Laranjas sorriu pra mim e eu levei comigo pra casa. Em três dias eu devorei o livro e cheguei a marejar os olhos. Acho que foi a primeira vez que me emocionei a esse ponto com um livro. Me lembro que escrevi uma espécie de "resenha" com um quê de eu-lírico (confesso que viajei com força nessa resenha):



"Vou olhar mais vezes para o céu. Sempre tive vontade de fazer isso, lá em cima, depois do céu escuro, muita coisa me espera. Mas neblinas encobrem minhas vontades. Muito presa na cozinha da Gata Borralheira, não vejo nada nem mesmo me lembro de olhar mais atenta. Sei lá, eu simplesmente existo, de uma forma muito injusta."


A aventura que me tirou o fôlego:
O Circo (Gary Jennings). O título continua com "As aventuras de um circo viajando pela Europa do séc. XIX ", ficando proporcional as 1.024 páginas. Não sei quantos anos Jennings gastou nesse livro, mas deve ter perdido família e vida social se empenhando em escrever páginas e mais páginas de aventuras crueis e extremamente realistas. O Circo não tem um enredo cheio de dóceis amores e aventuras super bacanas com uma turminha do barulho, não, o livro toca o terror. Ás vezes, lendo no ônibus, eu fazia caretas de dor, nojo e assombro e - talvez - eu tenha perdido metade da minha vida social com isso.

O terror que me deixou sem dormir:
Um terror chamado O Vendedor de Sonhos (Augusto Cury). Sério.
Ele olhou pra mim na prateleira da FNAC e eu o olhei, de um minuto ao outro, o livro estava me convidando pra tomar um drink e depois dançar e depois trocar telefones e ai ele jogou, sedutor, um sotaque italiano ao pé do meu ouvido. Levei o livro pra casa porque a capa era sugestiva, não tenho vergonha de assumir. No meio da leitura, já possessa querendo meus Reais de volta, eu fechei o livro e anunciei em voz alta: Essa porra é autoajuda! Perdoem a redundância, mas um péssimo livro de autoajuda. Perdi duas noites tentando encontrar respostas. Por que aquele livro estava em minha prateleira? Por que Cury não economizou esse tempo pra usá-lo mais tarde em ajudar de verdade? Por que eu o comprei!? Sua idiota. Sua estúpida. Sua anta!

O suspense mais eletrizante:
Antes de responder gostaria de informar que finalmente aprendi que Sidney Sheldon não é suspense.
A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón). Foi o único livro que manteu o suspense até as últimas páginas. Eu tenho uma chata mania de desvendar os mistérios já na metade da leitura, imagine o quanto eu ficava frustrada com suspenses! Mas A Sombra do Vento mudou minha vida e mostrou que ainda há esperanças.

O romance que me fez suspirar:
Sempre tenho um pé atrás com essa história de suspirar... Serve Camões? Tenho um mega crush pelo caolho.

A saga que me conquistou:
Não cheguei a acompanhar sagas, mas se a preguiça me permitisse seria As Crônicas de Nárnia. Um dia eu consigo!

O clássico que me marcou:
O Crime do Padre Amaro (Eça de Queirós).
Começou com o filme, pra ser sincera. É, aquele mesmo que você tá pensando, com o Gael García Bernal. Eu tinha 16 (ou 17?) anos quando a professora de Português resolveu nos enfurnar na minúscula sala de vídeo pra assistí-lo (ela sempre fazia isso quando tinha preguiça de dar aula, e isso é sério). Imagine uma garota de 16 (Jesus, seria 17!?) anos assistindo o Gael cometendo pecados? Porra, né! Enfim, depois busquei pelo livro, não era tão emocionante quanto, mas ainda assim uma leitura muito proveitosa.

O livro que me fez refletir:
Como Viver Eternamente (Sally Nicholls).
Foi o primeiro romance de Nicholls (e acho que o único pelo andar da carroagem), mas o enredo é maduro ao contrário de outras escritoras. A história contada por Sam faz qualquer um parar pra refletir na vida, nas reclamações, preocupações e rotina diária. Terminei o livro em um dia, mas refleti por semanas no assunto. É um enredo extremamente tocante. Além de me fazer pensar em coisas que normalmente ficam de lado esquecidas, Nicholls fez com que eu tivesse ainda mais vontade de escrever e passar ao mundo lições como essa.

O livro que me fez rir:
Eu sou o Mensageiro (Markus Zusak).
Santo Deus, como eu ri com esse livro! Não digo aquele meio sorriso no canto da boca ou um abrir de lábios mostrando timidamente uma fila de dentes brancos, quando digo que ri estou dizendo que gargalhei! Sonorizei "hahaha" e bati no meu joelho repetidas vezes. Vez ou outra ainda escapava um "ai, caralho" acompanhado pelo gesto de secar o olho lagrimejado.

O livro que me fez chorar:
Marley & Eu (John Grogan).
Pode me chamar de burra ou do que quiser, mas eu não sabia que o cachorro morria no final (isso foi um spoiler? devo pedir desculpas? corro perigo?). Comprei o livro e comecei a leitura na mais completa ignorância. Nas últimas páginas, com Marley velho e doente, um alarme começou a soar e foi ai que minha ficha caiu: "Ele tá morrendo...", eu disse já com lágrimas nos olhos e assustei minha mãe. Até ela entender que quem morria era apenas uma personagem não-fictícia no livro eu já estava às lágrimas abraçando minha falecida Laika como se não houvesse o amanhã.

O melhor livro de fantasia:
O único livro de "fantasia" que li foi O Dia do Curinga (Jostein Gaarder), mas ele tá longe de ser o melhor. Na verdade foi o livro culpado por eu jamais querer ler outro da mesma categoria. Eu poderia jogar uma piada dizendo que o melhor livro de fantasia seria o do Corinthians? Não? Tarde demais.

O livro que me decepcionou:
Graças a Deus eu baixei o livro ao invés de comprá-lo! Sabe quando você vai seco em algum assunto que adora e dá com os burros n'água? Não sabe? Só eu faço dessas cagadas mesmo, né? Enfim. Eu amo qualquer assunto relacionado à guerras mundiais, principalmente a segunda guerra, ou seja, fui louca baixar O Menino do Pijama Listrado. Quando comecei a dormir na terceira tentativa de lê-lo ainda empacada na 11ª página convenci a mim mesma que havia errado e que o livro era completamente FAIL. Não tinha emoção, faltava detalhes, faltava um toque mais infantil já que a personagem era uma criança, não teve aquele olhar ingênuo (entrar em um campo de concentração não é ingenuidade, é burrice mesmo). Faltou muita coisa pra ser um enredo ocorrido durante uma guerra.

O(a) personagem do ano:
Isso é covardia! Não consigo ter uma resposta singular. Ed e Porteiro, ambos de Eu sou o Mensageiro, que deixaram sua marca na literatura como inovadores. A morte de A Menina que Roubava Livros, a narradora mais encantadora que eu poderia conhecer. Kolya de Cidade de Ladrões (David Benioff), foi o único que salvou o livro.

O(a) autor(a) revelação:
MARKUS ZUSAK! #tietagem

O melhor livro nacional:
Dom Casmurro (Machado de Assis). Sempre!

O melhor livro que li em 2010:
Lido pela quinta vez: Auto da Barca do Inferno (Gil Vincente). Não li livros em 2010, a ansiedade não me permitiu, mas antes que ela me atrapalhasse consegui reler o livro no começo de março e sempre gosto dele, não sei porquê exatamente, mas é um livro cativante. Ele está acima da FUVEST!