30 de novembro de 2010

Benjamin - A Saga III

Saga I, Saga II

Benjamin agora deu para brigar com a cama que insiste em ser menor que ele. Eu, como boa inocente que sou, comprei uma cama xadrez de R$90,00 quando ele tinha dois para três meses, ainda pensei em dimensões maiores "porque ele ainda vai crescer um pouquinho". É bem o tipo de coisa que acontece comigo mesmo. Fato é que ele cresceu e a cama não. Hoje foi dia de veterinário, como todo fim de mês, pesamos, vacinamos, recebemos recomendações e estaremos nos fudendo, obrigada, volte sempre.

Pelo menos a última dose de V8 foi hoje e daqui 15 dias posso passear com meu sutil quase vira-lata pelo parque do Ibirapuera. Ao contrário do que eu pensava, não preciso levar uma sacolinha para recolher a caquinha dele, mas sim uma pá. Também não preciso me preocupar em levá-lo para passear, acho que vai ser o contrário, eu serei levada por uma veloz turnê no Ibirapuera enquanto Benjamin, sempre efusivo, cheira e late e corre e brinca com tudo que se move. Pelo menos vocês saberão me reconhecer facilmente, qualquer coisa dá um oi, uma ajuda. Que seja...

Em um mês Benjamin engordou seis kilos o que nos leva a doze kilos. Quatro meses = doze kilos. As notícias foram rotineiras como sempre "Ele está ficando com cara de Pastor Alemão, blá blá blá, vai atingir 25 kilos, talvez mais" assim como quem não quer nada, se como fosse uma coisa pela qual eu esperava, ou pior, ansiava. Agora estamos em um impasse, eu e a veterinária: Pastor Alemão ou Rottweiler? Eu arrisco afirmar que ele será um Rottweiler assustadoramente mimado e medroso, ou algo perto disso. A veterinária aposta no Pastor Alemão. Se como isso importasse, sejamos claros. De qualquer forma, hoje ela me contou uma história que me mostrou o quanto as coisas poderiam ser piores...

- Um dia uma cliente veio aqui muito nervosa reclamando do cachorro dela. Contou que havia o adotado e os responsáveis afirmaram que era um Rottweiler puro. O cachorrinho cresceu até certo tempo, mas depois parou e começou a esticar. Era fruto de uma mistura de Rottweiler com Dachshund!

Visualizem o drama da pobre senhora. Ela tinha um "Linguiça" com cara e temperamento de Rottweiler. Dessas o cosmo ainda não aprontou comigo. Imaginei um bibelô, tipo aqueles cachorrinhos escrotos que balançam a cabeça e pessoas escrotas compram para colocar no painel do carro escroto, saca? Um bibelozinho desse bem rebolativo ao andar e com dentes tortos e um rabo fino e longo. Benjamin pelo menos recebeu dezenas de elogios da veterinária, o que deve ser difícil do DashWeiler ouvir, pobre coitado. Sei que sou mãe, consequentemente suspeita, mas meu filhote está mesmo um puta garanhão arrasador de corações.




As visitas terminaram por enquanto, me sobrou mais uma dose de vermífugo que coincidiu com o Natal, porque de outra forma o cosmo não riria tanto da minha cara de cu. Nada de peru no primeiro Natal de Benjamin. Aliás, eu sou uma anta mesmo, tenho vergonha de assumir, mas me sinto muito animada com esse Natal porque é o primeiro do Benjamin. É um Natal diferente por completo, na verdade. O primeiro sem a Laika para tentar roubar as bolachinhas da árvore, e o último em que o Benjamin não alcança o pinheiro para destrui-lo. Mas, é, eu estou muito animada com tudo, e doze kilos mais orgulhosa.

6 de novembro de 2010

Benjamin - A Saga II

Saga I

Eu voltei com notícias do Benjamin. Não que seja o filho da Bündchen ou da Jatobá. Não que seja interessante pra vocês. É só meu meio-rottweiler. Entrei em uma nova rotina com ele que, além de ensinar a sentar e dar a patinha, inclue também visitas a cada fim de mês ao veterinário. A cada visita uma vacina (ou uma afundada com o pé na jaca). As consultas sempre começam com o peso, e como sempre, sem mais nem menos, o veterinário nos mantem atualizados sem a menor cerimônia:
- Ele engordou cinco quilos.
Assim, como quem diz "comi um burritos no almoço". Esquecendo de mencionar que apenas um mês se passou desde a última consulta. Em um mês meu vira-rottweiler ou rottweiler-lata ou simplesmente Benjamin passou de três pra oito quilos.

Ele mal cabe no meu colo, e evito levantá-lo pra mimos alheios porque não desejo um problema no ciático assim tão cedo, pois basta-me problemas emocionais. Me abstenho do resto do universo against me. O que era um sonho de ter novamente dentro de casa e em cima da cama um cachorrinho companheiro que preencheria o vazio que Laika deixou, se tornou em um novo guarda-costas que arranca braços de motoqueiros ou pernas de ladrões desavisados. Ok, pelo menos não posso reclamar dizendo que ele não preenche todo e qualquer espaço vazio. O otimismo é coisa de gente muito corajosa.
Depois do baque de cinco kilos o veterinário foi buscar a vacina do mês, e minha mãe - em um momento meu de distração - parece que também foi almoçar burritos, e disse:
- Um Rottweiler chega a pesar 50 kilos, filha.
Bem desnecessário. Até porque eu já desconfio quando o escuto correndo pela casa, mais parece o trotar de uma corrida de cavalos ensandecidamente descontrolada, e não um filhote adotado exclusivamente pra caber no meu colo e latir miudinho.


Apesar de conseguir abocanhar meu braço com apenas quatro meses de idade, não me deixar andar pela casa porque finca seus caninos pontudos de filhote no meu calcanhar, comer três kilos de ração em uma semana e meia, perder - em dois meses - uma caminha vermelha xadrez de R$90 porque ela - naturalmente - não acompanhou seu crescimento, ter destruido três chinelos meus (o pé direito somente, verdade seja dita) em duas semanas e apesar de alcançar minhas ancas e mordê-las, ele tem muita saúde e a cada dia me ensina que eu merecia, sim, uma segunda alegria na vida e que ela, como sempre me mostram as consultas, é cheia de surpresas.